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Informe de C&T
Pesquisa
Projetos de Pesquisa classificados por Tipo de Produção Científica - Resumo em Congresso

Projeto: ESTUDO SENTINELA PARTURIENTES 2009
Coordenador: RICARDO DA SILVA DE SOUZA
Resumo: Obter estimativas nacionais e regionais da prevalência de HIV e sífilis em parturientes, bem como comparar estas estimativas de prevalência de HIV e sífilis geradas pelos dados primários (coleta) com as geradas pelos dados secundários (prontuário e cartão pré-natal) das parturientes amostradas para o estudo. Este projeto envolve a coleta de amostras de sangue total em papel-filtro, realização de teste rápido para sífilis, coleta de soro para a análise de Sífilis, dados demográficos e de cobertura do pré-natal de aproximadamente 44.000 mil parturientes atendidas em 219 maternidades localizadas em municípios das cinco macro-regiões do país. Os dados gerados serão utilizados para o planejamento das ações de prevenção e controle dessas infecções, bem como melhoria da qualidade da assistência pré-natal.

Produção Científica


Projeto: Adesão ao tratamento antirretroviral na família vivendo com HIV/Aids
Coordenador: MARIA LETICIA SANTOS CRUZ
Resumo: O sucesso do tratamento de crianças e adolescentes portadores de HIV depende em grande parte de sua habilidade em lidar com aspectos relacionados à adesão aos antirretrovirais (ARV), que em última análise se relaciona a diferentes aspectos da qualidade de vida desta população. Esta dificuldade de adesão também é observada entre adultos vivendo com HIV. De forma geral, a maior parte dos adultos em acomapnhamento dispõe de maiores recursos para adminsitrar seu tratamento e tolerar os regimes ARV, comparecer às consultas e realizar os exames necessários. As crianças são fundamentalmente dependentes dos adultos enquanto os adolescentes apresentam dificuldades próprias desta fase do desenvolvimento que podem interferir no cumprimento adequando do tratamento. Adultos, crianças e adolescentes HIV+ ingressam nos serviços de aids de várias formas. Os adultos podem buscar testagem anti-HIV por se perceberem em situação de risco ou podem ter exame solicitado por razões clínicas ou epidemiológicas. Para as mulheres, o acompanhamento pré-natal, o parto e o puerpério se constituem situações onde o anti-HIV é mandatório e muitas vezes o ponto de partida para o diagnóstico na família, mas podemos observar que alguns adultos têm grande dificuldade em aceitar a testagem e cumprir o tratamento. Com a crescente sistematização do acompanhamento de gestantes e puérperas HIV+, as crianças expostas podem ser diagnósticadas nos primeiros meses de vida e seu tratamento ter início precoce, o que tem sido relacionado a um melhor prognóstico a médio e longo prazo. É comum ainda o diagnóstico de infecção sintomática ou assintomática adquirida por via vertical em crianças de diferentes faixas etárias, o que indica que estas crianças podem não ter sido identificadas no período neonatal ou primeiros meses de vida, ou que seu cuidador, geralmente a mãe, não conseguiu o acompanhamento clínico da criança se afastando do atendimento de rotina antes da definição diagnóstica ou a partir desta. Casos assim revelam a dificuldade de aceitação e compreensão da doença, podendo sinalizar uma situação familiar que pode ser desfavorável para adesão ao tratamento uma vez que essas crianças precisarão em algum momento receber regimes ARV complexos e dependerão integralmente de um cuidador responsável para o cumprimento e sucesso de seu tratamento. Os adolescentes que adquiriram HIV a partir de infecção materna podem estar em tratamento desde infãncia ou terem sido diagnosticados mais tarde por motivos clínicos ou epidemiológicos. É constante a dificuldade de adesão neste período da vida em que jovens não querem se sentir diferente do grupo e quando se está voltado para as próprias mudanças corporais.Observamos no entanto que alguns apresentam mais facilidade em assumir responsabilidade por seu tratamento e/ou aceitam melhor a intervenção/ajuda de familiares para este fim. A adesão de adultos aos ARV é variável e facilitada por fatores bem conhecidos como simplificação do esquema posológico, apoio psicossocial e acesso à informação. Sabe-se também que o uso de álcool e outras drogas psicoativas, assim como ocorrência de ansiedade e depressão interferem na decisão de adultos e adolescentes. Em nossa vivência no acompamento de crianças e adolescentes vivendo com HIV temos percebido que as barreiras à adesão muitas vezes vão além de fatores objetivos e facilmente mensuráveis. A compreensão e significado do uso dos ARV não é uniforme em todas as famílias e algumas têm mais dificuldades que outras em atingir a adesão adequada ao tratamento. O capítulo sobre adesão em crianças e adolescentes na atual versão do Manual de adesão ao tratamento para pessoas vivendo com HIV e aids do Programa Nacional de DST e aids, cita que a dificuldade de adesão do cuidador HIV positivo a seu próprio tratamento pode refletir no cuidado da criança, mas a abordagem e intervenção na adesão dos pais ainda não está incluída entre as estratégias para melhorar a adesão na população pediátrica. A proposta deste estudo é investigar, com o uso de metodologia quantitativa e qualitativa, a adesão de crianças e adolescentes infectados por via vertical. Nosso objetivo central é estudar como a adesão de pai e/ou mãe HIV+ a seu próprio tratamento se relaciona com a adesão e sucesso do tratamento de seu filho(a) porém serão incluídos também pacientes cuidados por outras pessoas, que não seus pais biológicos. Será levado em consideração o contexto em que foi feito o diagnóstico da criança/adolescente, sua revelação e possível efeito do uso de álcool e/ou outras substãncias psicoativas por parte dos cuidadores e adolescentes. Será avaliada ainda a presença de ansiedade e depressão em crianças e adolescentes e nos pais biológicos vivendo com HIV.

Produção Científica


Projeto: Avaliação de Testes Rápidos para a Detecção de Anticorpos Anti-HIV no Brasil
Coordenador: RICARDO DA SILVA DE SOUZA
Resumo: Avaliar parâmetros técnicos de desempenho dos conjuntos diagnósticos rápidos (sendibilidade, especificidade, intervalo de confiança, valor preditivo positivo, valor preditivo negativo, reprodutividade e variabilidade interrobservador). Avaliar o desempenho operacional facilidade de utilização e interpreação dos recultados dos conjuntos diagnósticos para testagem rápida que estão sendo analisados. Estabelecer se os conjuntos diagnósticos que estão sendo avaiados atendem os requisitos determinados pela Portaria ANVISA, nº 34, de 28 de julho de 2005.

Produção Científica


Projeto: Implantação do método TZM-bl/Pseudovirus para estudos comparativos de neutralização do HIV-1
Coordenador: VERA BONGERTZ
Resumo: Para avaliar a efetividade de uma vacina anti-HIV/AIDS, vários testes devem estar em uso rotineiro, padronizados, antes de sua aplicação, incluindo testes de imunologia celular, como para células citotóxicas, e imunologia humoral, que incluem a determinação da capacidade do anticorpo em neutralizar o vírus HIV-1. Tais testes precisam necessariamente estar padronizados, para permitir comparações a nível global. Uma vacina eficaz deverá ser avaliada para as cepas de HIV-1 prevalentes nos diversos locais geográficos, e deve permitir conclusões comparativas, e deverá incluir participação local. Existem várias técnicas para análise de anticorpos neutralizantes (AcN), cada uma apresentando vantagens e desvantagens em relação às outras. A técnica "padrão ouro" é feita avaliando-se a inibição da replicação em linfócitos primários humanos, porém essa técnica, usada rotineiramente no Lab AIDS do IOC, não tem boa reprodutibilidade, variando com as características das células usadas. Recentemente, foi introduzida uma tecnologia altamente reprodutiva, utilizando pseudovirus gerados por engenharia genética molecular, que permite a avaliação de indivíduos vacinados usando apenas uma linhagem padrão de célula a ser infectada em todos os laboratórios, possibilitando comparações a nível internacional (Li et al. 2005). O projeto Global de Vacinas anti-HIV/AIDS (GHAVE) financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates selecionou para o teste da resposta imune humoral neutralizante um ensaio denominado "teste TZM-bl". Este teste ainda não é utilizado no Brasil, não apenas dadas as suas complexidades técnicas mas também as dificuldades de produção de pseudovirus idênticos para uso em diferentes localidades. Entretanto, o projeto, juntamente com o programa de distribuição gratuita de reagentes de referência para pesquisa em HIV/AIDS do Instituto Nacional de Saúde Americano (NIH AIDS Research and Reference Reagent Program) disponibilizou os plasmídeos correspondentes a 25 isolados primários de HIV-1, 12 do subtipo B e 13 do subtipo C e distribuiu aos participantes os procedimentos operacionais padrão quanto à produção dos pseudovirus de HIV-1, sua titulação e seu uso em testes de AcN.. A introdução dessa tecnologia no Brasil é de fundamental importância para permitir a participação em futuros testes de vacinas internacionais. O projeto está sendo proposto para financiamento pelo PN DST/AIDS porque o pesquisador principal foi convidado a participar do projeto Global de Vacinas anti-HIV/AIDS (GHAVE) financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates em 2007 para e, em setembro de 2008, foi cancelada a sua participação dada a falta de resultados obtidos. Entretanto, nesse 1º ano de participação no projeto, muita verba foi investida na FIOCRUZ pelo projeto, equipamentos e reagentes foram adquiridos, porém o tempo foi insuficiente para obter a permissão de uso e a importação das células necessárias. Portanto, um investimento relativamente pequeno deverá ser suficiente para finalizar a introdução da técnica no Lab AIDS / IOC / FIOCRUZ.

Produção Científica


Projeto: Estudo Nacional de Prevalência e Comportamento de Risco para Infecção pela Chlamydia Trachomatis e Neisseria Gonorrhoeae em Parturientes Jovens Atendidas em Maternidades Públicas do Brasil
Coordenador: Angelica Espinosa Barbosa Miranda
Resumo: Caracterizar os comportamentos dessas jovens relacionados á sexualidade, contracepção, prostituição, uso de drogas e álcool. Identificar os determinantes da infecção pela Chlamydia Trachomatis e Neisseria Gonorrhoeae em Parturientes essa população.

Produção Científica


Projeto: TRATAMENTO ANTI-RETROVIRAL E REVELAÇÃO DO DIAGNÓSTICO: COMPREENSÕES DE CRIANÇAS COM AIDS E SUAS CONDIÇÕES DE VULNERABILIDADE.
Coordenador: MARIA DA GRAÇA CORSO DA MOTTA
Resumo: A epidemia HIV/aids, nos dias atuais, revela ampla disseminação mundial, não apresentado identidade ética, sexo, classe social, idade e opção sexual. Na última decada tem-se observado uma alteração em seu padrão epidemiológico, o qual tem indicado acelerações e desacelerações em determinados aspectos analisados como, por exemplo, o crescimento das infecções na parcela mais jovem da população (crianças, adolescentes e adultos jovens), a diminuição de casos entre homossexuais e o aumento das notificações de aids entre a população com baixos graus de escolaridade e renda. Neste sentido, pode-se considerar que o contexto HIV/aids revela-se um problema de saúde pública, não só em nosso pais, como no mundo. Contemporaneamente, várias questões intrínsicas à epidemia tem emanado e chamado a atenção de estudiosos, pesquisadores e gestores da área como a orfandade a que estão expostas crianças e adolescentes e suas possibilidades de institucionalização, os silêncios existentes no interior das familias referentes ao diagnóstico de seus membros, a prescença cada vez mais comum de relacionamentos sorodiscordantes entre outros (SCHAURICH, 2007). Contudo, para fins de desenvolvimento desta pesquisa, pretende-se lançar um olhar especial e crítico a dois fenômenos complexos e interdependentes que estão presentes no viver cotidiano das crianças com aids e que condicionam maiores ou menores vulnerabilidades, a saber: a adesão ao tratamento anti-retroviral e a revelação do diagnóstico. Em relação ao tratamento anti-retroviral, considera-se fundamental não só a distribuição gratuita e universal dos medicamentos, mas também um processo de adesão a estes fármacos de forma eficaz a fim de que se possa propiciar um viver com mais qualidade, dignidade e de maneira mais saudável. Estende-se, então, que a adesão ao tratamento anti-retoviral repesenta um processo contínuo e complexo que envolve tanto o profissional de saúde quanto o paciente e, nos casos pediátrico, o seu familiar e/ou cuidador também. Esta adesão será imprescindivel para que os pacientes não desenvolvam enfermidades mais sérias correlacionadas ao HIV/Aids, bem como não criem resistencia ás medicações utiilizadas, desenvolvendo cepas virais diferenciadas e mais resistentes. Assim, em virtude da maior sobrevida proporcionada pelos anti-retrovirais - principalmente a partir de 1996 com a entrada do esquema HAART ( CECCATO et al, 2004) - aos pacientes e, em especial, ás crianças que vivem com aids tem-se, hoje, a primeira gestação de adolescentes que nasceram e cresceram com o vírus e, por isso, faz se cada vez mais premente a compreensão acerca de como ocorre e quais são os diálogos que conduzem á revelação do diagnóstico de aids e suas implicações no vivido da clientela pediátrica. Neste sentido, compreende-se que o viver das crianças com aids está repleto de vulnerabilidades específicas (que vão para além daquelas que constituem a própria infância) referentes a aspectos individuais, sociais e programáticas (AYRES, 2000) relacionadas à epidemia como o fato de ter pouca consciência em relação á doença e ao tratamento, necessitar dos cuidados de uma outra pessoa, não conhecer o seu dignóstico e/ou condição sorológica, as ainda pouco eficientes políticas públicas, entre outros. Portanto, acredita-se que os fenômenos da adesão ao tratamento anti-retroviral e da revelação do diagnóstico acabam por produzir maiores ou menores vulnerabilidades ás crianças que vivem com aids e, consequentemente, as suas famílias. Tendo em vista este contexto aqui destacado, faz-se fundamental ressaltar que as temáticas presentes nesta pesquisa encontram-se inseridas na Linha de Pesquisa Fundamentos Teóricos e Tecnológicos do Processo de Cuidar em Enfermagem (eixo temático:saúde e cuidado da criança, adolescente e familia) do Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS/RS). Isto porque a porque a partir dos achados desta investigaçãoserão desenvolvidos uma dissertação de mestrado ("Adesão ao tratamento anti-retroviral: compreensões de crianças e adolescentes com aids e suas condições de vulnerabilidade") e uma tese de doutorado ("Revelação do Diagnóstico de Aids: compreensões existenciais da criança, da familia e dos profissionais de saúde"). O estudo desta forma, se desenvolverá no município de Porto Alegre/RS, tendo como cenário a ONG Mais Criança que é referencia no acompanhamento e atendimento de crianças e adolescentes com aids e suas familias. Assim sendo, tem como população-alvo crianças com aids em idade escolar e seus familiares e/ou cuidadores. Trata-se de uma investigação exploratório- descritiva de natureza qualitativa. A coleta de dados ocorrerá por meio de, aproximadamente, 6 a 8 oficinas de criatividade e sensibilidade com as crianças (em média 5 crianças por oficina: total de 30 a 40 crianças), bem como por meio de entrevistas estruturadas com seus familiares e/ou cuidadores no intuito de conseguir dados relativos á criança (nível de escolariedade, tempo de infecção, grau de parentesco entre outros) e construir o genograma e o ecomapa. A análise dos achados se dará por meio da análise temática proposta por Minayo (2004). Destaca-se que o estudo prevê o respeito as questões éticas que envolvem, as pesquisas com seres humanos (Lei nº 196/96), a livre participação, a privacidade e o anonimato dos participantes.

Produção Científica


Projeto: TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV-1 EM CRIANÇAS RESIDENTES EM PORTO ALEGRE E FATORES ASSOCIADOS IDENTIFICADOS ATRAVÉS DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA APRIMORADA.
Coordenador: MARIA DA GRAÇA CORSO DA MOTTA
Resumo: A relevância deste estudo está no fato de Porto Alegre apresenta, em média, 450 casos de ges-tantes soropositivas/ano. Outro ponto a ser destacado é que, do total recém-nascidos vivos, 2,03% destes são crianças expostas ao HIV na gestação, no parto e/ou durante a amamentação. Verifica-se ainda, que sem qualquer intervenção, a taxa de transmissão vertical do HIV é de cerca de 20%. Sabe-se, atualmente, com a utilização de intervenções combinadas, entre elas o uso de anti-retrovirais pela gestante durante o pré-natal e o parto e pela criança nas primeiras semanas de vida, cesariana eletiva e substituição do aleitamento materno, é possível diminuir o risco desta transmissão a índices menores que 1%. A taxa de transmissão vertical da infecção pelo HIV deve ser calculada de acordo com a fórmula preconizada pelo Ministério da Saúde. De acordo com os dados registrados no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SI-NAN) da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, Equipe de Vigilância de Doenças Transmissíveis, no período de 2001 a 2006 este Município apresentou 2.377 casos de crianças expostas ao HIV na gestação/parto/amamentação e destas, 92 casos foram registrados como crianças infectadas pelo HIV devido à exposição vertical. De acordo com a fórmula apresentada, a taxa de transmissão vertical em Porto Alegre ficaria em 3,87%. Entretanto, sabemos que esta taxa tende a ser mais elevada, considerando que desconhecemos a sorologia em 1.042 casos (soma dos óbitos, perda de seguimento e os casos em andamento). Para obter-se uma taxa de transmissão vertical do HIV fidedigno é necessário um acompanhamento regular das crianças expostas a partir do nascimento até se estabelecer o diagnóstico da sorologia para o HIV na criança. A abordagem da parturiente, logo após o parto, permite a coleta adequada de dados referente ao pré-natal e parto e a certificação dos dados de identificação e residência, para o seguimento do caso posteriormente. Existem poucos estudos brasileiros avaliando as taxas de transmissão perinatal do HIV, nenhum deles foi realizado com um seguimento de um grande número de pacientes e abrangendo um longo período de tempo, permitindo a avaliação da qualidade assistência à saúde e seus efeitos sobre as taxas de transmissão. As informações advindas deste estudo nos permitirão identificar que fatores de risco estão associados à transmissão vertical do HIV, quais as características da população de gestantes com infecção pelo HIV que ainda transmitem o vírus aos seus filhos, e planejar intervenções que pos-sam vir, finalmente, a erradicar a transmissão perinatal do HIV como forma de contágio.

Produção Científica


Projeto: Casais soro-discordantes no estado da Paraíba: Subjetividade, práticas sexuais e negociação do risco.
Coordenador: ARTUR FRAGOSO DE ALBUQUERQUE PERRUCI
Resumo: Esta proposta busca investigar a experiência da sorodiscordância entre casais heterossexuais que moram na Grande João Pessoa, focalizando principalmente as diversas representações a respeito do risco, bem como as negociações envolvidas nas práticas sexuais. Tais questões se inserem no debate sócio-antropológico sobre os novos cenários em que se desenrolam as experiências afetivo-sexuais na contemporaneidade, bem como respondem a uma demanda por qualificação das intervenções voltadas à prevenção e atendimento dos portadores de HIV/Aids, no sentido de incluir seus parceiros soronegativos e contemplar as possíveis demandas dessa modalidade de relação. Nesse sentido, o projeto responde a duas justificativas básicas, uma de caráter geral e outra mais específica: 1) a mudança na natureza da vivência da Aids, entre os soropositivos ou não, que vem se processando nos últimos anos no Brasil e alhures; 2) a ausência de estudos sócio-antropológicos sobre a soro-discordância no Estado da Paraíba, fato que confere originalidade a este projeto. 1. Mudanças gerais na vivência da Aids A significação social da Aids mudou consideravelmente nesses últimos dez anos. Até certo ponto, pode-se dizer que a doença foi re-significada. Com os avanços no tratamento ou, mais especificamente, com a introdução das técnicas de terapia anti-retroviral, a Aids está se transformando numa doença crônica. Tal fato tem acarretado transformações simbólicas e práticas em relação à vivência da condição da soropositividade e da enfermidade em si, tanto pelos soropositivos como por aqueles que com eles convivem. Uma transformação imediata diz respeito ao significativo aumento na expectativa e na qualidade de vida do portador do HIV, que alterou a vivência subjetiva e social da Aids, em particular nos casais sorodiscordantes, justamente o objeto de estudo desta proposta, trazendo novos desafios para sua compreensão e o seu enfrentamento. Pode-se dizer que a experiência social da Aids vem se deslocando da percepção de morte iminente para a representação de um estado mórbido que necessita de atenção contínua e de tratamento de longo prazo. Em suma, ao contrário da situação anterior, estamos diante de um estado que pode ser razoavelmente controlado e manipulado. Antes, como ainda hoje, havia uma premência no tratamento individual do soropositivo, seja por causa de fatores ideológicos, relacionados à excessiva medicalização da doença, seja pela urgência de uma situação clínica vista como de morte iminente. Assim, as políticas públicas focalizavam apenas o indivíduo, ou melhor, o indivíduo biológico, apartado de seu contexto psicossocial, relevando que o mesmo tivesse uma vida sexuada, projetos existenciais ou ainda o desejo de ter filhos. Nesse sentido, tal abordagem centrada no indivíduo restringia e restringe em muito a compreensão das diversas e complexas questões levantadas pela Aids, em particular em seus aspectos fundados na dinâmica conjugal, essenciais para a articulação de políticas públicas mais abrangentes. Junte-se a isso o fato de que tais mudanças foram acompanhadas de um alargamento do seu campo mórbido, apontando para uma heterossexualização e uma "familiarização" da pandemia, e teremos lacunas significativas nas abordagens políticas e terapêuticas da doença. Com efeito, abordando mais diretamente o objeto desta pesquisa, de um lado, há hoje mais relacionamentos entre pessoas com sorologia distinta do que antes e, de outro, tais relações têm uma maior expectativa de duração, colocando deste modo novas demandas no terreno da atenção à saúde, como a prevenção do contágio do componente soronegativo do casal, a prevenção também do componente positivo e, mais recentemente, o direito à reprodução assistida por casais sorodiscordantes. Apesar disso, no que diz respeito aos estudos sobre HIV/Aids, é notável a ausência de trabalhos que abordem aspectos sócio-antropológicos desse fenômeno, incluindo-se aí a temática da soropositividade. Assim, este projeto, ao tratar de tais aspectos da vivência cotidiana da Aids entre sorodiscordantes, pretende responder à urgência de tais estudos, oferecendo contribuições concretas para a formulação de políticas públicas e de abordagens prático-terapêuticas da enfermidade. O diagnóstico da soropostividade de um membro do casal é uma crise vital, significativa, para os sorodiscordantes, que tendem a vivenciar perdas e mudanças estruturais na sua vida. Enfim, o projeto defende que, para a formulação de políticas públicas abordando a sorodiscordância, há a necessidade da incorporação de estudos sócio-antropológicos sobre o assunto. Como se sabe, a experiência da Aids transcende a esfera médica e constitui um importante mediador das relações sociais (Pollak, 1998, Adam e Herlizch, 2001, Maksud, 2006). A Aids, nesse sentido, pode ser considerada um fato social total (Mauss, 2003) e, dadas as suas especificidades sociológicas e antropológicas, a implementação de políticas de saúde que tratem da sorodiscorância envolve necessariamente condicionantes sociais e simbólicos . 2. A situação no Estado da Paraíba A segunda razão para a formulação desse projeto diz respeito, como já foi assinalado, à falta de estudos sócio-antropológicos do tema no Estado da Paraíba. Sabemos que 2.568 pessoas infectadas pelo vírus da Aids são acompanhadas e assistidas através do Núcleo de Controle DST/AIDS da Secretaria do Estado de Saúde. Porém, deste total, não se sabe ainda quantos correspondem a indivíduos casados ou em união com pessoas de sorologia negativa, assim como se desconhece a existência de qualquer trabalho de natureza qualitativa sobre o problema. Partindo do princípio de que o estudo sócio-antropológico, por motivos descritos acima, tem incidência na formulação de políticas públicas, juntaremos duas questões num mesmo problema: além de produzir um estudo empírico, "descobrindo" os casais discordantes da população assistida pelos serviços públicos e privados, faremos uma análise dos condicionantes psico-sociais, das práticas sexuais, das estratégias de negociação de riscos entre os sorodiscordantes e de outras demandas vivenciadas por esse grupo. Em suma, teremos dados e análises que nos permitirão formular práticas e abordagens de política de saúde em relação à sorodiscordância. Assim, acreditamos que o projeto preencherá uma lacuna importante existente na Paraíba. Como é nossa intenção articular-nos com o Núcleo de Controle DST/AIDS (Ver Carta de Intenções em anexo), será mais fácil a tradução de um estudo sócio-antropológico para a efetivação prática de políticas de prevenção, esclarecimento e de abordagem terapêutica da sorodiscordância. A partir de um conhecimento mais aprofundado sobre as formas de relacionamento entre os casais, pode-se sugerir ações e programas específicos para a ampliação das discussões entre eles e uma equipe multidisciplinar, levando novos argumentos e estabelecendo novas estratégias visando à promoção de comportamentos sexuais seguros para ambos os membros do casal, além da resposta a eventuais demandas específicas que venham a emergir do estudo. Nesse contexto, é importante destacar a responsabilidade compartilhada de vários segmentos - universidade, serviço público de saúde, movimentos sociais e os próprios casais sorodiscordantes - na busca por uma melhor qualidade de vida desse segmento, tendo como alvo principal a prevenção da doença. A criação de um banco de dados dessa população com informações sócio-demográficas, econômicas e geográficas, além de questões de natureza mais qualitativa como percepção e atitudes sobre HIV/AIDS, é fundamental para implementar ou para refletir e/ou reorientar programas e políticas de promoção da saúde ou prevenção da doença, já existentes, no Estado da Paraíba. Nesse sentido, o projeto também busca estimular uma maior vinculação Universidade-Estado- sociedade civil, resgatando assim o compromisso da instituição acadêmica com as transformações efetivas na sociedade brasileira. Cabe salientar que tal articulação, no caso da UFPB, é ainda insuficiente, especialmente no que tange ao campo das Ciências Sociais, em que ainda são poucas as iniciativas que aliam conhecimento científico e intervenção social. É nesse sentido que espera-se, através deste projeto, estruturar um núcleo universitário de saúde, com um conteúdo interdisciplinar de pesquisas, com foco no HIV/Aids e na saúde em geral (não existe na UFPB e na Paraíba nenhum núcleo desse tipo, daí sua relevância), de forma a criar alternativas para a formação do cientista social na Paraíba, em que o saber acadêmico se coloque a serviço de mudanças na sociedade.

Produção Científica


Projeto: Atualização, Capacitação Técninca e Automatização do Algoritmo Brasileiro
Coordenador: ESTER CERDEIRA SABINO
Resumo: Com a continuidade da RENAGENO e RENIC é importante automatizar os serviços relacionados ao algoritmo brasileiro pertence ao Programa Nacional de DST e AIDS, bem como viabilizar a capacitação técninca por parte do PN-DST/AIDS no ambiente computacional e o código fonte do algoritmo brasileiro.

Produção Científica


Projeto: FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO ASSOCIADOS AO HIV/AIDS EM PESSOAS DE MAIS DE 50 ANOS DE IDADE, PORTADORAS DE HIV/AIDS NA REGIÃO SUL.
Coordenador: MARIA CLARA PINHEIRO DE PAULA COUTO
Resumo: Dentre as questões de saúde pública que mais provocam impacto no indivíduo, seja no seu aspecto físico, emocional ou social, encontram-se a transmissão do HIV e a conseqüente epidemia da AIDS. Este quadro indica a necessidade de mudanças de comportamento nas relações sociais, repercutindo nos grupos e nas pessoas e exigindo a modificação na percepção de temas que vêm sendo considerados tabus. Pechansky et al. (2000) afirmam que uma das razões para o avanço da AIDS é a responsabilidade principal estar na mudança de uma prática individual. Estando o Brasil colocado no segundo lugar no ranking americano em número de casos notificados de AIDS, torna-se evidente a demanda por intervenções e pesquisas com esta população. Em 2002, em um estudo realizado por De Boni e Pechansky, foi informada a existência de 540.000 pessoas infectadas em função de fatores como sexo sem proteção e uso de drogas intravenosas, preponderantemente. Segundo o Relatório do Programa Nacional de DST/AIDS (2006), o Brasil já conta com cerca de 371.000 casos de AIDS notificados. É sabido que muitos casos não são notificados, prejudicando uma visão ampla (Dell'Aglio et al., 2007). Dentre as regiões brasileiras, aquelas que apresentam o maior número de casos notificados são a Sul e a Sudeste, que concentram 84.8% dos casos do país. Na região Sul, entre 1980 e 2003, foram registrados 49.970 casos de pessoas que vivem com AIDS (Boletim Epidemiológico AIDS, 2006). O CEP-Rua, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul e em parceria com outras universidades e ONGs do Sul do Brasil pretende desenvolver um estudo amplo que contemple as diversas perspectivas da infecção em populações vulneráveis. Este Centro de Pesquisa vem investigando diferentes contextos de vulnerabilidade pessoal e social. Salientam-se os estudos realizados com crianças em situação de rua, idosos, usuários de drogas, direitos humanos, acesso à saúde e populações portadoras de HIV/AIDS. Além das pesquisas realizadas no âmbito da Pós-Graduação a qual o Centro está vinculado, mantém-se parcerias com diversos órgãos que estimulam pesquisas em nível regional e nacional (entre as mais recentes salientam-se PRONEX/FAPERGS/CNPQ e CEBRID/UNIFESP/OPS) e internacionais (Universidade de Lisboa, Università degli Studi di Bergamo, Universidad Autónoma de Madrid e University of Lincoln/Nebraska, World Childhood Foundation, World Bank, entre outros). Estes estudos adotam um método denominado Inserção Ecológica desenvolvido pelos pesquisadores com base na Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano (Bronfenbrenner, 1979/1996; Cecconello & Koller, 2003; Eschiletti Prati, Paula Couto, Moura, Poletto & Koller, 2007). A epidemia de AIDS, no Brasil, tem se configurado de forma bastante significativa junto a populações mais vulneráveis, público adequado à metodologia adotada pelo CEP-Rua. Uma parcela significativa dos portadores de HIV/AIDS é representada pelos usuários de drogas injetáveis. Outra forma de transmissão importante é através do sexo sem proteção, neste contexto, a prevalência de infecção nas mulheres heterossexuais tem aumentado. A parcela da população com mais de 50 anos também tem sido considerada vulnerável à epidemia. Os dados epidemiológicos indicam o crescimento do número de casos confirmados de AIDS nesta faixa etária. O total de casos confirmados na população acima de 50 anos passou de 6%, em 1991, para 11% em 2001. Se entre os homens, neste período, a expansão foi de 98%, nas mulheres a mesma foi ainda maior e até mesmo impressionante, 567%. As possíveis causas para o crescimento expressivo dos casos confirmados vinculam-se principalmente à atividade sexual. A visão social de que o sexo é prerrogativa da juventude, além de não corresponder à realidade, contribui para manter esta população desassistida de políticas públicas de prevenção e educação quanto à AIDS. O surgimento de medicações que melhoram o desempenho sexual bem como o avanço da medicina contribuiram para o prolongamento da atividade sexual na população acima de 50 anos. Entretanto, esta nova forma de vivenciar o sexo não foi acompanhada da educação para o uso da cami-sinha, por exemplo. Se as pessoas com idade avançada estão vulneráveis, as crianças também não escapam desta realidade. Em matéria publicada no jornal Folha de São Paulo (BBC Brasil, 17/04/2007) é apresentado um dado do relató-rio da OMS, Unaids e UNICEF "Em Direção ao Acesso Universal: Aumentando as Intervenções Prioritárias de HIV/Aids no Setor de Saúde" segundo o qual 660.000 crianças em cerca de 50 países com baixos e mé-dios rendimentos não têm acesso ao tratamento com drogas antiretrovirais. Embora o Brasil apresente um dos melhores índices em acesso infantil ao tratamento, 95% dos casos de crianças com menos de 15 anos são atendidas, esta ainda é uma realidade que está longe de ser resolvida, exigindo mais esforços em direção à garantia do acesso universal. Infelizmente, a realidade atual indica que as crianças ainda são negligencia-das nas políticas de combate à epidemia de AIDS sendo que um número expressivo delas não tem acesso a tratamentos e outros serviços essenciais. Outra questão problemática é o fato de as mulheres grávidas também terem dificuldades no acesso á terapia anti-retroviral, capaz de evitar a transmissão vertical. No Brasil, apenas 40% das grávidas recebem o tratamento. Esta realidade, mostra o quanto a AIDS tem se propagado principalmente entre as populações em vulnerabilidade social, tanto ao nível sócio-econômico quanto ao nível do gênero. A esta conjunção social precária vivida pela população brasileira, soma-se ainda fatores econômicos que dificultam o acesso à informação e aos serviços de saúde (Ferreira, 2003). De uma perspectiva mais ampla, cabe reconhecer o direito à saúde como um dos direitos mais fundamentais dos seres humanos. Utilizando um paradigma não-reducionista, acredita-se que a promoção de direitos não é possível sem que condições mínimas de nutrição, acesso à moradia, educação e emprego sejam garantidas. Ou seja, é exatamente pela não garantia a estes direitos e sua violação sistemática que são engendrados quadros de desigualdade de naturezas variadas. Esses déficits são parcialmente compensados pela atuação de políticas públicas, grupos de defesa dos direitos humanos, entidades não-governamentais, etc. As violações dos direitos humanos incidem particularmente sobre aqueles que são objeto de estigmatização e/ou têm menor acesso aos meios/vias de afirmação/recuperação de seus direitos (Bastos & Szwarcwald, 2000). Inclui-se a ausência de direitos em função de iniqüidades sociais de naturezas diversas ou determinadas por pertencimento a certa classe social ou gênero, idade, opção sexual, religiosa etc., entre eles, discriminação em função do HIV/AIDS. Partindo desta visão ecológica e considerando a relevância de pesquisas sobre o HIV/AIDS na região Sul, propõe-se uma pesquisa ampla que aborde diversas facetas do fenômeno. Visando ao aprimoramento do conhecimento científico nas áreas de promoção, prevenção e assistência em HIV/AIDS nos estados da regi-ão Sul do país (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), estruturou-se um projeto que contempla a in-vestigação dos fatores de risco e proteção na população vulnerável à epidemia. Para isso, estruturou-se um projeto amplo ("guarda-chuva") que envolve diversas linhas temáticas do pre-sente edital. Esta proposta específica focará a linha temática 3.15 Estudos sobre percepção, atitudes e práticas sexuais, estratégias de prevenção e tratamento, acesso a serviços e insumos, adesão ao tratamento de pessoas de mais de 50 anos de idade vulneráveis às DST/HIV/AIDS e/ou vivendo com HIV/AIDS na região Sul, conforme aprofundamento a seguir. A população beneficiada por este projeto será a de pessoas de mais de 50 anos de idade vulneráveis ao HIV/AIDS e/ou vivendo com HIV/AIDS na região Sul. Os números totais revelam que 80% dos casos de AIDS no Brasil estão concentrados nas regiões Sudeste e Sul, sendo a Sul, a segunda mais atingida e aquela que apresenta o maior número de óbitos por AIDS (de 1985 a 2005). Pesquisas e dados epidemiológicos revelam que, no Brasil, a parcela da população com mais de 50 anos tem sido considerada vulnerável à epidemia de HIV/AIDS sendo que os dados indicam o crescimento do número de casos confirmados nesta faixa etária. O total de casos confirmados na população acima de 50 anos passou de 6%, em 1991, para 11% em 2001. Se entre os homens, neste período, a expansão foi de 98%, nas mulheres a mesma foi ainda maior, 567%. Dados registrados no Boletim Epidemiológico AIDS/DST do Ministério da Saúde mostram ainda que no período de 1996 a 2005, observa-se tendência de crescimento da epidemia nas pessoas com 50 anos ou mais. Na faixa etária de 50-59 anos, a taxa de incidência entre os homens passou de 18,2 para 29,8; entre as mulheres, cresceu de 6,0 para 17,3. No mesmo período, há aumento da taxa de incidência entre indivíduos com mais de 60 anos. Nos homens, o índice passou de 5,9 para 8,8. Nas mulheres, cresceu de 1,7 para 4,6. Em números totais, foram notificados no Brasil, no período de 1980 a 2006, 19286 casos de homens portadores de HIV/AIDS na faixa etária de 50 a 59 anos e de 9063 casos de mulheres. Em indivíduos com mais de 60 anos, este total, para homens, é de 6728, e, para mulheres, 3190. Estes números justificam a demanda por estudos que foquem a população com mais de 50 anos vulneráveis e/ou portadora de HIV/AIDS não só no contexto da região Sul, como também no contexto brasileiro. Este projeto será desenvolvido em duas capitais da região Sul do Brasil, a saber: Porto Alegre - Rio Grande do Sul e Florianópolis - Santa Catarina. Serão considerados bairros elegíveis ao estudo nestas duas capitais aqueles que apresentarem centros de atenção à população com HIV/AIDS (postos de saúde, hospitais, clínicas) e com nível socioeconomico baixo. Para avaliar o nível socioeconômico baixo serão verificados os indicadores das condições sócio-demográficas de cada uma das duas capitais. Serão utilizados indicadores como: rendimento familiar, características educacionais da população residente (grau de instrução por faixa etária, nível de acessibilidade a equipamentos educacionais públicos - escolas e creches), situação do domicílio (tipo de construção), existência de água encanada e rede de esgoto, com base nos dados do IBGE (Censo 2000), e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

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Projeto: ESTUDO MULTICÊNTRICO PARA AVALIAÇÃO DA EPIDEMIOLOGIA MOLECULAR DO HIV-1 NOS ESTADOS DA REGIÃO SUL DO BRASIL.
Coordenador: RICARDO DA SILVA DE SOUZA
Resumo: A epidemia de HIV/AIDS no Brasil está sofrendo grandes transformações, tanto no âmbito epidemiológico como molecular. No Brasil, o subtipo do HIV-1 mais freqüente é o subtipo B, mas outros subtipos tais com F, C e recombinantes B/C e B/F têm sido identificados. O subtipo C foi inicialmente identificado no Brasil nas cidades de Porto Alegre/RS e de São Paulo. A prevalência do subtipo C na cidade de Porto Alegre é de 37% e se for considerado o recombinante B/C esta taxa aumenta para 44%. Até o momento, o subtipo mais estudado tem sido o subtipo B, portanto, com a evidência da alta prevalência do subtipo C, não só no RS. O vírus do subtipo C é uma cepa com peculiaridades importantes. Trata-se do HIV mais prevalente no mundo, apesar do vírus mais estudo ser o vírus do subtipo B. Este vírus expandiu-se com muita eficiência na África abaixo do Saara, desbancando outros vírus mais prevalentes como o subtipo A e D. Fixou-se também de forma predominante no Sul da Asia, principalmente na Índia. Estudos mostram que a transmissibilidade desta cepa viral pode estar favorecida pelo seu maior tropismo por células de Langhans, que são as primeiras envolvidas na transmissão sexual. (Soto-Ramirez, 1996) Existem também evidencias de que a progressão da doença em sua história natural esteja mais acelerada em pessoas infectadas pelo subtipo C (Kanki, 1997) Estudos preliminares no Brasil apontam que os estados com maior prevalência do vírus d subtipo C são RG, SC e PR, nesta exata ordem (Soares, 2003) Desta forma, torna-se fundamental estudar as características virais desta cepa durante a fase aguda e recente, ou seja, ainda nas fases iniciais da infecção, quando o ví-rus ainda não se adaptou a resposta imune do hospedeiro. O estudo das características moleculares desses isolados, pode contribuir para o desenvolvimento de produtos vacinais adequados a nossa população, melhores testes diagnósticos com bases moleculares, perfil de resistência aos anti-retrovirais e estratégias para avaliação da resposta aos anti-retrovirais relacionados a este tipo de vírus geneticamente distinto. No Brasil o número total de casos notificados até junho de 2006 foi de cerda de 593 mil casos. Do total de casos, 80% concentram-se nas regiões sudeste e sul. Na região sul observa-se aumento das taxas de incidência de casos até 2003, porém com uma provável estabilização de crescimento nos anos mais recentes (Ministério da Saúde 2006). Hoje a região Sul apresenta a maior incidência de casos de AIDS do país. Embora as tendências epidemiológicas de feminização, pauperização, heterossexualização e interiorização da região sul sigam o padrão Brasileiro, a epidemia na região sul se difere a nível molecular com o crescimento do HIV subtipo C nos últimos 10 anos. Esta característica peculiar torna a região sul, do ponto de vista epidemiológico e biológico um local fértil para estudos desta natureza. Como mencionado acima, o estudo da relação entre as tendências epidemiológicas e a diversidade genética do HIV circulante nesta região pode contribuir para um melhor entendimento da patogênese da infecção com futuras implicações para o manejo de pacientes. Na região Sul os casos notificados no Sinan e registrados no Siscel até 30/06/2005 somavam 61.006 casos e o número de mortes por AIDS de 1980 até 2004 somavam 25.305 casos. Recentemente, o Laboratório de Pesquisa em HIV/AIDS da Universidade de Caxias do Sul (UCS) recebeu aprovação de financiamento do projeto com título em inglês de "Evaluation of HIV Subtype C Epidemic in South Brazil" e mais tarde aprovação da CONEP para condução deste projeto. O projeto IRID, como é chamado, é uma iniciativa do Laboratório de Pesquisa em HIV/AIDS da UCS com o apoio técnico do Laboratório de Retrovirologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e a participação de quatro centros clínicos especializados em HIV/AIDS do estado do Rio Grande do Sul, em resposta a chamada de projetos de pesquisas: International Research on Infectious Diseases (IRID) do Instituto Nacional da Saúde (NIH) do governo norte-americano. O projeto IRID tem como objetivo principal estudar a epidemia do HIV subtipo C no sul do Brasil a nível virológico e clínico. O protocolo IRID iniciou o recrutamento de voluntários em Novembro de 2006 após obtenção de aprovação em todas as instâncias científicas e éticas. O protocolo IRID é altamente estruturado com equipe de monitoramento de qualidade de dados e demais documentos de implementação disponíveis on-line (www.ucs.br/lpha) para a utilização dos centros clínicos afiliados. O projeto IRID tem duração prevista até 2009. A presente proposta tem como objetivo ampliar a abrangência do projeto IRID para os estados de Santa Catarina e Paraná. Atualmente mais de 900 sujeitos já foram recrutados nos quatro cen-tros clínicos afiliados. Este estudo pretende ampliar a abrangência do protocolo IRID para identificar pacientes recentemente infectados pelo HIV nos demais estados da região sul e caracterizar as propriedades patogênicas do vírus circulante nestes estados ao longo de 12 meses. A ampliação do protocolo IRID para outras áreas de abrangência oferece benefícios científicos e de implementação. Os novos sítios participantes utilizarão materiais de implantação já desenvolvidos, possibilitando a realização do projeto no período estipulado de 12 meses. Os recursos utilizados serão utilizados em sinergia com os recursos já disponíveis pelo projeto IRID, facilitando e ampliando os recursos do programa Nacional. A realização desse projeto é de fundamental importância para a criação de uma base de dados com banco de amostras e um histórico de habilidade de condução de recrutamento de pacientes. Sem ele, futuras pesquisas de maior porte e impacto científico se tornarão inviáveis assim como a proposição de projetos para financiamento de agências nacionais e internacionais. Antecipamos que as informações geradas pela presente pesquisa serão importantes para o desenvolvimento de estratégias de vacinas preventivas, no que se refere às características virais antes da presença do desenvolvimento da resposta imunológica, o que vem contribuir com eventuais decisões na intervenção terapêutica de pacientes recém infectados pelo HIV-1. Além disso, o projeto irá se beneficiar do financiamento do NIH para os centros clínicos já em andamento no estado do Rio Grande do sul. A proposta do nosso grupo é desenvolver um trabalho muliticêntrico colaborativo para estudar a epidemiologia molecular do HIV nos epicentros da epidemia de Aids da região Sul: nas cidades de Porto Alegre (RS), Caxias do Sul (RS), Viamão (RS), Itajaí (SC), Florianópolis (SC) e Curitiba (PR). A colaboração com o laboratório de Retrovirologia da UNIFESP é fundamental pela capacidade instalada deste centro de pesquisa, que é sem precedentes no Brasil e pela experiência com as estratégias laboratoriais e de pesquisa contempladas neste projeto. Neste estudo pretendemos estender a atuação do projeto IRID, já aprovado pela CONEP e em andamento, para populações dos demais estados da região sul do Brasil. O projeto IRID tem como população alvo indivíduos HIV+ com infecção recente que procuram atendimento em Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e Serviços Especializados de Saúde (SES) do Rio Grande do Sul. A ampliação do projeto IRID, atualmente financiando pelo Instituto Nacional da Saúde Americano (NIH), irá permitir elevar o número de centros participando do estudo de quatro para sete, atendendo aproximadamente 1.000 pacientes/mês. A prevalência da infecção para o HIV nos sete serviços afiliados, identificados por meio de ELISA convencional e confirmado por Western Blot, é estimada entre 5 a 13%. Análise preliminar da base de dados do estudo IRID, abrangendo os quatro centros clínicos localizados no Rio Grande do Sul, realizado no período de Novembro de 2006 a Maio de 2007 apresentou uma prevalência de 10%. No mesmo estudo a prevalência para o HIV subtipo C foi de 53%. A proposta é trabalhar com populações vulneráveis ao HIV e identificar indivíduos com infecção recente, para caracterizarão do vírus nestes indiví-duos e obtenção de dados de incidência pela metodologia denominada Serological Testing Algo-rithm for HIV recent Seroconversion (STAHRS). Indivíduos recentemente expostos à infecção compreendem a população alvo adequada para responder as questões de epidemiologia molecular, pois representam os casos incidentes e a caracterização das cepas presentes nestes indivíduos representam os vírus que estão sendo transmitidos no momento mais atual da epidemia. A ampliação do estudo IRID para os centros clínicos localizados nos estados de Santa Catarina e Paraná, irá proporcionar uma melhor representatividade das populações vulneráveis de toda região sul, possibilitando o entendimento da epidemiologia molecular do HIV nestas regiões e o desenho de estratégias de prevenção eficazes.

