Ministério da SaúdeMinistério da Saúde
 
English Español Russo   Français
Comunidade Cadastro Mapa Dúvidas Endereços Fale

 Voltar para: Página principal > Área técnica> Pesquisa > Informe de C&T

Pesquisa
Projetos de Pesquisa

Avaliação Clínico Epidemiológica e Laboratorial da Co-infecção HIV - Leishmaniose, Tegumentar e Visceral, no Estado do Pará.

COORDENADOR: RITA CATARINA MEDEIROS SOUSA     Currículo Lattes

PERÍODO: 2007 - 2008

SITUAÇÃO: Encerrado

NATUREZA: ESTUDOS E PESQUISAS

POPULAÇÃO ALVO: Pessoas vivendo com HIV co-infectadas

OBJETIVOS: OBJETIVO GERAL: Descrever a prevalência do HIV em indivíduos com leishmaniose tegumentar ou visceral no Estado do Pará. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: 1) Determinar a prevalência de HIV em indivíduos com leishmaniose tegumentar ou visceral habitantes dos municípios de Belém, Barcarena, Itaituba e Almerim. 2) Verificar infecção por Leishmania em pacientes portadores de HIV que habitem em áreas endêmicas para leishmanioses. 3) Identificar e caracterizar através de marcadores moleculares as diferentes espécies de Leishmania envolvidas nas co-infecções com HIV. 4) Correlacionar a doença por leishmanias com a carga viral para HIV e níveis de CD4 em pacientes co-infectados por esses dois agentes. 5) Descrever as manifestações clínicas da leishmaniose tegumentar e visceral em pacientes portadores do HIV. 6) Observar a resposta terapêutica convencional contra leishmania em pacientes co-infectados com HIV.

RESUMO: A importância das leishmanioses no contexto de saúde pública tem aumentado em função do cres-cente número de casos que vem ocorrendo não só em zona rural, como também na periferia de grandes centros urbanos. A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa não contagiosa de evo-lução crônica, com altos índices de mortalidade, sendo que o Brasil notifica cerca de 90% dos ca-sos do continente Americano. A leishmaniose tegumentar americana é uma enzootia de animais silvestres. A transmissão ao homem acontece quando este adentra em áreas de matas primárias passando a ter um caráter zoonótico. No Brasil, sua importância deve-se tanto pela ampla expansão geográfica quanto pela magnitude da doença, uma vez que é capaz de produzir deformidades físi-cas. No Pará, tanto a leishmaniose visceral quanto a tegumentar, são endêmicas. Tem sido relatado a ocorrência de LTA em pacientes portadores do vírus HIV. Nos casos publica-dos, tem-se observado uma diversidade clínica, quadros mais graves, dissemina-ção,comprometimento de órgãos internos e refratariedade aos tratamentos habituais. A leishmanio-se visceral vem emergindo como uma importante infecção oportunista entre os indivíduos portado-res de HIV, sendo que pode apresentar-se com uma apresentação atípica e alta mortalidade, apesar do tratamento (+50%). As espécies de Leishmania envolvidas em doença tegumentar e visceral em nossa região são espe-cíficas do continente Americano. A L. (L.) chagasi é responsável pela leishmaniose visceral. As espécies responsáveis por leishmaniose tegumentar na Amazônia são: Leishmania (Viannia) brazi-liensis, Leishmania (Viannia) guyanensis, Leishmania (Viannia) lainsoni, Leishmania (Viannia) naiffi, Leishmania (Viannia) shawi, Leishmania (Leishmania) amazonensis e Leishmania (Viannia) lindenbergi. Pouco se sabe sobre o comportamento dessas espécies em pacientes imunodeprimidos pelo HIV. Assim, este estudo é de fundamental importância para a avaliação das características clínico-epidemiológicas da co-infecção HIV/Leishmania, o que permitirá manejo clínico, diagnóstico e terapêutico mais adequado aos indivíduos co-infectados.