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Projeto: EFEITOS ADVERSOS DA TERAPIA ANTI-RETROVIRAL: INVESTIGAÇÃO DO PAPEL DE VARIANTES EM GENES ENVOLVIDOS COM TOXICIDADE MITOCONDRIAL E METABÓLICA.
Coordenador: EDUARDO SPRINZ
Resumo: De janeiro 1983 até dezembro de 2006 foram notificados à Secretaria da Saúde do Estado do Rio Grande do Sul (SES/RS) 33.180 casos novos de AIDS. A prevalência em 31 de dezembro de 2006 foi de 16.464 casos. Isto significa 16.716 registros de óbitos conhecidos pela SES/RS, o que representa, aproximadamente, 50% do total de casos notificados. São esses 16.464 casos os que necessitam "tratamento" da doença nesse momento no estado, fora os que estão sendo acompanhados para prevenir um possível adoecimento. No RS, assim como no Brasil, existe uma tendência de estabilização da incidência anual de casos, nos últimos cinco ou seis anos. Entretanto, esse patamar de estabilização continua bastante elevado em torno de 2.800 casos novos por ano no período de 1998-2005. Já a prevalência mostrou uma tendência de crescimento no mesmo período, pois o número de óbitos entre os casos de AIDS teve uma queda acentuada. Sendo que, desde 2001, a região Sul ultrapassou a Sudeste em registro de novos casos e desde 2000 o RS vem liderando a incidência de casos de AIDS no país. É, atualmente, o terceiro estado com maior número de casos notificados até 06/2006 e Porto Alegre é o terceiro dentre 100 municípios brasileiros com maiores números de notificações até 2006. A tendência da epidemia de AIDS, em adultos, no estado do RS, é a estabilização da sua incidência (em torno de 2.800 casos novos por ano nos últimos seis anos), em patamares altos; diminuição da taxa de letalidade (estimada em 9% nos últimos três anos); aumento da prevalência, que é proporcional à diminuição da letalidade (a prevalência no ponto em 31/12/2006 foi de 16.464 casos); estabilização da distribuição proporcional de casos entre os sexos (feminino: em torno de 40% de casos; masculino: 60% de casos). As principais situações de risco para contaminação por HIV, nos últimos três anos, foram: relação heterossexual sem proteção, em primeiro lugar, e uso de drogas injetáveis em segundo, tanto para homens como para mulheres. Para os homens, houve uma mudança significativa em termos de perfil epidemiológico ao longo da história da epidemia no estado. O perfil de transmissão sexual "homo e bissexual" (principal categoria de risco no início da epidemia) se manteve semelhante até 1994, mas, vem se modificando, significativamente, ao longo dos últimos cinco anos. Atualmente, a transmissão sexual de maior proporção entre os casos masculinos é a "heterossexual" (média de 41% dos casos nos últimos dois anos). Entretanto, observa-se já um pouco antes disso (1992), um aumento proporcional importante de usuários de drogas injetáveis entre os casos. Esta sempre foi a principal forma de transmissão sangüínea no estado, no entanto este perfil de transmissão sangüínea, que sempre esteve associado ao uso de drogas injetáveis vem gradativamente se modificando nos últimos três anos: reduziu de em torno de 30% dos casos novos diagnosticados e notificados em 2002/2003 para 20% em 2006. Verifica-se uma diminuição proporcional de casos em usuários de drogas injetáveis, acompanhada de um pequeno aumento dos casos em heterossexuais. Levando-se em consideração que os usuários de drogas injetáveis (UDI) representam uma categoria de duplo risco na transmissão, podendo transmitir para parceiro de droga e parceiro sexual. Apesar de ter sido registrada uma proporção de até 7% (1987) de casos contaminados por transfusão de sangue e hemoderivados no início da epidemia no RS, observamos, em 2006, a entrada de cinco casos de acidente com material biológico e onze casos de transmissão vertical. Quando classificada por faixa etária, o que se observa é uma tendência de diminuição proporcional de casos entre os adultos com mais de 20 e menos de 29 anos de idade e, um aumento proporcional de adultos com mais de 40 anos mesmo quando estratificados em faixas etárias de 5 ou 10 anos, até mais de 50 anos de idade. Em compensação, as faixas etárias de 30 a 34 e de 35 a 39 anos de idade, mantêm uma estabilidade em torno de 19% e 18%, respectivamente, nos últimos cinco anos. Verifica-se maior estabilidade no perfil de contágio ao longo do tempo, apesar das restrições impostas pela grande proporção de casos com categoria ignorada. Nos últimos quatro anos observou-se uma proporção de cerca de 81% de transmissão heterossexual, seguida de uma proporção em torno de 8,5% de usuárias de drogas injetáveis e, nos últimos oito anos, uma pequena proporção de casos femininos em categorias que, até então, não tinham registro, transmissão sexual "homo e bissexual". A maioria das pessoas com AIDS registradas no Estado nos últimos dez anos referiu ter apenas até o ensino fundamental (completo ou incompleto). As categorias de exposição dão indicativo da "pauperização" da AIDS no Estado, com uma tendência clara da diminuição de indivíduos com curso superior entre os casos. Entretanto, nos últimos, a proporção de indivíduos com segundo grau, voltou a representar cerca de 20% dos casos. No que se refere à interiorização da AIDS no RS, de fato, verifica-se um aumento proporcional de casos em alguns municípios do interior. Entretanto, não se pode falar em ruralização, pois os casos se concentram nos centros urbanos, principalmente na capital e região metropolitana e locais com características e situações de risco peculiares como, por exemplo, regiões da fronteira e do litoral. A avaliação da distribuição proporcional dos casos segundo a raça não é impossível de ser realizada, devido à inconsistência dos registros nas fichas de notificação. A sobrevida dos pacientes com AIDS que, em 1995, era de 18 meses após o diagnóstico, aumentou para 56 meses, em adulto, e para 67 meses em menores de 13 anos, com a introdução da terapia anti-retroviral e sua distribuição gratuita para toda a rede pública de saúde a partir de 1996. Inclusive, demonstramos que a chance de sucesso terapêutico em 1 ano (com a utilização de carga viral indetectável como marcador do sucesso) é semelhante aos grandes centros munidiais e está associada com tratamentos mais fáceis (duas vezes ao dia e com número menor de comprimidos); Os benefícios substanciais da instituição da terapia anti-retroviral ultrapassam os potenciais riscos de toxicidade metabólica e mitocondriais, no curto, médio ou longo prazo, e variam de acordo com cada medicamento, cada classe de drogas ou cada organismo. A etiologia dessas manifestações clínicas é, praticamente, desconhecida. A tendência aponta para um aumento considerável da expressão das doenças crônicas, em grande parte como conseqüência das mudanças demográficas que se traduzem num considerável envelhecimento da população. Diante desse novo cenário epidemiológico, caracterizado pela alta prevalência de eventos indesejados relacionados aos medicamentos anti-retrovirais é primordial a individualização do tratamento farmacológico, o que evitaria assim o uso desnecessário de drogas com potencial para tais toxicidades, com a conseqüente redução da morbidade e aumento da adesão ao tratamento, aprimorando o manejo clínico-terapêutico e psicosocial e propiciando uma melhor qualidade de vida para os pacientes.

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Projeto: AS FACES DA HOMOFOBIA NO CAMPO DA SAÚDE.
Coordenador: DANIELA RIVA KNAUTH
Resumo: Esse projeto parte da já conhecida vinculação entre discriminação por orientação sexual e/ou diversidade de gênero e a vulnerabilidade às DST/HIV/AIDS. A homofobia, que possui inúmeras manifestações na sociedade, se manifesta também no campo da saúde, principalmente no que diz respeito à relação estabelecida entre profissionais e usuários do sistema único de saúde. Desse modo, o projeto se justifica por explorar a vulnerabilidade das populações gay, homens que fazem sexo com homens (HSH), lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros a partir da investigação dessas faces da homofobia que dificultam o acesso aos serviços e insumos de prevenção, à busca pelo sistema de saúde para diagnóstico das doenças e à adesão aos tratamentos propostos. A vulnerabilidade relacionada à homofobia não pode ser pensada, para a elaboração de estratégias de prevenção e enfrentamento das DST/HIV/AIDS, como uma questão de preconcei-to. É preciso levar consideração às transformações que marcaram no último século as relações entre a diversidade sexual e o campo da saúde. Destaca-se a retirada da homossexualidade do DSM em 1987 , o advento da epidemia da Aids na década de 80, que recoloca no imaginário médico a vinculação entre homossexualidade e doença. Todas essas transformações incidem sobre as representações dos profissionais de saúde acerca da sexualidade, perpassando tanto a sua formação quanto a prática clínica. Frente a isso inexistem pesquisas que investiguem o processo de assimilação destas transformações entre os médicos e outros profissionais da área da saúde no Brasil. No âmbito da prática clínica, destaca-se a relevância do estabelecimento de uma relação de confiança entre os profissionais da saúde e os pacientes/usuários. Tal confiança é indispensá-vel para a abordagem das práticas sexuais, a qual incide diretamente sobre o sucesso das ações de prevenção e também sobre o tratamento das DSTs /AIDS. Nesse sentido a proposta contem-pla o estudo das representações sociais acerca da sexualidade e aids por parte dos profissionais de saúde que orientam as práticas de prevenção e o atendimento de saúde às populações gays, HSH, bissexuais, lésbicas, travestis, transexuais e transgêneros. Outra importante justificativa diz respeito ao caráter qualitativo da pesquisa, cuja ênfase é no aprofundamento da investigação sobre temática. Em vista disto, o projeto privilegia uma abor-dagem saúde das populações GLBT que ultrapassa o foco no HIV/ AIDS. Ela é inspirada na argumentação de Cáceres (2003), que ao fazer um balanço das políticas de saúde voltadas a es-sas populações destaca que durante as últimas duas décadas a questão da saúde tem sido sinô-nimo de HIV/AIDS. Seguindo a sugestão do autor, propomos a considerando o acesso à saúde como um direito humano, cujo exercício tem sido dificultado pela consideração da heterossexua-lidade como padrão de normalidade sexual. É importante ainda considerar a heterogeneidade das manifestações e da percepção da homofobia entre os diferentes grupos que compõe o campo GLBT. Um elemento que pode ser tomado como marcador de diferenciações são os interesses e a forma de articulação política de cada um desses grupos enquanto movimento social. Outro é a relação que cada um dos grupos estabelece com a epidemia da Aids. Nesse sentido, abarcar o ponto de vista dos usuários do SUS de cada uma dessas populações é um objeto extremamente amplo para o tempo proposto de execução do projeto. Desse modo, o projeto opta pela realização de recorte no objeto de pes-quisa que elege as lésbicas, mulheres que fazem sexo com mulheres, bissexuais, travestis e transexuais de feminino para masculino, como sujeitos pesquisados. Esse recorte justifica-se por privilegiar aqueles indivíduos e grupos que geralmente ficam de fora da política de saúde por serem considerados não suscetíveis à contaminação pelo vírus HIV/AIDS. Nesse sentido, Fachini (2005) mostra como as mulheres que fazem sexo com mulheres também buscam menos o sistema de saúde por não se identificarem como grupo de risco para Aids. Além disso, entre as que buscam o sistema de saúde, grande parte não declara suas relações sexuais com mulheres, já que essas escapam do foco das práticas clínicas centradas na prevenção do HIV e nos métodos pré-contraceptivas. Também Meinerz (2006) numa pesquisa entre mulheres de camadas médias chama atenção para compreensão do sexo entre mulheres como cem por cento seguro, percepção esta que resulta na banalização das práticas preventivas frente às outras DSTs, tais como a sífilis, a candidíase, a herpes genital, entre outros. A inexistência de pesquisas médicas que investiguem as possibilidades de transmissão das DSTs nas relações entre mulheres indica que essa banalização também perpassa também o campo científico. A percepção de uma menor suscetibilidade à aids está relacionada à consideração das mulheres que fazem sexo com mulheres como um grupo homogêneo com características sexuais fixas. Frente a isso, a relevância do projeto está em considerar a variabilidade das parcerias sexuais e afetivas em que as mulheres estão engajadas. Um exemplo são práticas sexuais eventu-ais com homens que podem coexistir com uma identidade lésbica. Outro são as relações perce-bidas como lésbicas que se estabelecem entre mulheres e travestis de masculino para feminino. Em ambas as práticas as mulheres que fazem sexo com mulheres podem contrair o vírus HIV. A literatura sobre a saúde das mulheres que fazem sexo com mulheres aponta uma forte incidência de câncer de colo uterino e câncer de mama, geralmente detectados em estágio avan-çado, em virtude de uma menor freqüência ao atendimento e aos exames ginecológicos. De uma maneira geral a análise desses dados aponta para a pressuposição da heterossexualidade como uma espécie de script incorporado às consultas ginecológicas, no qual a revelação das relações com mulheres figura como um momento de tensão. (Fachinni, 2006; Carreaga, 2006, Haynes, 1994, Dibble, 1997). Os autores ainda apontam que fatores como o elevado índice de uso de drogas ilícitas e álcool e tabaco e a incidência de obesidade, a violência doméstica são fatores que associados a menor freqüência ginecologista resultam numa maior vulnerabilidade dessas mulheres a essas doenças. Por fim, cabe ainda considerar a invisibilidade social que perpassa as práticas sexuais e afetivas entre mulheres, dificultado a organização e consolidação do movimento lésbico no Brasil. Nesse sentido, o recorte realizado procura abarcar os indivíduos e grupos menos empoderados do ponto de vista da organização política para a reivindicação de direitos. O objeto dessa pesquisa são os fatores que influenciam no acesso, abordagem e atendi-mento dispensado pelos profissionais de saúde às mulheres que fazem sexo com mulheres. Para tanto, propomos por um lado o estudo das representações sociais sobre sexualidade e aids entre os diferentes profissionais de saúde que atuam no SUS, nas atenções básica e especializada, e a sua atualização nas práticas de atendimento às populações mencionadas, e por outro a investi-gação das percepções das usuárias acerca do atendimento básico e especializado do SUS, em relação à homofobia e outras formas de discriminação. Essa delimitação objetiva alinhar o projeto às prerrogativas da metodologia qualitativa, es-tabelecendo como prioridade o aprofundamento das questões investigadas ao invés da abrangência e da comparação entre grupos distintos. Um dos principais elementos a serem aprofundados diz respeito à investigação dos outros marcadores sociais, como o gênero e a questão étnica, que operam na produção de uma maior vulnerabilidade à homofobia. O descompasso entre as duas partes que compõe objeto de pesquisa deve ser sublinhado porque está relacionado à coleta de dados de diferentes qualidades e que receberão um tratamento analítico diferenciado. No primeiro nível, propomos um estudo mais aprofundado das representações sociais dos profissionais de saúde sobre sexualidade. Nesse nível buscamos en-tender além das atitudes dos profissionais e saúde também a razões e a lógica que sustentam essas atitudes. Já no segundo nível, propomos uma abordagem menos aprofundada, porém mais direcionada à sistematização das demandas junto às usuárias. Ela está centrada nas per-cepções sobre o atendimento no sistema de saúde, relacionado com as práticas e identidades sexuais e de gênero, das mulheres que fazem sexo com mulheres. A pesquisa propõe beneficiar, a partir da divulgação dos seus resultados, os seguintes grupos populacionais: gays, homens que fazem sexo com homens (HSH), lésbicas, mulheres que fazem sexo com mulheres, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, provenientes dos grupos populares e usuários do Sistema Único de Saúde. Em relação à situação epidemiológica, essa população pode ser caracterizada pela vulnerabilidade em relação à epidemia da Aids e as DSTs. Essa vulnerabilidade está relacionada não apenas às práticas sexuais, mas também à discriminação por orientação sexual e expectativas de gênero, além do contexto sócio-econômico de precariedade de condições para o cuidado com a saúde. A pesquisa abrange, em termos geográficos, a cidade de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. Serão pesquisados dois bairros, o bairro Sarandi na zona norte da cidade e o bairro Medianeira no qual fica localizado o ambulatório especializado em tratamento de DSTs e HIV/AIDS, que atende pessoas de todas a cidade e também da região metropolitana.

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Projeto: Análise do impacto do polimorfismo de regiões imunodominantes do HIV-1 na resposta imune celular e na inibição da neutralização viral em pacientes infectados com subtipos prevalentes no Brasil
Coordenador: MARIZA GONÇALVES MORGADO
Resumo: A partir de sequências já conhecidas, definir peptídeos sintéticos correspondentes às regiões imunodominantes das proteínas codificadas pelos genes gag, pol, env e nef dos subtipos virais prevalentes no Brasil. Avaliar a utilização de seqüências consenso frente às seqüências individualizadas na garantia da amplitude da resposta imune frente a peptídeos sintéticos correspondentes aos diferentes alvos antigênicos do HIV Através do ensaio de ELISPOT determinar a frequência de reconhecimento de linfócitos T CD8+ provenientes de indivíduos infectados com os diferentes subtipos virais frente a peptídeos homólogos e heterólogos. Através de testes de inibição da neutralização viral, determinar a importância dos epitopos representados pelos peptídeos sintéticos selecionados para cada subtipo genético de HIV-1 prevalente no Brasil na indução de uma resposta imune humoral capaz de neutralizar o vírus infectante. Considerando a importância do subtipo F e de suas formas recombinantes na epidemia brasileira de AIDS, sugerir a inclusão de antígenos virais deste subtipo em composições vacinais a serem testadas no Brasil. Reforçar a a estrutura e a capacitação de pessoal nos ensaios de avaliação de resposta imune celular (ELISPOT) e de neutralização viral de forma a dar suporte e/ou colaborar com futuros ensaios vacinais no país. Avaliar o perfil genético do hospedeiro por meio da caracterização genética dos alelos HLA dos indivíduos incluídos no estudo, a fim de verificar a possível associação destes marcadores genéticos com a resposta aos antígenos de HIV-1.

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Projeto: ESTUDO CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO DA CO-INFECÇÃO HIV/TUBERCULOSE EM RECIFE.
Coordenador: MARIA DE FÁTIMA PESSOA MILITÃO DE ALBUQUERQUE
Resumo: A tuberculose alcançou o século XXI como um dos maiores desafios à saúde pública mundial, particularmente em regiões com alta prevalência da infecção pelo HIV (KAMRAN et aI., 2003), a qual, além de representar o maior fator de risco para o adoecimento por tuberculose entre indivíduos previamente infectados pelo Mycobacterium tuberculosis, torna o seu diagnostico mais difícil (SHIMAO, 1995; NARAIN et al., 1992). Segundo a Organiza9ao Mundial de Saúde existem cerca de trinta e oito milhões de pessoas vivendo com HIV e aids no mundo, das quais, 30% a 35% estão co-infectadas com o bacilo da tuberculose. Atualmente, estima-se que 12% dos pacientes com tuberculose são HIV positivos e 22,5% das mortes por tuberculose em todo mundo são atribuídas a co-infecção Em algumas regiões, como a África, estas taxas estão dramaticamente mais altas. Dos dois milh5es de casos de tuberculose na África em 1999, alguns pesquisadores estimam que dois terços sejam HIV positivos, sendo previsto um aumento de 10% ao ano no número de casos de tuberculose em decorn3ncia da infecção pelo HIV, atingindo 3.3 milhões no ano 2005 e ultrapassando quatro milh6es em um curto intervalo de tempo (UNAIDS, 2004) O Brasil ocupa o 15° lugar entre os 22 paises que concentram 80% do total de casos de tuberculose no mundo e estima-se em mais de 50 milhões o número de brasileiros infectados pelo bacilo da tuberculose, com 111.000 casos novos e 6.000 óbitos ocorrendo anualmente. Em 2002 foram notificados 81.436 casos novos e 5.159 óbitos, o que corresponde a um coeficiente de incidência de 46 / 100.000 hab. e um coeficiente de mortalidade de 2,95/100.000 hab., respectivamente (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002). Segundo dados do Sistema de Informações e Agravos de Notificação (SINAN) da Secretaria de Saúde do Município do Recife, capital de Pernambuco, registrou-se em 2001, uma taxa de incidência de tuberculose superior a 100 casos por 100.000 habitantes (Dados da Coordenação de Tuberculose do Recife). Vários fatores têm contribuído para esta situação epidemiológica, além da infecção pelo HIV: o progressivo empobrecimento das populações; a dos sistemas de saúde que, em vários locais, se mostram insuficientes para captar e tratar os doentes com tuberculose, gerando problemas como abandono de tratamento, o qual tem intima implicação nos crescentes números de resistência do Mycobacterium tuberculosis aos medicamentos (HIJJAR et al., 2001; MINISTERIO DA SAÚDE, 2002; OLIVEIRA et aI., 2002). Esta situação epidemiológica da endemia, no Brasil, se expressa também na dificuldade que o Programa Nacional de Controle da tuberculose encontra para atingir as metas internacionais estabelecidas pela OMS e pactuadas pelo governo brasileiro, de curar 85% dos casos estimados (RELATORIO DO PNCT, 2002). No Brasil, Kritski & Ruffino-Netto (2000), estimaram que 150.000 brasileiros estivessem co-infectados pelo HIV/tuberculose correspondendo a um taxa de co-infecção em tome de 3% a 4%. No Estado de Pernambuco, segundo dados da Coordenação Estadual de DST/aids, a pravalência da co-infecção tuberculose/HlV, situou-se em torno de 7% em 2002, e até abril de 2005 haviam sido notificados 8.447 casos de aids. Em Recife, um inquérito epidemiológico conduzido pela equipe proponente, tendo como população alvo 1.500 pacientes que iniciaram tratamento para tuberculose nos serviços de saúde do Município encontrou que a prevalência de infecção pelo HIV entre os mesmos foi de 8%, no entanto, observou-se que um percentual importante de pacientes não realizou a sorologia para HIV apesar de esta ter sido indicada (dados não publicados). Paralelamente ao aumento da prevalência de infecção pelo HIV tem-se observado o aumento nas taxas de mortalidade por tuberculose, o que dá suporte a hipótese de que a infecção pelo HIV vem marcadamente associada a um aumento da mortalidade entre os co-infectados. Desse modo, torna-se importante conhecer a magnitude do problema tuberculose/HIV, na população de estudo, e identificar os principais fatores associados ao sucesso da profilaxia e do tratamento para tuberculose entre os co-infectados. Entende-se, que os fatores identificados são componentes do impacto negativo causado pela co-infecção na evolução destes pacientes. Conhecê-Ios é fundamental para a formulação de estratégias visando à minimização dos seus efeitos. A presente proposta compõe um projeto interinstitucional que congrega docentes, pesquisadores e médicos das Universidades Federal e Estadual de Pernambuco e das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde visando estudar vários aspectos da infecção pelo HIV. Os projetos abordam co-infecções e complicações da terapia anti-retroviral e serão desenvolvidos de forma integrada com a finalidade de responder a diferentes objetivos propostos tendo como base a mesma população-alvo. A população-alvo deste estudo será constituída por dois grupos: Pacientes co-infetados com tuberculose/HIV atendidos nos três principais serviços de referência para HIV/aids na cidade do Recife: Hospital Universitário Oswaldo Cruz da Universidade de Pernambuco, Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco e Hospital Correia Picanço da Secretaria Estadual de Saúde que juntos são responsáveis por 90% do atendimento à pacientes com HIV/aids no Estado de Pernambuco. Pacientes co-infetados com tuberculose/HIV atendidos nos serviços de saúde que compõem a rede de assistência à tuberculose no Município do Recife, incluindo as unidades do Programa de Saúde da Família. Os pacientes em atendimento nos serviços de referencia para HIV/aids constituirão a população de estudo dos diferentes subprojetos em HIV/aids, possibilitando uma avaliação mais global dos mesmos, o que potencializa os benefícios em nível individual, além de otimizar os recursos para pesquisa.

Produção Científica


Projeto: ESTUDO SOBRE A ACEITABILIDADE DO USO DO PRESERVATIVO MASCULINO E FEMININO EM SALVADOR E FORTALEZA.
Coordenador: MARIA ELISABETH ANHEL FERRAZ
Resumo: Após três décadas deve-se falar da epidemia de aids no plural, uma vez que em cada país, local, região e cultura ela assume formas diversas e possui enfrentamentos também diversos (Gagnon, 2006). Nos primeiros anos a aids era vista como restrita aos então denominados "grupos de risco" sendo a estes direcionados os esforços tanto na área de informação (notificação de casos, estudos), de tratamento (distribuição de medicamentos gratuitos para doentes de Aids) como de prevenção (campanhas publicitárias e educativas, preservativos) e contra o preconceito aos portadores do HIV e doentes de aids. Nos últimos anos a epidemia se deslocou globalmente em direção à "heterossexualização", "feminilização", "envelhecimento", "pauperização" e "interiorização" trazendo o desafio da compreensão das condições socioeconômica-cultural e comportamental envolvidas na atual configuração da epidemia. O diferencial de poder existente nas relações de gênero entre as parcerias sexuais e a idealização do amor romântico se relaciona à baixa percepção de risco da população, especialmente, entre pessoas inseridas em parcerias estáveis, onde a confiança no/a parceiro/a é apontada como um importante elemento para a não utilização do preservativo ou para a descontinuidade de seu uso (Guimarães, 1996; Heilborn & Gouveia, 1997; Alves, 2003; Ferraz, 2006a, 2006b e 2006c). Dados mais recentes sobre a epidemia de aids em relação à categoria de exposição apontam, para o sexo masculino, estabilidade na proporção de casos devido à transmissão homo/ bissexual, aumento proporcional da transmissão heterossexual e redução importante e persistente dos casos na categoria Uso de Drogas Injetáveis. Já entre as mulheres, a transmissão heterossexual vem representando quase a totalidade dos casos em maiores de 13 anos de idade (Brasil, 2005). É importante destacar a lacuna de dados sobre as especificidades em termos de comportamento e demandas das mulheres que fazem sexo com mulheres em relação à saúde, inclusive sobre o HIV/ Aids (Rede Feminista de Saúde, 2006). Os dados também apontam para o processo contínuo de crescimento da epidemia de aids entre as populações mais vulneráveis socioeconomicamente, expresso pelo aumento persistente da proporção de casos com raça/ cor "Parda" e redução na "Branca", tanto para homens como para mulheres. A mortalidade por aids mantém-se estabilizada, desde 1998, em cerca de 11 mil óbitos e com taxa de 6,4 óbitos por 100 mil habitantes. Mantém-se, também, o crescimento da mortalidade para as mulheres. Entre 55 e 60% dos óbitos por aids ocorreram entre aqueles que foram categorizados como de raça/ cor "Branca", mas com crescimento persistente da proporção de óbitos nas categorias "Preta" e "Parda", em ambos os sexos, entre 1998 e 2004, indicando a iniqüidade no acesso aos serviços de saúde para diagnóstico e tratamento precoces das populações menos favorecidas socioeconomicamente (Brasil, 2005). Atualmente o município de Fortaleza possui um comércio diversificado sendo a produção industrial de calçados, produtos têxteis, couros, peles e alimentos os mais importantes, além da extração de minerais. Seu PIB totaliza R$ 12,84 bilhões. Fortaleza é também um importante centro educacional tanto no que se refere ao ensino médio como ao superior, não só do estado do Ceará, mas da parte norte do Nordeste e até de estados da região Norte. O Censo de 2000 registra uma expressiva proporção da população com renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo no município de Salvador (31%) e revela a forte concentração de renda existente onde o extrato dos 20% mais ricos se apropria de 70% da renda local. Por seu contingente populacional e pelas características da economia baiana, Salvador ostenta o penúltimo PIB per capita R$ 4.624,00 (IBGE/2003) entre as capitais do país, e ao longo dos últimos nove anos tem tido a maior taxa de desemprego entre as capitais de regiões metropolitanas. Nos últimos anos, percebeu-se que as respostas à epidemia devem levar em consideração que as "formas de exclusão social contemporâneas [...] estão inter-relacionadas com a maior vulnerabilidade ao HIV/Aids de determinados segmentos sociais" (Monteiro, 2003). Nesse sentido, as análises e ações devem abarcar tanto os valores culturais, compartilhados socialmente pelos diferentes grupos quanto às condições objetivas de existência. No atual quadro da epidemia é importante abordar homens e mulheres heterossexuais, HSH e MSM, levando em conta as variações identitárias e conhecer as concepções sobre masculinidade e feminilidade e as representações e práticas relativas ao gênero e à sexualidade, não apenas porque elas podem incidir na adesão ou não ao uso do preservativo, mas porque podem também apontar caminhos mais eficazes para a prevenção e a aceitação do mesmo, buscando dar conta dessa polifonia. Assim, conhecer as práticas e atitudes dessas populações frente ao HIV/Aids são de suma importância para se pensar estratégias de prevenção direcionadas a cada segmento populacional - segmentos estes distintos pelas próprias representações do que é ser homem e ser mulher, assim como de ter parceiro/a sexual com mesma orientação sexual e com orientação sexual oposta - e as interseções dessas representações com as práticas sexuais, ao uso do preservativo e prevenção às DSTs/HIV-Aids.

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Projeto: SÍFILIS CONGENITA: FATORES DE RISCO EM GESTANTES ADMITIDAS NAS MATERNIDADES DE MACEIÓ - ALAGOAS E VALIDAÇÃO DOS CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS ADOTADOS NO BRASIL.
Coordenador: RICARDO ALENCAR DE ARRAES XIMENES
Resumo: O crescente número de casos de sífilis congênita (SC) tem atraído pesquisadores todo o mundo e trazido à atualidade um problema antigo e para a qual existem tratamento e medidas preventivas eficazes, seguras e de baixo custo. Estes pesquisadores têm chamado a atenção à peculiaridade regional dos fatores de risco em diferentes populações e à necessidade do claro entendimento das características ine-rentes a cada comunidade na escolha dos mais apropriados modos de intervenção, Lago (2004). Estudos realizados nos Estados Unidos (DESENCLOS, 1992; MOBLEY, 1998; WEB-BER, 1993; WILLIAMS, 2001; WOODS, 2005) apontam a pobreza, uso de cocaína e crack, o comércio de sexo por drogas e dinheiro e a co-infecção por HIV como fatores de risco para a doença. McFarlin (1994) também levanta a possibilidade de falha no tratamento atualmente preconizado para a gestante como um dos responsáveis pela não prevenção da SC. A falha no tratamento vem sendo advogada por outros autores (ALEXANDER, 1999; SHEFFIELD, 2002a). Entretanto, McFarlin (0p.cit.) não documentou o tratamento do parceiro, deixando margem a dúvidas entre falha de tratamento ou re-infecção como determinantes da ocorrência de SC no seu estudo. Wilkinson (1997) estudou gestantes da zona rural da África do Sul, e após regressão logística múltipla, concluiu como fatores independentes associados ao aumento do risco de sífilis na gestação: mulheres com três a cinco gestações e morte perinatal prévia. Na Rússia, estudos revelaram a ausência de pré-natal e a realização do teste sorológico para sífilis após a 28ª semana como principais fatores de risco para SC (SALAKHOV, 2004; TIKHO-NOVA, 2003). Woods demonstrou que o aumento de 26% de SC ocorrido entre 1991 e 1999 decorreu do colapso da assistência perinatal naquela federação. Poucos estudos abordam a SC na América do Sul, uma das áreas de maior incidência de SC no mundo, tendo Southwick (1996) descrito a situação na Bolívia, onde a baixa escolari-dade, história de sífilis anterior e ter mais de um parceiro durante a gestação foram fatores de risco relacionados à SC após análise multivariada. No Brasil, em estudo transversal multicêntrico realizado por Rodrigues (2004), foram analisados os fatores associados à sorologia positiva para sífilis em puérperas atendidas em 24 centros cadastrados pelo Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS, com prevalência de 1,7% de sífilis na amostra estudada. Relacionaram-se ao maior risco de positividade do VDRL nesse estudo: renda familiar menor que 1 salário mínimo, idade < 17 anos na primeira relação sexual, idade ? 14 anos na primeira gravidez, história de sífilis e DST anteriores a atual gravidez, tratamento de sífilis na atual gravidez, realização de exame de sífi-lis no parceiro, exame anti-HIV positivo ou não realizado, parto pré-termo prévio e feto natimor-to como resultado da gravidez. Destacaram-se ainda a baixa escolaridade, que implicou em um risco três vezes maior, e gravidez precoce com um risco quase oito vezes maior para VDRL positivo. Em estudo realizado no Rio Grande do Sul, no ano de 2003, Lago (2004) observou dois padrões distintos de risco materno para a aquisição de SC: os riscos ambientais e a baixa condição sócio-econômica, ambos intervindo no cuidado pré-natal. As características maternas associadas independentemente com SC na regressão logística foram: renda per capita menor que US$30, ser solteira e ter menos que seis visitas de pré-natal. A comparação entre os gru-pos de mulheres que haviam tido sífilis na gestação resultou em forte fator protetor do pré-natal em relação à aquisição de SC pelo concepto. Recentemente, o MS divulgou uma prevalência de 1,6% casos de sífilis em parturientes no Brasil, valores que chegaram a 1,9% na região Nordeste. Estes não devem refletir os verdadeiros níveis da doença no país, devido à elevada subnotificação. Para Alagoas, estimam-se uma prevalência de SC da ordem de 4,5% , valores que vêm mantendo há algumas décadas os níveis elevados de prevalência da doença. Dados da Secre-taria Municipal de Saúde de Maceió (SMS) informam 185 casos notificados em 2003 de sífilis em adultos, baseado em notificações do SINAN, sem informar o número em gestantes e crian-ças, enfatizando ainda uma importante subnotificação. Em 2005, a SMS detectou, entre mulhe-res em idade fértil que procuraram espontaneamente os postos de atendimento para realização de VDRL, uma positividade próxima a 7% de VDRL, em alguns bairros da periferia, o que torna o problema da sífilis congênita algo bem tangível e impossível de não ser aprofundado. Entretanto não existem em Alagoas, pesquisas que relacionem os fatores de risco mais importantes para aquisição de SC entre os nascituros. As medidas aplicadas em Maceió para vigilância e erradicação da doença, são as mesmas preconizadas para todo o país e as mes-mas que resultaram no decréscimo da doença nos países desenvolvidos. No entanto, estas ações não estão resultando em redução no número de casos da doença. É necessário identifi-car onde estão ocorrendo às falhas na atuação do sistema de saúde com vistas à elaboração de propostas de enfrentamento e medidas que resultem na redução desta "epidemia", além de contribuir para o aprimoramento no diagnóstico clínico e laboratorial e acompanhamento de todos os casos de SC diagnosticados.

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Projeto: EVOLUÇÃO CLÍNICO EPIDEMIOLÓGICA DA INFECÇÃO CERVICAL PELO HPV EM MULHERES CO-INFECTADAS COM O HIV ATENDIDAS EM CENTROS DE REFERÊNCIA PARA HIV/AIDS EM RECIFE-PE.
Coordenador: Mª LUIZA BEZERRA MENEZES
Resumo: A relação do HPV com as NIC e câncer de colo de útero já está bem estabelecida. A evolução da epidemia da infecção pelo HIV para uma heterossexualização e conseqüente feminização tornou-se universal. A interação do HIV com o HPV, predispondo a um risco maior de persistência, recorrência, resistência ao tratamento e progressão para NIC de alto grau e câncer cervical, está bem estudada. Entretanto esta evolução do HPV em mulheres HIV co-infectadas através de coorte contro-lada em mulheres brasileiras, ainda não foi bem elucidada. A relevância clínica e para saúde pública de sabermos como evolui clínica e epidemiologi-camente esta co-infecção em muito auxiliarão na tomada de medidas preventivas e terapêuticas no combate ao câncer cervical nessas mulheres. O Brasil apresenta uma taxa elevada de prevalência de câncer de colo de útero, sendo a re-gião Nordeste representativo de um número significativo de casos. Recife apresenta duas caracte-rísticas: em primeiro lugar detém as maiores taxas mundiais de câncer de colo uterino e em segun-do não dispõe de estudos nos quais todas as relações causais tenham sido epidemiologicamente investigas. Por sua vez, a mudança do perfil epidemiológico da aids, com a conseqüente feminiza-ção, torna essas mulheres mais susceptíveis a essas neoplasias. Muito se tem estudado sobre a as-sociação do HIV com o HPV. No entanto, resta saber a real prevalência desta co-infecção em mu-lheres atendidas em centros de referência para HIV/aids e sua evolução clínico-epidemiológica de forma que possa dar condições de acompanhamento no sentido de uma eficaz prevenção de lesões de alto grau e câncer cervical. A implicação de critérios de exposição molecular poderá contribuir para o fortalecimento do conhecimento de produtos vacinais terapêuticos e preventivos contra o HPV. O impacto dessas descobertas, sem dúvida implementará estratégias preventivas, propedêu-ticas e terapêuticas nessas mulheres, não só na região Nordeste, mas, possivelmente em mulheres de todo o Brasil. Ao final do Projeto os seguintes produtos deverão ser alcançados: 1. Fortalecimento do grupo interinstitucional de pesquisa em HIV/AIDS envolvendo docentes e médicos da Universidade de Pernambuco, Universidade Federal de Pernambuco, Secreta-ria Estadual de Saúde (HCP e CISAM) e Fundação Oswaldo Cruz. 2. Conhecimento da prevalência de NIC de alto grau co-infecção HIV-HPV em Recife 3. Identificação das taxas de regressão e persistência da infecção pelo HPV e incidência de NIC de alto grau nessas mulheres. 4. Revelação do(s) tipo(s) de HPV envolvidos. 5. Identificação da relação do aparecimento de NIC de alto grau com o nível de CD4 e carga viral do HIV e com fatores sócio-comportamentais. 6. Determinação da integração viral nesta evolução. 7. Orientação e produção de uma dissertação de mestrado e duas teses de doutorado. 8. Publicação de quatro artigos científicos para divulgação dos resultados encontrados. 9. Elaboração e implementação de protocolos para acompanhamento de pacientes co-infectados HIV-HPV nos serviços de referência do Estado de Pernambuco.

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Projeto: VIOLÊNCIA ESTRUTURAL E QUALIDADE DE VIDA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES VIVENDO OU CONVIVENDO COM PAIS COM HIV/AIDS EM ÁREAS DO NORDESTE BRASILEIRO.
Coordenador: LIGIA REGINA SANSIGOLO KERR
Resumo: O aumento do número de crianças infectadas pelo HIV, especialmente nos países mais afetados pela epidemia, é facilmente perceptível. No Brasil, dados apresentados pelo Ministério da Saúde divulgam que, até 2005, entre menores de 13 anos, somavam-se 12.014 casos (Brasil, 2006). Além disto, o número estimado de crianças órfãs de mães devido à aids no Brasil é expressivo-varia bastante, dependendo da metodologia utilizada: de 15.900 (Fontes, 1998), em 1997, a 30.000 de 1987 a até 2000 (Szwarcwald, 2000) e 127 mil órfãos por Aids no Brasil, em 2001 (estimado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (UNAIDS), UNICEF e Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID) - sendo 34 mil mater-nos e 100 mil paternos). Um inquérito de base populacional realizado cidade de Porto Alegre (RS) encontrou que 1.294 pessoas falecidas por aids tinham deixado 1.131 filhos menores de 15 anos órfãos (Doring, 2005a; Doring, 2005b). Estudo recente sobre crianças e adolescentes portadores de HIV/Aids, afetados não-órfãos e órfãos por Aids mostra que há indícios de comprometimento de vários direitos como saúde, edu-cação, moradia, alimentação, não discriminação, integridade física e mental (França-Júnior, 2006). A resposta brasileira frente a esta nova realidade indica que ainda é preciso avançar para atender às necessidades adicionais dos órfãos e outras crianças vulneráveis. No momento, está mais limitada à assistência médica, ao combate à transmissão vertical do HIV e ao financiamen-to da instalação e manutenção de casas de apoio para infectados afetados, órfãos ou não. A infância e a adolescência são fases da vida extremamente delicadas e importantes e requerem investimentos significativos na área afetiva e de suporte social (Deslandes, 2005). A qualidade de vida de crianças e jovens pode ser profundamente afetada pela epidemia de Aids. Elas po-dem sofrer a perda não só do convívio dos pais ou parentes, como ter sua própria saúde afetada (França-Junior, 2006). Estudos mostram que os órfãos por Aids apresentam maiores riscos de tornar-se desnutridos se comparados a crianças com pais vivos (Foster, 1998; Foster, 2000; Le-andro-Merhi, 2000; Nampanya-Serpell, 1999; Peters, 1998). A aids pode ser capaz de produzir uma maior exclusão e segregação social, trazendo conse-qüências para uma cidadania precária aumentando a vulnerabilidade deste seguimento à pobre-za estabelecendo-se um perverso círculo vicioso diretamente relacionado à violência estrutural. Entende-se violência estrutural como "aquela que oferece um marco à violência do comporta-mento e se aplica tanto às estruturas organizadas e institucionalizadas da família como aos sis-temas econômicos, culturais e políticos que conduzem à opressão de grupos, classes, nações e indivíduos, aos quais são negadas conquistas da sociedade, tornando-os mais vulneráveis que outros ao sofrimento e à morte" (Minayo, 1994). Refere-se às condições extremamente adversas e injustas da sociedade para com a parcela mais desfavorecida de sua população, à qual a aids veio a se tornar mais um fardo. O Nordeste é uma das regiões mais pobres do país e apresenta os piores níveis de desenvolvi-mento sócio-econômicos. O comportamento da epidemia na região Nordeste reflete um quadro de desigualdade social mostrando que, enquanto se verifica uma desaceleração da epidemia e estabilização na região Sudeste, na região Nordeste os dados apresentam tendência de cresci-mento (Brito, 2005). Além disto, todas as pesquisas relativas às medidas preventivas na popula-ção em geral mostram que estes indicadores também são piores para a região Nordeste (Pas-com, 2006). A resposta brasileira frente ao aumento de órfãos decorrentes da aids indica que ainda é preciso avançar para atender às necessidades adicionais dos mesmos e de outras crianças vulneráveis. Existem várias dimensões sociais que justificam este projeto, sendo perceptível o grande contin-gente infanto-juvenil da região nordeste, a vulnerabilidade física, psicológica e econômica das crianças e adolescentes em relação aos adultos e a defasagem entre o plano dos direitos for-mais e o das ações que assegurem esses direitos no cotidiano. Este último aspecto está impli-cado também com a difícil equação da baixa disponibilidade de recursos institucionais para re-duzir a magnitude do problema. O objetivo do presente projeto é avaliar a qualidade de vida e de bem estar de crianças e ado-lescentes que convivem com HIV/aids ou que tenham um ou ambos os pais infectados, com aids ou falecidos em decorrência do HIV relacionando-as à violência estrutural na capital e em duas cidades do interior do Estado do Ceará e na cidade de Salvador. Será realizado um estudo transversal com crianças e adolescentes infectados pelo HIV ou vi-vendo com pais HIV + ou órfãos de pais com HIV em 3 serviços na capital, 2 serviços em duas cidades do interior do estado do Ceará e 3 serviços na cidade de Salvador. Criança será referida aquela menor de treze anos e para adolescente aquele cuja idade está na faixa etária de treze a dezenove anos. (< 13 anos = criança; ? 13 anos e ? 19 anos= adolescente). As crianças e ado-lescentes participantes serão recrutados a partir dos ambulatórios, setor de internação ou na entrega de medicamentos para aids dos serviços de saúde selecionados para este estudo. Os adultos que comparecerem a estes serviços serão perguntados sobre a existência de crianças ou adolescentes em sua residência vivendo com HIV/AIDS ou que tenham pai, mãe ou cuidador vivendo com HIV/AIDS. Em caso afirmativo, serão convidados a responder o questionário. Uma amostra de 316 adultos para o Ceará e 325 para a Bahia (poder=80%; prevalência do fenômeno a ser estudado=50%; significância=95%; erro=5%) de adultos participará. A maioria destes indi-víduos são atendidos nas capitais ou nos municípios selecionados. Tendo em vista o número relativamente pequeno de crianças e adolescentes vivos com HIV aids (cerca de 200 para Forta-leza e 150 para Salvador), todos aqueles que comparecerem aos serviços e tiverem infecção pelo HIV, ou que refiram ter pai, mãe ou cuidador vivendo com HIV/AIDS ou que faleceram por esta condição e cujos pais ou responsáveis concordarem em participar e assinarem o Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) farão parte desta amostra. Para a coleta de dados será aplicado um questionário semi-estruturado (traduzido e adaptado de um instrumento aplicado para avaliar qualidade de vida de órfãos em Ruanda) que avalia, princi-palmente, a violência estrutural, o bem estar e qualidade de vida infanto-juvenil. As variáveis estudadas serão processadas e analisadas utilizando-se o software Stata versão 9.0. Serão calculadas as incidências e suas respectivas taxas no tempo, por sexo, por idade, por situação atual (vivo ou morto). Para comparação de proporções será utilizado o qui-quadrado de Person ou teste exato de Fisher, se necessário. Para comparação de médias será utilizado o teste T de Student ou análise de variância se mais de uma média. Serão estabelecidos critérios de qualidade de vida de forma dicotômica e serão estudados fatores associados à boa ou má qualidade de vida entre as crianças e adolescentes. Análise bivariada será realizada entre ter ou não qualidade de vida e as variáveis preditoras. Aquelas com p<0,20 na análise bivariada serão analisadas de forma multivariada para se avaliar o efeito independente das variáveis preditoras de boa qualidade de vida. Estas análises serão separadas por faixas etárias, dado as particulari-dades de cada fase do desenvolvimento humano (<13 anos e 13 anos ou +).

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Projeto: OPORTUNIDADES PERDIDAS PARA A PREVENÇÃO DA TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV NO RIO DE JANEIRO.
Coordenador: CRISTINA BARROSO HOFER
Resumo: Cerca de 2,3 milhões de crianças até 15 anos vivem com HIV/aids no mundo. Em 2006, 530,000 crianças se infectaram com o vírus da imunodeficiência humana (HIV), a maioria destas crianças foram infectadas verticalmente (1). Em 1994, o PACTG076 avaliou o impacto da administração da zidovudina à gestantes infectadas pelo HIV, e foi observada uma redução na transmissão vertical do HIV de 25% a 8% (3). Estudos posteriores demonstraram que o uso da combinação de antire-trovirais potentes (HAART), de acordo com a contagem de células CD4+ e a carga viral da gestante prévias ao uso de antiretrovirais, reduziriam ainda mais a transmissão vertical, em cerca de 1-2% (4, 5, 6). Em 1996, baseado nos achados desses estudos, a Secretaria Municipal do Rio de Janeiro (SMS-RJ) iniciou um programa para a prevenção da transmissão vertical do HIV, testando todas as ges-tantes no início do pré-natal com o anti-HIV, e se positivo, estas gestantes são encaminhadas a um centro de referência, como o PAICGHU, criado na mesma época. O PAICGHU é localizado entre os bairros da Ilha do governador e Complexo da Maré (10o. e 31o. lugar na classificação de 32 regiões administrativas, quanto ao índice de desenvolvimento humano, em 2000) (2), mas os clientes atendidos neste Programa são referidos de todo o Município do Rio de Janeiro, principalmente de áreas mais pobres. Estes pacientes têm renda mediana por família de 1,5 salários-mínimos, com mediana de 5 participantes por família. Outro fato importante é a distribuição etária das gestantes acompanhadas neste Programa, onde cerca de 1/3 têm idade igual ou inferior a 21 anos. Apesar da grave situação sócio-econômica, a taxa de transmissão vertical no PAICGHU é de menos de 1,5% (6). Considerando que recebemos cerca de 140 gestantes/ano, esperamos 1-2 crianças infectadas pelo HIV ao ano, através do acompanhamento das nossas gestantes. Mas no ambulatório de crianças infectadas pelo HIV, recebemos cerca de 15 crianças infectadas pelo HIV ao ano, e desde 1996, recebemos 176 crianças infectadas pelo HIV nascidas em 1996 ou posteriomente (após início do programa para a prevenção da transmissão vertical do HIV da SMSRJ). Em estudo preliminar sobre as características do pré-natal dessas crianças, apenas 12/176 (6,8%) das mães estudadas já sabiam ser soropositivas na gestação referida, 28/176 (15,9%) das mães sabiam do risco de transmissão vertical e 20/176 (11,3%) tinham informação a respei-to da prevenção da transmissão vertical. A média do início do pré-natal foi de 13 semanas. O aleitamento materno foi realizado em 146/189 (83,0%) das crianças, com duração média de 10 meses (7), demonstrando a falha do sistema de saúde, apesar da instituição de uma intervenção altamente eficaz, como os antiretrovirais na prevenção da transmissão vertical. Mesmo com al-guns desses dados descritos, a comparação entre expostos e não expostos, apontaria para possíveis variáveis não avaliadas em descrição simples, e que quando independentemente analisadas, seriam fatores importantes na transmissão vertical do HIV, e possivelmente passíveis de correção. O estudo da distribuição geoespacial dos casos e pacientes expostos seria importante para localizar os principais pólos de diagnóstico e referência precoce do HIV/AIDS na gestação, que poderiam servir de modelos para treinamento na rede, bem como detectar as áreas onde o diagnóstico e a referência seriam tardios ou inexistentes, para que medidas para a melhora do pré-natal da área sejam implementadas. Estudos recentes que comparam o tipo de TARV e o início precoce da TARV na gestação têm demonstrado que gestantes que utilizaram TARV no primeiro trimestre, principalmente inibidores de protease levariam a um pior desfecho; como prematuridade, peso baixo para a idade gestacional, má formações congênitas (8,9). Ao mesmo tempo, alguns estudos apontam para a transmissão vertical do HIV posterior às 28 semanas de gestação (10,11), então, o uso da TARV entre 14-28 semanas de gestação seria inútil naquelas mulheres onde a TARV seria indicada somente para a prevenção da transmissão vertical, e deletério para o concepto. Além disto, estas mulheres seriam expostas aos antiretrovi-rais por mais tempo, expondo-as ao possível risco de acúmulo de mutações de resistência (12,13). O estudo da coorte de gestantes, com a avaliação dos possíveis fatores de risco para pior desfecho seriam importantes para a decisão do tipo de tratamento e do início da TARV, nesta população. Desde 1996, com a implementação do PAICGHU, todos os dados demográficos, clínicos e laboratoriais das gestantes e crianças expostas ou infectadas pelo HIV são sistematicamente e prospectivamente coletados, através de fichas, já previamente testadas e validadas (Anexos 1, 2, 3). Estas fichas além de ajudar no manejo clínico do paciente, são muito úteis para aquisição de dados para pesquisa clínica, e já foram instrumentos fonte de várias publicações e apresentações em congressos (6, 7, 9,14-18). Mas essas fichas (com exceção da ficha de acompanhamen-to à criança infectada pelo HIV) não estão digitalizadas, tornando qualquer estudo de difícil execução. Com a execução desta proposta construiríamos e atualizaríamos (no caso do banco de dados das crianças infectadas pelo HIV) um banco de dados único para as três coortes, com atualização contínua. O objetivo da proposta é o estudo da coorte de gestantes, crianças infectadas e expostas ao HIV, para a detecção das principais falhas do programa de prevenção da transmissão vertical do HIV da SMSRJ, e o mapeamento dessas falhas, para que então, as intervenções criadas para a me-lhora deste programa sejam baseadas em dados próprios, incluindo a localização dos problemas. Este projeto será desenvolvido nos hospitais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), localizados na Ilha do Fundão; Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) e no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). Estes Hospitais estão no Estado de Rio de Janeiro (segundo estado, em maior prevalência de HIV/aids noBrasil), no Município do Rio de Janeiro. Eles se localizam na área programática 3.1. Está área está localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro, entre os bairros da Ilha do governador e Complexo da Maré (10o. e 31o. lugar na classificação de 32 regiões administrativas, quanto ao índice de desenvolvimento humano, em 2000) (2). Esses hospitais são referência para o acompanhamento e tratamento de crianças e adultos infectados pelo HIV. Pacientes de todo o Estado do Rio de Janeiro têm acompanhamento nessas Unidades. O Programa de assistência a gestante e crianças expostas e infectadas ao HIV da Universidade Federal do Rio de Janeiro existe desde 1996. Este Programa é realizado nos ambulatórios de Do-enças Infecciosas e Parasitárias Pediátricas e de Saúde Materno Infantil do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), que é um hospital pediátrico terciário. Este Programa é um importante sítio de pesquisa nacional e internacional, gerando várias publicações no ambito da infecção pelo HIV em gestantes e pediatria, sendo escolhido como um sítio para a condução de ensaios clínicos dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos da América (PACTG).

Produção Científica


Projeto: CONDIÇÕES DE SÁUDE, CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA E CRIANÇAS QUE NASCERAM SOB RISCO DA TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV OU QUE VIVEM COM HIV/AIDS EM FORTALEZA-CE.
Coordenador: MARLI TERESINHA GIMENIZ GALVAO
Resumo: Nos países mais afetados pela epidemia de HIV é visível o aumento do número de crianças infectadas pelo HIV. No Brasil, dados apresentados pelo Ministério da Saúde divulgam que, até 2005, entre menores de 13 anos, somavam-se 12.014 casos (Brasil, 2006). Além disto, o número estimado de crianças órfãs de mães devido à aids no Brasil é expressivo e varia bastante. Estimaram-se 15.900 casos de orfandade em 1997 (Fontes, 1998), de 1987 a até 2000 estimaram 30.000 (Szwarcwald, 2000) em 2001 informaram 127 mil órfãos por Aids no Brasil. (estimado pela UNAIDS, UNICEF e USAID) No Ceará, a concentração da aids se dá capital. De 1983 até 2006 houve 7.183 casos de aids. De 2000 a 2005 foram notificados, em média, 627 casos novos por ano. Destes mais de 10 casos foram entre crianças. Com taxa de 7,7 casos por cem mil habitantes (SESA, 2006) Estudo recente sobre crianças e adolescentes portadores de HIV/Aids, afetados não órfãos e órfãos por Aids mostra que há indícios de comprometimento de vários direitos como saúde, educação, moradia, alimentação, não discriminação, integridade física e mental (França-Júnior, 2006a). A resposta brasileira frente a esta nova realidade indica que ainda é preciso avançar para atender às necessidades adicionais dos órfãos, adolescentes e outras crianças vulneráveis, já que muitas famílias não têm como enfrentar todos os problemas advindos do diagnóstico da infecção. No momento, a assistência está mais limitada à assistência médica, ao combate à transmissão vertical do HIV e ao financiamento da instalação e manutenção de casas de apoio para infectados afetados, órfãos ou não. Entretanto, cabe-nos investigar está a convivência familiar, comunitária e social das crianças nascidas sob risco da TV ou que estão infectadas pelo HIV, além de observar como estão estruturadas suas famílias para poder cuidar adequadamente. A modificação da aids de agravo de alta letalidade para enfermidade crônica, tem repercussão no desenvolvimento físico e psicológico de crianças soropositivas, notadamente aqueles infectados pelo HIV (Seidl, 2005), assim torna-se necessário um cuidado adequado dos seus familiares ou cuidadores como estratégia de garantir saúde nessa fase da idade. A infância é uma fase da vida extremamente delicada e importante e requerem investimentos significativos na área afetiva e de suporte social (Deslandes, 2005), principalmente quando há outros infectados na família. A qualidade de vida de crianças e jovens pode ser profundamente afetada pela epidemia de Aids. Elas podem sofrer a perda não só do convívio dos pais ou parentes, como ter sua própria saúde afetada (França-Junior, 2006a). Entretanto, com a disponibilidade de tratamento, observa-se importante redução da TV e melhoria nos índices gerais de saúde e de desenvolvimento das crianças infectadas, com redução das internações e de infecção oportunistas (Brown & Lourie, 2000). Assim, familiares e cuidadores se deparam com novos desafios, tais como a revelação do diagnóstico, o início e a continuidade da escolarização, a adesão a um tratamento complexo e a longo prazo, a chegada da puberdade e o início da vida sexual (Seidl, 2005), necessitando assistência, acompanhamento e apoio especializado. Ainda refere-se que a aids pode ser capaz de produzir exclusão e segregação social, trazendo conseqüências para uma cidadania precária aumentando a vulnerabilidade deste seguimento à pobreza estabelecendo-se um perverso círculo vicioso diretamente relacionado à violência. O Nordeste é uma das regiões mais pobres do país e apresenta os piores níveis de desenvolvimento sócio-econômicos. O comportamento da epidemia na região Nordeste reflete um quadro de desigualdade social mostrando que, enquanto se verifica uma desaceleração da epidemia e estabilização na região Sudeste, na região Nordeste os dados apresentam tendência de crescimento (Brito, 2005). Além disto, pesquisas relativas às medidas preventivas na população em geral mostram que estes indicadores também são piores para a região Nordeste (Pascom, 2006), incluindo-se a baixa cobertura para detecção do HIV em gestantes (SESA, 2006). É responsabilidade de cada governo garantir o cumprimento dos direitos de seus cidadãos mais jovens e promover ações de prevenção e acesso a serviços e tratamentos, além da criação de ambientes protetores e sensíveis as diferenças para deter a epidemia do HIV (UNICEF, 2005). Em relação à criança sob risco de aquisição do HIV há necessidade de serem efetivadas as medidas que revele o status sorológico da gestante, a seguir garantir um tratamento adequado e após o parto oferecer garantias para prevenir ao máximo a exposição ao vírus. Estas medidas são oferecidas gratuitamente à população brasileira, entretanto muitos são os fatores que dificultam e até impedem de as crianças serem beneficiadas com todas as medidas para impedir a TV. As crianças e seus cuidadores a maioria deles soropositivos ao HIV compartilham dificuldades de lidarem com situações relacionadas ao HIV, como relativas ao tratamento, sentimentos de raiva, solidão, baixa auto-estima, entre outras. Somam-se ainda precárias condições de sócio econômicas, como a pobreza e acesso aos recursos médicos e sociais (Seidl et al, 2005). Especificamente no Ceará, divulga-se pouca cobertura da testagem do anti-HIV no pré-natal (SESA, 2006). Contudo indicadores revelam uma situação indesejável em relação a cobertura e descoberta de mulheres infectadas. No Ceará, de 2000 a 2005 foram notificados, em média, 627 casos novos por ano. Destes mais de 10 casos foram entre crianças. Contrário do que se observa no Brasil, o Ceará vem apresentando aumento da mortalidade, fato relacionado às dificuldades de acesso a população à assistência médica (SESA, 2006). Corrobora-se a isso, estudo cujos resultados demonstraram número crescente de grávidas com HIV que, apesar de terem tomado conhecimento de sua soropositividade, não tiveram a oportunidade de tratamento para prevenir a TV (Cavalcante 2004). Segundo a Secretaria do Estado da Saúde, em 2004, apenas 36% das gestantes infectadas tiveram o diagnóstico de HIV evidenciado, e em 2005 este valor apresentou em média 25% (SESA, 2006). Estes dados sugerem que um grande contingente de crianças nascidas de mães infectadas vive sem ter seus direitos à saúde assegurados, ou seja, nasceram sem a oportunidade de um tratamento efetivo e gratuito. Deste modo, analisar condições de saúde sob as quais vivem as crianças é necessário para compreender todas as questões envolvidas na vida dos que estão em risco da TV ou convivendo com infecção, especialmente as menores de idade que necessitam de adultos responsáveis para seu cuidado, muitos dos quais são infectados e vivenciam as mazelas, ainda, advindas da infecção. Ademais, existem várias dimensões sociais que justificam este projeto, sendo perceptível o grande contingente infantil da região nordeste, a vulnerabilidade física, psicológica e econômica das crianças em relação aos adultos e a defasagem entre o plano dos direitos formais e o das ações que assegurem esses direitos no cotidiano. Este último aspecto está implicado também com a difícil equação da baixa disponibilidade de recursos institucionais para reduzir a magnitude do problema. O objetivo do presente projeto é avaliar as condições de saúde, como ocorre a convivência familiar, comunitária e com amigos de crianças que vivem com HIV/aids ou que nasceram sob risco da TV e avaliar como familiares e/ou cuidadores dessas crianças (HIV+ ou que nasceram sobre risco da TV) vivem e enfrentam o diagnóstico do HIV/aids em Fortaleza-CE. Será realizado estudo utilizando-se duas modalidades de investigação: a quantitativa e a qualitativa. Inicialmente será realizado estudo transversal com adultos que cuidam e informam ter ou cuidar de crianças (0- 13 anos) infectadas pelo HIV ou nascidos sob risco da TV na capital. Serão empregadas diferentes formas de captar a população, a saber: ambulatórios, setor de internação, entrega de medicamentos, salas de exames, ambulatório de adultos (investigar-se-á a presença de crianças nascidas sob risco da TV ou infectadas no lar). Os convidados/respondentes serão pais ou cuidadores das crianças. Tendo em vista o número de menores de 13 anos notificados com HIV/aids no Ceará é cerca de 190 casos (SESA, 2006) espera-se realizar cerca de 100% destes. A população será constituída de crianças de zero a 13 anos, que nasceram sob risco da transmissão vertical (TV) ou com diagnóstico de HIV/Aids e seus pais ou cuidadores, a saber: a) crianças (0-13 anos) em seguimento de saúde com diagnóstico de HIV/Aids; b) crianças (0-13 anos) em seguimento de saúde com diagnóstico de nascimento sob risco de TV; c) Adultos (homens e mulheres) pais ou cuidadores de crianças (0-13 anos) nascidas sob risco da TV ou com diagnóstico de HIV/Aids; O número estimado de pessoas vivendo com HIV em todo o planeta para 2005 foi de aproximadamente 40.3 milhões variando de 36.7 a 45.3 milhões. Destes, 38.0 milhões eram adultos, 17.5 milhões em mulheres e 2.3 milhões em crianças menores de 15 anos de idade. As novas infecções representaram um total de 4.9 milhões de pessoas, destas, 700.000 em menores de 15 anos. Cerca de 3.1 milhões de pessoas foram a óbitos por Aids, sendo 570.000 em crianças (UNAIDS, 2006). No final da década de 90, em todo o país, 29.929 crianças menores de 15 anos viviam na condição de órfãos decorrentes da aids. O aumento do número de crianças infectadas pelo HIV, especialmente nos países mais afetados pela epidemia, é facilmente perceptível. Em 2002, foi estimado que 3,2 milhões de crianças até a idade de 15 anos estavam convivendo com o HIV/AIDS, onde um total de 800.000 eram recém infectados e 610.000 morreram vítimas da infecção (UNAIDS/WHO,2002). No Brasil, as cifras de crianças e adolescentes infectados mostram proporções preocupantes: dados apresentados pelo Ministério da Saúde divulgam que, até 2005, entre menores de 13 anos, somavam-se 12.014 casos (Brasil, 2006). Dados do boletim epidemiológico apontam 190 crianças notificadas até final do ano de 2005. (SESA, 2006). Destes, 134 estavam vivos até 2006. (Dados obtidos pelo TabNet). No Ceará, de 1983 até 2006 foram 7.183 casos de aids. O número de gestantes com HIV de 2001 a 2006 no Estado soma 382 (Dados obtidos pelo Tab.Net). De 2000 a 2005 foram notificados, em média, 627 casos novos por ano. Destes mais de 10 casos foram entre crianças. Com taxa de 7,7 casos por cem mil habitantes. No Ceará, contrário do que se observa no Brasil, vem apresentando aumento da mortalidade, fato relacionado às dificuldades de acesso a população à assistência médica (SESA, 2006). Estudo conduzido no Estado do Ceará, demonstrou número crescente de grávidas com HIV que, apesar de terem tomado conhecimento de sua soropositividade, não tiveram a oportunidade de tratamento profilático para prevenir a TV (Cavalcante 2004). Segundo a Secretaria do Estado da Saúde, em 2004, apenas 36% das gestantes infectadas tiveram o diagnóstico de HIV evidenciado, e em 2005 este valor foi em média 25% (SESA, 2006). Este fato sugere que um grande contingente de crianças nascidas de mães infectadas vive sem ter seus direitos à saúde assegurados, ou seja, nasceram sem a oportunidade de um tratamento efetivo e gratuito. Deste modo, avaliar condições de saúde e seguimento de crianças é necessário para compreender todas as questões envolvidas na vida dos que estão em risco da TV ou convivendo com infecção, especialmente as crianças que necessitam de adultos responsáveis para seu cuidado. Participarão dois serviços de referência para pacientes com HIV/AIDS no Ceará. Trata-se do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ) e do Hospital Universitário Walter Cantídeo (HUWC). Estes são os principais serviços de referência para tratamento da aids no Estado, atendem indivíduos de ambos os sexos, das diferentes faixas etárias e estão alocados na capital do Estado - Fortaleza. Reúnem o maior contingente de atendimento em pacientes adultos e pediátricos do estado, ambos somam aproximadamente 90% dos infectados e expostos. No município de Fortaleza há outros serviços que atende especificamente crianças (aproximadamente 8%), entretanto, seus pais (adultos) são atendidos em um dos serviços propostos na pesquisa, desta maneira serão ao longo do estudo convidados a participarem da pesquisa, já que a entrevista será conduzida com o familiar. O HSJ está alocado na Capital do Estado do Ceará. É o serviço pioneiro na atenção às diferentes doenças infecciosas e atendem em média 130 pacientes por dia com diagnóstico de HIV/Aids, nos diferentes estágios da doença ou para confirmação diagnóstica. Os pacientes são oriundos das diferentes regiões do estado, já que é o único serviço publico estadual de referência para atenção ao HIV/aids. O HUWC está alocado na Capital do Estado do Ceará. É um serviço universitário federal e atende aos portadores em nível ambulatorial e hospitalar da capital e das diferentes regiões do Ceará. O ambulatório funciona em dois períodos da semana atendendo em média 200 pacientes ao mês. Conta com profissionais capacitados e tecnologia apropriada para atenção a saúde dos portadores de HIV/aids, bem como aqueles em risco para aquisição do vírus.

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Projeto: ESTUDO COMPORTAMENTAL COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE RUA EM PORTO ALEGRE E RIO GRANDE: USO DA TÉCNICA DE RESPONDENT DRIVEN SAMPLING (RDS) PARA A IDENTIFICAÇÃO DE COMPORTAMENTOS SEXUAIS DE RISCO E USO DE DROGAS.
Coordenador: LUCAS NEIVA SILVA
Resumo: Experiências prévias de estudos realizados pelo CEARGS e pelo CEP-RUA/UFRGS levaram à construção dessa proposta, tendo em vista a importância e necessidade de estudos conciliando as temáticas de populações em situação de rua e vulnerabilidade às DST/HIV/Aids. Em estudo recente (Carvalho, Neiva-Silva, Ramos, Evans, Koller, Piccinini, & Page-Shafer, 2006), fruto de uma parceria entre essas duas instituições, em colaboração com a Universidade de San Francisco - Califórnia, são apresentados os resultados de um trabalho realizado em Porto Alegre com 161 crianças e adolescentes em situação de rua. Nesse estudo, constatou-se baixa freqüência de uso de preservativos (26,3%), o relato de relações sexuais sob efeito de substâncias (33,7%) e relato de infecção pelo HIV (9,1%). Um dado que chama atenção é que 55,9% relataram ter amigos na rua que são HIV positivos, apesar da crença de que nunca se infectarão pelo HIV (37,9%). Nesse estudo foram ainda identificados diversos fatores de risco, como o tempo de ida para a rua de no mínimo dois anos (67,1%), número de horas por dia nas ruas acima de duas horas (78,2%), o relato de uso de drogas ilícitas no último ano (39%),Trata-se de um estudo inicial, que investigou algumas variáveis comportamentais nessa população. A partir desse estudo, ficou evidente a necessidade de ampliação e aprofundamento da investigação quanto à vulnerabilidade de crianças e adolescentes em situação de rua às DST/HIV/Aids, a partir de um projeto que permitisse a ampliação da amostra de Porto Alegre, a inclusão de um outro sítio de coleta em cidade portuária do Rio Grande do Sul, além da inclusão de outras variáveis, como o conhecimento sobre DST/HIV/Aids e de serviços associados, o acesso a esses serviços e a atividades de prevenção e prevalência de exploração sexual. Essas informações serão muito importantes para o estabelecimento de políticas públicas de saúde. Nesse sentido, identifica-se o método de amostragem Respondent Driven Sampling (RDS) como uma técnica de amostragem pertinente para a realização desse estudo, uma vez que se destina à composição de uma amostra probabilística de populações de difícil acesso, nas quais se enquadram as populações em situação de rua. A opção por esse método também é resultado de experiência prévia do CEARGS. Em 2005, em parceria com o Ministério da Saúde e com o Centers for Disease Control dos EUA, foi desenvolvido o projeto intitulado: "O uso da técnica de amostragem Respondent-Driven Sampling (RDS) em um estudo comportamental com profissionais do sexo atuantes na cidade de Porto Alegre, RS", sob a coordenação de Mauro Cunha Ramos (Germany, C.; Carvalho, F.T.; Barbosa, L.H.R.; Sander, M.A.; Siqueira, A.C.S.; Harzheim, E.; Ramos, M.C., 2006). Nessa ocasião, membros da equipe do CEARGS (Mauro Cunha Ramos, Cíntia Germany e Fernanda Torres de Carvalho) foram capacitados quanto ao método por equipe do Ministério da Saúde em parceria com o CDC/EUA. Acredita-se que a técnica de RDS pode ser uma ferramenta útil para o levantamento de dados necessários no presente projeto. A população de crianças e adolescentes em situação de rua e de risco tem sido extensamente estudada pela equipe do CEP-Rua/UFRGS. Até o momento, foram concluídas 24 dissertações de mestrado e 09 teses de doutorado junto a essa população, o que confere ao grupo ampla experiência e contatos com a rede de instituições governamentais e não-governamentais do estado. Desde 1996 está constituído o CEP-Rua/FURG (Fundação Universidade de Rio Grande), o qual trabalha de forma integrada à sede principal em Porto Alegre. Nessa experiência de 11 anos em contato com a população, identifica-se que são múltiplas as vulnerabilidades existentes. Até o momento, não se encontraram estudos que estimem a prevalência de DST/HIV/Aids nessa população, porém os dados encontrados a partir de auto-relato no estudo anterior demonstram a gravidade da situação - 9% de relato de infecção pelo HIV, o que se acredita ser uma subestimativa (Carvalho et al., 2006). Em recente pesquisa realizada com crianças e adolescentes em Porto Alegre (Neiva-Silva, 2007), constatou-se que a maior parte das crianças e adolescentes encontradas nas ruas é do sexo masculino (75,5%), mantém contato com suas famílias (71,3%), está matriculado na escola (82,4%) e passam mais de três horas por dia nas ruas (74,1%) em busca de trabalho, relações sociais, diversão ou para afastar-se de contextos familiares de maior risco. Em geral, são crianças e adolescentes que se desenvolvem em contextos de risco, na presença de violência doméstica (81%), violência sexual (4,6%), situações de pobreza, abuso de outras drogas ilícitas (42,6%) (Neiva-Silva, 2007).

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Projeto: ESTUDO SÓCIO-COMPORTAMENTAL EM MULHERES HIV-POSITIVAS QUE NÃO FIZERAM A PROFILAXIA PARA TRANSMISSÃO VERTICAL.
Coordenador: JACQUELINE ANITA DE MENEZES
Resumo: Os resultados do Estudo Sentinela-Parturiente realizado em 2002, mostraram que uma proporção significativa de gestantes infectadas pelo HIV não era sujeitas às ações profiláticas recomendadas pelo Ministério da Saúde (MS) ou por não terem acesso à realização do teste sorológico ou por não receberem o resultado do teste antes do parto, seja pela condição social em que vivem, seja por falhas no sistema de saúde. (Souza Jr. e cols, 2004). Dados de 2004 do Programa Nacional de DST/aids (PN DST/aids) mostram que, na região Sudeste, embora 97% das gestantes tenham tido pelo menos uma consulta de pré-natal, apenas em 83 dos 86% dos casos em que a sorologia foi solicitada, a gestante foi informada e aceitou o teste, e somente em 73% o resultado foi conhecido antes do parto (Ministério da Saúde, Monitoraids, 2007). Outros dados, estes do Censo demográfico de 2000, mostram que, na mesma região Sudeste, mais de 40% das mulheres entre 15 e 49 anos não completaram o ciclo do ensino fundamental (Ministério da Saúde, Monitoraids, 2007), fato que foi relacionado a maior índice de desconhecimento do resultado da sorologia antes do parto no estudo de Souza Jr e cols (2004). Desde 1996 o Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP) do Hospital dos Servidores do Estado (HSE) desenvolve um trabalho de prevenção da transmissão vertical do HIV através de um ambulatório de pré-natal integrado e multiprofissional, onde as gestantes identificadas na rede primária são recebidas e acompanhadas até o parto, recebem o tratamento profilático recomendado pelo Ministério (Ministério da Saúde, 2006) e são posteriormente acompanhadas no puerpério e até um ano após o parto, junto com seus bebês. As crianças expostas são acompanhadas até um ano de idade por uma equipe de pediatras. As que são identificadas como infectadas permanecem sob os cuidados da equipe. O trabalho resultou numa queda superior a 50% dos índices de transmissão vertical entre 1996 e 2004 (Calvet e cols, 2007). Atualmente este índice mantém-se estável em cerca de 1,7%. A partir de 2004 o HSE passou a receber também puérperas, identificadas por teste rápido no parto em 11 maternidades do Grande Rio, e os seus bebês expostos. Nesta população a TV foi estimada em 8,9%. Uma análise preliminar dos fatores que levaram à perda de oportunidade de prevenção nesta população apontou para alguns fatores ligados ao sistema de saúde e outros ligados à própria gestante. Dados coletados de prontuários de 55 puérperas nesta população mostraram que o número mediano de consultas de pré-natal foi de 05 com apenas 6% tendo 07 consultas ou mais. Numa amostra de 67 entrevistas feitas por psicólogas que fazem parte da equipe multiprofissional que atende a gestantes, puérperas e adolescentes acompanhadas no Serviço, em que este dado figurava, 43 tinham realizado pré-natal e 24 não tinham realizado. Das 43 que realizaram pré-natal, 19 não fizeram o teste ou não receberam o resultado ou o tratamento por fatores ligados ao sistema de saúde e 24 (56%) por motivos ligados à própria gestante (por exemplo, abandonaram o acompanhamento, não coletaram o exame solicitado, não coletaram a segunda amostra, não retornaram para o resultado, tinham exame prévio negativo e não julgaram necessário repeti-lo, receberam o resultado e não fizeram o tratamento recomendado, ou já sabiam do seu status previamente e esconderam o fato). Estes dados alarmantes nos levaram a elaborar um projeto baseado em entrevistas de puérperas identificadas como HIV positivas somente na época do parto com a finalidade de identificar os principais fatores sócio-comportamentais que contribuem para que essas mulheres não se beneficiem das ações profiláticas recomendadas e disponibilizadas pelo Ministério da Saúde para a prevenção da transmissão vertical do HIV. O projeto será desenvolvido no Hospital dos Servidores do Estado, hospital terciário situado num bairro da zona portuária do Rio de Janeiro chamado Saúde, e cujo programa de HIV/aids é referência para o acompanhamento de gestantes, puérperas e crianças expostas ou infectadas de todo o Município do Rio de Janeiro e Grande Rio.

Produção Científica


Projeto: ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS E CLÍNICOS DAS HEPATITES VIRAIS B E C EM PORTADORES DO HIV: GENÓTIPOS DO HCV, HEPATITE B OCULTA E ASSOCIAÇÃO COM SÍNDROME METABÓLICA E LIPODISTROFIA.
Coordenador: FERNANDO HERZ WOLFF
Resumo: População em estudo: O estudo será desenvolvido no Serviço de Atenção e Terapêutica do Hospital Sanatório Partenon (SAT-HSP), um dos principais centros de investigação e assistência especializada em HIV/AIDS da Secretaria Estadual da Saúde, em Porto Alegre. No registro, inici-ado em 1996, estão cadastrados mais de 4000 indivíduos. Destes, cerca de 1500 estão atual-mente em acompanhamento no serviço. Os pacientes são provenientes de centros de testagem gratuita para o HIV, unidades básicas de saúde ou são encaminhados para seguimento pós-exposição acidental a sangue ou material biológico. Critérios de Elegibilidade: Critérios de inclusão: indivíduos com 18 anos ou mais, de ambos os sexos, com sorologia positiva para o HIV que consultarem com infectologista do SAT-HSP. Serão excluídos: indivíduos com retardo mental ou seqüela neurológica que impossibilite a compreen-são e fornecimento do consentimento pós-informação. Indivíduos em restrição de liberdade que comparecerem sob escolta policial também serão excluídos pela impossibilidade de garantir a sua participação voluntária e por não ser possível a realização do questionário e exame físico com privacidade e garantia de sigilo. Pacientes que consultarem sob efeito de drogas ilícitas ou álcool serão agendados para avaliação na semana seguinte. Mulheres sabidamente gestantes ou que assim se declararam também serão excluídas. Para avaliação de Hepatite B Oculta serão também excluídos os portadores de HBsAg. Delineamento do estudo: Estudo transversal. Método de amostragem: Consecutiva, ou seja, todos pacientes que consultarem e apresenta-rem critérios de elegibilidade serão consecutivamente incluídos. Pacientes que consultarem e não puderem ser entrevistados na ocasião, serão buscados ativamente a fim de evitar perdas.

Produção Científica


Projeto: SEXUALIDADE, ATITUDE E COMPORTAMENTO PREVENTIVO RELACIONADO A INFECÇÃO PELO HIV ENTRE ADULTOS COM MAIS DE 50 ANOS.
Coordenador: BRIGIDO VIZEU CAMARGO
Resumo: Caracterizar as variáveis psicossociais e sociocognitivas associadas ao conhecimento e atitudes sobre sexualidade, HIV/Aids e envelhecimento, além de comportamentos preventivos e arriscados que atuam no processo de vulnerabilidade de adultos com mais de 50 anos em cidades da região sul do Brasil.

Produção Científica


Projeto: Homossexualidades, homofobia e suicídio em adolescentes GLBTTT
Coordenador: FERNANDO SILVA TEIXEIRA FILHO
Resumo: Esperamos com esta pesquisa produzir um relatório que descreva as diversas formas de homofobia enfrentadas pelos adolescentes GLBTTT no espaço familiar e escolar, suas relações com as tentativas de suicídio, drogas, álcool e dst/hiv-aids. Acreditamos que esses dados poderão futuramente subsidiar políticas públicas de redução das vulne-rabilidades de adolescentes GLBTTT às dst/hiv-aids e homofobia.

Produção Científica


Projeto: Comportamento, atitudes, práticas e prevalência de HIV e sífilis entre homens que fazem sexo com homens (HSH) em 10 cidades brasileiras.
Coordenador: LIGIA REGINA SANSIGOLO KERR
Resumo: O Estudo procura obter estimativas da prevalência de HIV e sífilis e a incidência e a genotipagem do HIV na população de HSH, assim como de comportamentos, atitudes e práticas sexuais que servirão como linha de base para o Programa Nacional de DST e Aids (PN DST/AIDS) para realização de vigilância epidemiológica e comportamental neste grupo populacional. Além disso, através deste estudo ter-se-á estabelecido uma rede de pesquisadores em dez municípios brasileiros capacitados a coletarem e fornecerem dados de qualidade para a vigilância epidemiológica de HIV e sifilis e comportamental entre HSH tanto para os programas locais quanto para o PN DST/Aids utilizando a técnica de amostragem de Respondent Driven Sampling.

Produção Científica


Projeto: Linhas e entrelinhas: marcas de gênero, sexualidades e intersecções em livros didáticos para o ensino médio brasileiro
Coordenador: LENISE SANTANA BORGES
Resumo: Esta pesquisa espera, ao seu final, ter selecionado, lido e analisado textos e imagens de livros didáticos, de disciplinas de língua portuguesa, língua estrangeira (Espanhol), matemática e biologia, destinados ao ensino médio de escolas públicas brasileiras, adotados nas escolas goianas a partir da lista recomendada pelo Ministério da Educação (Programas PNLEM e PNBEM) para o ano escolar 2007/2008, no que concerne especifi-camente a: 1) sexualidade; 2) gênero; 3 ) às intersecções entre gênero, raça, classe, geração e diversidade sexual. Tendo em vista que esta análise deve possibilitar a compreensão das diversas facetas da homofobia e suas intersecções nos livros didáticos, a pesquisa espera ao final construir um relatório de análise que contemple a discussão recente sobre homofobia, sobre a relação escola/livros didáticos/jovens/adolescentes em torno das questões de gênero e sexualidade, com recomendações para políticas públicas.

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Projeto: Homofobia e Violência: um estudo sobre os discursos e as ações das tradições religiosas brasileiras em relação aos GLTB.
Coordenador: MARIA DAS DORES CAMPOS MACHADO
Resumo: A proposta é a seguintes: " análise dos discursos de vinte lideranças religiosas e da história de vida de dez adeptos das tradições católica, evangélica, espírita, afro-brasileira e judaica que fazem sexo com pessoas do mesmo sexo; " levantamento das ações e projetos institucionais das religiões estudadas junto à população gay, HSH, lésbica, bissexual, transexual e transgêneros; " Banco de Dados de material bibliográfico e de recursos audiovisuais sobre diversidade sexual, homofobia e violência; " produção de material didático constando o material bibliográfico e de recursos audiovisuais; " organização de um seminário para apresentação e discussão dos dados coletados; " elaboração de um site sobre diversidade sexual, religião, homofobia e violência, com vistas à criação de uma rede de homossexuais da UFRJ; " elaboração de uma publicação no formato de um livro; " capacitação de fiéis indicados pelas lideranças religiosas para a difusão do tema da diversidade sexual nas suas respectivas comunidades. Considerando, ainda, que a natureza da instituição proponente é de ensino e de qualificação profissional tem-se como produto a elaboração de ementa e programa de uma disciplina a ser implementada no Curso de Pós-Graduação em Serviço Social, denominada 'Subjetividade e Trajetórias Sexuais'.

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Projeto: Representações de iniciação sexual e homossexualidade em Escolas do Ensino Público de Santa Catarina/SC
Coordenador: MIRIAM PILLAR GROSSI
Resumo: A pesquisa terá como produto uma analise etnográfica da instituição escolar centrada nas temáticas da iniciação sexual e homossexualidade. A etnografia será fundamentada na teoria antropológica, em particular nos estudos de gênero e sexualidade e sobre a juventude e os processos ocidentais de educação , em que a temática da iniciação sexual de jovens e homossexualidades será o pano de fundo para a descrição da organização social da instituição escolar. Nesse sentido, o relatório final do projeto buscará, além de forne-cer subsídios teóricos para a criação de materiais pedagógicos e roteiros para formação de professores, produzir dados que possam ser comparados com outras pesquisas futuras. Além disso, o relatório final possibilitará uma descrição das instituições escolares contemporânea, como importante estrutura política da sociedade brasileira.O relatório final terá os seguintes capítulos: a) Metodologia da Pesquisa b) Descrição das escolas (dados etnográficos e de entrevistas) c) Representações e valores sobre sexualidade, iniciação sexual, homossexualidade dos professores e diretores. d) Analise do impacto das políticas publicas de prevenção nas representações sobre iniciação sexual e ho-mossexualidade. e) Capítulo conclusivo. O produto final será um texto narrativo, em que buscar-se-á fugir das adjetivações e descrever por completo a metodologia etnográfica utilizada através do registro em diário das situações vividas em campo, movi-mentações físicas e discursivas, indumentária dos sujeitos envolvidos (alunos, professores, etc.) , diálogos, arquiteturas e sobretudo as praticas e representações dos sujeitos pesquisados. Desta forma, almeja-se que estes resultados sejam o inicio de uma discussão sobre formação de pessoas com mais aceitação a diversidade sexual no campo da escolarização.

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Projeto: (Re)Pensando a sexualidade e suas singularidades: desafios e possibilidades no contexto escolar de Cajazeiras -PB
Coordenador: TATIANA CRISTINA VASCONCELOS
Resumo: 1. Elaboração de relatório analítico contemplando as modalidades com as quais vem sendo tratada a diversidade sexual nas escolas investigadas, entre os professores e seus alunos, e a visão passada para as crianças e os adolescentes em relação à população de gays e outros HSH, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros; 2. Descrever as políticas que vêm sendo adotadas em escolas públicas em relação à prevenção da violência sexual e da infecção pelas DST e pelo HIV; 3. Disponibilizar informações à Rede de Ensino Público local com vistas a subsidiar a formulação de políticas estratégicas que venham efetivamente contemplar a temática no processo pedagógico; 3. Contribuir com os gestores no planejamento e organização de propostas para implementação de ações; 4. Contribuir para a formação de recursos humanos (graduação, especialização, pós-graduação strictu sensu - mestrado) para o desenvolvimento de pesquisas operacionais/ epidemiológicas voltadas para as ações de prevenção da violência sexual e da infecção pelas DST/HIV no ensino fundamental e médio. 7. Aumentar a visibilidade regional, nacional e internacional da produção científica sobre a avaliação organizacional e de desempenho das instituições de ensino público, relativas às ações de prevenção da violência sexual e da infecção pelas DST/HIV.

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Projeto: Percepções sobre o atendimento de gays e outros HSH, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros em relação à prevenção e ao tratamento das DST/HIV/Aids no SUS: um estudo qualitativo com diferentes atores
Coordenador: PRISLA UCKER CALVETTI
Resumo: Este projeto pretende ter um conjunto de informações que subsidiem ações para a melhoria da qualidade dos serviços prestados à população-alvo do projeto. No contato com indivíduos pertencentes à população-alvo e com Organizações Não-Governamentais voltadas às populações de gays e outros HSH, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (GLBT) identifica-se que o discurso dos profissionais da saúde ainda não incorpora as possibilidades de diferentes orientações sexuais dos pacientes. Dessa forma, o atendimento é prestado, muitas vezes, sem levar em conta as diferenças de orientação sexual, seguindo um formato único, que considera apenas a prática heterossexual. Além disso, percebe-se ainda a existência de discriminação e preconceito em situações de atendimento à saúde a essa população. O presente estudo representará uma oportunidade de identificar e compreender a experiência de atendimento em saúde do grupo GLBT de Porto Alegre de maneira aprofundada e fazendo uso do método científico, a fim de que sejam geradas estratégias para melhorias no acolhimento e no atendimento a essa população, em relação à prevenção e tratamento de DST/HIV/Aids. As informações obtidas a partir das entrevistas e dos grupos focais, além de serem apresentadas em forma de relatório ao Ministério da Saúde, serão divulgadas a todas as ONGs em Porto Alegre que estejam de alguma forma voltadas à população GLBT, aos centros de saúde de onde os profissionais participantes do estudo sejam provenientes, além das Seções de DST/Aids do município e do Estado. Dessa forma, como produto final do estudo, espera-se realizar momentos de sensibilização de diferentes atores quanto às necessidades de saúde de gays e outros HSH, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, podendo, a partir do conhecimento das necessidades e das sugestões dadas pelos próprios sujeitos, propor inovações nas formas de organização do serviço e da atenção. Considerando que através do cotidiano de atenção dos pacientes (nível micropolítico) podem ser realizadas importantes mudanças visando uma atenção acolhedora, humanizada, preventiva, e que promova mais eficazmente a saúde em um sentido amplo.

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Projeto: Qual Diversidade Sexual dos Livros Didáticos Brasileiros?
Coordenador: DEBORA DINIZ RODRIGUES
Resumo: Este projeto avaliará a qualidade dos livros didáticos destinados ao ensino público fundamental e médio para a promoção da diversidade sexual e combate aos valores homofóbicos. Serão anali-sados todos os livros didáticos recomendados pela Secretaria de Educação Infantil e Fundamental (SEIF) e pela Secretaria de Educação Média e Tecnológica (SEMTEC), dentro do Programa Na-cional do Livro Didático (PNLD) e do Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM), e uma amostra de livros didáticos em circulação sobre orientação sexual e ensino reli-gioso. A análise dos livros didáticos permitirá avaliar o papel de um instrumento chave à política de educação básica e fundamental no país para a promoção da diversidade sexual. O produto final será um relatório analítico com evidências quantitativas e qualitativas sobre o conteúdo de diversidade sexual dos livros didáticos no Brasil. O relatório discutirá: 1. se há livros didáticos e/ou disciplinas onde o tema da diversidade sexual e homofobia se apresentam; 2. como se representa a diversidade sexual nos livros didáticos brasileiros; 3. papel do sistema de avaliação do livro didá-tico do Ministério da Educação para a promoção da diversidade sexual e combate à homofobia e 4. papel estratégico dos livros didáticos de orientação sexual e educação religiosa para a promo-ção de valores democráticos e saúde sexual para crianças e adolescentes. Os dados permitirão avaliar como o livro didático se situa na promoção de uma sociedade mais justa e tolerante frente à diversidade sexual. Os resultados finais poderão ser utilizados por editores, autores, professores e gestores de políticas de educação para o enfrentamento da homofobia em ambiente escolar e para a tomada de decisões positivas frente à diversidade sexual da população brasileira. Para o Ministério da Saúde, o relatório final poderá servir como subsídio técnico para proposições de a-ções junto ao Comitê Técnico Saúde da População GLTB (Portaria 2.227 de 14/10/04) assim co-mo nas iniciativas intersetoriais entre o Ministério da Saúde e o da Educação, tais como o Projeto Saúde e Prevenção na Escola e a Câmara Intersetorial Educação em Saúde na Escola.