METODOLOGIA: Trata-se de um estudo de prevalência, que abrangerá 4 municípios do Estado do Pará: Belém, Barcarena, Itaituba, Almerim. Nos municípios de Itaituba e Almerim, farão parte da amostragem, pacientes internados ou acompanhados ambulatorialmente nos hospitais municipais (Hospital Municipal de Itaituba e Fundação Hospitalar Vale do Jari, respectivamente). Em Barcarena, os casos de leishmaniose serão acompanhados pela 6ª regional de Saúde da SESPA. Em Belém, serão estudados pacientes internados no Hospital Universitário João de Barros Barreto com diagnóstico de leishmanioses, ou de SIDA. A sorologia anti-HIV será realizada em todo paciente com leishmaniose, utilizando o determine anti-HIV (Abbott) seguindo orientações do fabricante. O teste será realizado no Hospital Universitário João de Barros Barreto -UFPA. As amostras que se revelarem positivas serão encaminhadas ao laboratório de retrovirus do Instituto Evandro Chagas para confirmação. A sorologia anti-leishmaniose visceral será realizada no laboratório de Leishmanioses do Instituto Evandro Chagas, da SVS. Nos casos de indivíduos com lesões suspeitas de leishmaniose tegumentar, o exame parasitológico de exsudato coletado das bordas das lesões será realizado no laboratório de Leishmanioses do Instituto Evandro Chagas, da SVS. O teste de Montenegro, será utilizado na tentativa de esclarecer a prevalência de reatividade nos casos de co-infecção com HIV. Isolamento das cepas de leishmania: no caso de leishmaniose tegumentar, o material proveniente de escarificação da borda da úlcera será inoculado por via intradérmica em hamster, enquanto que no caso de leishmaniose visceral, o material será proveniente de aspirado de medula óssea para ser inoculado por via intraperitoneal em hamster. ABORDAGEM CLÍNICA E LABORATORIAL Diagnóstico Clínico: Todos os indivíduos suspeitos passarão por avaliação clínica especializada, que constará de informações sobre a identidade de cada paciente (nome, idade, sexo e residência) e sobre a história atual da doença: provável localidade onde contraiu a doença, tempo de incubação, característica morfológica, número e localização das lesões cutâneas e ou mucosas, sinais e sintomas em caso de envolvimento visceral. Diagnóstico laboratorial: Nos casos suspeitos de LTA, constará de exame parasitológico direto em esfregaço de exsudato de lesão cutânea e ou mucosa, corado por Giemsa, e da reação intradérmica de Montenegro. Além disso, serão realizadas biópsias de lesões cutâneas, com as seguintes finalidades: 1) para isolamento do parasito em meio de cultura Difco B45 (Walton et. al., 1977) e em animal de laboratório (hamster); 2) para estudo histopatológico e imunopatológico. Nos casos de leishmaniose visceral será colhido aspirado de medula para isolamento do parasito. ABORDAGEM MOLECULAR Extração de DNA: As amostras de biópsias das lesões cutâneas serão trituradas e em seguida será realizada a extração do DNA utilizando-se fenol-clorofórmio e precipitação por etanol. Reação em cadeia da polimerase (PCR). O programa de amplificação constará de um ciclo inicial de desnaturação a 95 C por 6 minutos, seguido de 35 ciclos nas seguintes temperaturas: 94 C por 1 minuto (desnaturação), 61,5 C por 1 minuto (associação dos oligonucleotídeo) e 72 C por 2 minutos (extensão). Após os 35 ciclos usaremos uma etapa de extensão final de 72 C por 10 minutos. Serão utilizados oligonucleotídeos de kDNA e de núcleo. Eletroforese do produto de PCR O produto de PCR será fracionado em eletroforese horizontal em gel de agarose a 1% em tampão TBE. O DNA será corado com brometo de etídio (concentração final de 0,5 g/ml) e as bandas visualizadas em transluminador de UV e fotografadas com filme Polaroid 665. ABORDAGEM IMUNOPATOLÓGICA Pacientes: Os pacientes com LTA serão divididos segundo suas formas clínicas anteriormente apresentadas. Biopsias de pele: As biópsias de pele serão colhidas após anestesia no local das lesões colhidas com punch no.3 e emblocadas em parafina. O material será submetido ao estudo morfológico com a coloração HE e à marcação pela técnica de imunohistoquímica para o anticorpo específico. Técnica de Imunohistoquímica: Protocolo himunohistoquímico seguirá as recomendações descritas por Hsu et al.: primeiro os blocos serão desparafinizados (através de xilol quente e frio), depois os cortes serão hidratados, e será feita a recuperação antigênica e bloqueio para coração inespecífica (peroxidase endógena). No próximo passo ocorre a incubação com anticorpo primário. Após lavagens os cortes serão incubados em anticorpo secundário (LSAB, Biotina-Streptavidina), lavados e incubados em estreptavidina-peroxidase e por fim revelados, contra-corados e desidratados. ANÁLISE DOS DADOS Os dados coletados serão armazenados em Programa Bioestat 3.0 para futuras análises. Serão coletados dados gerais das unidades de atendimento envolvidas: Número total de paciente com HIV e/ou com leishmaniose cadastrados, em tratamento ou não, número total de pacientes que forem atendidos e examinados no período da pesquisa Os dados dos pacientes de co-infecção HIV/Leishmaniose serão colhidos através de fichas protocolos que constarão de 1) Dados epidemiológicos: idade, sexo, procedência, estado civil, história de doença por Leishmania. 2) Dados clínicos do período do diagnóstico: tempo de diagnóstico da infeccção pelo HIV, situação clínica por ocasião do diagnóstico de leishmaniose, co-morbidades, dosagem de CD4 e carga viral, exames laboratoriais inespecíficos, sorologia para Leishmaniose (visceral), aspirado de medula (visceral), raspado de lesão cutânea (LTA), reação de Montenegro (LTA), espécie de Leishmania isolada. 3) Dados clínicos e laboratoriais de evolução: resposta ao tratamento anti-leishmania, tempo de tratamento, recidivas. Os dados serão coletados durante o período estabelecido para pesquisa (um ano) e encaminhados em relatórios parcial e final, porém os autores seguirão o estudo da população selecionada pelo período mínimo de 2 anos. Os resultados obtidos durante o presente estudo serão armazenados em planilhas eletrônicas usando o programa EXCEL e analisadas usando os programas EPI-INFO e/ou SPSS, sendo apresentados sob forma de tabelas e/ou histogramas, curvas de tendência, etc (SPSS, 1989). As variáveis contínuas serão analisadas pelo estudo de medidas de tendência central como média e mediana, bem como por medidas de variabilidade como coeficiente de variança e desvio-padrão (Kramer & Feinstein, 1981). As hipóteses serão avaliadas pelos seguintes testes: qui-quadrado, exato de Fisher e/ou t de Student de acordo com os valores obtidos (Cochran, 1953; Fisher & Yates, 1948). Outros testes estatísticos, se necessários, serão também usados para aferir a significância estatística das mesmas.

DADOS FINANCEIROS

PRODUÇÃO CIENTÍFICA

Resultado: Relatório de Pesquisa
Referência: MEDEIROS, R. .Avaliação clínico-epidemiológica e laboratorial da co-infecção HIV-Leishmaniose, tegumentar e visceral, no Estado do Pará. Relatório Final de Pesquisa. 2009


Voltar