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Projeto: AVALIAÇÃO DA MORTALIDADE POR AIDS NO BRASIL - AMA BRASIL
Coordenador: MARIA AMELIA DE SOUSA MASCENA VERAS
Resumo: O estudo "Avaliação da Mortalidade por Aids no Brasil" (AMA-Brasil), vai avaliar a abrangência da notificação de óbitos por Aids no Sistema Nacional de Agravos de Notificação - SINAN e na base de dados do Sistema de Informação de Mortalidade - SIM, através de um estudo descritivo, realizado após a investigação de óbitos, complementada com estudo do tipo caso-controle. A série de casos representará a totalidade ou, em alguns municípios, uma amostra aleatória de todos os óbitos por Aids notificados no SIM, no ano de 2003, em uma amostra aleatória de municípios das cinco macro-regiões brasileiras. Além do fato de sua maior factibilidade em relação a um estudo com uma maior dimensão temporal, outros fatores foram considerados quando da opção por este tipo de estudo e pelo ano de 2003 como único ano a ser estudado. Foram estes: 1) não houve nenhuma intervenção específica sobre a doença ou modificação do sistema de saúde, após a introdução da terapia anti-retroviral de alta potência (HAART), que pudesse ter promovido mudanças substanciais no curso da epidemia nos anos recentes, o que justificaria a análise de um outro período a ser estudado e 2) responde ao objetivo do estudo, que é avaliar os óbitos por aids tendo por base a análise das informações disponíveis no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), quanto à sua cobertura, completitude e qualidade, optando-se pelo ano de 2003 por ser este o último ano com dados já consolidados do SIM. Também serão conduzidas investigações dos óbitos por causas desconhecidas e óbitos por causas associadas à Aids, em pessoas na faixa de idade de 20 a 49 anos nestes mesmos municípios, no mesmo ano. No Anexo 1 encontra-se uma lista das doenças (com seus respectivos códigos da CID 10), que serão investigadas quando da declaração de óbito, nos municípios selecionados. Essa lista contém os diagnósticos de causas freqüentemente associadas à aids, e serve como base para a investigação de óbitos suspeitos de terem ocorrido devido à aids, mas em cuja DO não consta aids como qualquer das causas declaradas. É utilizada pelo Pro-AIM (Programa de Aprimoramento de Informação sobre Mortalidade, do Município de São Paulo) há vários anos, para investigar tais casos. A idéia é, portanto, realizar uma investigação ativa nos prontuários médicos de todos os serviços onde o paciente tenha sido atendido, na tentativa de identificar se houve um diagnóstico prévio de infecção pelo HIV ou aids que possa complementar a notificação de óbitos por aids, nos municípios selecionados que não disponham deste tipo de vigilância. O levantamento de dados sobre estes casos, a partir dos registros médicos, determinará se a aids foi a causa não detectada dos óbitos. Uma amostra simples aleatória de pessoas vivendo com Aids nos mesmos municípios, no ano de 2003, constituirá a série controle. Utilizando os dados extraídos dos registros médicos, registros do sistema de vigilância epidemiológica, de laboratórios e salas de vacinas, o estudo caso-controle vai caracterizar: i) fatores preditivos de óbito por aids, ii) oportunidades perdidas para a vigilância, diagnóstico, tratamento e notificação de aids e iii) diferenças regionais entre os serviços e a assistência relacionadas à aids.

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Projeto: "Estudo do compartimento de memória central induzido por vacinas terapêuticas anti - HIV, produzidas por células dendríticas primadas com HIV-1 inativado"
Coordenador: LUCIANA BARROS DE ARRUDA HINDS
Resumo: O presente projeto pretende avaliar a frequência e atividade de células T de memória central induzidas pela vacinação terapêutica com células dendríticas primadas com vírus HIV-1 inativado e seu papel no con-trole da evolução da infecção por HIV. Espera-se que a comparação entre os grupo de bons e maus respon-dedores a vacina, além da comparação com pacientes nao tratados permita a determinação de marcadores prognósticos de resposta a vacinas terapêuticas para futuros estudos clínicos de eficácia (fase III)

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Projeto: ESTUDO DA EFICÁCIA, ANTI-RETROVIRAL, TOLERÂNCIA E OUTRAS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS DO ANÁLOGO NÃO NUCLEOSIDEO EFA VIRENZ ASSOCIADO A RIFAMPICINA NO TRATAMENTO DE PACIENTES COM AIDS E TUBERCULOSE.
Coordenador: VALERIA CAVALCANTI ROLLA
Resumo: O tratarnento da tuberculose concomitante ao HIV continua a desafiar os profissionais de saúde que lidam com essa população por sua complexidade clínica, interação entre as drogas utilizadas em ambos os tratamentos e pelo desconhecimento de qual e a rnelhor dosagem de efavirenz a ser utilizado em urn paciente tratado com esquemas contendo rifampicina para tuberculose. Até o momento nenhum estudo controlado foi realizado para avaliar a eficácia e segurança do uso concomitante desses esquernas. Como o Brasil é urn país de alta prevalência de tuberculose entre os pacientes HIV+ consideramos que seja do nosso maior interesse esclarecer essas questões para propor aos nossos pacientes a melhor estratégia terapêutica baseados em evidencias concretas. Esse estudo aberto, randomizado, visa comparar a eficácia e seguranca de duas diferentes dosagens de efavirenz (combinados a dois amllogos do nucleosideo) 600 X 800 mg em pacientes HIV+ com indicação de tratamento anti-retroviral (segundo recornendações do Consenso Nacional) ainda virgens de tratamento para o HIV. O protocolo terá a durayao de 7 meses (do diagnóstico de tuberculose até urn mes apos o final do tratamento de 6 meses) e urn periodo de inclusão de 12 meses. A eficácia será avaliada pela resposta virológica (CV<80 cópias) no sétimo mês após o início do tratamento da TB e a segurança pelo monitoramento de eventos adversos. Foi realizado um cálculo amostral baseado em resultados da corte do IPEC que indicou a inclusão de 89 pacientes em cada braço de tratamento. A análise será realizada pela intenção de tratar. São elegíveis para esse estudo pacientes portadores da co-infecção HIV-TB, virgens de tratamento anti-retroviral atendidos no Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC/Fiocruz/RJ) ou referenciados para esses centros de pesquisa de outras unidades de saúde do Rio de Janeiro. Os resultados irão beneficiar todos os pacientes com diagnóstico de tuberculose e AIDS visto que poderemos recomendar a melhor dosagem de efavirenz (600 ou 800 mg/dia) para uso concomitante com a rifampicina, droga mais importante no tratamento de tuberculose para obter eficácia no tratamento concomitante da co-infecção TB-HIV.

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Projeto: INDUÇÃO DE IMUNIDADE DE MUCOSA PELA VACINA DE DNA QUIMÉRICA LAMP/p55-gag do HIV ASSOCIADA À OLIGODEOXINUCLEOTÍDEOS CpG EM NEONATOS MURINOS: INFLUÊNCIA DAS CÉLULAS DENDRÍTICAS NA ATIVAÇÃO DE CÉLULAS T CD4+ E TCD8+
Coordenador: MARIA NOTOMI SATO
Resumo: Desenvolver atividades do projeto Indução de imunidade de mucosa pela vacina de DNA quimérica LAMP/p55-gag do HIV associada à oligodeoxinucleotídeos CpG em neonatos murinos: influência das células dendríticas na ativação de células T CD4+ E TCD8+ que visa investigar a imunogenicidade da vacina quimérica que codifica a proteína de 55 kDa do gene gag do vírus HIV-1 e a proteína lisossomal associada à membrana (LAMP-1) em mucosas utilizando camundongos. Para esta proposta será analisado o efeito da imunização nasal com as vacinas LAMP-1/ p55-gag e p55-gag na fase neonatal e adulta na indução de imunidade de mucosa, nos diferentes sítios de mucosa como a gastrintestinal, broncoalveolar, vaginal e leite materno. O efeito da vacinação em mucosas ou de protocolos de imunização prime -boost será analisado quanto a indução de resposta sistêmica e na geração de memória imunológica. Para potencializar a resposta vacinal em mucosa, será utilizado como adjuvante oligodeoxinucleotídeos com motivos CpG. As funções efetoras dos linfócitos do tecido associado às mucosas gastrintestinal (GALT) e sistêmico, assim como a influ-ência das células dendríticas (DCs) do GALT na ativação das células T CD4+ e T CD8+ serão parâme-tros a serem analisados no modelo experimental proposto. Englobando as avaliações da vacinação em camundongos adultos, é proposta também avaliar se a imunização materna com a vacina LAMP/p55-gag realizada antes da concepção transfere anti-corpos específicos e citocinas e quimiocinas pela via amniótica/placentária ou pelo leite materno e averiguar a permanência dos anticorpos maternos na prole. Da mesma forma, averiguar se a imu-nização materna com a vacina quimérica pode interferir na resposta vacinal neonatal.

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Projeto: Estudo de subpopulações de linfócitos T de memória central e efetora em indivíduos infectados pelo HIV-1: resposta a epitopos imunodominantes constituintes de nova vacina candidata anti-HIV-1
Coordenador: SIMONE GONCALVES FONSECA
Resumo: O Projeto Estudo de subpopulações de linfócitos T de memória central e efetora em indivíduos infec-tados pelo HIV-1: resposta a epitopos imunodominantes constituintes de nova vacina can-didata anti-HIV-1, visa investigar o envolvimento de subpopulações de células T de memória central e efetora, entre as células mononucleares do sangue periférico de pacientes HIV+ virêmicos e avirêmicos, no reconhecimento de epitopos de linfócitos T CD4+ não-descritos do HIV-1, derivados de seqüências de proteínas do consenso B, ligantes de diferentes moléculas HLA-DR, identificados recentemente pelo grupo.

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Projeto: Imunogenicidade de diferentes formulações candidatas a vacina anti-HIV-1 contendo epítopos promíscuos para linfócitos T CD4+, e plasmídeo codificando o gene vif rico em epítopos para linfócitos T CD8+
Coordenador: EDECIO CUNHA NETO
Resumo: O projeto visa apresentar formulação vacinal capaz de induzir resposta imune anti-HIV com ampla cobertura em indivíduos geneticamente heterogêneos. Esta formulação vacinal deve gerar linfócitos T CD4+ específicos para múltiplos epitopos conservados e linfócitos T CD8+ específicos para epítopos de vif, assim como anticorpos neutralizantes. A consecução desses objetivos pode gerar uma vaci-na candidata para posterior utilização em estudos clínicos de fase 1.

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Projeto: ESTUDO DO PERFIL FUNCIONAL DE CÉLULAS T CD8 GAG-ESPECÍFICAS INDUZIDAS PELA ADMINISTRAÇÃO DE ADENOVÍRUS SÍMIOS RECOMBINANTES POR VIAS DE MUCOSA EM REGIME DE DOSE-REFORÇO.
Coordenador: AGUINALDO ROBERTO PINTO
Resumo: O Projeto Estudo do perfil funcional de células T CD8 GAG-específicas induzidas pela administração de adenovírus símios recombinantes por vias de mucosa em regimes de dose-reforço visa avaliar a indução de células T CD8 polifuncionais efetoras e de memória específicas contra HIV-1 em sítios mucosos e sistêmicos em camundongos BALB/c, através da administração intranasal e intravaginal de vaci-nas baseadas em adenovírus símios recombinantes expressando o gene gag do HIV-1. Ao final deste projeto deseja-se obter uma vacina que induza resposta imune celular e humoral, sistêmica e de mucosas, contra HIV. Somente com a demonstração clara da imunogenicidade destas formulações vacinais em animais poder-se-á propor a continuidade dos estudos em animais de outras espécies e posteriormente em seres humanos. Para isso, verificaremos os níveis de citocinas (IL-2 e IFN- ) produzidos por linfócitos T CD8 gag-específicos em camundongos imunizados com adenovírus simios recombinantes de origem símia (AdC6gag37 e AdC68gag37). Deseja-se obter uma vacina capaz de induzir imunidade anti-HIV duradoura, que possa conter a infecção inicial pelo HIV-1 nas mucosas e assim reduzir ou impedir a disseminação sistêmica do vírus. Em infecções já estabelecidas, objetiva-se a redução da carga viral e, conseqüentemente, a melhoria da qualidade de vida de indivíduos soropositivos e possível redução da capacidade de transmissão viral. Neste projeto terá ênfase a administração de diferentes vetores adenovirais recombinantes em regimes de dose-reforço, administrados por vias de mucosa com o objetivo de induzir imunidade celular específica nestes compartimentos, especialmente trato reprodutivo por representar a principal via de novas infecções. Desta maneira, espera-se que a vacina em questão será eficaz no controle da replicação viral observada no início da infecção, segura, de fácil administração e grande aceitação pela população por não utilizar de métodos traumáticos de aplicação.

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Projeto: DESENVOLVIMENTO DE CENTRO DE TESTAGEM DE POTENCIAIS MICROBICIDAS ANTI-HIV BRASILEIROS PARA ESTUDOS PRÉ-CLÍNICOS
Coordenador: LUIZ ROBERTO RIBEIRO CASTELLO BRANCO
Resumo: Este projeto tem como objetivo desenvolver um centro nacional para desenvolvimento de microbicidas anti-HIV, portanto a população-alvo é formada por indivíduos sexualmente ativos, em especial as mulheres. Estas poderão fazer uso do microbicida vaginal como um agente preventivo de escolha antes do ato sexual, podendo optar por usá-Io em conjunto com o preservativo feminino ou não. Com isto o parceiro masculino deixa de ter o papel fundamental, como no caso do uso de preservativo masculino. Os microbicidas tambem deverão ser estudados em uso retal e portanto poderão ser usados em homens que fazem sexo com homens, como método preventivo associado ao uso de preservativo.

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Projeto: Contribuição ao Estudo Clínico Epidemiológico da co-infecção HIV/Hanseníase em populações de alta endemicidade para Hanseníase na Amazônia.
Coordenador: MARILIA BRASIL XAVIER
Resumo: A infecção humana pelo vírus HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), constitui um problema de saúde pública mundial onde as células CD4+, principalmente linfócitos T infectados são destruí-dos.Posteriormente há alterações de linfócitos B, macrófagos e citocinas, com imunodeficiência gradativa. A infecção culmina com a SIDA ou AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) que constitui a fase caracterizada por severa supressão do sistema imune celular e humoral com diversas manifestações clinicas incluindo infecções oportunistas, neoplasias e degeneração do sistema nervoso central. A pandemia apre-senta-se em ascensão na região Norte e no Estado do Pará que está vivendo o fenômeno da interiorização. Enquanto na capital os números de casos se mostram estabilizados nos últimos três anos, as notificações no interior do Estado aumentam ano a ano. Sabe-se que depois da área metropolina - Belém, Ananindeua e Marituba , o município de Parauapebas, no sul paraense, é destaque no mapa do controle estadual de AIDS. Itaituba, município do vale do tapajós possui áreas de intensa atividade garimpeira e madereira, onde a instalação recente do CTA certamente permitirá melhorar a detecção da infecção pelo HIV nessa popula-ção. Pelos dados da Sespa, atualmente há no Estado mais de três mil casos notificados de AIDS e outras 4.300 pessoas portadoras do HIV, nas quais a doença ainda não se manifestou. As internações hospitalares de portadores do vírus da aids ocorridas em 2003 são indicadores de que a AIDS está aumentando no inte-rior do Estado. Das 412 internações, nos cinco hospitais credenciados pelo Ministério da Saúde, para trata-mento em soropositivos de Belém, 294 foram de pacientes residentes na capital e 118 vindos do interior. A Hanseníase é doença infecciosa, causada pelo Mycobacterium leprae, de alta prevalência no Estado do Pará, em média 11 a 13 casos por 10.000 hab. Parauapebas e Itaituba constituem áreas de hiperendemi-cidade no Estado. É doença crônica, infecciosa, porém com períodos de agudização de fenômenos inflama-tórios relacionados á mecanismos auto-imunes, chamadas rações hansênicas, podendo causar dano neural e incapacidades. O tratamento é prolongado e por vezes, mesmo após o tratamento microbicida, torna-se ne-cessário manter outras drogas para o tratamento das reações. No ambulatório do NMT-UFPA, que realiza atendimento de apoio e pesquisa em dermatologia Tropi-cal às PVHA, foram diagnosticados 27 pacientes de co-infecção HIV/Hanseníase e estão em acompanha-mento no serviço. Torna-se necessário ampliar ações de busca de casos e melhorias para diagnóstico, acom-panhamento clínico e terapêutico, pelo que justifica-se continuar e ampliar as pesquisas e o atendimento já iniciado. Este projeto tem por objetivo descrever aspectos clínicos de pacientes com co-infecção hanseníase e AIDS, tais como como forma clínica , ocorrência de quadro reacional, presença de neurites, concomitância com outras doenças, estabelecer correlações com imunodeficiência clínica e laboratorial (carga viral e con-tagem de CD4), observar e descrever aspectos histológicos e imunohistoquímicos de tecido lesional (pele), utilizando citocinas indicadoras de resposta Th1 (TNF alfa) e TH2 (TGF-beta), quantificar os níveis de anticorpos anti PGL-1, anti-gangliosídeos e anti-NGF em pacientes acometidos de hanseníase e AIDS si-multaneamente, avaliar a sua funcionalidade e possível correlação com a evolução desta doença e descrever aspectos terapêuticos para a co-infecção, como manejo das reações, verificar adesão ao tratamento, substitu-ição de drogas. Para tal, será realizado estudo de prevalência em PVHA matriculados nas unidades de refe-rencia especializada no atendimento de portadores do Vírus HIV dos municípios de Belém ( URE-DIPE e Casa Dia) e municípios de Parauapebas (CTA) e Itaituba (CTA) e de seguimento dos casos portadores de co-infecção HIV no Ambulatório do Núcleo de Medicina Tropical - NMT / UFPA. Os controles para ava-liação de modificações na tipologia da evolução da co-infecção, serão casos de hanseníase não portadores de HIV atendidos no mesmo serviço. A detecção dos níveis de anticorpos anti PGL-1 em doentes e controles através do método de ELISA indireto padronizado no laboratório do Instituto Evandro Chagas.A quantifica-ção dos títulos séricos dos anticorpos antiganglíosídeos será feito por ELISA no laboratório de Neuroquí-mica do centro de ciências biológicas da UFPA e a quantificação dos títulos séricos do anticorpo NGF será feita por ELISA no laboratório de Neuroquímica do centro de ciências biológicas da UFPA.A realização das técnicas histológicas será feita no laboratório de imunopatologia do Núcleo de medicina Tropical e as técnicas imuno-histoquímicas para observação de citocinas TNF-alfa e TGF-beta serão realizadas no labora-tório de imunopatologia da USP- S. Paulo. Os resultados serão encaminhados através de relatórios ao Minis-tério da Saúde divulgados em congressos de hansenologia e medicina tropical, encaminhados ao Ministério da Saúde/ DST/AIDS e publicados em revista internacional da área.

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Projeto: INVESTIGAÇÃO DA SÍFILIS CONGÊNITA E AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DO ATENDIMENTO MATERNO-INFANTIL: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO.
Coordenador: MARIA RITA DE CAMARGO DONALISIO
Resumo: A sífilis congênita é uma doença perfeitamente prevenível com agente etiológico, modo de transmissão conhecidos e terapêutica efetiva. Não se justifica deixar de diagnosticar e tratar precocemente crianças e gestantes que transitam pelos serviços de saúde na região. Identificou-se aumento das notificações de sífilis congênita no serviço de neonatologia do Hospital Estadual de Sumaré a partir do 2o semestre de 2003 até novembro de 2004. A investigação das fichas de notificação e prontuários médicos mostrou grande freqüência em gestantes maiores de 30 anos (45,5%), a maioria 18 (81,8%) residentes no município de Sumaré. Dos 22 casos notificados 86,4% referem ter realizado pré-natal, sendo que 77% tinham pelo menos um exame sorológico pedido no decorrer do pré-natal. Constatou-se a precariedade das informações sobre o tratamento anterior da mãe e somente 1 registro de tratamento do companheiro. Os escassos dados coletados indicavam a necessidade de uma investigação mais aprofundada sobre a situação epidemiológica das sífilis congênita, bem como de outras DST na rede básica de Sumaré, e de outros municípios da micro-região. A equipe do Núcleo de Saúde Pública do hospital, o serviço de neonatologia, obstetrícia, laboratório, em conjunto com a Vigilância Epidemiológica do município de Sumaré iniciaram investigação epidemiológica dos registros e prontuários. Um diagnóstico mais preciso com informações da rede básica e de outros hospitais da micro-região poderá direcionar e racionalizar a intervenção. Ressalta-se o papel do hospital como instituição estratégica na identificação de eventos de saúde indesejáveis/inaceitáveis/preveníveis, os quais podem refletir problemas na assistência e prevenção de agravos em outras instâncias de atendimento. A revisão do fluxo de pacientes e de informações nas diversas etapas do atendimento pode facilitar a identificação de pontos vulneráveis do sistema de saúde para direcionar investimentos e monitoramento mais próximo. Indicadores epidemiológicos e de qualidade de serviços poderão identificar de forma sistemática e contínua grupos de maior risco de transmissão da sífilis congênita e de outros agravos do período perinatal. Será realizado estudo retrospectivo descritivo do perfil epidemiológico da sífilis congênita nos 5 municípios da micro-região de Sumaré SP. Serão revistos prontuários, fichas epidemiológicas e realizadas visitas domiciliares para coleta das informações não disponíveis. Dados sobre os serviços da micro-região, fluxos habituais de pacientes, coberturas e produção dos programas, além de infra-estrutura e equipamentos disponíveis serão mapeados. Serão realizadas oficinas de trabalho utilizando-se técnicas do planejamento estratégico e situacional para avaliação dos serviços e identificação de pontos para intervenção. Também serão organizadas reuniões técnicas para revisão dos protocolos e das rotinas do pré-natal, assistência ao parto e à criança e do sistema de vigilância epidemiológica, tendo-se como foco a transmissão perinatal do Treponema pallidum. Farão parte destas oficinas, técnicos e profissionais estratégicos dos serviços ambulatoriais e hospitalares envolvidos na assistência obstétrica, pediátrica e da vigilância epidemiológica da região. As equipes médicas e de enfermagem da rede básica de serviços de cada um dos 5 municípios serão treinadas nestes tópicos mencionados. A infecção pelo Treponema pallidum será analisada como uma "situação traçadora" que procura identificar pontos frágeis do atendimento e encaminhamento dos pacientes. Também serão montados indicadores para monitoramento do sistema quanto à infecção para sífilis congênita, segundo algumas categorias de análise: integralidade do atendimento à gestante, abordagem familiar na assistência, retaguarda laboratorial, papel da vigilância epidemiológica, agilidade do fluxo de informações para garantir o seguimento dos pacientes e a intervenção oportuna. A identificação de pontos vulneráveis do sistema irá direcionar as intervenções, particularmente centradas em treinamentos e reciclagens aos profissionais de saúde, mas também na reorganização do sistema para agilizar e dar qualidade ao atendimento.

Produção Científica


Projeto: PERFIL DE RISCO CARDIOVASCULAR DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM HIV/SIDA - ESTUDO PERI
Coordenador: BRUNO CARAMELLI
Resumo: Trata-se de um estudo do tipo caso-controle, no qual se compara a prevalência de fatores de risco para aterosclerose - dieta, atividade física, hipertensão arterial, perfil lipídico, metabolismo dos glicídios, estado de coagulação, obesidade abdominal, obesidade, proteína C-reativa - entre crianças e adolescentes portadoras e não-portadoras do HIV. Sangue congelado está sendo armazenado, a fim de determinar analitos solúveis para avaliação de função endotelial. Determinar-se-á a associação entre determinados aspectos de estados de saúde das crianças com aids e complicações cardiovasculares: funções ventriculares, massa e diâmetros ventriculares. Aplicar-se-á um programa interdisciplinar de controle dos fatores de risco em um grupo selecionado de crianças com aids e o impacto deste programa será comparado com um grupo-controle de crianças com HIV/aids.

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Projeto: RISCO CARDIOVASCULAR TERAPIA ANTI- RETROVIRAL EM ADULTOS, ADOLESCENTES E CRIANÇAS EM PERNAMBUCO
Coordenador: HELOISA RAMOS LACERDA DE MELO
Resumo: A presente proposta compõe um projeto interinstitucional que congrega docentes, pesquisadores e médicos das Universidades Federal e Estadual de Pernambuco e da Sociedade Estadual de Saúde, visando estudar vários aspectos da infecção pelo HIV. Os projetos abordam co-infecções, complicações da terapia anti-retroviral e genotipagem e transmissão vertical e serão desenvolvidos de forma integrada com a finalidade de responder a deferentes objetivos propostos. Para esse projeto serão avaliados todos os pacientes (crianças, adolescentes e adultos) com infecção pelo HIV-AIDS que iniciaram acompanhamento ou tratamento após o ano 2000 nos três principais serviços de referencia para HIV/AIDS na cidade do Recife: Hospital Universitário Oswaldo Cruz da Universidade de Pernambuco, Hospital das Clinicas da Universidade Federal de Pernambuco e Hospital Correia Picanço da Secretaria Estadual de Saúde que juntos serão responsáveis por 90% do atendimento à pacientes com HIV/AIDS no Estado de Pernambuco, totalizando cerca de 5000 pacientes. O numero de casos novos é de cerca de 800-1000 casos por ano e tem se mantido estável nos últimos anos. Observa-se, como no restante do Brasil, uma evidente feminilização, interiorização e pauperização da epidemia.

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Projeto: PERFIL DE RESISTÊNCIA GENOTÍPICA DO HIV-1 AOS ANTI-RETROVIRAIS EM UMA POPULAÇÃO DE CRIANÇAS INFECTADAS PELO HIV POR TRANSMISSÃO VERTICAL, NASCIDAS DE MÂES POSITIVAS PARA O HIV EXPOSTAS A TERAPIA ANTI-RETROVIRAL OU SUBMETIDAS A QUIMIOPROFILAXIA COM ANTI-RETROVIRAIS PARA PREVENÇÃO DA TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV DURANTE A GESTAÇÃO.
Coordenador: MARIZA GONÇALVES MORGADO
Resumo: O uso de quimioprofilaxia com anti-retrovirais para mulheres grávidas infectadas pelo HIV-1 representou um impor-tante avanço na prevenção da transmissão vertical (CDC, 1998; CONNOR, 1994; DABIS, 1999; SHAFFER, 1999; WIKTOR, 1999). Entretanto, o amplo uso de agentes anti-retrovirais e o aumento da prevalência de cepas do HIV resistentes às drogas anti-retrovirais trazem questionamentos sobre as possíveis implicações da resistência aos anti-retrovirais no âmbito da transmissão perinatal do HIV-1 (COLGROVE, 1999; MASQUELIER, 1999). O Brasil se destaca entre os países em desenvolvimento por oferecer acesso universal ao tratamento anti-retroviral. Além disso, são disponibilizados também, gratuitamente, exames de contagem de linfócitos TCD4+/TCD8+, quantificação de RNA-HIV-1. Ao final de 2003, cerca de 140.000 indivíduos infectados pelo HIV se encontravam em tratamento anti-retroviral. As atuais recomendações do Ministério da Saúde de quimioprofilaxia com anti-retrovirais para gestantes portadoras de infecção pelo HIV-1, embora permitam o uso de terapia anti-retroviral potente para mulheres com carga viral para o HIV-1 >1000 cópias/mL, continuam admitindo o uso isolado de Zidovudina para aquelas que apresentam Carga Viral do HIV-1 até 10.000 cópias/mL. Além disso, é recomendada, como em outros países, a suspensão da qui-mioprofilaxia anti-retroviral após o parto. Devido à dificuldade em realizar exames de Carga Viral na rede pública, na maior parte das vezes, a suspensão dos anti-retrovirais ocorre sem que a quantificação de RNA viral seja de fato avaliada. Existem poucos dados na literatura sobre o desenvolvimento de resistência viral aos anti-retrovirais nas mulheres nestas situações e sobre a transmissão de vírus resistentes para os recém-nascidos infectados. O desenvolvimento de resistência é motivo especial de preocupação no caso de esquemas de quimioprofilaxia com barreira genética limitada, tais como os que contêm Nevirapina. Tal situação poderia acarretar o desenvolvimento de resistência a Nevirapina, e conseqüentemente a outros anti-retrovirais da mesma classe. O desenvolvimento de resistência pode, potencialmente, comprometer futuras opções terapêuticas tanto para as crianças infectadas quanto para as mulheres expostas a quimio-profilaxia com anti-retrovirais, bem como comprometer o uso posterior de quimioprofilaxia em gestações subseqüentes. Da mesma forma, gestantes já submetidas a tratamento anti-retroviral anteriormente a gestação, algumas vezes já tendo experimentado diferentes esquemas terapêuticos, podem acumular variantes virais apresentando mutações de resistência que, mesmo na presença de esquemas terapêuticos durante a gestação podem ser transmitidas ao bebê. Com a realização deste estudo esperamos avaliar a seleção de vírus com mutações que conferem resistência às drogas em mulheres que fizeram profilaxia ou tratamento com anti-retrovirais quando grávidas, e em crianças que adquirirem a infecção dessas gestantes. Além disso, esperamos estimar a taxa de transmissão vertical do HIV nestas populações de gestantes.

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Projeto: O IMPACTO DO PAPILOMAVIRUS HUMANO ANOGENITAL NA TRANSMISSÃO DO HIV EM ÁREA URBANA DO BRASIL: ESTUDO PILOTO FASE II
Coordenador: MARK DREW CROSLAND GUIMARÃES
Resumo: A partir dos dados apurados nesta pesquisa, será possível melhor avaliar a viabilidade e direcionar o planejamento de um futuro de coorte prospectivo que avaliará o papel do HPV e da neoplasia intra-epitelial anal (NIA) na transmissão do HIV. Além disso, será possível obter informações sobre a proporção de homens positivos que mantém relacionamentos estáveis com mulheres e/ou homens negativos para o HIV, tempo médio deste relacionamento e freqüência do intercurso anal/vaginal desprotegido. Este estudo poderá trazer amplas implicações para o rastreamento na NIA, assim com amplia as dimensões do rastreamento da NIC e tratamento e identificar populações selecionadas para se prevenir o câncer anal e cervical e para se reduzir a incidência do HIV. Desta forma, a demonstração de que a NIA ou a NIC seja um co-fator para aquisição do HIV poderia levar a importantes medidas de intervenção em saúde pública para a prevenção da doença HIV, i.e., rastreamento e tratamento destas lesões antes que a transmissão do HIV ocorra.

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Projeto: ADESÃO Á TERAPIA ANTI-RETROVIRALNA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Coordenador: ROSANGELA RODRIGUES
Resumo: O Projeto Adesão à Terapia Anti-retroviral na Infância e Adolescência visa estudar características e fatores associados à adesão aos medicamentos anti-retrovirais entre crianças e adolescentes, e a relação entre diferentes níveis da adesão e resultados terapêuticos, definidos conforme parâmetros clínicos e laboratoriais. A aplicação, por meio de entrevista, do instrumento para avaliar a adesão aos medicamentos utili-zados na terapia antiretroviral (TARV) nas condições rotineiras de atendimento às crianças e adolescentes, permitirá conhecer o melhor os esquemas de medicamentos ARV aplicados para pacientes neste pertencen-tes a esse grupo etário, fornecendo subsídios para a avaliação da sua efetividade. Será possível também conhecer a relação entre a adesão ao TARV e os resultados terapêuticos avaliados por meio de parâmetros laboratoriais (carga viral, níveis de células CD4, e clínicos), tal conheci-mento oferecerá subsídio à introdução de medidas mais adequadas para o manejo do tratamento, sejam elas relativas à melhoria da utilização dos esquemas prescritos ou à outros fatores inerentes ao viver HIV/AIDS para as crianças e adolescentes. Conheceremos melhor quais características sócio-demográficas, da estrutura familiar, do cuidador ou da instituição que o acolhe, da presença de comorbidade, do tratamento medicamentoso assim como dos efeitos adversos, estão associadas à adesão. Tais resultados oferecerão subsídios ao aperfeiçoamento do Programa Nacional de DST/AIDS em suas atividades voltadas a assistência de crianças e adolescentes que convivem com a infecção HIV/AIDS. A avaliação das concentrações plasmáticas dos medicamentos ARV e de sua consistência com a adesão auto referida, permitirá a validação do instrumento para sua avaliação. A genotipagem possibilitará a identificação da sua relação com a resistência aos medicamentos ARV e sua influência na resposta ao TARV, considerando-se a adesão ao regime proposto.

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Projeto: DESENVOLVIMENTO DE INSTRUMENTOS CLÍNICOS E LABORATORIAIS APLICÁVEIS AOS ESTUDOS CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICOS, AO DIAGNÓSTICO E AO MONITORAMENTO TERAPÉUTICO DA CO-INFECÇÃO HIV/LEISHMANIA.
Coordenador: ALDA MARIA DA CRUZ
Resumo: 1. PROTOCOLOS DE INVESTIGAÇÃO E ACOMPANHAMENTO CLÍNICO, INCLUINDO CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO E CONDUTA TERAPÊUTICA. 1.1. Casuística: O estudo terá caráter tanto prospectivo, por busca ativa de casos, como retrospectivo, por busca em registros hospitalares, de co-infecção HJ\I/Leishmania, nas várias instituições participantes. Na zona altamente endêmica de HJ\I, a procura de leishmanioses se fará baseada em critérios epidemiológicos de contato com área endêmica para leishmaniose e/ou parâmetros clínico-Iaboratoriais Na zona endêmica de leishmanioses, a procura de infecção por HIV se fará pela infonnação de exposição aos fatores de risco e/ou parâmetros clinico-Iaboratoriais. O universo de pacientes co-infectados identificado nos centros participantes deste estudo, que estão atualmente em acompanhamento, é de aproxin1adamente 50 casos. Como controle serão eShldados pacientes portadores de leishmaIÚoses tegumentar (30 casos) e visceral (30 casos) sem história de infecção pelo HJ\I; cerca de 50 individuos com infecção por HIV, sem leishmanioses (dependendo do parâmetro a ser estudado); e 20 individuos sadios. 1.2. Estudo retrospectivo: será realizada a busca de registros hospitalares nas várias instituições participantes, utilizando-se uma Ficha Clinica (anexo) para recuperação e análise de aspectos clínicos, diagnósticos e evolutivos de portadores de co-infecção Leishmania/HJ\l. 1.3 Estudo prospectivo: Critérios de inclusão: serão incluídos os pacientes que preencherem os critérios descritos nos seguintes grupos de estudo: A) Grupo de pacientes em acompanhamento: Serão estudados pacientes HJ\I positivos com história de leislm1aniose (tegumentar ou visceral) ativa ou em remissão. O universo de pacientes coinfectados identificado nos centros participantes deste estudo é de aproximadamente 100 casos, jáem acompanhamento. A mesma Ficha Clinica será utilizada e estes pacientes serão convidados a participar do estudo para avaliação dos parâmetros clinico-Iaboratoriais evolutivos; B) Pacientes a serem identificados por busca ativa: os pacientes atendidos nos centros participantes serão convidados a participar de acordo com os seguintes critérios: Investigação de leishmaniose visceral em pacientes com HIV/ AIDS. Pacientes com diagnóstico de HIV/AIDS em acompanhamento ambulatorial ou internados serão investigados para leishmaniose visceral e divididos em dois grupos: Assintomáticos: pacientes provenientes de área de transmissão de leishmaniose visceral que não apresentarem sintomatologia de leishmaniose visceral; Sintomáticos: Pacientes portadores de HJ\I/AIDS que apresentem dois ou mais dos seguintes sintomas: febre por mais de duas semanas, hepatomegalia, esplenomegalia, adenomegalia, citopenia: anerIÚa e/ou leucopenia e plaquetopeIÚa Investigação de leishmaniose tegumentar em pacientes com HIV/AIDS. Qualquer paciente com diagnóstico de HIV/AIDS que apresentar lesões cutâneas por mais de duas semanas e que estiveram em contato com área de transmissão de leishmaniose pelo menos uma vez na vida. Investigação de HIV em pacientes com leishmanioses. Pacientes com diagnóstico de leishmaniose visceral que apresentarem um ou mais os seguintes critérios: ausência de resposta a terapêutica irúcial (anfotericina B ou antimoIÚal pentavalente), sorologia negativa para Leishmania, comprometimento de órgãos, comumente não afetados na leishmaniose visceral; Pacientes que apresentarem leishmaniose tegumentar com as seguintes caracteristicas: fonna cutânea disseminada com ou sem lesão mucosa; comprometimento mucoso eÀ1:ranasal; presença de parasito em espécime de biópsia de lesão mucosa; intradennorreação de Montenegro negativa; Pacientes com diagnóstico de leishmaniose visceral ou cutânea sem exposição a área de transmissão de leishmaniose há um ano. B) Grupos-controle: serão incluídos pacientes portadores de leislll11aniose teglilllentar (30 casos) e vlsceral (30 casos) sem história de infecção pelo HIV, 50 indivíduos com infecção por HIV, sem leishmanioses (dependendo do parâmetro a ser estudado) e 20 indivíduos sadios. A estes pacientes seráoferecida a sorologia anti-HIV e serão incluídos aqueles que aceitarem participar e realizar a sorologia. Os pacientes que preencherem os critérios de inclusão serão convidados a participar do estudo. O pesquisador lerá o termo de consentimento esclarecido e solicitará ao paciente ou responsável que assine o termo. As amostras clínicas serão colhidas de acordo com as regras das Boas Práticas de Laboratório (Handbook Good Laboratory Practice - GLP - TDRlGLP/01.2, 2001) e do Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral Editora Ministério da Saúde, 2003) Critérios de exclusão: não há critérios de exclusão previamente defInidos, exceto a recusa de participação. Aspectos Éticos Os pacientes que aceitarem participar da pesquisa e assinarem o termo de Consentimento Livre e Esclarecido serão incluídos no estudo. Para a participação de crianças, os pais ou responsáveis serão esclarecidos e se concordarem, assinarão o Termo. O projeto cumprirá as nODnas que regulanlentam a pesquisa em seres humanos no Brasil -Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde - Todos os pacientes receberão o tratamento específIco preconizado pelo Ministério da Saúde para portadores de leishmaniose visceral e illV e terão o seu acompanhamento clínico garantido em cada um dos centros participantes até a cura. 2. OBTENÇÃO DE MATERIAL BIOLÓGICO PARA DIAGNÓSTICO E ENSAIOS LABORATORlAIS. No momento de admissão no protocolo de estudo será coletado um volume máximo de 40 mL de sangue periférico de cada indivíduo. Este volume será dividido em: 2 tubos de 10 mL com heparina, 1 tubo de 10mL sem heparina, 1 tubo de Sml com EDTA Sinmltaneamente deverá ser coletado um tubo de 5 mL para realização de hemograma do paciente O soro obtido será dividido em: (1) 4 alíquotas de 200J.1L a serem utilizadas para detecção de anticorpos anti-Leishmania; (2) 4 alíquotas de 400 J.1L para detecção de citocinas e fatores solÚveis circulantes. Do plasma obtido do tubo de EDTA serão geradas duas alíquotas para quantificação de carga viral (a estas serão adicionadas tampão para conservação), assim como a imunofenotipagem para os linfócitos T C04+ e C08+. O restante do sangue será utilizado para análises moleculares do vírus e detecção de DNA de Leishmania. Do sangue heparinizado serão obtidas células mononucJeares utilizadas para os ensaios in vitro com estimulação antigênica: (1) caracterização fenotípica dos mononucJeares por citometria de fluxo, (2) proliferação de linfócitos frente a estímulos, (3) caracterização fenotípica ge células reativas a antígenos de Leishmania por citometria de fluxo, (4) detecção de citocinas no sobrenadante das culturas e análise da freqüência de células produtoras por ELISPOT. Parte das células será congelada em nitrogênio líquido para avaliações posteriores. 3. DIAGNÓSTICO VIROLÓGICO E AVALIAÇÃO DA DO GRAU DE COMPROMETIMENTO DO SISTEMA IMUNE. 3.1. Quantificação do RNA do HIV-1: carga viral e genotipagem do HIV A quantificação do RNA viral será realizada a partir do plasma das amostras dos indivíduos, através do sistema NASBA de amplificação (NucJeic Acid Sequence Base Amplification - Organon Teknika, USA). O intervalo de detecção deste sistema é de 80 a 107 cópias de RNNml de plasma, aproximadamente, sendo consideradas significativas alterações 2: 0,5 logo 3.2. Análise molecular do HIV-1 Com a finalidade de identificar amostras com potencial de resistência às drogas antiretrovirais, bem como o desenvolvimento das mesmas, será realizada a análise molecular viral tendo como alvo a região do genoma do vírus correspondente ao gene da enzima polimerase (pai). Para isto, as amostras de DNA proviral presentes nas células mononucJeares serão obtidas utilizando-se kit de e:\.'tração de DNA (QIAamp DNA Blood Mini Kit - Qiagen mc., Valencia, CA, EUA), a partir de alíquotas de sangue total, de acordo com as instruções do fabricante. Estas serão, então, amplificadas pela técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) e submetidas ao seqüenciamento direto de nucJeotídeos a partir dos produtos de PCR. O detalhamento completo desta análise encontrase em Morgado e cols. (1998). As amostras amplificadas serão analisadas por eletroforese em gel de agarose, purificadas (QIAquick PCR Purification Kit - Qiagen) e quantificadas para posterior seqüenciamento de nucJeotídeos. A partir destas, a reação de seqüenciamento será realizada em presença de BigDye@ Terminator - versão 3.1 (Applied Bíosystems, Foster City, CA, EUA) e posteriormente precipitadas para o sequenciamento. Cada amostra será seqüenciada em ambos os sentidos, com primers internos específicos para a região do gene pai, em equipamento ABI PRISM@ 3100 (Applied Biosystems). Por fim, as seqüências serão editadas utilizando-se o programa SeqMan (DNASTAR me., Madison, WI, EUA). 3.3. Quantificação de linfócitos T CD4+ e CD8+ e fenotipagem das subpopulações linfocitárias. A determinação dos linfócitos T CD3+/C04+ e CD3+/CD8+ será realizada a partir de amostras de sangue venoso, através do sistema BD TruCOUNT@ (Becton-Dickinson - BD Franklin La.kes, NJ, EUA), o qual baseia-se na utilização de beads de referência para a quantificação absoluta destas subpopulações. Um painel de anticorpos monoclonais específicos para as moléculas de CD4, CD8 e CD3, triplamente marcados com isotiocianato de fluoresceína (FITC), ficoeritrina (PE) e peridina-clorofila (PercP), respectivamente (BD TRITest@) também será utilizado. A amostras serão avaliadas por citometria de fluxo, utilizando-se o equipamento F ACSCalibur@ (BO) e um software apropriado para esta análise (BD Multiset@). Em complemento à análise das subpopulações linfocitárias, outras moléculas utilizadas no acompanhamento imunológico também serão avaliadas através da citometria de fluxo Moléculas associadas à ativação celular como CD38 e I-ll.,A-DR e moléculas de diferenciação como CD45RA, CD45RO, CD25, CD62L e outras, serão investigadas utilizando-se anticorpos monoclonais específicos devidan1ente marcados. Estas análises serão realizadas pelo software BD Cell Quest ProTJ\.'. 4. IDENTIFICAÇÃO DOS ISOLADOS DE LEISHMANL4. 4.1. Caracterização das espécies de Leishmania por ensaios imunoenzimáticos e moleculares. Os isolados do parasito obtidos a partir de cultura axênica ou inoculação em hamster serão identificados quanto as espécies utilizando eletroforese de isoenzimas e RFLP do espaçador intemo transcrito do DNA ribossômico. Os parasitos ficarão depositados na Coleção de Leishmania do Instituto Oswaldo Cruz, Instituto Oswaldo Cruz - Fundação Oswaldo Cruz - CLIOC WFCC WDCM731. A utilização posterior destas cepas seguirá as normas estabelecidas pelo referido Centro. 4.2. Detecçâo do parasito nos tecidos: imunohistoquímica e DNA parasitário. 4.2.1. Detecção de antígenos de Leishmania em tecido por reação imunohistoquímica. Fragmentos de tecidos fixados em formalina tan1ponada e incluídos em parafina, em cortes de 4J..Ull, serão desparafinados em xilol e rehidratado em concentrações decrescentes de álcool e incubados com H"O" 0,03% em metanol por 30 minutos no escuro para bloquear a atividade da peroxidade endógena. A revelação do antígeno será feita utilizando Tris-HCl (1,2 mg/rnl), pH 1.0, no forno de microondas (Sanyo, Brasil) sob potência máxima em ciclos subseqüentes de 10 e 5 minutos. Após lavagem em salina tamponada com fosfato, 0,01 M, pH 7,2 (phosphate-buffered saline = PBS), os cortes serão tratados com "Block.ing Ki" (Vector Laboratories, Inc., Burlingame, EUA) e "Protein Block" (Dako Corporation). Os cortes serão incubados, a seguir, com anticorpo policlonal de camundongo anti-L. amazonensis diluído 1:1600 (vol:vol) em PBS "overnight" a 4°C na atmosfera úmida (Costa et aI., 2004). A reação prosseguirá utilizando o sistema "catalyzed signal amplification" - peroxidase (Dako Corporation) segundo o protocolo fornecido pelo fabricante, e a reação será revelada utilizando H"02 0,06% e 3,3'diaminobenzidine (Sigma Chemical, USA) 0,3 mg/rnl em PBS. A contracoloração sera feita com hematoxilina de Harry's (Sigma Chemical, EUA). 4.2.2. Análise de DNA parasitário no sangue periférico ou tecidos. Para tal, o DNA total será e:\.1:raído utilizando um kit de isolamento de DNA genômico comercial (Wizard Genomic DNA purification kit, Promega, WI, EUA). A detecção do DNA de Leishmania por PCR será feita utilizando oligonucleotídeos que amplificam a região conservada do minicírculo de Leishmania, conforme descrito previamente (Pirmez et aI, 1999). O produto amplificado será visualizado em gel de agarose e brometo de etídio em transilUI11inador UV e fotografado, para então fazer transferência alcalina para membrana de nylon. Os produtos transferidos serão hibridizados com sonda específica para os subgêneros Leishmania e Viannia. 5. MÉTODOS LABORATORlAIS PARA DETECÇÃO DE ANTlCORPOS ESPECÍFICOS PARA ANTÍGENOS DE LEISHMANIA UTILIZANDO ANTÍGENO RK39DE L. CHAGASI E Hsp 83 DE L. INFANTUM. Serão realizados testes para detecção de anticorpos anti-Leishmania pelo método de ELISA com antígeno total de L. major-like (Guimarães et aI. 1989) e antígeno de choque térmico ("heat shock protein" = Hsp) de 83 kDa de Leishmania infantum e antígeno recombinante r-K39 de L chagas i (Angel et aI., 1996). Para tal, placas de ELISA de poliestireno com 96 poços e fundo chato (NUNC@) serão sensibilizadas com solução dos antígenos citados. Após incubação, as placas serão lavadas e bloqueadas. Os soros dos pacientes e as amostras padrão serão adicionados aos poços em diferentes diluições, conforme o protocolo específico. Após a incubação as placas serão lavadas e seguido da adição do conjugado anti - IgG humano ligado à peroxidase. Finalmente, será adicionada à solução reveladora (substrato + cromógeno). A leitura será realiza utilizando espectrofotômetro (leitor de ELISA) nos respectivos comprimentos de onda. 6. ENSAIOS DE AVALIAÇÃO DE RESPOSTA IM1JNE CELULAR A ANTiGENOS DE HIV E DE LEISHMANIA. 6.1. Obtenção de células mononucleares do sangue periférico (CMSP). O sangue heparinizado será diluído na proporção I: I em meio RPMI 1640 (Sigma, EUA) completo, ou seja, suplementado com 10mM de hepes, 1,5 mM de L-glutamina, 0,04 mM de 2mercaptoethanol e antibióticos (200UI/ml de penicilina e estreptomicma 200 f.lg/ml) As CMSP serão obtidas através de centrifugação em um gradiente de Ficoll-Hypaque (Sigma, EUA). O anel formado, contendo as CMSP, será coletado com o auxílio de uma pipeta Pasteur. As células obtidas serão lavadas três vezes por centrifugação a 4°C e utilizadas para ensaios de resposta proliferativa e para imunofenotipagem. 6.2 Resposta proliferativa das células mononucleares obtidas do sangue periférico. Para avaliação da resposta imune específica, estudaremos a capacidade ftmcional dos linfócitos T em termos de reconhecimento antigênico, ativação e intensidade proliferação dos linfócitos frente a Leishmania e a proteínas do víms HIV. CMSP (3 X 105 células/poço) serão cultivadas na presença de antígenos parasitários, antígeno P24 e de mitógeno (4f.lg de concanavalina A, Con-A). Para produção de antígeno total, promastigotas de cepas de referência de L braziliensis (Ag-Lb) (MHOM/BR/75/M2903) e de L chagas i (Ag-Lc) (IOC-L579) serão rompidas pelo calor e frio, e
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Projeto: Infecção pelo HPV e Câncer Cervical: Correlação Clínico Epidemiológica e Fatores de Risco em Populações Distintas da Amazônia Brasileira.
Coordenador: JUAREZ ANTONIO SIMOES QUARESMA
Resumo: O câncer cervical uterino constitui uma das principais doenças neoplásicas que acomete mulheres na idade reprodutiva na Região Norte. Sua distribuição e incidência guardam íntima relação com a infecção pelo vírus papiloma humano (HPV) e conseqüentemente com as condições sociais e econômicas de uma dada população. As populações do presente estudo apresentam características distintas quanto aos fatores de risco de infecção pelo HPV, a Região Metropolitana de Belém, que inclui municípios como Belém, Ananindeua e Marituba, se caracteriza por ser região com cerca de 2 milhões de habitantes, uma das maiores concentrações populacionais da Região Norte, apresentando áreas onde as baixas condições sócio-econômicas, grandes aglomerações e desinformação possibilitam a disseminação do HPV e conseqüentemente a incidência de câncer cervical uterino. A região do Vale do Tapajós, que inclui o município de Itaituba, bem como as comunidades de garimpo Barreiras e São Luiz do Tapajós, se caracterizam pela forte influencia dos diversos garimpos existentes na região cujos fatores de risco a infecção pelo vírus HPV podem concorrer para a incidência aumentada de câncer cervical uterino. Finalmente, as comunidades ribeirinhas da região do município de Igarapé-Miri, as margens do rio Tocantins, tais como a Vila de Panacauera, cujos hábitos de vida sofrem forte influencia dos rios, nos fornecerá dados importantes sobre a situação de incidência e prevalência de infecção pelo HPV em comunidades ribeirinhas, que por sua vez representam uma considerável parcela da população da Amazônia Brasileira. Seja qual for a região considerada, dados referentes à incidência de câncer de colo uterino associado à infecção pelo HPV ainda não estão completamente caracterizados na literatura pertinente, ocorrendo lacunas importantes quanto a real situação da infecção pelo HPV na Região Norte. Dados mais recentes apontam para uma alta incidência desses tumores no Estado do Pará, porém os fatores de risco associados às diferentes condições sócio-econômicas nos fornecerão subsídios para caracterizar a distribuição do câncer uterino cervical associado ao HPV nas diferentes populações estudadas.

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Projeto: Análise de métodos de diagnóstico precoce do câncer anal em indivíduos HIV+ co-infectados pelo papilomavírus humano atendidos na FMT-AM.
Coordenador: LUIZ CARLOS DE LIMA FERREIRA
Resumo: Com a maior sobrevida observada nos pacientes HIV+ a partir do advento de esquemas de terapia anti-retroviral de alta potência (HAART), determinadas afecções antes não observadas nesta parcela da população passaram a constituir-se em problemas que demandam atenção cuidadosa de prestadores de as-sistência médica. Uma das afecções cada vez mais encontradas em indivíduos HIV+ é o câncer anal, neo-plasia que costuma instalar-se insidiosamente, ao longo de muitos anos (5 a 10), Antes da era HAART o câncer anal não era problema porque pacientes HIV+ imunodeprimidos não viviam o suficiente para desen-volvê-lo. Atrelado à co-infecção pelo HPV, o câncer anal costuma ser considerado uma doença de origem infecciosa, freqüente em indivíduos imunologicamente incompetentes. Este tipo de câncer guarda muitas semelhanças com o câncer do colo do útero. Sendo assim, programas de detecção precoce de lesões precur-soras do câncer anal em indivíduos suscetíveis foram desenvolvidos com base nos critérios adotados para o controle do câncer cervical. Com os excelentes resultados obtidos com os métodos de detecção precoce do câncer cervical, a incidência deste tipo de câncer caiu vertiginosamente nos dias atuais. A utilização de métodos análogos para o diagnóstico precoce do câncer anal em populações de risco tem proporcionado resultados iniciais aparentemente semelhantes. Algumas lacunas ainda precisam ser preenchidas no diagnóstico das lesões precursoras do câncer anal para tornar o conjunto de métodos diagnósticos utilizados mais próximo do ideal. O teste definitivo ainda não foi encontrado - aquele cuja utilização demonstre sem sombra de dúvida ser um determinado indivíduo portador de lesão precursora do câncer anal quando efetivamente a apresentar, pois as sensibili-dades e as especificidades dos métodos utilizados ainda não são adequadas. A forma mais barata de realizar a prevenção, que iguale os índices de acurácia atualmente aceitos como adequados para o diagnóstico pre-coce de ASIL, ainda oferece espaço para investigação. A detecção precoce de lesões precursoras do câncer anal tem sido objeto de estudo, em Manaus, desde 2002, principalmente em grupos populacionais tidos como de risco, entre eles os indivíduos HIV+ anorreceptivos. Através deste projeto pretende-se aumentar a amostra e estabelecer os princípios básicos para a im-plementação de um programa de controle e prevenção do câncer anal em doentes HIV+. 10.2.2. Síntese do Estado da Arte (a formulação do problema bem como a determinação do objeto do estudo deve ter sustentação teórica. É necessária, portanto, uma descrição atualizada do estado de conhecimento referente ao problema e objeto abordados) O papel exercido pelo vírus do papiloma humano (HPV) na gênese do câncer anal (VERNON et al, 1993) tem sido cada vez mais extensamente estudado, a exemplo de seu congênere cervical. Para o câncer do colo uterino, a detecção precoce de degenerações celulares causadas pela presença do HPV está bem firmada, sendo a citologia cervical oncótica (Papanicolaou cervical, ou Pap-c) exame amplamente utilizado por prestadores de serviço médico, desde o nível primário, como método de detecção precoce de lesões cervicais pré-cancerosas. Apesar de o câncer anal ser raro na população geral (0,7 - 0,9 casos/100.000), em certas populações de risco (homens anorreceptivos), a incidência equipara-se à do câncer cervical (até 35 casos por 100.000) (PALEFSKY; CRANSTON, 2003; DALING et al, 1987; RYAN et al, 2000). Homens anorreceptivos HIV+, no entanto, possuem chance, praticamente dobrada, de desenvolver a doença (VERNON et al, 1993; PALEFSKY et al, 1998). Em mulheres, história de múltiplos parceiros, sexo anorreceptivo, iniciação sexu-al antes dos 20 anos de idade, tabagismo, DST, condilomas acuminados e neoplasia cervical previamente diagnosticada são fatores que se associam à maior freqüência do câncer anal. Nesta parcela da população, o câncer anal invasivo é 6,8 vezes mais freqüente nas HIV+ (BERRY; PALEFSKY, 2005; FRISCH et al, 1997; HOLLY et al, 2001; FRIIS et al, 1997; MARTINS, 2001). A identificação de lesões pré-cancerosas em indivíduos considerados sob risco de desenvolvimento do câncer anal tem merecido evidência cada vez maior na literatura ( GOLDIE et al, 2000;PALEFSKY et al, 1998b; PALEFSKY; CRANSTON, 2003b; PENN, 1986; ROKA et al, 2004). Decorre disso o surgimen-to recente de vários estudos destinados a avaliar métodos de detecção precoce do câncer anal (DARRAGH et al, 1997; GOLDIE et al, 1999; PALEFSKY et al, 1997) com o intuito de tentar reduzir a incidência da afecção à semelhança do que se conseguiu com o câncer cervical em mulheres. A citologia anal oncótica, ou Papanicolaou anal (Pap-a), exame essencialmente idêntico ao Pap-c (2001 TERMINOLOGY, 2001), tem sido preconizado como método de massa para a detecção precoce do câncer anal, pela sua simplicidade de execução. Entretanto, seus índices de especificidade, sensibilidade e valor preditivo têm ficado aquém do que se deveria esperar para um exame a ser considerado realmente eficaz no diagnóstico precoce do câncer anal, principalmente na avaliação da população geral. Há indícios, no entanto, que, em grupos populacionais de risco, tais índices igualam os obtidos pelo Pap-c no diagnósti-co precoce do câncer cervical (De RUITER et al, 1994; MARTINS, 2001; PALEFSKY et al, 1997). Considerado exame mais preciso do que o Pap-a na capacidade de detecção de lesões precursoras do canal anal, a anoscopia com magnificação de imagem (AMI) falha por possuir baixos índices de especi-ficidade (DEXEUS et al, 2002), a exemplo da colposcopia.(PETE et al, 2001; SURAWICZ et al, 1995) Sua sensibilidade, no entanto, é mais elevada do que a da citologia e permite a realização monitorada de bióp-sias, estas sim consideradas até o presente como padrão ouro para a definição de presença de lesão citopáti-ca causada pelo HPV (PETE et al, 1998). A utilização conjunta do Pap-a e da AMI tem apresentado bons índices de eficácia diagnóstica na detecção de lesões precursoras do câncer anal. Há indícios de que ambos os métodos, quando empregados conjuntamente por profissionais experientes, bastam para definir a conduta a ser adotada num dado pacien-te. Portanto, não haveria necessidade de se determinar o tipo de HPV causador da lesão (FOX et al, 2005). Se confirmados, estes procedimentos ocasionariam um impacto determinante na diminuição dos custos dos programas de prevenção do câncer anal. Mesmo sendo o padrão ouro contra o qual todos os outros métodos de detecção da presença de le-sões citopáticas ou tissulares indicativos de infecção pelo HPV devam ser comparados, a histopatologia não é infalível (FENGER et al, 2000), indicando que ainda há um caminho a ser percorrido para otimizar a me-todologia de detecção das lesões teciduais provocadas pelo vírus. Técnicas imunocitoistoquímicas têm sido realizadas como forma de aperfeiçoar o diagnóstico preci-so de lesões sob suspeita de evolução para o câncer cervical. Tais iniciativas podem ser transpostas, como de resto tem acontecido com os demais métodos diagnósticos do câncer do colo do útero, para o câncer anal. A detecção da hiperexpressão da proteína P16INK4a tem sido realizada em tecidos cervicais considera-dos infectados por HPV de alto risco. A P16 é uma inibidora de quinases dependentes da ciclina (CDK) que desacelera o ciclo celular ao inativar CDK que fosforilam a proteína do retinoblastoma (pRb) ( NIEH et al, 2003). O carcinoma escamoso cervical, lesões intra-epiteliais de alto grau (HSIL) cervicais e o adenocarci-noma cervical demonstram coloração imunoistoquímica intensa para a presença da P16. Níveis elevados de P16 parecem estar relacionados direta ou indiretamente com a presença de HPV de alto risco por meio da produção das oncoproteínas virais E6 e E7. Ligando-se e inativando as proteínas supressoras tumorais p53 e pRb, a E6 e a E7 induzem a transformação e imortalização dos queratinócitos. Assim como para lesões cervicais, o desenvolvimento de lesões displásicas anais está ligado ao aumento da expressão de proteínas oncogênicas virais, especialmente a E7. A E7 interage com a pRb, proteína reguladora do ciclo celular, e estimula a liberação do fator de transcrição E2F-símile do complexo que ela forma com a pRb, deixando a pRb em sua forma ativa hipofosforilada, que está intimamente associada à p16. A expressão da p16 sofre um mecanismo de controle de feedback negativo com a pRb. A redução ou a perda da função da pRb resul-ta no aumento dos níveis expressados da p16 em células displásicas cervicais. Está claro que a inativação da pRb pela proteína E7 do HPV resulta em superexpressão da p16 (KLAES et al, 2001). Colocando de outra forma, o aumento da expressão destas proteínas oncogênicas virais em células displásicas cervicais pode, então, refletir-se no achado de hiperexpressão da p16. Por outro lado, lesões com características suspeitas para o carcinoma cervical, mas que não demonstrem evidência de infecção pelo HPV não apresentarão expressão elevada da p16 ( NIEH et al, 2003). Compartilhando o câncer anal de muitas das características do câncer cervical pod-se supor que os achados teciduais observados em relação à P16INK4a possam também ser observados em tecidos anais infec-tados por HPV de alto risco. Outra corrente de estudo imunoistoquímica voltada para melhor definir quais são realmente os casos com potencial elevado para o desenvolvimento do câncer anal em populações de risco, especialmente entre indivíduos HIV+, é a da contagem de células dendríticas (células de Langerhans - CL) em tecidos anais que apresentem lesões causadas por HPV de alto risco. Em estudo prospectivo de 228 pacientes consecutivos com condilomas anais, Sobhani et al (2004) observaram que indivíduos HIV+ com condilomas anais apre-sentavam maior tendência ao desenvolvimento do câncer anal e que esta tendência estava associada a me-nores densidades tissulares anais de CL. Afirmaram que a contagem de CL está aumentada em pacientes HIV- com condilomas anais, e que o aumento desta classe de células, juntamente com o aumento do núme-ro de linfócitos intra-epiteliais, é responsável pela contenção da progressão da infecção pelo HPV e até pela sua supressão. Indivíduos HIV+ possuem baixas contagens de CL, provavelmente porque o vírus infecta e se integra a estas células, comprometendo sua estimulação. Baixas densidades teciduais de CL foram con-sistentemente observadas em indivíduos com câncer anal. Como tal achado costuma ser observado em indi-víduos HIV+ com condilomas anais e cargas de HIV elevadas no soro, o seguimento mais próximo destes pacientes (a cada 3 - 6 meses) por meio de citologia anal e principalmente de AMI, com biópsias dirigidas, é preconizado enquanto houver carga viral detectável (SOBHANI et al, 2004). Por ser raro na população geral, até há bem pouco tempo a literatura médica a respeito do câncer anal era escassa. Com os vários trabalhos publicados pelo grupo da Universidade da Califórnia em São Francisco, indicando haver uma incidência alarmante da afecção em homens que fazem sexo com homens (HSH) e, em especial, naqueles com positividade para o vírus da imunodeficiência humana adquirida (HIV+), uma seqüência grande de artigos afins passaram a ser publicados (PALEFSKY et al, 1992; CHANG et al, 2002; CHIN, H; PALEFSKY, 2002). Há indícios hoje de que mesmo não havendo razões suficientes para justificar a adoção de progra-mas de prevenção do câncer anal na polulação geral, é importante, que se estabeleçam programas específi-cos de prevenção do câncer anal em populações de risco, entre as quais os indivíduos HIV+ (GOLDIE et al, 1999). Em Manaus, após a realização do Projeto de Iniciação Científica da UFAM "Citologia anal como método de massa de detecção precoce de lesões escamosas intra-epiteliais do canal anal" (GUIMARÃES; COSTA E SILVA, 2002), uma preocupação com a detecção de lesões precursoras do câncer anal em popu-lações de risco passou a existir, tendo havido trabalhos multidisciplinares no sentido de conhecer melhor o problema, em especial no tocante ao treinamento e ao desenvolvimento de seus métodos diagnósticos em instituições de ensino e de formação médica locais. Logo de início passou a haver uma preocupação com o custo de programas de diagnóstico precoce do câncer anal. Resolveu-se comparar se um material de coleta citológica mais barato, o cotonete de algodão hidrófilo, era igualmente eficaz para a obtenção de esfregaços satisfatórios para leitura citológica no Pap-a, em relação a suabes de poliéster e a escova citológica, materi-ais descritos na literatura como mais adequados para a coleta citológica. Os resultados iniciais apontaram que os esfregaços de células anais produzidos com cotonetes de algodão eram tão eficazes quanto os outros materiais mais caros (COSTA E SILVA et al, 2005). A fim de validar o uso do cotonete de algodão, dentre outras metodologias, como material apropriado para a coleta de secreções anais na realização do Pap-a há necessidade de se trabalhar com maior número de pacientes. O presente estudo decorre destas iniciativas e pretende validar os métodos e rotinas a serem imple-mentados nos diversos serviços públicos de atendimento a pacientes sob risco para o desenvolvimento do câncer anal.

Produção Científica


Projeto: O câncer anal e suas lesões precursoras em indivíduos HIV+ co-infectados pelo HPV atendidos na FMT-AM.
Coordenador: LUIZ CARLOS DE LIMA FERREIRA
Resumo: Com a maior sobrevida observada nos pacientes HIV+ a partir do advento de esquemas de terapia anti-retroviral de alta potência (HAART), determinadas afecções antes não observadas nesta parcela da população passaram a constituir-se em problemas que demandam atenção cuidadosa de prestadores de assistência médica. Uma das afecções cada vez mais encontradas em indivíduos HIV+ é o câncer anal, neoplasia que costuma instalar-se insidiosamente, ao longo de muitos anos (5 a 10), Antes da era HAART o câncer anal não era problema porque pacientes HIV+ imunodeprimidos não viviam o suficiente para desenvolvê-lo. Atrelado à co-infecção pelo HPV, o câncer anal costuma ser considerado uma doença de origem infecciosa, freqüente em indivíduos imunologicamente incompetentes. Este tipo de câncer guarda muitas semelhanças com o câncer do colo do útero. Sendo assim, programas de detecção precoce de lesões precursoras do câncer anal em indivíduos suscetíveis foram desenvolvidos com base nos critérios adotados para o controle do câncer cervical. Com o advento destes programas em muitos centros de pesquisa internacionais, passou-se a conhecer os índices de prevalência e de incidência do câncer anal. Verificou-se que a doença representa um real problema de saúde pública em indivíduos que pertencem a determinados grupos populacionais com comportamento ou com condições de risco que os tornam imunologicamente incompetentes. Tal deficiência imunológica torna-os incapazes de controlar a infecção anal promovida por determinados tipos de HPV, denominados de alto risco, justamente por estarem mais associados a casos de câncer anal. Diferentemente do que ocorre em outras partes do mundo, de acordo com as referências bibliográficas consultadas, a literatura médica nacional sobre o assunto é escassa e não há dados brasileiros sobre a prevalência e a incidência do câncer anal ou de suas lesões precursoras em indivíduos HIV+. Com a maior sobrevida observada nos pacientes HIV+ a partir do advento de esquemas de terapia anti-retroviral de alta potência (HAART), determinadas afecções antes não observadas nesta parcela da população passaram a constituir-se em problemas que demandam atenção cuidadosa de prestadores de assistência médica. Uma das afecções cada vez mais encontradas em indivíduos HIV+ é o câncer anal, neo-plasia que costuma instalar-se insidiosamente, ao longo de muitos anos (5 a 10), Antes da era HAART o câncer anal não era problema porque pacientes HIV+ imunodeprimidos não viviam o suficiente para desenvolvê-lo. Atrelado à co-infecção pelo HPV, o câncer anal costuma ser considerado uma doença de origem infecciosa, freqüente em indivíduos imunologicamente incompetentes. Este tipo de câncer guarda muitas semelhanças com o câncer do colo do útero. Sendo assim, programas de detecção precoce de lesões precursoras do câncer anal em indivíduos suscetíveis foram desenvolvidos com base nos critérios adotados para o controle do câncer cervical. Com o advento destes programas em muitos centros de pesquisa internacionais, passou-se a conhecer os índices de prevalência e de incidência do câncer anal. Verificou-se que a doença representa um real pro-blema de saúde pública em indivíduos que pertencem a determinados grupos populacionais com comportamento ou com condições de risco que os tornam imunologicamente incompetentes. Tal deficiência imunológica torna-os incapazes de controlar a infecção anal promovida por determinados tipos de HPV, denomi-nados de alto risco, justamente por estarem mais associados a casos de câncer anal. Diferentemente do que ocorre em outras partes do mundo, de acordo com as referências bibliográficas consultadas, a literatura médica nacional sobre o assunto é escassa e não há dados brasileiros sobre a prevalência e a incidência do câncer anal ou de suas lesões precursoras em indivíduos HIV+.

Produção Científica


Projeto: Perfil Epidemiológico do doador de sangue com base na genotipagem dos vírus hepatotrópicos HBV e HCV e dos retrovírus HIV-1, HTLV-1 e HTLV-2
Coordenador: JOSE ALEXANDRE RODRIGUES DE LEMOS
Resumo: Apesar da implementação de metodologias sorológicas avançadas para triagem do sangue para transfusão, ainda existe alta prevalência de doença infecciosa transfusional em pacientes portadores de doença hemato-lógica crônica. Assim, é necessário compreender melhor a epidemiologia viral e como os os diferentes ge-nótipos virais se relacionam com os fatores de risco. Uma vez idenficados os fatores de risco, que podem ter características regionais, estes podem fazer parte da triagem clínica de doadores de sangue que diminuirá a positividade sorológica. Além disso, os estudos de base populacional são trabalhosos e muito caros, sendo a utilização de amostras de banco de sangue uma forma bastante prática e menos dispendiosa que trará resul-tados satisfatórios e esclarecedores quanto a prevalência de genótipo virais e sua disperção na população, visto que não serão obtidos dados absolutos de prevalência e sim a freqüência relativa dos genótipos. Estudos de genotipagem viral compreende a diversidade genética do agente infeccioso e que permite en-tender melhor a origem e a dinâmica da infecção viral. Nos últimos anos, foram exacutados no Brasil vá-rios estudos dessa natureza abordando a diversidade genética do HIV-1 (Morgado et al., 2002), do HTLV (Vallinoto et al., 2002), do HBV (Araujo et al., 2004) e do HCV (Campiotto et al., 2005). Estudos filogenéticos que foram realizados em diferentes regiões geográficas no HIV-1 e revelaram que existem três grupos: O, N e M, sendo que os grupos O e N são restritos ao continente africano. O grupo M é o responsável pela pandemia o qual é divido nas seguintes variantes genéticas: A, B, C, D, F, G, H, J e K.. Tais estudos sobre a diversidade genética do HIV foram motivados pela possibilidade de produção uma vacina única (Morgado et al., 2002). A diversidade genética do HIV tem importante papel na resistência à terapia anti-retroviral (TARV), sen-do que 40 a 65% dos pacientes repondem bem ao tratamento e o restante são considerados resistentes á TARV. A variabilidade genética do HIV é conseqüência da alta taxa de replicação viral no paciente que chega a 1010 partículas virais por dia, aumentando também a taxa de mutação viral em média de uma a cada 9400 bases por dia. Essas mutações associadas à resistência à TARV ocorrem preferencialmente na região gag-pol e podem ser analisadas através alinhamento de seqüências nucletídicas em softwares com-parando com seqúências protótipo. Estudos como esses são fundamentais para apoios nas ações de adoção de políticas de saúde pública (Frenkel & Tobin, 2004). Os vírus linfotrópicos de células T humanas, HTLV-1 e HTLV-2, vem ganhando cada vez mais importâ-cia na saúde pública, visto que principalmente o tipo 1 é agente causal de doença neurológica, ocular e leycemia/linfoma em 6% dos infectados. Estes vírus podem ser transmitidos por via vertical, sexual e pa-renteral. A portaria 1376 de 19/11/1993 do Ministério da Saúde tornou obrigatória o teste sorológico para HTLV, que fez cair significativamente o número de casos de transmissão parenteral. Ao contrário do HIV, estudos de epidemiologia molecular do HTLV demostram estabilidade genética marcante e essa caracte-rística é bastante útil para avaliação da transmissão viral e migração de populações humanas ancestrais (Gessain et al., 1992; Slattery et al., 1999). O HTLV-1 apresenta quatro grandes grupos: A (cosmopolita), B (África central), C (melanesiano) e D, presente principalmente em pigmeus da África central, os quais foram definidos através de análises filogenéticas. Existem dois tipos principais de HTLV-2: HTLV-2a e HTLV-2b, sendo que ambos apresentam subtipos, cinco subtipos 2a e seis subtipos 2b. O subtipo 2c é uma variante do 2a encontrado em idígenas da Amazônia que também pode ser encontrado na cidade, porém de origem indígena visto que a população urbana de Belém é formada por 35% dessa etnia (Santos & Guer-reiro, 1995). Assim, estudos de seqüenciamento nucleotídico de regiões como env e LTR são úteis na compreensão da origem, evolução e formas de disseminação desses retrovírus nas populações humanas (Cassar et al., 2005). O vírus hepatotrópico da hepatite B (HBV) pode ser detectado no sangue, saliva, sêmen, secreção vaginal e exudatos de ulceração cutânea. Em áreas endêmicas como Ásia, África e Amazônia, a infecção pode ocorrer a partir do primeiro ano de idade quando em contato com comunicantes, enquanto que em áreas de baixa epidemia a infecção ocorre em jóvens adultos em situação de risco como profissionais de saúde, pacientes em hemodiálise, homens que fazem sexo com homens, prostitutas, usuários de drogas, doença de Hansen, pacientes imunodeprimidos e contato com comunicantes (Carrilho & Corrêa, 1998). Estudos de epidemiologia molecular do HBV são baseados na análise de seqüências nucleotídicas do gene da pro-teína S e são reconhecidos os seguintes genótipos: A, B, C, D, E, F, G e H, sendo que o genótipo G ocorre na América do Norte e Europa e o genótipo H na América do Norte e América Central (Arauz-Ruiz et al., 2002). A comparação de seqüências nucleotídicas são utilizadas para estudos de rotas de infecção como transmissão vertical e noscomial, assim a genotipagem pode ser usada como marcador epidemiológico e demonstrar, por exemplo, que a infecção pode ser introduzida por pacientes crônicos e disseminadas em unidades de hemodiálise (Carrilho et al., 2004). O vírus da hepatite C (HCV), foi caracterizado em 1989 como um vírus de RNA de fita simples pertencente a família flaviridae (Choo et al., 1989). Os grupos de risco mais importantes nessa doença são usuários de drogas injetáveis e cocacína, usuários de brincos, pearcings e tatuagem e principalmente os pacientes que necessitam de transfusão de sangue e pacientes subetidos à hemodiálise. Raramente a hepatite C produz sintomas agudos, a maioria dos pacientes apresenta sinais de infecção crônica como fadiga e desconforto abdominal e muitos permanecem por mais de 15 anos assintomáticos (Seeff, 1995). A hepatite C quando se torna crônica, o paciente deve ser tratado com interferon combinado com ribavirina. O objetivo do tratamen-to é a erradicação do vírus C e o vírus deve permanecer indetectável 24 semanas após o término do protoco-lo de tratamento através da utilização da técnica RNA-PCR. Entretanto existem fatores que são associados à baixa resposta ao tratamento, como a infecção pelo genótipo viral 1 e alta carga viral (Zeuzem, 2004). São reconhecidos 6 genótipos diferentes (1 a 6) com mais de 50 subtipos no mundo inteiro (Simmonds et al., 1994). A determinação do genótipo viral antes do tratamento é fundamental para escolha do protocolo ade-quado, sendo que os genótipos 1 e 4 devem ser tratados com interferon peguilado por um ano, enquanto que os demais genótipos podem ser tratados por seis meses com interferon não-peguilado. Portanto a genotipa-gem do vírus C é fundamental como fator prognóstico e seguimento de pacientes infectados (Zeuzem, 2004). A distribuição das freqüências dos genótipos no mundo variam de acordo com as diferentes regiões e nem sempre todos os genótipos estão presentes. Recentemente, Campiotto et al. (2005) identificaram no Brasil cinco genótipos do vírus C: genótipo 1 (64,9%), 3 (30,2%), 2 (4,6%), 4 (0,2%) e 5 (0,1%), porém foi observada diferenças significativas entre as regiões estudadas, como as freqüências do genótipo 1 nas regi-ões Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e Norte (Acre e Amazonas), 51,7 e 74,1%, respecti-vamente. Porém, acreditamos que esses dados referentes à região Norte não sejam representativos, visto que dados preliminares obtidos no Pará pela Fundação HEMOPA revelam 95% para o genótipo 1, 4% para o 3 e 1% para genótipo 2 (Lemos et al., dados não publicados). Portanto, é possível que a diversidade de genóti-pos na região Norte pode ser maior do que se conhece atualmente e que estudos de epidemiologia molecular são necessários para melhor conhecimento da distribuição de genótipos, compreensão da dispersão do HCV e subsídios para ações em saúde pública. Além do benefício direto ao paciente diagnosticado e das futuras estratégias a serem adotadas para a saúde pública, a implantação deste projeto irá promover a melhoria de recursos humanos tanto dos profissionais da Fundação HEMOPA envolvidos, quanto os da Universidade Federal do Pará através dos alunos de pós-graduação vinculados ao coordenador deste projeto.

Produção Científica


Projeto: Avaliando o processo de difusão epidêmica e espacial do HIV/Aids nas Unidades Federadas da Região Norte
Coordenador: LARA DE MELO BARBOSA
Resumo: O Brasil é um dos países em que o número de casos de Aids é dos mais elevados do mundo, principalmente quando se tem em conta o número de casos registrados, o que, parcialmente, se deve à dimensão de sua população. A magnitude do número de infectados é ampla, apesar da evolução histórica da incidência de casos notificados de Aids no País mos-trar uma tendência de estabilização, em parte devido aos impactos de ações preventivas desenvolvidas por iniciativa governamental e não-governamental, e, em parte, em razão de mudanças comportamentais no sentido de adoção de práticas sexuais mais seguras, além da saturação do segmento populacional sob maior risco de se infectar pelo HIV. A análise da evolução da epidemia no Brasil mostra, em sua disseminação espacial, que sua evolução temporal e disse-minação espacial é heterogênea s, deixando de ser a mesma uma doença dos grandes centros urbanos para chegar aos municípios menores. O primeiro caso de HIV/Aids, no Brasil, foi identificado no início da década de 80, sendo que Parker (1994), citando os dados da Organização Mundial de Saúde, afirma que o Brasil, já desde 1982, ocupava as primeiras posições em número de casos entre os distintos países do mundo. Excluindo-se a África Central, até 1986, o Brasil ocupava o se-gundo lugar em número de casos diagnosticados, apresentado números inferiores apenas aos dos Estados Unidos. Cas-tilho & Chequer (1997) apontaram que, de acordo com as estatísticas do Programa Global de Aids, considerando os casos registrados até de maio de 1997, o Brasil encontrava-se na quarta posição entre os países com maiores números de casos registrados no mundo. Entretanto, quando se considera as incidências relativas (número de casos por popula-ção em risco), o Brasil situa-se entre o 40° e 50° postos no ranking mundial, sendo que, em 1992, passou a ocupar o 20º lugar. (Guimarães & Castilho, 1993). Quando foram notificados os primeiros casos de HIV/Aids no Brasil, a ocorrência de pacientes diagnosticados HIV/Aids ficou restrita ao eixo Rio-São Paulo, sugerindo ter sido o Sudeste o foco inicial de disseminação do HIV/Aids no Brasil. Nas demais regiões a ocorrência era escassa, como é o caso da região Nordeste, para a qual, se-gundo os dados do Ministério da Saúde, os primeiros casos aconteceram em 1983, quando foram notificadas 3 ocor-rências. Em 1985, foram computados 29 casos de Aids no Nordeste, a grande maioria dos quais no Estado de Pernam-buco. Em contrapartida, no Sudeste, o número de notificações era bastante superior, atingindo a cifra de 496 casos, 89,2% do total de casos no Brasil, corroborando a idéia de que no período inicial da epidemia o Sudeste do País con-centrou a maioria dos casos. No período de 1980-2004, o Ministério da Saúde registrou mais de 362 mil casos de Aids no Brasil. Grande parte das notificações são provenientes da região Sudeste, que respondeu por 62% das notificações em 2000. Ressalta-se que essa participação da região Sudeste, no ano de 2000, é inferior àquela verificada em 1992 (79% do total de casos). A região Sul ocupava a segunda colocação, em torno de 21%, em 2000; a região Nordeste respondeu por cerca de 10% enquanto que a região Centro-Oeste participava com 5%, contra 4,1% em 1992, e a região Norte tinha uma participa-ção de apenas 2,5% do total de casos de Aids notificados em 2000, enquanto que em 1992 participava com apenas 1,2% do total de casos. Em que pese tal constatação, ao levarmos em conta a tendência mais recente de evolução da taxa de incidência dos casos notificados de Aids identifica-se, em todo o período analisado, uma tendência de aumento da incidência da doen-ça em todas as regiões, com exceção da região Sudeste, que apresentou, em 2003, taxa de incidência menor do que a observada em 1998. Destaque-se o crescimento da tendência da incidência da Aids que observado nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. Em tal contexto, ademais, há que se considerar que a sociedade brasileira é marcada por uma substancial desigualdade social. Em termos sintéticos, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mostra que em algumas regiões brasileiras, principalmente nas regiões Nordeste e Norte as condições de vida são mais precárias do que em outras regiões, quais-quer que sejam os indicadores considerados e que estas diferenças são significativas(UNITED NATIONS, 2003). Assim, se por um lado o fato de ainda serem crescentes as taxas de incidências da Aids no Norte do Brasil, são amplos os diferenciais socioeconômicos entre suas populações e distintas as trajetórias nos diferentes espaços que as com-põem. Por outro lado, nas duas últimas décadas, essa Região também experimentou profundas mudanças em seus mo-vimentos migratórios, reduzindo de forma significativa as suas perdas populacionais e incrementando a migração de retorno, sem que, entretanto, perdessem a característica de área expulsora de população. Aliados à importância numérica de sua população e o menor nível de desenvolvimento relativo que experimentam, ao lado das significativas implicações sobre a trajetória futura da população brasileira enquanto espaços migratórios aber-tos e com níveis de reprodução ainda elevados, é da maior relevância monitorar a evolução da epidemia da Aids nas populações da região Norte do Brasil, pois dela, em muito, dependerá a trajetória futura da epidemia da Aids no Brasil. O perfil epidemiológico da Aids no Brasil tem experimentado diversas mudanças ao longo dos anos. No momento, o aumento do número de notificações de casos de Aids tem como causa principal a transmissão via relação heterossexu-al, fenômeno denominado "heterossexualização" da epidemia Castilho & Szwarcwald (1998). Como conseqüência deste processo evidencia-se um crescente número de casos de infecção pelo HIV entre as mulheres, tornando-se no Brasil evidente o processo denominado de "feminização da Aids" Cohn (1997). Em decorrência de tais características faz-se necessário pensar em estratégias específicas de controle de seu espraiamento da infecção, bem como formas de reduzir a vulnerabilidade à infecção pelo HIV, tendo como foco a população heterossexual. Há um reconhecimento pela comunidade mundial que o Brasil é um exemplo de país que se preocupa adequadamente com a epidemia da Aids, sendo considerado como exemplar pela sua política de distribuição gratuita do coquetel anti-retroviral. As estratégias de prevenção à infecção pelo HIV adotadas no Brasil assentam-se basicamente em campanhas de esclarecimento quanto às formas de infecção, incentivo à prática de sexo seguro ou não compartilhamento de serin-gas, entre outras, sendo as mesmas direcionadas para grupos específicos sob maior risco. Mais recentemente incorpo-rou um novo foco de orientação, considerando que todos os indivíduos estariam vulneráveis à infecção pelo HIV desde que haja contato com o líquido infectado. Apesar destes esforços de fazer chegar à população as informações necessá-rias, o Brasil apresenta-se como um dos países do mundo com maiores números de casos de Aids, principalmente quando se tem em conta o número de casos registrados, resultado que parcialmente se deve à dimensão de sua popula-ção, mas que, ainda assim, quando se considera as incidências relativas, situa-o entre o 40° e 50° postos no ranking mundial. (Castilho & Chequer, 1997) Diante desse quadro, esse trabalho tem como objetivo principal estimar perfis de vulnerabilidade social à infecção pelo HIV nas regiões Nordeste e Sudeste brasileiras, construídos a partir das características sociais dos municípios em que os indivíduos se inserem. O arcabouço teórico que norteia a construção dessa tipologia assenta-se sobre a proposta de Mann et al. (1993), utilizando-se do método Grade of Membership (GoM) para o estabelecimento dos perfis. Têm-se como objetivo intermediário o de identificar os padrões espaciais de disseminação da epidemia da AIDS nos municí-pios das regiões Nordeste e Sudeste para quatro distintos períodos (1991, 1996, 2000, 2003).

Produção Científica


Projeto: Estudo de prevalência de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) em adolescentes e jovens do sexo feminino do Estado de Goiás.
Coordenador: MARIA DE FATIMA COSTA ALVES
Resumo: Este projeto permitirá o conhecimento da prevalência das principais DST (infecção po Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoea, Treponema pallidum, Trichomonas vaginalis e Haemophilus ducrey) em adolescentes e jovens do Estado de Goiás. Permitirá ainda o conhecimento do comportamento sexual dessa população. Esses dados serão exaustivamente discutidos com os profissionais de Saúde da Família envolvidos na realidade da pesquisa. Através dessas discussões, serão identificados profissionais que têm disponibilidade afetiva para trabalhar com adolescentes. E assim, após seu treinamento, dever-se-á implantar programas de assitência global aos adolescentes, incluindo a educação sexual que é muito mais ampla que a informação sexual. Esta é importante mais não é suficiente. Devemos nos referir aos países mais desenvolvidos que têm maior experiência que o Brasil no que se refere ao controle das DST entre adolescentes e jovens. Nesses países há uma grande preocupação com os ditos serviços "amigáveis" para essa população, onde é recebida de forma especial, com garantia da confidencialidade e há profissionais especialmente treinados para assisti-la. Também existem serviços de saúde ligados às escolas, onde os adoalescentes e jovens recebem assistência adequada para prevenção das DST.

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Projeto: Estudo epidemiológico e molecular do HIV e do HTLV em quilombolas da Região Centro-Oeste.
Coordenador: REGINA MARIA BRINGEL MARTINS
Resumo: Segundo UNAIDS (2004), na região Sub-Saara da África existem cerca de 25 milhões de portadores do HIV, re-presentando dois terços do total de infectados em todo o mundo (STEINBROOK, 2004; UNAIDS, 2004). O HIV-1 en-contra-se distribuído mundialmente, sendo classificado em três grupos filogenéticos distintos: M (major/Maior), O (Outlier/Divergente) e N (Non-M Non-O - New - Nem M nem O - Novo). O grupo M é subdividido em subtipos ge-néticos designados de A-D, F-H, J e K. Todos os três grupos e os nove subtipos (do grupo M) são encontrados no con-tinente Africano (KANDATHIL et., al. 2005; LAL et al., 2005). Já o HIV-2 e seus oito subtipos (A-H) circulam, prin-cipalmente, no oeste africano (DAMOND et. al., 2004; KANDATHIL et., al. 2005). No Brasil, o subtipo B é o mais prevalente, seguido dos subtipos F, C, D e A (MORGADO et al., 2000). Em Goi-ás, Região Centro-Oeste, os estudos sobre diversidade genética do HIV-1 se restringem a alguns grupos populacionais, como gestantes, crianças infectadas pelas vias perinatal e transfusional, pacientes co-infectados com Mycobacterium tuberculosis ou Mycobacterium leprae e voluntários de um Centro de Testagem e Aconselhamento para HIV (ÁLVA-RES JR, 1999; FERRO, 2000; STEFANI et al., 2000; PEREIRA et al., 2004, 2005). O conhecimento sobre a distribuição geográfica das diferentes formas genéticas do HIV-1 tem sido levado em consideração para o desenvolvimento de vacina. A diversidade genética deste vírus tem, ainda, implicações na epide-miologia, diagnóstico e tratamento da infecção (HU el al., 1996; WAINBERG et al., 2004; LAL et al., 2005). O HTLV-I é endêmico em algumas regiões do mundo, dentre elas encontram-se a África e América do Sul (E-DLICH et al., 2000; AZRAN et al., 2004). O HTLV-II também circula no Brasil, principalmente, em populações indí-genas da Amazônia (ISHAK et al., 2003). Na Região Centro-Oeste, estudos epidemiológicos sobre o HTLV-I/II são escassos. Estudos de variabilidade genômica do HTLV-I e II têm revelado informações epidemiológicas importantes a res-peito da migração de populações humanas e da transmissão viral (YAMASHITA et al., 1999; ISHAK el al., 2003; VALLINOTO et al., 2004; AZRAN et al., 2004). O HTLV-I apresenta seis subtipos genéticos (Ia-If), quase todos cir-culam na África (MIURA et al., 1994; URETA-VIDAL et al., 1994; VAN DOOREN et al., 2001). Já o HTLV-II pos-sui quatro subtipos (IIa-IId) (EIRAKU et al., 1996; HALL et al., 1992; VANDAMME et al., 1998). No Brasil, investi-gações epidemiológicas moleculares revelaram que os isolados do HTLV-I e II foram identificados como dos subtipos Ia e IIa (variante molecular do subtipo IIa, denominado de subtipo II-c), respectivamente (EIRAKU et al., 1996; LE-WIS et al., 2000; SHINDO et al., 2002; SILVA et al., 2002; VALLINOTO et al., 2002; ALCÂNTARA et al., 2003a,b; DOURADO et al., 2003, CATALAN-SOARES et al., 2005a). Contudo, nenhum estudo molecular sobre HTLV-I e II foi realizado na Região Centro-Oeste até o presente momento. Considerando que o HIV e HTLV são endêmicos na África e a diversidade genética dos isolados virais encontra-dos naquele continente, a participação significativa dos africanos na constituição da população brasileira, os quais vie-ram como escravos e, cansados de serem utilizados como mão de obra escrava, refugiaram-se em locais de difícil aces-so e fundaram os quilombos, onde muitos permanecem isolados até os dias atuais, bem como a lacuna do conhecimento sobre as infecções pelo HIV e HTLV em quilombolas no Brasil, pretende-se com o presente realizar a primeira investi-gação sobre a análise epidemiológica e molecular destas infecções em Afro-descendentes de comunidades isoladas da Região Centro-Oeste, visando determinar a prevalência das infecções, investigar os fatores de risco associados e estu-dar a variabilidade genética das amostras virais circulantes nestas comunidades isoladas, o que possibilitará a elucida-ção de possíveis mecanismos envolvidos na disseminação destes vírus. Informações estas que poderão subsidiar o pla-nejamento de ações de saúde objetivando a prevenção e controle destas viroses nas comunidades quilombolas. O projeto gerará os seguintes produtos: Aos seis meses: - Obtenção de amostras sanguíneas/plasma e banco de dados sobre as características da população estudada. Aos doze meses: - Prevalência das infecções pelo HIV e HTLV em quilombolas da Região Centro-Oeste; - Índices destas infecções segundo as características sócio-demográficas e comportamentos de risco; - Identificação dos possíveis fatores/comportamentos associados a estas infecções Aos dezoito meses: - Identificação dos subtipos virais circulantes nas comunidades quilombolas da Região Centro-Oeste.

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Projeto: Estudo de Resistência Genética a antiretrovirais e mapeamento genético molecular do HIV-1 no Centro Oeste e Norte do Brasil.
Coordenador: MARIANE MARTINS ARAUJO STEFANI
Resumo: Estudos de epidemiologia molecular do HIV-1 no Brasil indicam que três variantes, subtipo B, subtipo F e subtipo C, têm papel mais relevante na epidemia no país. Até o momento, a maioria dos estudos foi realizada em pacientes das regiões sul e sudeste, consideradas o epicentro da epidemia de aids. O Brasil é um país de dimensão territorial conti-nental no qual estudos moleculares têm indicado diferenças geográficas importantes na distribuição de subtipos HIV-1. Neste contexto, estudos sobre a diversidade genética do HIV-1 em diferentes regiões geográficas são muito importan-tes para o real mapeamento molecular do HIV-1 no Brasil e devem contribuir para o monitoramento/vigilância da introdução e disseminação de subtipos do HIV-1 no país. Estes resultados servirão de base e permitirão análise das tendências espaciais da epidemia no decorrer do tempo e em diferentes grupos de indivíduos. Além disto, pouco se conhece sobre a verdadeira dimensão da resistência a antiretrovirais em outras regiões do país como nas regiões centro oeste e norte. DIAGNÓSTICO SITUACIONAL E IMPACTO PREVISTO: É esperado e compreensível que o maior volume de informações sobre resistência genotípica a antiretrovirais seja proveniente das regiões sul e sudeste, que concentram quase metade dos pacientes do país e os grupos de pesquisa com maior estrutura e expertise na área. Entretanto, espera-se que maiores investimentos que permitam a consolidação e fortalecimento de grupos regionais que estão se propondo a realizar este importante estudo em outras áreas geográficas distantes do epicentro da epidemia de AIDS no país. Nosso grupo tem se estruturado nos últimos anos mediante finan-ciamentos recebidos de agências de fomento internacionais (World Health Organization/TDR 2000, 2003) nacionais como CNPq ( 2000, 2003), Ministério da Saúde (2003) e agências regionais como Conselho de Ciência e Tecnologia do estado de Goiás (CONCITEG,2000) e Fundação de Apoio a Pesquisa (FUNAPE, 2001). Estes financiamentos permitiram a aquisição de uma boa estrutura laboratorial que contem os principais equipamentos necessários a realiza-ção de técnicas de Biologia Molecular necessárias para a caracterização genética do HIV-1. Dispomos de laboratório com áreas físicas distintas e equipadas para a realização das diferentes etapas a serem realizadas: área para estocagem de amostras (freezer -80oC, botijões de nitrogênio líquido) e extração, purificação e quantificação de ácidos nucléicos (DNA e RNA): centrifuga refrigerada, fluxo laminar, centrifugas eppendorf não refrigeradas, espectrofotômetro para quantificar ácidos nucléicos (Genequant/Pharmacia); sala para estocagem de reagentes/soluções estoques de iniciado-res, dNTPs, Taq polimerase, tampões utilizadas nas amplificações por PCR; Área de amplificação com dois termoci-cladores; área de detecção de produtos amplificados por PCR com cubas e fontes para eletroforese em gel de agarose e em gel de poliacrilamida, transiluminador com UV, câmera digital KODAK com programa para imagens EDAS para documentação e arquivo dos resultados. Além de estrutura física e equipamentos, a execução destes projetos tem viabi-lizado formação de recursos humanos qualificados na área de caracterização molecular de isolados regionais do HIV-1. Esta importante área de investigação científica não apresenta representatividade na região centro oeste e norte do país. Para este estudo, estamos solicitando a disponibilização pelo Ministério da Saúde de um seqüenciador automatizado em sistema de comodato, visto que em nossa instituição não dispomos deste equipamento. Resultados dos estudos do nosso grupo de pesquisa tem indicado uma diversidade significativa do HIV-1 no centro oeste, onde padrões discordantes em env e gag representam a segunda forma genética mais prevalente do HIV-1 (Ste-fani et al, 2005 manuscrito submetido a publicação). Um aspecto da diversidade genética do HIV-1 de interesse para saúde pública são as mutações associadas a resistência a antiretrovirais, que podem ocorrer em pacientes virgens de tratamento (resistência primária) e em pacientes sob tratamento antiretroviral (resistência secundária). Até o momento, existem poucas informações sobre o mapeamento genético molecular do HIV-1 em regiões menos industrializadas e urbanizadas distantes dos grandes centros urbanos do sul e sudeste. Nosso grupo de pesquisa tem trabalhado junto ao Programa de Pós Graduação do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás no mapeamento genético de isolados do HIV-1 do centro oeste e estabelecemos uma rede de colaboração entre institui-ções acadêmicas e serviços de referência como os LACENs de diferentes capitais no centro oeste e norte: Cuiabá, Campo Grande e Palmas. Seis dissertações de mestrado e uma tese de doutorado foram realizadas nesta linha de inves-tigação (Pereira GAS, 1999; Álvares Jr JT, 2000; Ferro MO,2000, Araújo Filho JÁ, 2001, Alcântara KC, 2003; Lins JAB, 2005; Pereira GAS, 2005 ) Aproveitando nossa experiência acumulada, a infra-estrutura laboratorial e recursos humanos treinados, este projeto visa estudar a variabilidade genética do HIV-1, prevalência de mutações associadas a resistência a antiretrovirais e perfil genotípico de resistência em pacientes, sob terapia antiretroviral ou não, de estados da região centro oeste e norte do Brasil. Para o estudo da resistência a antiretrovirais amostras de pacientes que apresentem evidências de falha terapêutica serão seqüenciadas nas regiões alvo das drogas incluindo o gene da protease e da transcriptase reversa. Isolados de HIV-1 selecionados serão amplificados e seqüenciados para análise filogenética, subtipagem e genotipagem para estu-do do perfil de resistência a inibidores da protease e inibidores nucleosidicos e não nucleosidicos da transcriptase re-versa.

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Projeto: Comparação dos perfis e percepções de vulnerabilidade de mulheres negras e brancas ao HIV/Aids em Belo Horizonte e Recife
Coordenador: PAULA DE MIRANDA RIBEIRO
Resumo: Este projeto terá duas grandes fases. A primeira será caracterizada pela análise estatística dos dados de natureza quantitativa, coletados por meio de um survey realizado nos municípios de Belo Horizonte e Recife, em 2002. Ao final desta fase, pretende-se conhecer os perfis das mulheres negras e brancas, entre 18 e 59 anos, residentes em Belo Horizonte e Recife, segundo sua vulnerabilidade ao HIV/Aids. A segunda fase consistirá na análise dos dados de natureza qualitativa, coletados a partir da realização de entrevistas em profundidade. Nesta fase, pretende-se conhecer a visão que mulheres de diferentes perfis apresentam sobre sua vulnerabilidade ao HIV/Aids. Aliado aos resultados da análise quantitativa, os resultados obtidos nesta fase do estudo serão fundamentais para que se possa compreender melhor como a percepção das mulheres afeta suas atitudes em relação a situações de risco ao HIV/Aids, tornando-as mais, ou menos, vulneráveis à infecção e à doença. A análise dos materiais possibilitará a elaboração de um relatório final contendo informações sistematizadas da população feminina dos municípios de Belo Horizonte e Recife, ressaltando a existência de diferenças na percepção de vulnerabilidade ao HIV/Aids entre mulheres de diferentes perfis sócio-demográficos e culturais. Ênfase especial será dada à população de mulheres negras, geralmente mais pobre, menos escolarizada e com maiores dificuldades para acessar os serviços de saúde, portanto mais expostas a uma série de problemas de saúde, do que a população branca (Simão et al., 2004; Simão 2005). Espera-se que os resultados deste estudo, ao tornarem possível a identificação das características distintivas de grupos mais vulneráveis à infecção, forneçam subsídios suficientes para que o Ministério da Saúde possa elaborar e implementar políticas direcionadas para diferentes subgrupos populacionais das duas áreas incluídas na investigação, particularmente entre os de mulheres negras. Ademais, espera-se que estes resultados possam ser úteis para auxiliar o Ministério da Saúde na sua luta para diminuir a disseminação do HIV e para tratar e prevenir não só o HIV/Aids, mas também outras DSTs que afetam de maneira preocupante a vida de milhares de brasileiras. Enfim, a partir dos resultados obtidos neste estudo espera-se poder contribuir para minimizar a vulnerabilidade da população feminina ao HIV/Aids, em particular, a vulnerabilidade das mulheres negras.

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Projeto: Estudo do perfil imunogenético dos portadores do HIV-1 e de co-infecções: avaliação do papel do poli-morfismo do gene MBL (Mannose-Binding Lectin) na susceptibilidade à infecção e como fator de progressão à Aids.
Coordenador: ANTONIO CARLOS ROSARIO VALLINOTO
Resumo: Desenvolver atividades do Projeto Estudo do Perfil Imunogenético dos Portadores do HIV-1 e de Co-Infecções: Avaliação do papel do poliformismo do gene MBL (Mannose-Binding Lectin) na susceptibilidade à infecção e como fator de progressão à Aids que visa a investigar a influência do poliformismo no gene da Lectina Ligadora de Manose (MBL) na infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana 1 (HIV-1) e nas co-infecções.

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Projeto: Estudo da Soroprevalência da Infecção pelo HIV, Sífilis e Hepatite C em instituições públicas de atenção a Saúde Mental: Um Estudo Multicêntrico Nacional
Coordenador: MARK DREW CROSLAND GUIMARÃES
Resumo: Estudo de corte transversal com componentes quantitativo e qualitativo tendo como principal objetivo determinar a prevalência da infecção pelo HIV, sífilis e hepatite C e os fatores associados com a positividade entre pacientes internados em hospitais psiquiátricos públicos e entre pacientes em acompanhamento em serviços substitutivos (CAPS) em amostra representativa nacional. Os participantes serão submetidos a uma entrevista estruturada que abordara aspectos sócio-demográficos, psicossociais, comportamentais, clínicos e aqueles relativos aos serviços. Dados complementares serão obtidos dos prontuários médicos. A análise quantitativa incluíra distribuição de freqüência, análise univariada e multivariada por meio do modelo de regressão logística binomial e polinomial. Serão estimados os odds ratios com intervalo de confiança de 95%. A abordagem qualitativa incluirá entrevistas em profundidade abertas com pacientes dos centros selecionados e grupos focais com profissionais de saúde envolvidos com a atenção a saúde de indivíduos portadores de sofrimento mental, procurando compreender o processo vivenciado pelos pacientes/profissionais durante o tratamento/acompanhamento. Os resultados deverão ser utilizados pelos serviços de saúde participantes e pelo Ministério da Saúde (PN-DST/AIDS e Área Técnica em Saúde Mental) na compreensão e elaboração de estratégias de melhoria da atenção a saúde dos pacientes que se encontram infectados pelo HIV, sífilis e hepatite C bem como para auxiliar na implementação de medidas de prevenção destas condições.

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Projeto: Entidades do Movimento Negro no Brasil: Alianças para o enfrentamento da epidemia de HIV/Aids
Coordenador: CARLA LUZIA FRANCA ARAUJO
Resumo: Com este projeto pretende-se discutir os limites e possibilidades que as entidades do Movimento negro no Brasil tem para a inclusão em suas agendas de ações anti HIV/Aids. Logo, serão gerados subsídios para o debate ampliado com os diversos segmentos (público e sociedade civil) para a formulação de políti-cas públicas de apoio ações anti-Aids. Estas ações afirmativas deverão favorecer o desenvolvimento de atividades no campo de prevenção das DST/HIV/Aids, considerando as particularidades que envolvem a população negra. Desta forma, na conclusão deste projeto teremos subsídios suficientes para fomentar um seminário Nacional com represen-tantes do movimento negro, no qual serão discutidos uma Agenda Nacional com propostas de inclusão de ações anti HIV/Aids pelas OSC do Movimento Negro no Brasil.

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Projeto: Estudo Clínico-Epidemiológico da Co-infecção HIV/Candidíases Sistêmicas no Pará
Coordenador: ANDREA LUZIA VAZ PAES
Resumo: A população de estudo será de indivíduos com sorologia para o HIV positiva que estejam desenvolvendo candidiase oral e / ou candidemia que estejam internados no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB). A população alvo a ser beneficiada será a do Estado do Pará, uma vez que o serviço de assistência de referência para o paciente portador do vírus HIV, fica localizado em Belém, atenderá pacientes oriundos de todo o Estado, e o HUJBB é o hospital de referência para a internação dos pacientes com HIV/ SIDA. O Hospital Universitário João de Barros Barreto é um hospital de referência para doenças infecciosas e parasitárias para todo o Estado, portanto internam pacientes de vários municípios do Estado do Pará, além da região metropolitana de Belém. No Pará observou-se 3.219 casos de SIDA registrados até 2003. Até o final de 2002 ocorreram 1.013 óbitos com uma taxa de mortalidade de 2,0 a 3,2 por 100/hab.em 1996 e 2002 respectivamente. Com maior número de casos de SIDA em 2003 nos seguintes municípios: Belém, Ananindeua, Parauapebas, Marabá e Redenção.

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Projeto: Estudo de Coorte de Homossexuais e Bissexuais Masculinos em Belo Horizonte, Minas Gerais: História Natural, Avaliação da Intervenção Comportamental, Análise de Incidência da Infecção pelo pelo HIV, Caracterização Virológica e Imunológica e Aceitabilidade de Participação em Ensaios com Vacinas Anti-HIV.
Coordenador: DIRCEU BARTOLOMEU GRECO
Resumo: O Projeto Horizonte (componente do Centro de Vacinas anti-HIV de Minas Gerais/UFMG), é um estudo de coorte de homo e bissexuais masculinos, soronegativos, residentes em Belo Horizonte para: avaliar incidência da infecção pelo HIV; avaliar o impacto das medidas preventivas; preparar para ensaios clínicos com vacinas candidatas anti-HIV e avaliar os parâmetros virológicos e imunológicos dos soroconvertores. De 1994 a 2005, 1033 pessoas foram recrutadas e atualmente 488 voluntários estão em acompanhamento. A média de idade é de 26,9 anos, 47,4% têm segundo grau, 44,8%, renda mensal de 1 a 3 salários mínimos e 61,6% são pardos/negros. Eles são avaliados semestralmente através de: entrevista psicossocial, aconselhamento pré e pós-teste anti-HIV e outras DST, avaliação laboratorial e médica. As intervenções educativas ocorrem nos atendimentos individuais e nas atividades mensais em grupo para: discutir sobre vulnerabilidades a DST/aids; construir alternativas de comportamento sexual protegido; contribuir na adesão dos voluntários; e discutir aspectos técnicos e éticos da participação em ensaios de vacina anti-HIV. Os resultados atestam ser viável implementar e manter uma coorte por longo período, estimar a incidência da infecção, investigar as práticas sexuais, discutir e avaliar métodos de prevenção. Além disso, os voluntários têm informações e espaço de discussão para facilitar a tomada de decisão autônoma sobre sua eventual participação em testes com vacinas anti-HIV.

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Projeto: Aspectos clínicos e epidemiológicos da co-infecção Tuberculose e HIV/Aids na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas.
Coordenador: ROMINA DO SOCORRO MARQUES DE OLIVEIRA
Resumo: Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) a tuberculose e Síndrome de Imunode-ficiência Adquirida Humana (SIDA) constituem, hoje, uma calamidade sem precedentes na história. Permanece a tuberculose como grave problema de saúde pública, tendo sido considerada pela OMS como prioridade mundial. Estima-se que haja anualmente 1,9 milhões de mortes por tuberculose, 98% delas em países em desenvolvimento - cerca de 350.000 mortes em casos de associação da tuberculose com a SIDA. A notificação da tuberculose no Brasil, nos últimos anos se situa entre 80 e 90 mil casos novos/ano; os números no Brasil são alarmantes, seja considerando a situação do país como um todo ou apenas por regiões. O coeficiente, para o país, de incidência de tuberculose foi de 48,4/100.000 habitantes. É patente o significativo papel das células T no processo imunitário. O vírus da imunodeficiência humana (VIH) é o maior agravante da história da tuberculose; destruindo o sis-tema celular T, e a imunidade contra o M. tuberculosis assenta-se basicamente neste sistema. No Brasil houve grande expansão da epidemia de SIDA o que acabou refletindo na epidemiologia da tuberculose. Entre os casos de SIDA no momento da notificação, tem-se observado um percentual de associação de tuberculose, de todas as formas, próximo de 30%, sendo a segunda causa de óbito depois de outras pneumonias. Na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas , unidade de referência estadual em doenças infec-to-contagiosas e em portadores de vírus da imunodeficiência humana e SIDA; faz-se imprescindível uma análise dos pacientes nos quais há comprovação da infecção para micobactérias de diferentes espécies, tendo em vista o grau de imunossupressão apresentado - em seus aspectos clínicos e epi-demiológicos. O presente trabalho tem por objetivo geral estudar as características clínicas e epide-miológicas de pacientes portadores de VIH e infecção por micobactérias internados na Unidade Hos-pitalar Prof. Nelson Antunes (UHNA), na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM). Na análise retrospectiva executar-se-á o resgate e a análise de prontuários de pacientes com isolados de micobactérias em diversos materiais biológicos e hemoculturas positivas com a identificação de micobactérias no sistema automatizado, utilizando-se o meio de cultura MB/Bact, além de diversos materiais biológicos. Na parte prospectiva com os que estiveram internados ou que ainda se encon-trarem, durante o período determinado do estudo, de janeiro de 2000 a outubro de 2006, nos setores UHNA da FMTAM. Durante o desenvolvimento do estudo serão analisadas as variáveis relacionadas a cada caso: identificação, tempo de doença, características e classificação clínicas, manifestações clínicas de gravidade, isolamento de micobactérias em outros materiais orgânicos, contagem de célu-las CD4+ e Carga viral,e,ainda, a utilização de esquema anti-retroviral específico, em associação ou não aos tuberculostáticos. Resumo Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) a tuberculose e Síndrome de Imunodeficiência Adquirida Humana (SIDA) constituem, hoje, uma calamidade sem precedentes na história. Permanece a tuberculose como grave problema de saúde pública, tendo sido considerada pela OMS como prioridade mundial. Estima-se que haja anualmente 1,9 milhões de mortes por tuberculose, 98% delas em países em desenvolvimento - cerca de 350.000 mortes em casos de associação da tuberculose com a SIDA. A notificação da tuberculose no Brasil, nos últimos anos se situa entre 80 e 90 mil casos novos/ano; os números no Brasil são alarmantes, seja considerando a situação do país como um todo ou apenas por regiões. O coeficiente, para o país, de incidência de tuberculose foi de 48,4/100.000 habitantes. É patente o significativo papel das células T no processo imunitário. O vírus da imunodeficiência humana (VIH) é o maior agravante da história da tuberculose; destruindo o sistema celular T, e a imunidade contra o M. tuberculosis assenta-se basicamente neste sistema. No Brasil houve grande expansão da epidemia de SIDA o que acabou refletindo na epidemiologia da tuberculose. Entre os casos de SIDA no momento da notificação, tem-se observado um percentual de associação de tuberculose, de todas as formas, próximo de 30%, sendo a segunda causa de óbito depois de outras pneumonias. Na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas , unidade de referência estadual em doenças infecto-contagiosas e em portadores de vírus da imunodeficiência humana e SIDA; faz-se imprescindível uma análise dos pacientes nos quais há comprovação da infecção para micobactérias de diferentes espécies, tendo em vista o grau de imunossupressão apresentado - em seus aspectos clínicos e epidemiológicos. O presente trabalho tem por objetivo geral estudar as características clínicas e epidemiológicas de pacientes portadores de VIH e infecção por micobactérias internados na Unidade Hospitalar Prof. Nelson Antunes (UHNA), na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMTAM). Na análise retrospectiva executar-se-á o resgate e a análise de prontuários de pacientes com isolados de micobactérias em diversos materiais biológicos e hemoculturas positivas com a identificação de micobactérias no sistema automatizado, utilizando-se o meio de cultura MB/Bact, além de diversos materiais biológicos. Na parte prospectiva com os que estiveram internados ou que ainda se encontrarem, durante o período determinado do estudo, de janeiro de 2000 a outubro de 2006, nos setores UHNA da FMTAM. Durante o desenvolvimento do estudo serão analisadas as variáveis relacionadas a cada caso: identificação, tempo de doença, características e classificação clínicas, manifestações clínicas de gravidade, isolamento de micobactérias em outros materiais orgânicos, contagem de células CD4+ e Carga viral,e,ainda, a utilização de esquema anti-retroviral específico, em associação ou não aos tuberculostáticos. Palavras chaves: VIH ; micobactérias; FMTAM Justificativa Apesar de ser doença antiga no nosso meio, a tuberculose no cenário brasileiro, vem se firmando como uma das principais causas de morbimortalidade, atingindo indistintamente diversas faixas etárias e classes sociais. A epidemia de SIDA associada a TB em todas as suas formas trouxe um relevante incômodo em termos de expansão populacional, bem como em dificuldade diagnóstica. Os programas de controle necessitam de implementação em termos operacionais, principalmente maior detecção dos casos, visando diminuir taxas de abandono e aumento do percentual de curas. Relacionado-se a pandemia de Aids estando ainda longe de chegar ao seu auge, com a maioria dos adoecimentos no país em jovens economicamente ativos, além do padrão modificado de envelhecimento desta classe de doentes devido ao uso regular de terapia específica; considerando a taxa de incidência isolada para tuberculose em Manaus alta entre as demais capitais, tendo-se uma instituição referência no atendimento e internação hospitalar de pacientes com Aids, a Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, unidade de referência estadual em doenças infecto-contagiosas e em portadores de vírus da imunodeficiência humana e SIDA, reconhecendo-se a tuberculose como segunda causa mais frequente de infecção oportunista pulmonar nestes indivíduos, torna-se imprescindível uma análise como população específica com infecção ou doença avançada pelo HIV, bem como do isolamento de micobactérias em diferentes materiais biológicos; além de reconhecer a prevalência da co-infecção no Estado do Amazonas, tendo em vista que até o momento nenhum estudo clínico observacional ou não foi realizado nesta categoria de pacientes ; na tentativa de relacionar o grau de imunossupressão apresentado quando do diagnóstico da infecção oportunista, referenciando nestes os seus aspectos epidemiológicos e apresentações clínicas; tendo em vista um estudo abordando o espectro deste acometimento, para o melhor conhecimento acerca da patologia em co-infecção (SIDA), quanto ao real contrastado com o observado impacto clinicamente do tratamento anti-retroviral no desenvolvimento da tuberculose , bem como ampliação do tempo estimado de vida associado a presença dos paraefeitos dos medicamentos tuberculostáticos e anti-retrovirais, além da influência da infecção tuberculosa isoladamente na sobrevida dos pacientes com SIDA. Além da inobservância de dados sobre o comportamento clínico da co-infecção nesta população, com o intuito de indicar terapêutica precoce e correta no objetivo de se postergar formas de depleção imune/clínica que possam vir a ser irreversíveis em sua evolução. humana e SIDA, reconhecendo-se a tuberculose como segunda causa mais frequente de infecção oportunista pulmonar nestes indivíduos, torna-se imprescindível uma análise como população específica com infecção ou doença avançada pelo HIV, bem como do isolamento de micobactérias em diferentes materiais biológicos; além de reconhecer a prevalência da co-infecção no Estado do Amazonas, tendo em vista que até o momento nenhum estudo clínico observacional foi realizado nesta categoria de pacientes ; na tentativa de relacionar o grau de imunossupressão apresentado quando do diagnóstico da infecção oportunista, referenciando nestes os seus aspectos epidemiológicos e apresentações clínicas; tendo em vista um estudo abordando o espectro deste acometimento, para o melhor conhecimento acerca da patologia em co-infecção (SIDA), quanto ao real contrastado com o observado impacto clinicamente do tratamento anti-retroviral no desenvolvimento da tuberculose , bem como ampliação do tempo estimado de vida associado a presença dos paraefeitos dos medicamentos tuberculostáticos e anti-retrovirais, além da influência da infecção tuberculosa isoladamente na sobrevida dos pacientes com SIDA. Além da inobservância de dados sobre o comportamento clínico da co-infecção nesta população, com o intuito de indicar terapêutica precoce e correta no objetivo de se postergar formas de depleção imune/clínica que possam vir a ser irreversíveis em sua evolução.

Produção Científica


Projeto: Estudo da co-infecção por Leishmania em pessoas vivendo com HIV/Aids atendidas no Hospital Universitário de Brasília. Estudo transversal com ênfase na leishmaniose visceral.
Coordenador: GUSTAVO ADOLFO SIERRA ROMERO
Resumo: O elevado número de pacientes infectados pelo HIV e o comportamento da endemia de leishmaniose visceral no Brasil foram os fatores determinantes para o desenvolvimento do projeto por considerar relevante a necessidade de estimar a magnitude da co-infecção Leishmania/HIV. O cenário escolhido para o estudo foi o Hospital Universitário de Brasília que acolhe uma população de pessoas vivendo com HIV/Aida que reside no próprio Distrito Federal e na região do entorno. O fato de Brasília ser uma cidade nova, faz dela um polo de atração para população do Brasil todo, o que se vem refletido no grande número de migrantes que trazem consigo não só mão de obra e cultura à cidade, mas também doenças e agravos próprios de outras regiões. A leishmaniose visceral é uma endemia que nas últimas décadas tem aumentado a sua abrangência geográfica sendo constratada a presença de cães domésticos infectados e doentes no Distrito Federal e a presença de flebotomíneos com potencial de transmissão desta parasitose. Ainda, a população vivendo com HIV/Aids atendida na rede pública de saúde pertence aos estratos sócio-econômicos menos favorecidos que frequentemente migraram de regiões onde a leishmaniose visceral humana é endêmica. A co-infecção Leishmania/HIV, traz efeitos deletérios para ambas as infecções com possibilidade de progressão mais rápida da infecção pelo HIV e com expressão de oprotunismo para Leishmania. A detecção precoce da co-infecçã em fases assintomáticas permitirá o tratamento oportuno das manifestações iniciais dos casos sintomáticos ao longo do acompanhamento, ao mesmo tempo ajudará a construir o conhecimento sobre o comportamento clínico da entidade nos pacientes que submetidos a terapia antiretroviral e à identificação das situações onde haveria indicação de profilaxia medicamentosa para evitar as recidivas da infecção por Leishmania. Alguns estudos no Brasi, principalmente no estado de Minas Gerais revelam que a frequência de co-infecção em pessoas vivendo com HIV-Aids é relevante e que o diagnóstico utilizando diferentes técnicas de laboratório constitui um desafio. Na região Centro-Oeste não existem dados sobre a prevalência da co-infeção. Portanto, considera-se relevante a realização de um estudo que estime a prevalência da co-infecção Leishmania/HIV em uma população que reside no Distrito Federal e a região do entorno utilizando várias técnicas sorológicas, parasitológicas e moleculares. o impacto dos resultados será relevante para o aconselhamento e acompanhamento cuidadosos do subgrupo de pacientes nos quais se identifique a co-infecção, oferecendo a eles opções terapêuticas individualizadas como por exemplo, esquemas profiláticos para outras indicações que também possuam atividade contra Leishmania. Informações recentes sobre a atividade de inibidores de protease sobre a Leishmania, abrem a possibilidade de dirigir a escolha do tratamento antiretroviral considerando o tipo de co-infecções que o paciente apresenta. O resultado final da pesquisa conterá uma recomendação para o diagnóstico acurado da co-infecção e indicações para os clínicos sobre a frequência do problema na comunidade.

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Projeto: Estudo clínico-epidemiológico de infecções por fungos em pacientes portadores do HIV, que demandam os serviços de saúde de Mato Grosso.
Coordenador: COR JESUS FERNANDES FONTES
Resumo: A história sócio-demográfica do Estado de Mato Grosso nas três últimas décadas é conseqüência de um grande fluxo migratório das diversas regiões do país, promovendo o seu rápido desenvolvimento. Entretan-to, constatam-se vários paradoxos sociais, em virtude da ocupação desordenada do meio ambiente, bem como do despreparo estrutural para suportar essa situação. Assim sendo, o Estado apresenta hoje os mesmos problemas demográficos do restante do Brasil, ou seja, um grande contingente de famílias desabrigadas, vivendo em aglomerados peri-urbanos em condições precárias de saneamento. Nesse contexto, tem sido freqüente o surgimento de problemas sociais como a violência, alcoolismo, abuso de drogas ilícitas, bem como a emergência ou de doenças relacionadas à pobreza ou à precariedade de vida. A história da AIDS no Estado começa em 1984, com a descrição do primeiro caso no município de Rondonópolis. A partir da dé-cada de 90, observou-se a disseminação da doença para outras regiões do Estado, com maior concentração de casos nas microrregiões da Baixada Cuiabana. Até 2002, foram notificados 2558 casos, sendo destes 2452 (95,9%) em pessoas com 13 anos e mais e 106 (4,1%) em menores de 13 anos. A maior incidência de AIDS no Estado foi registrada no ano de 1997 com 13,6/100.000 hab., porém verifi-ca-se, numa série histórica de 19 anos, um aumento significativo da incidência a partir de 1994 onde regis-trou-se um crescimento em torno de 52,0% quando comparado ao ano anterior. Quanto a distribuição dos casos, segundo categoria de exposição, a epidemia HIV/AIDS vem crescendo em heterossexuais, que pas-sou a ser a principal modalidade de exposição ao HIV, superando os "homo" e "bissexuais". O aumento de casos por via heterossexual fez-se acompanhar de uma expressiva participação das mulheres no perfil epi-demiológico da doença. Por outro lado, a transmissão através do uso de drogas injetáveis vem decrescendo ao longo dos últimos anos, após ter atingido o seu pico no início da década de 90. A maior taxa de letalidade foi observada no ano de 1995 com 116 (58.6%) óbitos, sendo a faixa etária mais atingida de 20 a 34 anos com registro de 68 (58,1%) óbitos. Essa letalidade é conseqüência principalmente de infecções oportunistas, representadas principalmente pela tuberculose, aspergilose, histoplasmose, crip-tococose, candidose, toxoplasmose, micobacterioses atípicas e citomegalovirose. Apesar dos vários relatos de redução da incidência de micoses oportunistas em indivíduos com AIDS após o advento da TARV, o diagnóstico precoce dessas infecções ainda é importante, uma vez que são definidoras de caso. Diagnósticos tardios de micoses oportunistas contribuem significativamente para maior gravidade e êxito letal da AIDS. Em relação à prevalência real de infecções fúngicas em indivíduos HIV/AIDS, é sabido que os dados atual-mente disponíveis encontram-se sub-estimados, uma vez que são gerados apenas do sistema de informação de mortalidade ou de relatos de experiências hospitalares. Em recente revisão de prontuários realizada no Hospital Universitário Júlio Müller (em Cuiabá), constatou-se que a criptococose e a histoplasmose repre-sentaram, juntas, a principal causa de morte ou de hospitalização prolongada de pacientes com AIDS na-quela instituição. Outros patógenos incriminados como agentes etiológicos das infecções fúngicas são também importantes como causadores de morbidade nos pacientes infectados pelo HIV. Entretanto, pela menor gravidade e mui-tas vezes dificuldade de sua detecção, tais agentes não são incluídos no perfil epidemiológico das infecções oportunistas da AIDS, em uma determinada região. Devido às peculiares condições bio-climáticas do Esta-do de Mato Grosso, extremamente propícias à ocorrência e disseminação de fungos de importância médica, é mister que, além dos agentes classicamente causadores de doença no paciente com HIV/AIDS, outros sejam rastreados e devidamente isolados in vitro, para auxiliar a prática assistencial na redução dos agravos que complicam a evolução da doença. Diante deste cenário regional, pretende-se avaliar de forma mais abrangente, parâmetros epidemiológicos, clínicos, laboratoriais e terapêuticos de diferentes micoses que acometem indivíduos portadores de HIV/AIDS, através do desenvolvimento de um estudo epidemiológico transversal, englobando a capital do Estado e outros municípios, já mencionados no item 9.3 (área geográfica de abrangência) da presente pro-posta.

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Projeto: Acesso ao diagnóstico e tratamento de infecção pelo HIV e Aids na população negra em Porto Alegre.
Coordenador: ANA MARIA DA ROSA PRATES
Resumo: Este projeto de pesquisa pretende comparar o acesso aos serviços de diagnostico e tratamento de HIV/AIDS por parte da população negra e da população não-negra, seguindo o critério de auto-declaração, adotado pelo IBGE. Focalizará, para isso, o acesso a esses serviços das populações de dois bairros da cidade de Porto Alegre, Restinga e Partenon, que apresentam os maiores números de casos de infecção pelo HIV. Será também realizado um estudo quantitativo no serviço PAM 3.

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Projeto: Adesão à terapia anti-retroviral em pessoas vivendo com HIV/Aids: desenvolvimento de metodologia de intervenção.
Coordenador: ELIANE MARIA FLEURY SEIDL
Resumo: A experiência no atendimento psicossocial à clientela soropositiva no Projeto Com-Vivência, no Hospital Universitário de Brasília, revela que a adesão ao tratamento anti-retroviral coloca grandes desafios para as equipes de saúde, além dos prejuízos em termos de qualidade de vida daquelas pessoas afetadas por dificuldades de adesão. Assim, pesquisas que permitam a melhor compreensão do fenômeno e aprofundem o conhecimento acerca da influência de variáveis sociodemográficas, médicas e psicossociais na determina-ção da adesão são fundamentais para o estabelecimento de estratégias que promovam a modificação e/ou manejo dessas variáveis, incluindo os aspectos psicológicos e sociais que se constituem em barreiras ao tratamento. Em suma, trata-se de investigar fatores associados à adesão e à não adesão ao tratamento anti-retroviral, considerando variáveis sociodemográficas (sexo, idade, situação conjugal, escolaridade e renda familiar), médico-clínicas (presença de efeitos colaterais, satisfação com a relação profissional de saúde-usuário) e psicossociais (conhecimento e crenças sobre os efeitos e ação dos ARV, estratégias de enfrenta-mento, suporte social e expectativa de auto-eficácia). Essas variáveis têm se mostrado relevantes, conside-rando a prática cotidiana nos serviços e demais estudos sobre o tema (Chan & cols., 2005; García & Cote, 2003; Nemes, Carvalho & Souza, 2004; Teixeira, Paiva & Shimma, 2000; Wu, Ammassari & Antinori, 2002). Assim, o presente projeto representa a possibilidade de investigação sistemática do tema adesão em HIV/aids e possui três eixos: 1. descrição do padrão comportamental de adesão dos usuários do serviço e identificação das pessoas com níveis insatisfatórios de adesão ou que abandonaram o tratamento; 2. imple-mentação de procedimentos de intervenção (individual e em grupo) com três segmentos de pacientes: (a) que estão iniciando a terapia anti-retroviral; (b) que estão com níveis insatisfatórios de adesão (perda de doses superior à 5% na última semana e no último mês), mas que continuam a comparecer ao serviço; (c) pacientes que deixaram de comparecer ao serviço nos últimos 90 dias (abandono); 3. Elaboração, implemen-tação e validação de capacitação sobre adesão ao tratamento em HIV/aids, para equipes multiprofissionais de saúde do DF que atuam na área do HIV/aids. A conduta de adesão será avaliada com base em três medidas: percentual de perda de doses na última semana e no último mês (auto-relato); informação sobre a busca mensal de ARV na farmácia, nos últimos três meses; indicadores imunológicos e virológicos (CD4 e CV) em séries históricas. Outros indicadores, para avaliação descritiva do padrão comportamental de adesão, serão: (1) conhe-cimento dos medicamentos ARV prescritos e os horários de uso; (2) percentual de atraso na tomada das doses na última semana; (3) interrupção anterior do tratamento com ARV por conta própria. O estudo prevê ainda dois momentos de avaliação das mudanças comportamentais de adesão, após a linha de base 1: ao término da intervenção individual ou de grupo (linha de base 2) e quatro meses após a intervenção (linha de base 3). Na linha de base 3, resultados dos indicadores imunológicos e virológicos (CD4 e CV) serão comparados com resultados desses exames anteriores à intervenção. A pesquisa será desenvolvida com o apoio e cooperação dos médicos infectologistas, considerando as ações já em desenvolvimento, realizadas de modo integrado pelas diferentes categorias profissionais que atuam na área do HIV/aids do HUB. A equipe profissional do HUB que presta atendimento em HIV/aids tem constatado que os proble-mas de adesão ao tratamento, em especial aos ARV, constituem-se em desafios constantes. Assim, estudo realizado por Seidl (2001), com 241 pacientes HIV+ residentes no DF em tratamento em diferentes unidades da rede pública de saúde e de serviços privados, constatou que 38,8% dos participantes referiram a interrup-ção do tratamento com anti-retrovirais por conta própria, pelo menos uma vez ao longo da história da en-fermidade. Os principais motivos mencionados para a interrupção foram presença de efeitos colaterais e razões de ordem subjetiva e/ou psicológica. Verificou-se ainda que a maioria das pessoas que não tinha interrompido o tratamento apresentou níveis mais altos de CD4+, enquanto aquelas que referiram interrup-ção estavam, na maior parte, com níveis mais baixos desse indicador imunológico, diferença que foi signifi-cativa entre os dois grupos ( ² = 9,83; df = 2; p < 0,01). Mais recentemente, levantamento realizado junto à farmácia do HUB que faz a dispensação de anti-retrovirais a 289 pacientes cadastrados (julho/2005), constatou que 13% dos usuários não foram buscar seus medicamentos nos últimos 90 dias, indício da existência de prováveis problemas de adesão nesse grupo de pacientes. Outro estudo, iniciativa de professores e alunos vinculados ao Projeto Com-Vivência (Seidl, Melchí-ades, Caetano, Medeiros & Brito, 2005), em fase final de análise de dados, pesquisou amostra composta de 101 pacientes de serviços da rede pública de saúde do DF (60,4% do sexo masculino, idades entre 20 a 71 anos, com média de 37,9 anos). Resultados parciais mostraram que 72,3% deles relataram níveis de adesão aos ARV igual ou superior a 95%; 27,7% dos participantes referiram adesão insatisfatória (inferior a 95%, com base no critério de perda de doses relatadas na última semana e no último mês). A adesão satisfatória esteve associada a níveis mais altos de escolaridade ( ²= 7,6; df=1; p<0,01); padrões de adesão não foram diferentes segundo o sexo, idade e situação conjugal. Investigando diferenças entre grupos com adesão satis-fatória e insatisfatória, verificou-se que melhores níveis de adesão estiveram associados a escores mais altos em expectativa de auto-eficácia (F=28,10; p<0,001) e satisfação com o suporte social (F= 9,17; p<0,01). Os resultados preliminares indicam a presença de relações entre algumas variáveis sociodemográficas e psico-lógicas e a conduta de adesão, apontando a importância de que as equipes de saúde estejam atentas a esses aspectos para a melhoria da adesão e da qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV/aids. O Projeto Com-Vivência, projeto de extensão universitária vinculado ao Decanato de Extensão da UnB, em funcionamento desde abril de 1996 no Hospital Universitário de Brasília, é uma iniciativa de pro-fessores do Departamento de Serviço Social e do Instituto de Psicologia. Sua missão principal é articular procedimentos de prestação de serviços de saúde à população na área do HIV/aids, pesquisa e ensino. O trabalho da psicologia e do serviço social está vinculado ao funcionamento ambulatorial e hospitalar do HUB, e integra o conjunto de procedimentos e de serviços médicos e de saúde prestados pelo hospital a esta clientela, constituindo a atenção integral e interdisciplinar em HIV/aids. Por atendimento psicossocial com-preendemos modalidades de atendimentos, individuais ou de grupo, de caráter educativo, terapêutico e as-sistencial acolhimento, aconselhamento, orientação social, intervenção psicológica individual ou em gru-po, entre outros voltados para vários aspectos da vida pessoas vivendo com HIV/aids e seus familiares. Passados nove anos desde a sua criação, o Projeto Com-Vivência tem sido uma referência importante nas áreas de assistência, prevenção e capacitação de recursos humanos no Distrito Federal. Tem realizado diver-sas parcerias junto à Gerência de DST/aids da SES DF, ao PN DST/aids/MS e às ONG que atuam em HIV/aids no DF (www.hub.unb.br). Ações e procedimentos de intervenção, visando a melhoria e/ou superação dos problemas de adesão de pessoas vivendo com HIV/aids, vêm sendo desenvolvidos no Projeto Com-Vivência em especial pela equipe da psicologia e do serviço social (Seidl & Silva, 1997; Seidl, 2004; Seidl & Faustino, 2005), com base em conceitos e técnicas oriundos da psicologia da saúde e do enfoque cognitivo-comportamental (Ca-ballo, 1999; Vasquéz & cols., 1998). Nesse sentido, o presente projeto de pesquisa representa a sistematiza-ção de ações que têm sido desenvolvidas no serviço, mas que carecem de seguimento e avaliação. Espera-se, como produto final do projeto, a definição de uma metodologia de intervenção que pos-sibilite a melhoria dos indicadores referentes à adesão em HIV/aids da clientela atendida no HUB, bem co-mo a redução do número de usuários que abandonam o tratamento. Ao final, pretende-se que esse conheci-mento seja difundido, servindo de subsídio para a capacitação sobre adesão à TARV, de equipes multipro-fissionais que atuam na área do HIV/aids.

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Projeto: Estudo do Perfil de susceptibilidade a medicamentos comação antifúngica em pacientes portadores do HIV que demandam os serviços de saúde de Cuiabá/Mato Grosso.
Coordenador: ROSANE CHRISTINE HAHN
Resumo: Mato Grosso apresentou, nas três últimas décadas, um acelerado crescimento demográfico conseqüente ao grande fluxo migratório de diversas regiões do país. Entretanto, constatam-se vários paradoxos sociais, em virtude da ocupação desordenada do meio ambiente, bem como do despreparo estrutural para suportar essa situação. Assim sendo, o Estado apresenta hoje os mesmos problemas demográficos do restante do Brasil, ou seja, um grande contingente de famílias desabrigadas, vivendo em aglomerados peri-urbanos em condições precárias de saneamento. Nesse contexto, tem sido freqüente o surgimento de problemas sociais como a violência, alcoolismo, abuso de drogas ilícitas, bem como a emergência ou de doenças relacionadas à pobreza ou à precariedade de vida. A história da AIDS no Estado começa em 1984, com a descrição do primeiro caso no município de Rondonópolis. A partir da década de 90, observou-se a disseminação da doença para outras regiões do Estado, com maior concentração de casos nas microrregiões da Baixada Cuiabana. Até 2002, foram notificados 2558 casos, sendo destes 2452 (95,9%) em pessoas com 13 anos e mais e 106 (4,1%) em menores de 13 anos. A maior incidência de AIDS no Estado foi registrada no ano de 1997 com 13,6/100.000 hab., porém verifica-se, numa série histórica de 19 anos, um aumento significativo da incidência a partir de 1994 onde registrou-se um crescimento em torno de 52,0% quando comparado ao ano anterior. A maior taxa de letalidade foi observada no ano de 1995 com 116 (58.6%) óbitos, sendo a faixa etária mais atingida de 20 a 34 anos com registro de 68 (58,1%) óbitos. Essa letalidade é conseqüência principalmente de infecções oportunistas, representadas principalmente pela tuberculose, histoplasmose, criptococose, candidose, toxoplasmose, micobacterioses atípicas e citomegalovirose. Devido às peculiares condições bio-climáticas do Estado de Mato Grosso, extremamente propícias à ocorrência e disseminação de fungos de importância médica, é esperado que diversos agentes, além dos classicamente causadores de micoses oportunistas, estejam infectando pacientes portadores de HIV/AIDS. Sendo assim, diferentes isolados fúngicos são responsáveis por uma variedade de infecções associadas a diferentes respostas terapêuticas, levando-se em conta o restrito arsenal antifúngico disponível. Atualmente tem sido emergente o aparecimento de resistência intrínseca e adquirida nestes isolados, dificultando enormemente prever o sucesso terapêutico, a partir de esquemas clássicos. Torna-se fundamental, estabelecer estratégias que nos permitam levar em consideração as especificidades regionais associadas aos isolados fúngicos provenientes de pacientes HIV/AIDS em Mato Grosso.

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Projeto: Estudo epidemiológico da prevalência e fatores associados à infecção pelo HTLV I/II em puérperas da região metropolitana de Cuiabá, Janeiro a Junho/2006.
Coordenador: DALTON FERREIRA
Resumo: Todas as puérperas, do primeiro dia pós-parto, das maternidades do SUS-Cuiabá, no período de 01 de Janei-ro a 30 de Junho de 2006. Estima-se que nesse período um número aproximado de 3.000 gestantes internem nas maternidades dos Hospitais Júlio Müller, Geral e Santa Helena, para trabalho de parto. Essas três mater-nidades são responsáveis pela totalidade dos partos ocorridos na região metropolitana de Cuiabá. A maior incidência de AIDS no Estado foi registrada no ano de 1997 com 13,6/100.000 hab., porém verifi-ca-se, numa série histórica de 19 anos, um aumento significativo da incidência a partir de 1994 onde regis-trou-se um crescimento em torno de 52,0% quando comparado ao ano anterior. Quanto à distribuição dos casos, segundo categoria de exposição, a epidemia HIV/AIDS vem crescendo em heterossexuais, que pas-sou a ser a principal modalidade de exposição ao HIV, superando os "homo" e "bissexuais". O aumento de casos por via heterossexual fez-se acompanhar de uma expressiva participação das mulheres no perfil epi-demiológico da doença.

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Projeto: BRASIL / AFROATITUDE / UNB: AÇÕES AFIRMATIVAS PARA INCLUSÃO DO ESTUDANTE NEGRO E AFRODESCENDENTE NA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
Coordenador: MÁRIO ÂNGELO SILVA
Resumo: Conforme texto publicado em edital do Programa Nacional de DST/aids, as Políticas Públicas notadamente aquelas voltadas para as areas sociais, também denominadas de ações afirmativas, partem do princípio de que todos somos iguais e detentores dos mesmos direitos. Logo, quando algum segmento da população apresenta dificuldades específicas, 0 Estado deve interferir, buscando implementar ações que contribuam para a superação das desigualdades sociais. A ação afirmativa como política pública, coloca em questão a equidade e direitos individuais. Tais direitos são relativos pois, para garantir a igualdade de acesso aos direitos da cidadania ou tratamento equanime para todos os cidadãos,o Estado se vê impelido a destacar grupos específicos, tendo em vista situações especiais, num determinado período de tempo. Segundo 0 Ministério da Saúde, "a luta contra a epidemia da aids, no mundo, trouxe à tona a necessidade de refletir sobre a diversidade sexual, racial, étnica, conferindo a esses temas importância significativa para 0 campo de prevenção, assistência e dos direitos humanos. O movimento social contra todas as formas de desigualdade e construção de um mundo valoriza a vida." Inseridas nesse contexto, as universidades brasileiras têm buscado contribuir para a superação da situação desigualdade de acesso ao ensino superior, estabelecendo regimes de cotas para segmentos historicamente exduídos. Contudo, a adoção da política de cotas por si só não resolve 0 problema da indusão social, pois, trata-se de uma questão estrutural que envolve todos os segmentos da sociedade. A permanência e sucesso do estudante do sistema da cotas na universidade esta relacionada ao perfil sócioeconômico desses estudantes. Assim, 0 perfil dos alunos que já ingressaram via cotas em universidades como UNEB, UERJ,UEMS E UnB evidenciam a premanência de apoio a esses estudantes, via bolsas de iniciação científica, extensão e monitoria, de forma a não somente oferecer apoio e suporte material, mas também envolvê-los da forma mais ampla possível, em atividades de formação voltadas para questões sociais emergentes. É esse esforço coletivo que nos move no sentido de construir uma proposta de política Pública que possa vincular experiência programática da luta contra a epidemja da aids com a experiência da política de ações afirmativas, que valorize e garanta a cidadania plena de todas as pessoas. A iniciativa do Programa Nacional DST/Aids com repasse de recursos para bolsas de estudo inicia uma mobilização dos setores governamentais e não-governamentais para enfrentamento dos problemas. Tendo em vista as especificidades da população beneficiária do projeto (estudantes negros e afro- descendentes), sua implementação nas Universidades deverá induir como metas: - incentivar 0 fortalecimento e/ou criação de núdeo e centros de pesquisa especializados nos estudos de temas concernentes aos aspectos sócio-educacionais e culturais das populações afro- brasileiras bem como a implementação de políticas sobre diversidade nos sistemas de ensino; - estimular a implantação de políticas afirmativas de acesso e permanência da população afro- brasileira no ensino superior; - incentivar pesquisas sobre processos educativos voltados para o conhecimento de matrizes africanas; - identificação e coleta de informações acerca das populações afro- brasileiras, com 0 fito de subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas para a diversidade nos sistemas de ensino; - produção e avaliação de materiais didáticos referentes às relações ético- raciais da sociedade brasileira; realização de estudos que propiciem a formulação e avaliação de ações afirmativas para afros- descentes; criação de instrumentos de intercâmbios entre os núdeos de estudos afro- brasileiros e outros grupos acadêmicos correlatos, com 0 objetivo de subsidiar politicas institucionais do sistema de ensino; - fomento e consolidação de experiências de pesquisa e extensão na área de formação de professores para superação de práticas de racismo e de discriminação; - estímulo a criação e desenvolvimento de programas de estudos africanos, na perspectiva sócio-cultural e étnica O programa Afroatitude tem por objetivo, aproveitar uma das ações afirmativas implantadas na Universidade de Brasília que é 0 projeto de cotas para pessoas afrodescendentes, para que estas pessoas se transformem em protagonista das ações de prevenção voltadas para seus pares. O estudante afrodescendentes, em vários casos, e também estudantes de baixa renda. A bolsa de iniciação científica, extensão e/ou monitoria não é apenas um meio para que 0 estudante tenha ferramenta para permanecer na universidade. A bolsa prevista nesse projeto possibilitará ao estudante desenvolver atividades de iniciação científica em atividades de extensão e monitoria com contribuições intelectuais para a comunidade e ao meio acadêmico, além de contribuir para sua formação profissional.

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Projeto: Estudo clínico, epidemiológico e molecular do HIV/Aids em usuários de drogas injetáveis e presidiários de Mato Grosso do Sul e caminhoneiros de Goiás, Brasil Central.
Coordenador: SONIA MARIA OLIVEIRA ANDRADE
Resumo: A disseminação da epidemia global da Aids, tanto nos países desenvolvidos como nos pa-íses em desenvolvimento (os da África subsaariana, seguidos daqueles das Américas Central e do Sul e dos países do sudeste da Ásia), tem determinado um impacto sócio-econômico de gran-des proporções, e afetado seriamente as estruturas dos sistemas de saúde destas regiões (WHO, 2005). De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, estimava-se existirem, até 2003, aproximada-mente 600 mil pessoas vivendo com o vírus da imunodeficiência humana (HIV) em torno de 258 mil casos de AIDS notificados desde o inicio da epidemia, com incidência de 9,8/100.000 habi-tantes em 2003 (Ministério da Saúde, 2004). Quanto à forma de transmissão 81% dos infectados teriam adquirido o vírus pela via sexual, 75% destes por meio de relações heterossexuais. Os usuários de drogas injetáveis corresponderiam a 10% do total de casos em escala mundial, en-quanto as transfusões de sangue responderiam por 5% do total de casos. Dos casos de AIDS, aproximadamente 19 mil pessoas adquiriram a doença por meio do uso de drogas injetáveis. Vários trabalhos têm relatado altas prevalências de HIV na população de usuários de drogas inje-táveis e na população prisional. Quanto aos UDI, o elevado risco de aquisição desta infecção está relacionado compartilhamento de agulhas e seringas e ao comportamento sexual de risco. Quanto à população prisional, é fato bem conhecido que, em algumas prisões, fatores como comporta-mento sexual de risco e história de uso de drogas injetáveis, aumentam a prevalência para a aqui-sição do HIV. Os caminhoneiros também têm sido considerados com comportamento de risco elevado para exposição a este agente. O longo período que estes indivíduos permanecem fora de casa favorece a busca por relações sexuais ocasionais, incluindo profissionais do sexo. Além disso, o uso abu-sivo de álcool torna-os vulneráveis a práticas sexuais inseguras (RAO et al. 1999; GIBNEY et al. 2001). O Estado de Mato Grosso do Sul possui uma extensão territorial de 358.158.70 km, área de fronteira 336.874 km, 77 municípios, população de 2.198.640 habitantes, densidade popula-cional de 5,66 hab/km, rota de caminhoneiros 17.500, turismo de 335.026, taxa de urbanização de 60%, cobertura de esgoto sanitário é de 17,54%, abastecimento de água de 78,25% e taxa de analfabetismo é de 11,19% (Brasil, 2005). A base econômica do Estado é predominante agrope-cuária, com maior concentração de renda nos centros urbanos. A epidemia da Aids surgiu em Estado de Mato Grosso do Sul no ano de 1984, coincidindo com os demais Estados da União. Atualmente, ocupa o 13º lugar em nível nacional, de casos acumulados totalizando 2.932 casos notificados. O município de Campo Grande ocupa o primeiro lugar entre os municípios do Esta-do com 1.662 casos notificados, logo após temos os municípios de Dourados, Três Lagoas, Co-rumbá e Ponta Porá como municípios de maior número de casos. A faixa etária mais acometida está entre 20 a 34 anos, dentre os casos notificados, 35.95% são pessoas do sexo masculino e 18.10% do sexo feminino, do total de casos 2.620 está entre 20 a 49 anos dando um índice de 89.35%, acima de 50 anos são 6,68% , de 15 a 19 nos somam 2,55% e de 01 a 14 3,66%. Considerando a escassez de estudos regionais, as altas prevalências de HIV em usuários de drogas injetáveis e em população prisional associada à complexidade sociodemográfica veri-ficada no território nacional, com as decorrentes diferenças regionais nessas populações de estu-do, o presente projeto objetivas a determinação da prevalência de HIV nesses grupamentos popu-lacionais expostos a riscos, bem como a investigação dos fatores de risco associados a esta infec-ção, além da investigação da variabilidade genética de amostras virais circulantes nestas popula-ções, o que possibilitará a determinação mais precisa dos subtipos virais envolvidos na dissemi-nação deste agente em nossa região, permitindo a elaboração de estratégias eficazes para seu controle. O desconhecimento sobre a prevalência da infecção pelo HIV em usuários de drogas injetá-veis e em prisioneiros em Campo Grande, e em caminhoneiros em Goiás, bem como sobre os principais fatores de risco associados à infecção constitui-se problema relevante. Associa-se a esta lacuna de conhecimento a não identificação dos principais subtipos circulantes do HIV nesses gru-pos e a não existência de avaliação clínica da referida população. Considerando que Mato Grosso do Sul, segundo o censo penitenciário de 1995, tinha uma população carcerária de 3.139 pessoas e uma população estimada de 3500 encarcerados em 2001, com uma proporção de 164,1 presos por 100 mil habitantes, o estado fica abaixo, apenas de São Paulo, no ranking brasileiro; que cerca de 75% da população carcerária do estado concentra-se nas unidades prisionais de Campo Grande; que a existência de fronteira seca com a Bolívia e o Para-guai propiciam a comercialização e uso de drogas em Mato Grosso do Sul; que a BR-153 que pos-sibilita o deslocamento motorizado do Rio Grande do Sul ao Pará, justifica-se a realização de uma pesquisa que conjuga ações diagnósticas, educativas e assistenciais para este contingente popula-cional. A pesquisa aqui proposta configura-se, portanto, como pertinente e relevante do ponto de vista geográfico, epidemiológico e social.

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Projeto: Sífilis: Perfil Epidemiológico e Aplicação de Técnicas Moleculares para o Diagnóstico e Controle da Infeccção Congênita
Coordenador: Tereza Cristina de Oliveira Corvelo
Resumo: Segundo informações da Organização Mundial da Saúde, a sífilis ainda é um grave problema de saúde pública, principalmente em se tratando da sífilis congênita. A erradicação da sífilis adqui-rida é remota mesmo nos países desenvolvidos em virtude dos fatores de risco envolvidos (promis-cuidade sexual, uso de drogas ilícitas, co-infecção com o vírus da imunodeficiência adquirida e o pouco uso de preservativos pela população sexualmente ativa). No entanto, a eliminação da sífilis congênita é possível, devido o diagnóstico e tratamento no período pré-natal. Em virtude da importância epidemiológica da sífilis congênita (SC), desde 1986 ela é de no-tificação compulsória no Brasil; porém, devido à ausência de uniformidade no diagnóstico e con-duta, bem como, as falhas no mecanismo de notificação, sabe-se que a freqüência da doença é bem maior do que a demonstrada pelos números oficiais, principalmente em se tratando da Região Nor-te e Nordeste do país. Apesar dos esforços conjuntos entre as três esferas de governo (Governo Federal, Estadual e Municipal) ainda persiste a problemática da subnotificação dos casos de sífilis congênita (9, 24, 25, 26, 27, 32) Foram notificados à Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará, no período de 1990 a 1996, um total de 151 casos de SC. Já no período de 1998 a 2000, apenas cento e cinco casos de SC foram registrados no Estado do Pará (27, 29). Em 2000, dos 27.451 nascidos vivos na região me-tropolitana de Belém, apenas 8 casos de SC foram notificados ao SINAN. Ainda a exemplo desta situação, consoante dados oficiais, no ano 2000 foram notificados apenas vinte e nove casos de SC em toda região norte do país. (25, 28) Damasceno (2005), mostrou que no período de fevereiro a dezembro de 2004, do total das pacientes internadas na maternidade da F.S.C.M.PA, em trabalho de parto, 1,27% (75/5.902) ti-nham sífilis, sendo que estas mães deram a luz a 76 crianças com sífilis congênita. Estudos mos-tram que a prevalência de sífilis entre as mulheres grávidas variou de 0,6% na Korea à 6,3% no Paraguai. No Brasil, estudos sentinela mostram prevalência de sífilis em 1,7% das gestantes27, sendo estes dados ratificados pelos trabalhos de Guimarães (2000)(27) com 1,7% e Rassy (2003), que estudando um período de dois anos e meio, encontrou 1,73% de puérperas com sífilis na F.S.C.M.PA. A população atendida pela F.S.C.M.PA, Hospital das Clínicas Gaspar Viana e pela Unidade de Saúde do Telégrafo é geralmente de classe sócio-econômica baixa (13), provenientes da periferia de Belém e de localidades do interior do Pará, vivendo muitas vezes em péssima condições de ha-bitação, saneamento e de baixo nível sócio-cultural1,10. Estudar esta população para se traçar o per-fil sócio-econômico-cultural mais abrangente é de fundamental importância como instrumento de intervenção do processo saúde-doença; além de auxiliar no desenvolvimento de programas assis-tenciais voltados para as reais necessidades dessa população que está sendo exposta à aquisição da infecção pelo T. pallidum. A importância de se estudar a infecção pelo T. pallidum, reside no fato de que uma mulher grávida com sífilis pode transmitir a doença para o feto, se esta não for adequadamente diagnosti-cada e tratada. Isto é, a sífilis não tratada ou com tratamento incompleto durante a gestação pode afetar profundamente o concepto, resultando em aborto espontâneo, nascimento prematuro, morte perinatal, baixo peso, alterações ósseas entre outras manifestações de caráter prejudicial para o desenvolvimento do bebê, contribuindo assim para elevação nos índices de morbi-mortalidade in-fantil (2, 8, 28, 39, 40). Em virtude da gravidade desta doença e dos estudos soroepidemiológicos rea lizados em Belém, os quais mostram elevada prevalência da SC e a dificuldade do sorodiagnóstico disponível na rotina em detectar os casos de infecção nos recém-nascido, é de fundamental impor-tância estudar técnicas não convencionais, assim como, Western Blot IgM e Reação em Cadeia de Polimerase (PCR) na detecção da infecção pelo T. pallidum, na triagem de rotina de espécimes clínicas, pois poderão contribuir para o diagnóstico mais acurado da sífilis congênita e melhorar o sistema de notificação dos casos. Assim, na interface materno-infantil existe a necessidade de investigar a eficiência e a dispo-nibilidade de modernas técnicas de diagnóstico molecular, visto que a precisão dos resultados é essencial para aplicação das medidas terapêuticas, avaliação do prognóstico, erradicação e/ou con-trole epidemiológico da doença.

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Projeto: A influência do perfil imunogenético do hospedeiro e de fatores virais (co-infecção) no risco fetal em mulheres portadores do HIV-1 nos Estados do Pará, Amapá, Acre e Tocantins.
Coordenador: MARLUISA OLIVEIRA GUIMARAES ISHAK
Resumo: O referido projeto abrangerá as seguintes Unidades: Pará: Unidade de Referência para Doenças Infecciosas e Parasitárias (URE-DIPE), que é um órgão pertencente à Secretaria Executiva de Saúde Pública do Estado do Pará (SESPA), Belém; Unidade de Referência Especializada Materno-Infantil Adolescência (URE-MIA), subordinado à SESPA, Belém; Casa Dia, instituição pertencente à Secretaria Municipal de Saúde de Belém. Amapá: Serviço de Assistência Especializada (SAE), Macapá. Acre: Serviço de Assistência Especializada (SAE) e maternidade de referência "Bárbara Heliodora", Rio Branco. Tocantins: Serviço de Assistência Especializada (SAE), Macapá, que atende pacientes provenientes de Palmas, Miracema, Tocantínia, Miranorte, Novo Acordo, Guaraí, Natividade, Dianópolis e Novo Alegre, além daqueles oriundos de municípios de Mato Grosso e do Sul do Pará. Todas as Unidades e Serviços de referência para o acompanhamento clínico-laboratorial das mulheres grávidas portadoras do HIV-1 localizam-se nas capitais dos Estados e, no caso de Macapá e Rio Branco, recebem pacientes provenientes de todos os municípios dos referidos Estados. A população beneficiada será a de mulheres grávidas portadoras do HIV-1 e/ou com Sida/Aids, atendidas em Unidades de Referência do Sistema Único de Saúde (SUS) nos Estados do Pará, Amapá, Acre e Tocantins e os seus conceptos, que serão avaliados quanto à aquisição da infecção pelo HIV-1 via vertical. A prevalência da infecção por agentes virais, como o HTLV-1/2, o vírus da hepatite B (HBV) e o citomegalovírus humano (CMV) ainda é pouco conhecida na população de mulheres grávidas portadoras do HIV-1 na Região Norte do Brasil. A influência destas co-infecções no risco fetal para a aquisição do HIV-1, assim como o perfil de mutações no gene Mbl, o status imunológico (número de linfócitos T CD4+) e virológico (carga viral plasmática e subtipo do HIV-1) do hospedeiro, são pouco conhecidos na referida população. A situação epidemiológica de co-infecções virais apresentadas pelas grávidas portadoras do HIV-1 e a influência destas e do perfil imunogenético das mulheres no risco fetal para a aquisição da infecção pelo HIV-1, ainda é pouco conhecida no Brasil e, particularmente, no Estado do Pará. No presente projeto, as mulheres grávidas portadoras do HIV-1 que forem realizar seu exame pré-natal no SUS, na sua grande maioria de baixo poder aquisitivo, serão avaliadas quanto à presença de mutações no gene Mbl e de algumas infecções virais (HTLV, HBV e CMV), durante o período gestacional, para a verificação e quantificação dos fatores de risco (como a presença de mutações no HIV-1 e de co-infecções virais), que podem estar associados à transmissão vertical dos agentes aos seus conceptos, caso seja confirmada tal infecção. Desta forma, o presente projeto visa, de forma pioneira na Região Norte do Brasil, o conhecimento a respeito da presença de co-infecções nas mulheres grávidas, assim como os fatores de risco associados, os quais possibilitarão traçar estratégias para o diagnóstico e para a conduta clínica-terapêutica destas pacientes, os quais poderão diminuir, ainda mais, a taxa de transmissão vertical do HIV ou dos outros agentes estudados.

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Projeto: Fatores de risco para infecção pelo HIV da população de HSH da Região Metropolitana de Campinas, Brasil
Coordenador: MAEVE BRITO DE MELLO
Resumo: Ao final do projeto, será feita a caracterização dos subgrupos de HSH masi vulneráveis à infecção pelo HIV, através de fatores sócio-demográficos, comportamentais e ambientais na região metropolitana de Campinas, SP, a caracterização da rede social de HSH na região metropolitana de Campinas, a inter-relação entre os subgrupos de HSH e entre estes e a população não-HSH. Será também estudada a associação entre comportamento sexual declarado e a infecção por sífilis. Além disso, será possível determinar a proporção de HSH atingido pelas diferentes ações de prevenção de ONG e do setor público e a intensidade dessas ações, assim como estimar o tamanho da população e a prevalência de HIV e sífilis na população de HSH da região metropolitana de Campinas.

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Projeto: INFECÇÃO PARACOCCIDIÓIDICA E PARACOCCIDIOIDOMICOSE (DOENÇA) EM INDIVÍDUOS CO-INFECTADOS COM HIV. ESTUDO CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO EM MATO GROSSO DO SUL.
Coordenador: ANA MARIA MELLO MIRANDA PANIAGO
Resumo: Desenvolver ações do Projeto INFECÇÃO PARACOCCIDIÓIDICA E PARACOCCIDIOIDOMICOSE (DOENÇA) EM INDIVÍDUOS CO-INFECTADOS COM HIV. ESTUDO CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO EM MATO GROSSO DO SUL que visa a analisar os aspectos clínico-epidemiológicos da co-infecção HIV/ P. brasiliensis e da co-morbidade aids/PCM, com vistas a racionalizar condutas diagnósticas, terapêuticas e profiláticas.

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Projeto: Sífilis: Análise Molecular de Tecido de Placenta e Cordão Umbilical, como método diagnóstico da infecção congênita.
Coordenador: ELIETE DA CUNHA ARAUJO
Resumo: Na prática clínica há uma grande problemática em relação ao diagnóstico laboratorial da sífilis congênita, pois o sorodiagnóstico disponível na rotina pode levar a resultados falso-positivos e falso-negativos em virtude de inúmeros fatores de ordem técnica (execução dos testes), até aqueles relacionados com a dinâmica de passagem de imunoglobulina da mãe para o feto (gera resultados falso-positivos) (1,4,10,16, 33). Em conseqüência desta realidade encontrada na rotina clínica, torna-se essencial buscar e testar novas técnicas, a exemplo da PCR, como método de confirmação do diagnóstico de infecção pelo Treponema pallidum dos neonatos com suspeita de sífilis, pois dessa forma os casos suspeitos serão confirmados ou não sendo tratados todos aqueles que possuírem realmente a infecção pelo agente, levando a diminuição dos gastos com medicamento e também não expondo os recém-nascidos sem infecção (suspeitos) a antibioticoterapia. Somando-se a esta necessidade, esta pesquisa propõe mostrar a reprodutibilidade do uso de amostra de tecido de placenta, cordão umbilical e sangue de cordão umbilical como material biológico alternativo para ser usado no diagnóstico molecular. Além da dificuldade que se encontra no diagnóstico sorológico, outro problema enfrentado é o problema da subnotificação dos casos de sífilis congênita. Este fator, em especial na Região Norte, dificulta a vigilância epidemiológica da doença e conseqüentemente o desenvolvimento de planos de intervenção no processo saúde-doença. Utilizar técnicas modernas e eficientes no diagnóstico da SC é um meio de melhorar a cobertura de tratamento dos casos de sífilis, tornar mais efetiva as ações de controle da doença (notificação dos casos, vigilância epidemiológica, criação de programas, etc). A população atendida pela F.S.C.M.PA é de baixa renda em sua grande, provenientes da periferia de Belém e de localidades do interior do Pará, vivendo muitas vezes em péssima condições de habitação, saneamento e de baixo nível sócio-cultural (1,8,19,26). Estudar esta população é importante para se conhecer os aspectos sócio-econômico-cultural, além de mostrar a reprodutibilidade da PCR como método diagnóstico, usando material de placenta, cordão umbilical e sangue de cordão umbilical. Conhecer fundamental importância como instrumento de intervenção do processo saúde-doença; além de auxiliar no desenvolvimento de programas assistenciais voltados para as reais necessidades dessa população que está sendo exposta à aquisição da infecção pelo T. pallidum. Puérperas que durante a triagem do pós-natal forem diagnosticadas como soropositivas para infecção pelo Treponema pallidum, atendidas na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA), provenientes da capital e do interior do Estado do Pará. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 12 milhões de novos casos de sífilis ocorrem a cada ano, com mais de 90% destes ocorrendo em países em desenvolvimento.(35) Em muitas regiões do país mais de 95% das grávidas freqüentam o serviço de pré-natal, e cerca de 91,5% têm os bebês na maternidade, no entanto, a morbidade e mortalidade materna e perinatal permanecem altas, refletindo deficiências importantes no atendimento (20,21,22). O coeficiente de mortalidade por sífilis no Brasil foi de 2,45/1.000.000 habitantes em 1980, diminuindo continuamente até níveis de 1,02/1.000.000 em 1995, um decréscimo de 58,2% em 15 anos. Houve uma tendência de queda destes coeficientes de 1980 a 1995, embora as regiões Norte e Nordeste tenham apresentado taxas ascendentes, nos primeiros 5 anos. A sífilis congênita apresentou coeficientes mais elevados, o máximo de 8,87/100.000 menores de um ano na região Norte, em 1985, e o mínimo de 1,33/100.000 menores de um ano na mesma região, em 1980. A região Nordeste apresentou elevação de coeficientes de 120% de 1980 a 1990, com queda discreta (11,5%), até 1995 (15) Melo e colaboradores (2001), realizaram um estudo epidemiológico retrospectivo de sífilis congênita na Fundação Santa Casa de Misericórdia - Pará (F.S.C.M. - PA), em um período de dez anos (1990-2000), foram detectados e analisados 152 prontuários de crianças com diagnóstico de SC, dos quais obtiveram as seguintes informações a cerca das mães: 34,3% da amostra eram mães solteiras; a ocupação dona de casa foi observada em 28,9 %, entre as mães estudadas a idade variou de 12 a 40 anos, com média de 22 anos. Apenas 13,2 % delas realizaram pré-natal. Foi observado ainda que 32,2% dos RN eram assintomáticos e 44% eram prematuros e de baixo peso. Outros sinais clínicos também observados foram: icterícia, hepatomegalia, esplenomegalia, lesões de pele e lesões ósseas. O VDRL foi reator em 137 recém-nascido (RN), com titulação variando de 1/2 a 1/512, vinte e seis RN evoluíram para óbito e destes, 50% de suas mães não realizaram pré-natal. Além desses trabalhos, outros mostram que a prevalência da sífilis congênita é alta e que inúmeros fatores de risco estão envolvidos como: promiscuidade sexual, uso de drogas ilícitas, pouco uso de preservativo e uso de bebidas alcoólicas. Além disso, reforçam a necessidade de melhorar o sistema de notificação dos casos de sífilis congênita, pois a subnotificação na Região Norte é um problema agravante que não revela a verdadeira magnitude da doença. (1,8,19,23, 26)

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Projeto: Diversidade Genética de variantes dos papilomavírus humanos associados ao câncer cervical em mulheres co-infectadas com o vírus da imunodeficiência humana do tipo I no Distrito Federal e entorno.
Coordenador: Marcelo Macedo Brígido
Resumo: O presente projeto tem o objetivo de caracterizar os variantes de HPVs dos genótipos de alto risco, encon-trados na população de mulheres co-infectadas com o HIV-1 no Distrito Federal e entorno. Essa população em geral apresenta alta taxa de infecção pelo HPV, além de grande diversidade de genótipos de alto risco. Esse estudo deverá subsidiar projetos futuros sobre: - risco de progressão desses variantes para o câncer, - resposta imune associada a vacinas contra os HPVs, - resposta de diferentes variantes aos tratamentos preconizados na terapia anti-HPV, - possíveis correlações entre o variante de HPV de alto risco, marcadores da infecção por HIV e uso de terapia anti-retroviral. Os resultados a serem obtidos, juntamente com os dados que já foram gerados a partir de amostras de mu-lheres HIV negativas, nos permitirão definir um perfil de variantes dos HPVs de alto risco oncogênico que ocorrem na região central do país, em especial no Distrito Feceral e entorno, uma área urbana de grande importância na Região Centro-Oeste. Com esses resultados, esperamos contribuir para um melhor entendimento da variabilidade genética do HPV em nossa região. Além disso, estudos futuros em outras localidades da região Centro-Oeste poderão ser realizados em projetos ampliados de colaboração interinstitucionais. Ao final da execução dos produtos intermediários do referido projeto pretendemos ter definido as caracterís-ticas genéticas dos variantes de HPVs para os genótipos com alto risco de progressão para o câncer, que ocorrem em mulheres co-infectadas com o HIV-1 no Distrito Federal e entorno. Esse estudo poderá: 1 - fornecer dados epidemiológicos quanto aos variantes de HPVs de alto risco que ocorrem em um impor-tante centro urbano da Região Centro-Oeste, em comparação com aqueles descritos em outras regiões do Brasil e do mundo; 2 - subsidiar estudos futuros sobre a patogenicidade de diferentes variantes de HPVs de alto risco oncogêni-co; 3 - contribuir para estudos futuros sobre a imunogenicidade dos variantes de HPV de diferentes genótipos de alto risco e suas implicações no uso de vacinas na região Centro-Oeste; 4 - auxiliar na orientação mais adequada do tratamento das mulheres apresentando lesões pré-malignas e malignas associadas ao HPV; 5 - estabelecer possíveis correlações entre a infecção com diferentes variantes de HPV, marcadores da in-fecção pelo HIV-1 e tratamento anti-retroviral; 6 - contribuir para a formação de pessoal em nível de pós-graduação (Mestrado e Doutorado) já que uma estudante de Mestrado e uma de Doutorado estarão desenvolvendo seus trabalhos práticos no âmbito do projeto; 7 - justificar colaborações inter-institucionais na Região Centro-Oeste para estudos mais amplos sobre o tema em questão.

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Projeto: Estudo sobre o potencial de adesão de entidades do movimento negro ao enfrentamento da epidemia de HIV/Aids na Regiao Sul do Brasil.
Coordenador: Denise Fagundes Jardim
Resumo: O projeto tem o objetivo de subsidiar a formulação de políticas públicas (federais e/ou estaduais) de apoio a ações anti - HIV/Aids no movimento negro. O produto inclui-rá o mapeamento das OSC e das redes de organizações do movimento negro na região sul, que incluam ou não a luta anti - Aids nas suas agendas e ações; para poder avaliar tanto a relevância e impacto das ações destas instituições sobre as populações - alvo; quanto os fatores facilitado-res e limitantes à realização de ações de prevenção ao HIV e ao adoecimento por Aids na popula-ção atendida pelas instituições.

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Projeto: Análise das internações hospitalares de pessoas vivendo com HIV/Aids no Sistema Único de Saúde - SUS - no período de 1992 a 2005.
Coordenador: CARLOS DAVID NASSI
Resumo: Objetivo Geral: Analisar as informações de internação das pessoas vivendo com HIV e Aids contidas no SIH - Sistema de Informação Hospitalar objetivando conhecer os indicadores operacionais e o perfil de morbi-mortalidade, de modo a contribuir para o adequado gerenciamento da rede de assistência hospitalar. Objetivos Específicos: Extrair os dados das AIH de internação convencional e leito dia processadas no período de 1992 a 2005; Identificar os principais indicadores e construir outros que venham aprimorar a estimativa de leitos para internação de pessoas vivendo com HIV e Aids; Analisar os dados obtidos e sistematizados por regiões e Unidades da Federação; Identificar se há correlação entre estado imunológico e frequência de internações na tentativa de obter um indice que possa apoiar a estimativa de necessidade de leitos. Produto Final: Descrição e análise das internações hospitalares de pessoas vivendo com HIV e Aids com a finalidade de produzir indicadores que possam subsidiar os gestores no dimensionamento da necessidade de leitos e capacitação dos profissionais nas suas respectivas regiões, Estados e Municípios.

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Projeto: Avaliação do Uso de Amostras de Sangue Seco como Estratégia Inovadora para Monitoramento Laboratorial de Pessoas Vivendo com HIV/Aids.
Coordenador: RICARDO DA SILVA DE SOUZA
Resumo: A introdução de novos programas que estimulem a identificação de indivíduos soropositivos deve estar associada a programas que propiciem o correto monitoramento por meio de carga viral (quantificação do RNA viral) e contagem de células T CD4 e CD8 dos indivíduos identificados com infecção. Todos os fatores que facilitem o acesso e monitoramento do soropositivo no sistema de saúde devem ser otimizados para que estes tenham os benefícios dos recursos já desenvolvidos pelo sistema nacional de luta contra a doença. O presente projeto visa validar as técnicas tanto para a quantificação do RNA viral do HIV-1, quanto para contagem de linfócitos T CD4/CD8 em sangue seco coletado em papel-filtro.

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Projeto: Caracterização clínico-epidemiológica e molecular da infecção Vírus Linfotrópico de células T humanas em pacientes com Paraparesia Espástica Tropical/ Mielopatia Associada ao HTLV (PET/MAH)
Coordenador: ANTONIO CARLOS ROSARIO VALLINOTO
Resumo: Ao ser diagnosticada a infecção pelo HTLV o Ministério da Saúde (2004) recomenda, inicialmente, aconselhamen-to do paciente, esclarecendo as diferenças entre o HTLV e o HIV. A maioria dos indivíduos infectados pelo HTLV não desenvolve doença, permanecendo assintomáticos pelo resto de suas vidas. Esse fato tem implicações importantes no aconselhamento e avaliação prospectiva dessa população. Os portadores do vírus devem ser submetidos a anamnese, exame físico geral e avaliação neurológica sumária, objetivan-do a identificação de manifestações precoces de doenças (MS, 2004). O HTLV-1 vem sendo associado com algumas patologias humanas. Destas, a PET/MAH caracteriza-se por ser uma doença desmielinizante crônica e progressiva, associada à infecção pelo HTLV-1, e que afeta predominantemente a coluna vertebral. Relata-se que esta doença afeta entre 0,2 e 5% dos indivíduos infectados na quarta década de vida (Vernant et al., 1987; Kaplan et al., 1990; Osame et al., 1991). Os sintomas iniciais mais prevalentes de PET/MAH são fraqueza e rigidez dos membros inferiores (Osame et al., 1987; Vernant et al., 1987). Outros sintomas comumente presentes são dor lombar, um grau variável de perda sensorial e distúrbios da bexiga, tal como urgência urinária e incontinência. Com o progresso da doença, constipação, megacó-lon, impotência sexual, dor durante a ereção peniana e decréscimo da libido podem se tornar aparentes. Hiper-reflexia dos membros inferiores e sinal de Babinski são geralmente vistos inicialmente no curso de PET/MAH (Ferreira Jr. et al., 1997). A doença freqüentemente progride mais rapidamente após um período de 5-10 anos e então tende a se esta-bilizar com níveis severos de disabilidade crônica (Kira et al., 1991). O HTLV-1 tem sido também implicado como agente etiológico de outras doenças, incluindo alguns casos de poli-miosite, poliartrite e uveíte (Morgan et al., 1989; Mochizuki et al., 1992; Nishioka et al., 1993; Mochizuki et al., 1994). Dermatite infecciosa em crianças e estrongiloidíase virulenta têm sido descritas em pacientes portadores de HTLV-1 com PET/MAH, geralmente em áreas endêmicas como Japão e Caribe (LeGrenade et al., 1990; Patey et al., 1992). O HTLV-1 também tem sido associado a uma forma de artrite em pacientes infectados, denominada de artropa-tia associada ao HTLV-1 (Nishioka et al., 1993; Yamamoto et al., 1995). Artrite tem sido descrita em pacientes com PET/MAH e um subgrupo soropositivo para HTLV-1 apresentou artropatia inflamatória crônica (Nishioka et al., 1993). HTLV-2 foi isolado inicialmente de uma linhagem de células T (Mo-T) derivada de um paciente com uma forma variante rara de leucemia de célula pilosa (Kalyanaraman et al., 1982). Num segundo paciente com uma leucemia de célula T CD8+ e coexistente leucemia de célula B pilosa foi detectada infecção por HTLV-2 (Rosenblatt et al., 1986). Contudo, uma associação entre leucemia de célula pilosa e HTLV-2 ainda não foi confirmada. Aparentemente o H-TLV-2 parece desempenhar um papel em desordens linfoproliferativas de células T. HTLV-2 tem também sido detec-tado em um pequeno número de pacientes com mielopatia espástica e graus variáveis de ataxia (Hjelle et al., 1992; Harrington Jr. et al., 1993). Além disso, uma síndrome neurológica similar a PET/MAH tem sido descrita em raros pacientes co-infectados com HIV-1 e HTLV-2 (Rosenblatt et al., 1992) e pelo menos um paciente infectado com HTLV-2 tem sido identifica-do com uma doença neurológica progressiva crônica clinicamente indistinguível de PET/MAH (Jacobson et al., 1993; Silva et al., 2002), neste paciente, nenhum outro retrovírus humano pôde ser detectado, sugerindo que ambos HTLV-1 e HTLV-2 podem estar diretamente relacionados a PET/MAH. O presente projeto busca a caracterização clínico-epidemiológica e molecular da infecção pelo Vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV) infectando pacientes com PET/MAH por meio da avaliação clínico-laboratorial dos paci-entes. Será desenvolvido na cidade de Belém, capital do Estado do Pará, e abrangerá indivíduos de ambos os sexos, candidatos a doadores de sangue na Fundação HEMOPA que apresentarem sorologia positiva para a infecção pelo HTLV e pacientes atendidos no ambulatório de neurologia do Hospital Universitário João de Barros Barreto. O estudo será fundamental para o conhecimento da prevalência e do perfil do HTLV na região estudada e para auxiliar no esta-belecimento das condutas diagnósticas e de seguimento clínico-terapêutico mais adequadas.

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Projeto: Estudo sobre as condições de acesso da população negra autodeclarada sexualmente ativa ao diagnóstico e tratamento do HIV/Aids.
Coordenador: Maria Fátima de Sousa
Resumo: A trajetória de disseminação do HIV e da aids no Brasil vem sofrendo constantes alterações. Por um lado, devido à história natural da infecção com suas implicações sociais, culturais e biológicas, e por outro, pela resposta do governo e da sociedade à epidemia. (Ministério da Saúde, 2000). Estudos mostram que o HIV/aids vem atingindo cada vez mais as camadas menos favorecidas. A vulnerabilidade da população negra à infecção pelo HIV seria conseqüência da violência estrutural que incide de modo perverso sobre este grupo, principalmente nas comunidades pobres, evidenciando a necessidade de políticas de inclusão que estejam de acordo com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde, principalmente no que se refere ao acesso universal e equidade. A exclusão social a que este extrato social está submetido, no caso específico da população negra - que com relação à epidemia ainda está até certo ponto invisível, tendo em vista a precariedade quanto a insuficiência de dados qualificados no que se refere a raça/cor -, bem como a atual tendência de interiorização e pauperização da epidemia, trazem em seu bojo a necessidade de uma reflexão sobre a vulnerabilidade das populações, considerando a diversidade étnica e racial como de fundamental importância para a prevenção, a assistência e a garantia dos direitos humanos desses cidadãos. Nesse contexto, o estudo ora proposto visa produzir dados e informações que contribuam para a proposição e planejamento de ações que ampliem o acesso da população negra ao diagnóstico e tratamento. Ao final do projeto a instituição deverá apresentarRelatório analítico contendo o diagnóstico sobre as condições de acessibilidade da população alvo ao teste diagnóstico para HIV e ao tratamento para a doença e que apontem diretrizes que venham a contribuir para melhorar o acesso dessa população aos serviços de saúde. Pretende-se ainda a partir dos resultados encontrados produzir artigos científicos visando a divulgação desses resultados.

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Projeto: Aspectos sócio-epidemiológicos e clínicos da população negra/parda com HIV/aids acompanhada em serviço público de referência para HIVaids - Hospital das Clínicas da UNICAMP
Coordenador: FRANCISCO HIDEO AOKI
Resumo: Pretende-se ter um estudo sobre a acessibilidade da população negra/parda em comparação com a população branca quanto à prevenção, diagnóstico e tratamento de HIV/AIDS e que sirva de subsídio para que se possa proporcionar direcionamento de ações em direção a desen-volvimentos de possíveis propostas de Políticas Públicas em relação à equidade das raças, no que diz respeito à DST's e Aids. Outro produto final a ser obtido deverá ser o de captar indivíduos para que possam partici-par de uma coorte de negros/pardos e/ou também de brancos, na dependência que se pode ter do método do RDS, de acordo com o qual poderá haver convites que predominem para um grupo ou outro, dependendo das relações sociais estabelecidas. Diagnóstico e identificação de outros possíveis soropositivos para o HIV/aids, além de iden-tificar indivíduos também com outras IST's , infecção pelo vírus da Hepatite B, vírus da Hepatite C e especificamente infecção pelo Treponema pallidum, através de sorologias específicas, também farão parte dos objetivos finais do projeto. Também deverá ser formatado um banco de dados que contemplem informações relativas a aspectos de diagnósticos, clínicos gerais e específicos, sociais, epidemiológicos, de acessibili-dade desta população específica, e também a armazenagem de soros e plasmas destas popula-ções para a finalidade de realização dos testes sorológicos que identifiquem as infecções acima descritas.

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Projeto: Conhecer para Incluir: sensibilidade e potencialidade das organizações do movimento negro para a promoção da saúde e prevenção às DST/Aids.
Coordenador: Marco Akermann
Resumo: Em 2002, o Programa Estadual de Dst/Aids, em artigo conjunto com a Faculdade de Saúde Pública da USP, propunha que "o quesito cor é uma variável necessária, devendo ser adotado nos estudos e dados epidemio-lógicos sobre as Dst/Aids (e outras doenças) como um indicador da vulnerabilidade de diferentes grupos étnicos. Embora a medida, para alguns críticos, pareça 'racismo', ela possibilita a adoção de políticas públi-cas preventivas específicas e, portanto, mais eficazes. Após muitos anos de reivindicação do movimento negro, o quesito cor/raça foi finalmente introduzido nos dados de identificação da ficha de notifica-ção/investigação do SINAN-W, e o seu preenchimento deve ser feito preferencialmente pelo método de auto-classificação".(SANTOS et al,2002) Essa recomendação foi escrita após pouco mais de um ano da publicação do Boletim Epidemiológico Esta-dual intitulado Raça/Cor e Aids, que recebeu a introdução de um texto de Fernanda Lopes e Rosangela Ma-lachias que fazem um consistente resumo sobre as condições sócio-históricas e econômicas vivenciadas pela população negra, justificando a necessidade de um olhar específico para a saúde desses brasileiros. Novamente em outubro de 2003 o boletim epidemiológico foi voltado para avaliação do impacto da epide-mia de HIV/AIDS na população negra intitulado Raça/Cor e mortalidade que avalia os dados do Estado de São Paulo da implantação definitiva do SINAN-W em 2003 que permitiu a notificação de assintomáticos e a introdução do quesito raça/cor para " subsidiar a discussão a respeito da vulnerabilidade ao HIV/AIDS sob a perspectiva da questão racial e étnica" (LOPES E BATISTA, 2003). Entre as causas de óbito relacionadas às doenças infecciosas como a Aids e a Tuberculose há uma sobre-representação de homens e mulheres negros: homens pretos: 25,92/100 mil, homens brancos 14,44/100 mil; mulheres pretas 11,39/100 mil e 4,92 para 100 mil para mulheres brancas. Nossa proposta de pesquisa abrange as demandas apontadas pelo boletim, pois "ao tornar público os dife-renciais raciais e de sexo na mortalidade por Aids, os dados de nosso estudo fazem-nos repensar sobre as habilidades desta população, no tocante a elaboração e manutenção das estratégias para a prevenção da (re)infecção; o acesso aos serviços de saúde especializados no acompanhamento e tratamento de pessoas que vivem com HIV/Aids e a qualidade destes serviços..."(Boletim Epidemiológico, out/2003) Outra referência fundamental é o Programa Estratégico de Ações Afirmativas: população negra e Aids da Coordenação Nacional de Dst/Aids do Ministério da Saúde, que foi alicerçado sobre a matriz do Plano Plu-rianual (PPA)2004-2007 e do Plano Nacional da Saúde (PNS), que referenciam a necessidade de diminuição da iniqüidade observada na vivência do acesso, diagnóstico e tratamento de uma série de agravos à saúde da população negra, incluindo a infecção de HIV/Aids. O PNS destaca a necessidade de priorização de um olhar voltado para população negra sobre os aspectos que envolvem as Dst/Aids, incluindo um eixo específico sobre a mortalidade por Aids em mulheres ne-gras.(PORTARIA 2607/GM - 10 DE DEZEMBRO DE 2004) Na região do ABC paulista os serviços de Vigilância Epidemiológica não incorporavam o quesito cor até 2004 e, como conseqüência, não temos informações referentes aos casos de Aids na população negra da região. É de fundamental importância sensibilizar as entidades que trabalham com a população negra, bem como os Serviços de Saúde, já que os dados de cor na notificação dos casos de aids no Grande ABC são escassos até os dias de hoje. Ao final do Projeto a instituição apresentará: (1) Mapeamento ampliado de todos os movimentos e organizações públicas, privadas e não-governamentais implicadas com a temática da população negra, para a construção de um banco de dados precursor da rede da população negra do ABC, priorizando entidades como, Negra Sim: movimento de mulheres negras, Fre-cab: Federação Municipal dos Terreiros de Candomblé e Umbanda, Instituto Afro-Brasileiro: ONG do mo-vimento negro, Federação das Escolas de Samba, Pastoral do Negra, Educafro: curso pré-vestibular para negros e não-negros com baixo poder aquisitivo, Núcleo ROTAÇÃO: movimento de juventude negra, Insti-tuto Solano Trindade: ONG cultural voltada para a população negra etc. Num segundo momento pretende-mos envolver outras organizações não ligadas diretamente com a militância do movimento negro, mas que agregam um grande contingente dessa população, como, por exemplo, Casa de Cultura de Diadem, grupos de hip-hop, associações de capoeira, Sindicato da Construção Civil de Santo André, Sindicato das Empre-gadas Domésticas, Sindicato das Costureiras e empresas de cosméticos voltadas para o segmento da popu-lação negra. (2) Instrumento de coleta de dados com variáveis capazes de avaliar a sensibilidade e das potencialidades das organizações do movimento para ações e atividades de promoção da saúde e prevenção das DST/AIDS. (3) Banco de dados de todas as entidades mapeadas. (4) Banco de dados de entidades sensíveis e com potencial inclusão da luta anti-aids em suas agendas e atu-ações. (5) Publicação impressa e digital dos resultados do trabalho (metodologias, mapeamento, instrumento e banco de dados), de acordo com o disposto no edital do Processo Licitatório 643/2005

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Projeto: Estudo das representantes sociais de saúde e doença de adolescentes femininas afrodescendentes sobre DST/Aids.
Coordenador: STELLA REGINA TAQUETTE
Resumo: - O campo de estudo da adolescência de maneira geral e especificamente da atenção à saúde tem sido cada vez mais explorado, seja pelo aumento significativo desta população, seja por questões que a envolvem e que são socialmente muito perturbadoras, tais como a gravidez, as doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a Aids, ou ainda questões ligadas ao uso de drogas e violência. - A população brasileira que se encontra na faixa etária da adolescência é expressiva, cerca de 20% do total. O censo IBGE- 2000, mostraram a existência de 35.287.882 adolescentes de 10 a 19 anos. Tal quantidade há que ser considerada quando falamos em políticas públicas, pois estes números não podem ser ignorados no planejamento das necessidades de serviços básicos, que cabe ao Estado oferecer à população, tais como saúde, educação e trabalho. Este contingente populacional representa, sem dúvida, um dos grandes desafios da sociedade para que um futuro melhor lhe seja garantido. É necessário que conheçamos onde estes adoles-centes vivem, como vive, o que fazem, sua escolarização e possibilidades de inserção no mercado de traba-lho. - Os problemas relacionados ao exercício da sexualidade, entre eles, as doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez precoce ou indesejada têm sido destaque na área da saúde do adolescente. No sexo feminino as principais causas de morbidade hospitalar são as complicações da gravidez, parto e puerpério. - A incidência das DST entre adolescentes vem aumentando na atualidade e pode ter por conseqüência ime-diata uretrites, salpingites e, a longo prazo, infertilidade, gravidez ectópica ou câncer de colo uterino. Sabe-mos que ter uma DST aumenta a chance de infecção pelo HIV e o perfil epidemiológico da Aids mostra uma tendência a heterossexualização e ao aumento se sua prevalência em mulheres e na população de baixa renda. No Brasil não há informações sobre a prevalência de DST entre adolescentes. O número de casos notificados encontra-se bem abaixo das estimativas, pois somente a Aids e a sífilis são de notificação com-pulsória e cerca de 70% das pessoas com DST buscam tratamento em farmácias. Além disso, muitas DST são assintomáticas, principalmente entre as mulheres. - Em relação à saúde população negra, seu estudo no Brasil ainda é recente. O grupo CRIOLA liderado pela médica Jurema Werneck publicou um CD rom com uma coletânea de indicadores de desigualdades raciais e de gênero no Brasil, destacando a situação precária da mulher negra brasileira, principalmente as mais jo-vens. Esta parcela da população de adolescentes femininas afrodescendentes está sujeita a uma maior vio-lência estrutural, familiar e de gênero. As desigualdades que atingem as mulheres negras no Brasil comu-mente apontam para a presença de uma tríplice discriminação: o fato de ser mulher, negra e pobre. Desi-gualdades sociais como racismo, sexismo e pobreza são mais agudas nas faixas etárias mais jovens e nas mulheres. Pesquisa realizada por Alaerte Martins revela que o risco de morte das mulheres negras é 7,4 vezes maior do que o das brancas. Em estudo realizado no âmbito de atendimento de pré-natal e pós-parto no Rio de Janeiro destacou-se que as negras têm menor escolaridade, acesso a emprego e nupcialidade; so-frem duas vezes mais agressão física na gravidez e têm maior taxa de hipertensão arterial, diabetes, taba-gismo e sífilis. Quanto às doenças sexualmente transmissíveis, vários estudos mostram a associação entre pobreza, violência e sexo feminino com um maior risco de DST/Aids. Em relação à educação, o analfabe-tismo funcional (menos de 3 anos de estudo) é verificado em 55% da população negra e em 4% da branca. Segundo Eliane Carvalheiro, o preconceito e a discriminação afetam a criança negra que sofre direta e coti-dianamente maus tratos, agressões e injustiças, comprometendo a sua infância, seu desenvolvimento. - Em síntese, o segmento de adolescentes do sexo feminino é bastante vulnerável a problemas relacionadas à violência, gênero, raça e etnia e tem pouco acesso a benefícios sociais. Os riscos de adoecimento devidos a estas questões, principalmente quanto às DST/Aids não são suficientemente conhecidos, assim como os limites e possibilidades de acesso das mesmas aos equipamentos de saúde tendo em vista uma prática de integralidade.

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Projeto: Dinâmica da Co- Infecção Trypanosoma Cruzi-HIV na era HAART: Diagnóstico, parasitemia e influência das populações do parasito na evolução clínica e na disfunção autonômica cardíaca.
Coordenador: ELIANE LAGES SILVA
Resumo: O Triângulo Mineiro constitui uma área endêmica para a doença de Chagas, que, apesar da eficácia do controle da transmissão vetorial, ainda permanece com um elevado número de pacientes chagásicos em diferentes faixas etárias e portadores das diversas formas clínicas da doença. Além disso, essa região é um pólo de desenvolvimento agropecuário em franca expansão, cujo crescimento tem colaborado para o aumento do número de co-infectados com o HIV. A FMTM, por sua vez, é tradicionalmente conhecida, no Brasil e exterior, pelos estudos pioneiros nos aspectos patológicos e epidemiológicos da doença de Chagas. Nessa instituição a implantação do curso de Pós-graduação em Medicina Tropical e Infectologia, coordenado pelo Prof. Dr. Aluízio Prata, permitiu a integração multidisciplinar de um grupo de pesquisadores com experiência no estudo da doença de Chagas humana e experimental. Atualmente, a FMTM conta com quatro grupos de pesquisa consolidados pela CAPES, com linhas de pesquisa bem estabelecidas, produção de pesquisa regular com destaque na doença de Chagas. Esse grupo vem atuando há vários na instituição e conta com um serviço de referência regional no atendimento à pacientes chagásicos e DST/AIDS, bem estruturado, com fluxo contínuo de pacientes com cerca de 3 a 4 casos novos de HIV + por semana. Além disso, a FMTM conta com a Fundação de Ensino e Pesquisa de Uberaba (FUNEPU), que auxilia no gerenciamento de verba pública. Outro fator importante é o grande número de pacientes co-infectados em acompanhamento que permitirá a realização deste projeto. Considerando que a maioria dos dados citados na literatura é relato de casos, detectados esporadicamente em diferentes serviços. Não havendo estudos prospectivos em que se avaliem aspectos clínicos relacionados à disfunção autonômica e reativação, parasitológicos, caracterização genética do parasito e susceptibilidade à quimioterápicos, justificando a relevância deste estudo. Além disso, poderão ser criadas protocolos para indicação de tratamento profilático e/ou terapêutico, fato polêmico nessa co-infecção. A história natural da interação T. cruzi-HIV tem sido pouco descrita na literatura e a maioria dos dados se refere a relato de casos. Nessa interação participam fatores associados com o hospedeiro e com o parasito, os quais têm sido negligenciados em decorrência da falta de estudos multidisciplinares envolvendo a pesquisa básica e clínica. Na Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro de Uberaba essa integração vem sendo realizada desde 2000, e isso nos têm permitido avaliar prospectivamente do ponto de vista clínico e parasitológico um grande número de pacientes com a co-infecção T. cruzi-HIV. Considerando a história natural da infecção pelo HIV, está bem definido o caráter oportunista de diversas infecções em conseqüência da depleção do número e função de linfócitos T e depressão da imunidade celular. Assim, no contexto da infecção pelo HIV, a doença de Chagas tem ocorrido como casos de reativação clinicamente manifestos, principalmente como meningoencefalite ou, menos comumente, como miocardite ambos com elevada parasitemia, alta mortalidade, e linfócitos CD4 menor que 200 células/mm3, sobretudo, nos pacientes que não estavam em uso regular da terapia anti-retroviral altamente eficaz (HAART) (Vaidian et al, 2004). A influência do parasito na evolução clínica da infecção chagásica e na reativação ainda é uma questão aberta. Os dados na literatura demonstram que a parasitemia em pacientes portadores do HIV é significativamente maior que nos HIV negativos (Perez-Ramirez et al, 1999). Contudo, esse aumento é silencioso e pouco se sabe sobre o seu reflexo na clínica dos pacientes, pois, em sua maioria, sintomas agudos graves não são detectados. A persistência do parasito e/ou de seus produtos na fase crônica da doença de Chagas têm sido associado com a patogênese da cardiomiopatia chagásica (Higuchi et al 2003), e nos pacientes co-infectados o aumento da parasitemia no decorrer da imunodepressão poderá ser um fator co-adjuvante para a instalação da disfunção autonômica cardíaca. Apesar dos casos de reativação se associar a contagem de linfócitos CD4 abaixo de 200 células/mm3, não tem sido determinada uma definida relação entre os níveis de parasitemia e linfócitos CD4 (Sartori et al 2002), sendo também questionado se, a manutenção dos níveis normais de CD8, não contribuiria para o controle do parasito (Higuchi et al 1997) evitando, em parte, os casos de reativação. As recentes abordagens moleculares no estudo da doença de Chagas induzem novos direcionamentos na co-infecção com HIV. A PCR, devido a sua sensibilidade, especificidade e rapidez, poderá ser eficaz no diagnóstico precoce e no acompanhamento do tratamento pacientes com reativação no SNC, e a sua utilização na detecção do parasito no líquor poderá ser um indicador rápido e seguro de suscetibilidade ou resistência das cepas à ação das drogas e deve ser melhor avaliada (Lages-Silva et al 2002). A caracterização das cepas do T. cruzi quanto ao polimorfismo de tamanho da região 3' do gen 24S rRNA tem evidenciado o T.cruzi I e o T.cruzi II circulando na região do Triângulo Mineiro (Ramirez et al 2002). Apesar das implicações clínicas dessa subdivisão serem pouco abordadas na co-infecção T. cruzi-HIV, nosso grupo tem relatado a presença do T. cruzi II em pacientes reativados (Lages- Silva 2002, Lages-Silva et al 2002). Sabe-se que o T. cruzi I apresenta menor capacidade para invadir células e é mais sensível à ação da resposta imune do hospedeiro e, talvez, seja mais facilmente reativado nos casos de imunossupressão induzindo exarcebação de subpopulações do parasito. A presença do T.cruzi I em pacientes co-infectados explicaria a falta de correlação entre ausência de sintomas clínicos e/ou reativação em pacientes com elevada parasitemia e também entre os níveis de CD4. Alguns autores não encontraram diferença na distribuição de genótipos T.cruzi entre pacientes HIV + e HIV-, demonstrando, no Brasil, maior freqüência dos genótipos 30 e 32, sendo raramente detectados os genótipos 39 e 43 (Perez-Ramirez et al., 1999). Outros autores, analisando as características do kDNa observaram perfis genéticos idênticos do parasito no sangue e líquor (Lages-Silva et al 2002) Desse modo, merece destaque avaliação da influência dos diferentes genótipos do T.cruzi na evolução clínica e na indicação de tratamento específico ou profilático associado ou não a HAART. A monitoração adequada do T. cruzi nos pacientes portadores de cepas com potencial genético para invadir o sistema nervoso central, talvez possa evitar os futuros casos de reativação da doença de Chagas nos pacientes co-infectados com o HIV. A policlonalidade das cepas do T. cruzi pode apresentar implicações importantes nessa co-infecção, sobretudo no que se refere ao tratamento e à sensibilidade das mesmas à ação da resposta imune do hospedeiro. A indicação de tratamento profilático na co-infecção é controversa e pode constituir um problema diante da ocorrência de cepas naturalmente resistentes. Além disso, após imunossupressão tem sido relatado o surgimento de populações do T. cruzi diferentes da cepa parental (Brito et al 2003), sendo importante avaliar a susceptibilidade dessas populações ao tratamento específico. Diante da falta de consenso no que se refere a administração de tratamento profilático nessa co-infecção, a confirmação que o parasito pode influenciar como co-adjuvante na evolução de lesões cardíacas no decorrer da imunossupressão poderá ser um dado importante para se estabelecer protocolos ou recomendações para o acompanhamento desses pacientes. Considerando o acima exposto; a experiência e material acumulado pelo grupo no acompanhamento desta co-infecção; o fluxo contínuo de pacientes com DST/AIDS (22 pacientes co-infectados em seguimento)e as facilidades que o Curso de Pós-graduação em Medicina Tropical e Infectologia da FMTM nos oferece quanto à condução de projetos interdisciplinares, nos propomos realizar esse projeto. Desse modo, a caracterização genética das populações do T. cruzi em pacientes co-infectados com o HIV, sua e correlação com a evolução clínica, o grau de imunodepressão e uso de terapia anti-retroviral altamente eficaz (HAART) e susceptibilidade do parasito à quimioterapia "in vitro", poderá elucidar vários aspectos obscuros dessa interação.

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Projeto: Acesso ao diagnóstico e tratamento do HIV/Aids entre a população negra no municipio do Rio de Janeiro.
Coordenador: CARLA LUZIA FRANCA ARAUJO
Resumo: O trabalho de campo será realizado em 03 CTAs do município do Rio de Janeiro, um no centro (AP 1) , outro na zona sul (AP 2) e outro no subúrbio (AP 3). Optou-se pôr coletar os dados nestes serviços por estarem me áreas com perfil sócio-econômico diferentes, e pôr considerar que o CTA no município do Rio de Janeiro já é de conhecimento da população quanto à possibilidade de realização do teste anti-HIV. Para a coleta de dados utilizamos a entrevista semi-estruturada, a fim de obter os informes contidos na fala dos sujeitos. O roteiro de entrevista está constituído de 03 partes: a primeira voltada para a caracteri-zação dos sujeitos; na segunda verifica-se como se deu o acesso ao teste do anti-HIV e ao tratamento do HIV/Aids; e a terceira investiga os fatores que facilitam e/ou dificultam este acesso ao diagnóstico e trata-mento, bem como, sugestões para melhoria no acesso a estes serviços. Como diz Minayo (1993) o roteiro é "um instrumento para orientar uma" conversa com finalidade "que é a entrevista (...) " (pag 99). Os sujeitos serão entrevistados após assinatura de termo de consentimento esclarecido, conforme determina a Resolução 196/96 do Conselho Nacional da Saúde (descrito no item 10.6 deste formulário). As entrevistas serão gravadas em fita K-7. Será garantido o anonimato e a confidencialidade dos entrevistados, para isso serão utilizados pseudônimos. Neste estudo serão atribuídas palavras do dialeto Yorubano. A du-ração das entrevistas está prevista para aproximadamente 20 minutos. Elas serão realizadas pêlos monitores após terem recebido treinamento quanto aos objetivos do estudo e forma de abordagem dos entrevistados A transcrição das entrevistas dos sujeitos será realizada pelos mesmos monitores, simultaneamente ao trabalho de campo. Os relatos após transcrição serão ordenados, classificados e analisados de acordo com os pressupostos da análise temática. A coleta de dados quantitativos será realizada através do SI-CTA, e no caso do SAE também será utilizado o mesmo instrumento. Os dados serão importados das bases de dados já existente. Com relação ao SAE, os instrumentos serão introduzidos no período de coleta dos dados do estudo, e serão acrescentados de tempo de diagnóstico, tempo de tratamento, contagem de CD4 e carga viral, tempo que levam para iniciar o tratamento, medicações utilizadas, e ocorrências de não adesão ao tratamento. O SI-CTA, constitui-se numa importante ferramenta para a obtenção de informação em saúde. Este sistema foi implantado pelo PN - DST/Aids do Ministério da Saúde em 2000 em todos os CTAs do Brasil. Ë importante destacar que em todos os instrumentos de coleta de dados serão considerados a variá-vel de raça/cor pelo sujeito e pelo entrevistador (ou profissional de saúde que atender o cliente) e que só irão ser realizadas as coletas após o teste e reavaliação dos instrumentos. Pretende-se que os dados sejam coletados entre o 4º e o 9º mês de realização do projeto.

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Projeto: Variáveis psicossociais associadas à vulnerabilidade ao HIV/Aids: Estudo comparativo da população negra com a população branca.
Coordenador: BRIGIDO VIZEU CAMARGO
Resumo: De acordo com a UNAIDS (2004) a epidemia da aids apresenta maiores taxas de incidência nos continen-tes onde existe uma maior concentração de pobreza e subdesenvolvimento. Na África do Sul está atualmente a maior concentração de pessoas vivendo com aids no mundo, são 26.600.000 e em segundo lugar, está a América Latina, com 1.600.000 pessoas contaminadas. Segundo Bastos (1999) a aids vem apresentando taxas de incidência substancialmente mais elevadas nas regiões periféricas e mais pobres, entre os trabalhadores menos qualificados e/ou pessoas com menor grau de escolarização. Essas alterações incluem mudanças na razão homem/mulher entre os casos da doença, com o incremento da participação proporcional das mulheres e pelo estabelecimento de diferenças sócio-geográficas no tempo de sobrevida das pessoas com aids (menor entre as pertencentes às áreas e segmentos mais pobres). Além disso, na dinâmica da epidemia, essas regiões da periferia sobressaem ainda, como ca-tegorias de exposição à transmissão heterossexual. Para Batista (2005) as taxas de mortalidade por HIV/Aids no estado de São Paulo em 1999, foram de 25,92 por 100.000 habitantes para homens negros, e de 14,44 para brancos. Dentre as mulheres, as taxas são de 11,39 e 4,92 respectivamente para as negras e brancas. A razão entre a taxa de mortalidade de mulheres negras sobre brancas indica que as mulheres negras morrem 2,3 vezes mais que as brancas por HIV/Aids, enquanto que os homens negros morrem 1,7 vez mais que os brancos. Os dados mostram que, além de estar "feminilizando, proletarizando e pauperizando", a morte por aids está "enegrecendo". Com relação à contaminação de jovens negros pelo HIV/Aids, as estatísticas apontam para uma situação ainda mais grave. Segundo Keels (2005), na Carolina do Norte a incidência de HIV/Aids é 14 vezes maior entre mulheres negras heterossexuais entre 18 e 40 anos do que mulheres brancas da mesma idade. Ainda de acordo com esse autor, 70% dos homens jovens com HIV/Aids na Carolina do Norte e nos Estados Uni-dos, são negros. Estudos patrocinados pelo Programa de aids das nações unidas - Unaids (Dawson & Aggle-ton, 1999; Unaids, 1997) concluíram que os jovens são um grupo heterogêneo e as estratégias educativas devem ser diferentes, respeitando essa heterogeneidade. Em Santa Catarina, de acordo com Leite (1998 e 1996), existe uma "invisibilidade" histórica e política dos afro-descendentes, refletindo uma realidade não muito diferente da do resto do país. Aqui, eles também estão ocupando os cargos menos remuneráveis nas empresas, e estudando em escolas públicas na periferia das cidades e com as piores condições de acesso à saúde, cultura, informação, etc. Além, é claro de serem constantemente vítimas de preconceito e segregação racial, que embora hoje em dia esteja mais velado, ainda marca o contexto do dia-dia dos cidadãos negros. Estas considerações indicam que aqui em Santa Catarina, os negros também estariam mais expostos aos riscos da contaminação pelo HIV/Aids, merecendo estudos que investiguem as suas vulnerabilidades específicas em relação a esta epidemia. A contaminação de indivíduos jovens pelo vírus do HIV continua sendo uma séria ameaça à saúde coletiva, principalmente porque parece que os programas educacionais de prevenção à aids não apresentam os resultados esperados para esta população, visto que, Szwarcuhald et al. (2004), em pesquisa financiada pelo Ministério da Saúde, chama a atenção para o fato de que a faixa etária mais jovem, de 15 a 24 anos, apresenta o menor nível de conhecimento sobre as formas de contaminação e de prevenção à doença. Sabe-se ainda que a situação para os jovens negros é ainda mais problemática, pois se somam a essas, outras variáveis relacionadas com a situação socioeconômica, o preconceito, etc. A partir destas constatações, formula-se dois problemas: o primeiro é saber quais variáveis psicossociais estão associadas aos múltiplos fatores para a vulnerabilidade das pessoas negras à infecção pelo HIV/Aids, e o segundo problema é saber se a vulnerabilidade dos negros é específica a eles ou se refere às desigualdades sociais que os atingem mais que a outras etnias (como a exclusão econômica e social; o precário acesso aos serviços públicos de saúde, educação, meios de comunicação; além do preconceito, e da baixa auto-estima, em virtude de todos estes obstáculos). O objeto de estudo deste projeto de pesquisa é o conhecimento que a população alvo (jovens negros) têm da doença e dos meios de prevenção ao HIV/Aids; bem como suas crenças, informações e representações soci-ais sobre a aids, suas condutas protetoras (comportamentos de comunicação e comportamentos preventivos), condutas arriscadas (práticas sexuais vulneráveis, uso de drogas, entre outras) e os sentimentos associados (medo da doença, percepção dos riscos, sentimento de auto-implicação, etc.).

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Projeto: Caracterização étnica/geográfica da população de Salvador e de portadores do HIV-1 e a correlação entre o índice de ancestralidade africana e vulnerabilidade ao HIV/Aids.
Coordenador: BERNARDO GALVAO CASTRO FILHO
Resumo: Dados históricos e genéticos mostram que a população brasileira é uma das mais heterogêneas do mundo, fruto de um processo de miscigenação entre os três principais grupos étnicos (ameríndios, europeus e africanos) formadores da nossa população. Entretanto a distribuição desses três grupos ao longo do território brasileiro não ocorreu de forma homogênea ou seja a proporção de africanos ameríndios e europeus difere significativamente a depender da região geográfica. Até a presente data poucos estudos têm sido desenvolvidos na Bahia com o objetivo de descrever a diversidade genética da nossa população e a contribuição de cada grupo étnico na sua formação. Os poucos trabalhos existentes datam da década de 80 e são todos baseados em marcadores protéicos que devido ao baixo polimorfismo tem um poder reduzido para quantificar esta diversidade. Recentemente, Abe-Sandes et. Al, 2004 analisaram 4 amostras de populações afrodescendentes, sendo 2 semi-isoladas e uma urbana na Bahia e uma de Ribeirão Preto-SP, uma amostra de descendetes, sendo 2 semi-isoladas e uma rubana da Bahia e uma de Ribeirão Preto-SP, uma amostra de descendentes de europeus e uma de descendentes de japoneses, também de Ribeirão Preto. Os dados revelaram uma maior diversidade dos afro descendentes bem como um maior grau de mistura com outros grupos étnicos. Revelaram também um forte direcionamento entre os tipos de casamentos sendo mais freqüentes as uniões entre homens europeus e mulheres africanas ou ameríndias. Estes dados foram também observados em estudos realizados com populações do Sul e Sudestes. Diversos estudos demonstram que os melhores marcadores para fazer este tipo de avaliação são os polimorfismos moleculares, principalmente devido à sua grande diversidade. Dados do IBGE 1999 revelam que na Bahia, 77,5% da população (10.095.282 indivíduos) é composta por afro descendentes sendo que em Salvador 79,8% são negros ou pardos, conforme a auto-classificação de raça ou cor. O conhecimento de que algumas doenças estão associadas a determinados grupos étnicos ou geográficos, e sócio-econômicos, sendo que no Brasil a pobreza é predominantemente negra, nos levou a propor este estudo onde estaremos estimando biologicamente o grau de ancestralidade africana, européia, e ameríndia, na nossa população, bem como determinar o índice de ancestralidade africana dos indivíduos. Portanto a determinação genética do grau de ancestralidade é muito importante para estimar o risco populacional para determinadas doenças bem como fornecer subsídios para definições de políticas públicas de saúde, com o objetivo de melhor atender a população de uma determinada região. O quadro da epidemia de AIDS é de disseminação global. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, o número total de pessoas infectadas com HIV/AIDS é de aproximadamente 40 milhões. O número de casos novos de infecção pelo HIV em 2001 foi de 5 milhões, sendo que 3 milhões de pessoas morreram com AIDS. No Brasil, a estimativa do número de indivíduos infectados com HIV/AIDS, até o final de 2001 foi de aproximadamente 600 mil. O Nordeste do país apersenta taxa de 6,8 x 10-5 Hab. Salvador ocupa a 10ª posição entre os 100 municípios do Brasil com maior número de casos notificados, (3.307 casos), (Brasil, MS 2003 e 2004). Salvador possui aproximadamente, 2.5 milhões de habitantes com uma população predominantemente negra ou mestiça. Esta cidade acumula a maioria dos casos registrados no Estado, com um total de 2.142 casos. A transmissão sexual é a mais preponderante, representando 66,1%, seguida do uso de drogas endovenosas com 23,2% dos casos, transfusões sanguíneas e derivados de sangue 1,7%, transmissão perinatal 1,5% e causas desconhecidas 6,2%.

Produção Científica


Projeto: IMPACTO DA ADESÃO AO TRATAMENTO ANTI-RETROVIRAL EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA PERSPECTIVA DA FAMÍLIA, DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NOS MUNICÍPIOS DE PORTO ALEGRE E SANTA MARIA/RS.
Coordenador: MARIA DA GRAÇA CORSO DA MOTTA
Resumo: Desenvolver ações do Projeto Impacto da Adesão ao Tratamento Anti-Retroviral em Crianças e Adolescentes na Perspectiva da Família, da Criança e do Adolescentes nos Municípios de Porto Alegre e Santa Maria/RS que visa a avaliar o presente nível de adesão ao tratamento anti-retroviral em crianças e adolescentes com AIDS nos municípios de Porto Algre e Santa Maria/RS.

Produção Científica


Projeto: IDENTIFICAÇÃO DE MARCADORES GENÉTICOS ASSOCIADOS A EFEITOS ADVERSOS EM PACIENTES COM SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA SOB TERAPIA ANTI-RETROVIRAL.
Coordenador: EDUARDO SPRINZ
Resumo: A proposta desta pesquisa tem como objetivo final a identificação de polimorfismos associados à ocorrência de lipodistrofia, dislipidemias e outros e-feitos adversos, que irão determinar a eficácia e a segurança da medicação com anti-retrovirais é a princi-pal meta desse trabalho. A identificação de associação de variantes dos genes em estudo com a resposta aos fármacos poderá ser também utilizada para definir "a priori" o melhor tratamento farmacológico para cada paciente de forma individualizada, evitando-se assim o uso desnecessário de fármacos com potencial para causar lipodistrofia nos pacientes, com a conseqüente redução da morbidade e aumento da aderência ao tratamento, aprimorando o manejo clínico-terapêutico e psico-social destes pacientes.

Produção Científica


Projeto: Comunicação de diagnóstico de soropositividade HIV e Aids para pré-adolescentes, adolescentes e adultos: impacto emocional, aspectos psicossociais e adesão ao tratamento.
Coordenador: MARIA APARECIDA CREPALDI
Resumo: Objeto de estudo desta pesquisa é a comunicação de diagnósticos de soropositividade para o HIV e Aids e as mudanças psicológicas vivenciadas pelos pacientes, relacionadas ao impacto emocional, à adesão ao tratamento e às estratégias de enfrentamento da doença. Busca investigar as implicações da revelação de diagnósticos de soropositividade para o HIV e Aids na perspectiva de pacientes adultos. Além disso, pretende-se levantar quais formas de comunicar essas notícias estão sendo utilizadas, pelos profissionais de saúde na sua prática cotidiana, as dificuldades enfrentadas e os recursos disponíveis para tanto. Trata-se de uma parte de um projeto maior que investigará as implicações da revelação de diagnósticos de soropositividade para o HIV e Aids na perspectiva de pacientes em diferentes faixas etárias (pré-adolescentes, adolescente, adultos) e seus familiares.

Produção Científica


Projeto: ASSOCIAÇÃO ENTRE CARGA VIRALVAGINAL DE HIV E DE HPV EM MULHERES INFECTADAS PELO HIV.
Coordenador: ELIANA MARTORANO AMARAL
Resumo: O Projeto Associação entre Carga Viral Vaginal de HIV e de HPV em Mulheres Infectadas pelo HIV visa avaliar a existência de associação entre a carga viral de HIV e de HPV no ambiente vaginal em mulheres infectadas pelo HIV e os potenciais fatores confundidores desta associação referentes ao ambiente vaginal, plasmático e terapia HAART atendidas no Centro de Inegração de Atenção Integral à Saude da Mulher (CASIM) da Unicamp, em Campinas, São Paulo.

Produção Científica


Projeto: Ampliação das atividades de genotipagem e subtipagem do Núcleo de Bioinformática para suporte ao monitoramento do HIV-1/Aids e patógenos co-infectantes no Estado do Rio Grande do Sul.
Coordenador: SABRINA ESTEVES DE MATOS ALMEIDA
Resumo: A pesquisa, diagnóstico e monitoramento de doenças infecciosas causadas por microorganismos patogênicos e fundamental em Saúde Pública. A incorporação dos recentes avanços do setor de biotecnologia, aplicados no entendimento dos fenômenos biológicos tem permitido avanços importantes na identificação e no manejo de diferentes agentes infecciosos. A utilização de ferramentas da bioinformática tem contribuído de forma decisiva para este processo. A bioinformática representa a integração entre sistemas computacionais e modelos matemáticos e estatísticos (algoritmos) que objetivam avaliar e interpretar os problemas biológicos. Originaria do crescente potencial da informática, ela permite entre inúmeras outras aplicações, uma compreensão abrangente e sistemática da informação molecular e clínico-laboratorial, obtida a partir do isolamento do patôgeno e das características de seu hospedeiro. Dentre as doenças causadas por agentes virais, sem dúvida, a AIDS tem sido o alvo de maior preocuparão das últimas décadas. Essa apreensão não esta apenas relacionada a gravidade da doença, mas também a sua crescente disseminação mundial. Hoje a HIV/AIDS e considerada a pandemia de maior importância em saúde pública, afetando aproximadamente 40 milhões de pessoas. A America Latina e a região que ocupa a quarta posição em numero de infectados no mundo, e o Brasil apresenta o maior números de casos desta região, com cerca de 315.000 pessoas infectadas. O subtipo de maior prevalência no Brasil e o B, seguido pelos subtipos F1 e C. Dada a prevalência do subtipo B, ele constitui o subtipo mais estudado até o presente momento; e, em face a prevalência do subtipo C nos estados do sul do Brasil (similar ao que se observa em parses como Índia, China e África do Sul), foram iniciados vários estudos sobre a patogenicidade, perfil de resistência primária e secundaria e resposta as terapias ARV (clínica, virológica, imunológica) deste subtipo. No estado do Rio Grande do Sul observa-se um aspecto característico com relação a epidemiologia molecular da infecção HIV/AIDS. O subtipo viral mais freqüentemente observado nas infecções e o subtipo B, porém a incidência do subtipo C tem aumentado significativamente. Também tem sido identificados o subtipo F e recombinantes (mosaicos) B/C e B/F. O HIV-1 do subtipo C foi inicialmente identificado no Brasil no estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre sendo característico em grupos de indivíduos heterossexuais soropositivos com elevada taxa para outras DSTs. A prevalência do subtipo C detectada na cidade de Porto Alegre e de 37% e, considerando os subtipos recombinantes B/C esta taxa aumenta para 45%. Portanto a estado do Rio Grande do Sul é uma área que necessita um forte monitoramento da epidemia molecular do HIV-1. Além disso, as informações obtidas a partir destes isolados, podem vir a contribuir para a desenvolvimento de produtos vacinais contra o HIV/AIDS. Quando aliada a um laboratório público de rotina de diagnóstico, o monitoramento de pacientes HIV positivos pode propiciar o desenvolvimento de projetos que levem ao maior esclarecimento do perfil da epidemia na região sul do Brasil. Uma continua vigilância da evolução do HIV em nosso país, em associação a iniciativas globais, pode permitir monitorar flutuações da epidemia que necessitem de respostas e adaptações das iniciativas em curso, fornecendo informações preciosas sobre a sua situação. Com o objetivo de desenvolver e implantar metodologias que propiciem o diagnóstico eficiente de doenças infecciosas, a Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde do Rio Grande do Sul (FEPPS-RS) instituiu o Centro de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CDCT). A proposta principal deste centro é o estabelecimento de parcerias com instituições Estaduais e Municipais para promover atividades científicas e de pesquisa em diferentes áreas de importância epidemiológica em Saúde Pública para nosso país, em resposta as demandas apresentadas pela Saúde Pública no Estado do Rio Grande do Sul e no Brasil. A partir de 2002, com o início do seqüenciamento genético do HIV-1 no CDCT, um grande avanço na caracterização molecular do vírus foi alcançado, contribuindo no aprimoramento do conhecimento cientifico, no desenvolvimento técnico na área laboratorial, no treinamento de profissionais das áreas da saúde, na implementação de infra-estrutura física; possibilitando, sobretudo a produção de informação científica auxiliar no monitoramento clínico-laboratorial dos pacientes infectados pelo HIV-1 acompanhados na Rede Pública de Saúde. Em outubro de 2004 teve início a implantação do Núcleo de Bioinformática (Projeto 186/04) junto ao CDCT/FEPPS-RS; com objetivo principal de suprir as necessidades de analise de dados epidemiológicos do HIV-1 neste estado. Desta forma, o núcleo propõe a contribuir para o entendimento da evolução da epidemia HIV/AIDS, em seus aspectos epidemiológicos, clínicos e moleculares no Estado do Rio Grande do Sul. Atualmente o Núcleo de Bioinformática já conta com infra-estrutura física adequada e também com a participação de profissionais qualificados e treinados para realização das principais técnicas de seqüenciamento e análise molecular. Hoje o Núcleo de Bioinformática do CDCT/FEPPS-RS é o único local na rede pública do estado que esta envolvido na análise e monitoramento da epidemia HIV/AIDS. Portanto para poder dar suporte a demanda da rede pública e municipal, a ampliação do mesmo se faz necessária. Analises realizada pelo Núcleo de Bioinformática das primeiras seqüências geradas no CDCT e oriundas dos três estados da região sul do Pais já originaram dados relevantes acerca do perfil de distribuição e prevalência dos subtipos circulantes em cada um dos estados do Sul. Estes estudos tiveram seus resultados parciais veiculados na comunidade científica em congressos da área, de abrangência tanto Nacional quanto Internacional. Os trabalhos submetidos a estes congressos estão anexados a esta pro posta de Projeto (Anexo E e F). O presente projeto visa a ampliação do Núcleo de Bioinformática do CDCT/FEPPS-RS principalmente a manutenção dos recursos humanos já capacitados pelo projeto de implantação e o desenvolvimento dos processos de análises já estabelecidos, bem como o aperfeiçoamento de metodologias, tanto no âmbito laboratorial quanto na avaliação e divulgação de dados a comunidade cientifica e civil. A melhoria desta infra-estrutura visa a correta extração e conservação das amostras clínicas, para posterior caracterização através de genotipagem e análises computacionais destas seqüências. A análise das seqüências geradas e a sua caracterização molecular são realizadas através de ferramentas de bioinformática e são de extrema importância para estudos de eficácia de vacinas e microbicidas e para a caracterização ao do perfil da epidemia, o que acarreta em melhores estratégias de tratamento dos pacientes soropositivos do Estado. O reforço da infra-estrutura informacional representa um importante ganho de qualidade e potencial de resposta aos problemas atuais de saúde pública. A epidemia de HIV/AIDS necessita de constante monitoramento de sua dinâmica evolutiva, que e responsável pelas questões que as ferramentas de bioinformática têm condições de responder. As atividades do Núcleo de Bioinformática contemplam também a geração de suas próprias seqüências, além da análise de amostras obtidas através de outros projetos em andamento na Instituição, como os pacientes atendidos pela Rede Nacional de Genotipagem (RENAGENO), que constituem uma população ao especifica de doentes com falha terapêutica. Para tanto e necessária a obtenção de insumos laboratoriais para implementação da metodologia in house de extração e amplificação de RNA viral de HIV-1. A escolha desta metodologia se justifica pelo menor custo e grande eficácia em relação ao Kit comercial usualmente empregado. Além da produção de conhecimento e apoio a comunidade científica, a prestação deste serviço tem utilidade direta na população atendida, podendo auxiliar, sobretudo no manejo de pacientes infectados pelo HIV. A ampliação do Núcleo também pretende dar suporte a análise molecular de agentes patogênicos envolvidos nos processos de co-infecção dos pacientes, como os vírus das Hepatites B e C, e o Mycobacterium tuberculosis. Diante desta situação torna-se fundamental a sustentação de projetos que visem a ampliação e fortalecimento da infra-estrutura das instituições Públicas de Saúde, permitindo a execução de análises apuradas e consistentes a fim de obter o melhor entendimento da epidemia de HIV/AIDS, tratamento mais eficaz dos pacientes soropositivos e maior controle desta patologia em um futuro próximo.

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Projeto: Estudo Clínico-epidemiológico na co-infecção HIV/HTLV: fatores clínicos e laboratoriais associados ás manifestações neurológicas de ambos os retrovírus.
Coordenador: ABELARDO DE QUEIROZ CAMPOS ARAUJO
Resumo: Pretende-se estabelecer quais os fatores clínicos e laboratoriais estão associados ao risco de desenvolver alguma doença neurológica na co-infecção HIV / HTLV. Com isto, medidas de intervenção clínica para prevenir tais ou amenizar manifestações neurológicas poderão ser introduzidas precocemente.

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Projeto: CARACTERIZAÇÃO FENOTÍPICA E GENOTÍPICA DE LEVEDURAS DO GÊNERO CANDIDA ASSOCIADAS A FUNGEMIAS E CANDIDIASE MUCOCUTANEA EM PACIENTES COM HIV EM UNIDADES HOSPITALARES DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO.
Coordenador: ROSELY MARIA ZANCOPÉ OLIVEIRA
Resumo: O Projeto Caracterização Fenotípica e Genotípica de Leveduras do Gênero Candida Associadas a Fungemias e Candidíase Mucocutânea em Pacientes com HIV em Unidades Hospitalares da Cidade do Rio de Janeiro visa a identificação e caracterização em nível morfológico, bioquímico, fisiológico e de susceptibilidade a antifúngicos das leveduras associadas a episódios de fungemia e de candidíase mucocutânea em unidades hospitalares do Rio de Janeiro, bem como a caracterização genotípica da amostragem a ser analisada visando o aprimoramento do conhecimento científico em candidíases em portadores do vírus HIV, visando a melhoria da qualidade das ações e intervenções neste campo. Nos últimos anos, vem sendo observada uma disseminação global de certas variantes epidêmicas de microrganismos. Essa disseminação é freqüentemente associada a uma maior virulência (vantagem adaptativa) ou a emergência de novas características de resistência a drogas, envolvendo invariavelmente um aumento da morbidade e mortalidade pelas doenças associadas a quadros imunossupressivos, tal como a AIDS. O conhecimento de características fenotípicas e genotípicas de microrganismos que devido a uma depressão do sistema imune passam a interagir como patógenos, entre eles, Candida spp., é de fundamental importância para basear estratégias de tratamento, prevenção e controle de infecções oportunistas em pacientes portadores de HIV, bem como em outros pacientes imunodeprimidos, possibilitando também a previsão de surtos graves antes mesmo que estes se estabeleçam.

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Projeto: CARACTERIZAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA-CLÍNICA DO DIAGNÓSTICO LABORATORIAL E DA RESPOSTA A ANTIFÚNGICOS DA PARACOCCIDIOIDOMICOSE EM PACIENTES CO-INFECTADOS PELO HIV-1.
Coordenador: ROBERTO MARTINEZ
Resumo: Ribeirão Preto e alguns outros municípios de sua micro e macrorregião do Estado de São Paulo têm hoje prevalência da síndrome de imunodeficiência adquirida, conforme mostram há longo tempo as tabelas divulgadas da Coordenação Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde. Tais coeficientes sinalizam o grande avanço da epidemia de aids na região Nordeste do Estado de São Paulo. Inicialmente mais racionada com uso endovenoso de drogas ilícitas e atualmente difundindo-se secundariamente por via sexual. É uma área geográfica de grandes contrastes sociais, pois ao lado da riqueza representada pelo agronegócio e pela prestação de serviços educacionais e de saúde, convive a pobreza dos bóias-frias que moram na periferia das cidades, mas trabalham no campo dos migrantes de outros Estados e os moradores das muitas favelas de Ribeirão Preto e dos municípios mais populosos. A mesma região geográfica e uma área hiperendêmica de paracoccidioidomicose possivelmente pela intensa atividade agrícola expondo trabalhadores ao ambiente rural onde ocorre a infecção por P. brasiliensis que adoecem apresentam lesão de curso crônico no pulmão tegumento e em outras vísceras com freqüência deixando seguidas incapacitantes causando a morte. Pode ser classificada como doença ocupacional para a maioria dos acometidos. Após a primeira descrição da co-infecção pelo P. brasiliensis em paciente da região em 1989, dezenas de outros casos foram diagnosticados e medicados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, levando a uma estimativa de que o fungo causaria doença oportunista em cerca de 1,3% da população de pacientes com aids. Trata-se da maior casuística de co-infecção paracoccidioidomicose/HIV-I dentre todos os países onde a micose é endêmica apenas parcialmente divulgada. Contrasta com o total de casos publicados da co-infecção no Brasil e na America Latina que atinge hoje número pouco superior a 100. Geralmente como relatos isolados há um questionamento sobre o relativamente pequeno número de casos divulgados face as dimensões da epidemia de aids e a endemicidade da micose no Brasil. Existem poucos dados conhecidos sobre a co-infecção epidemiológicos clínicos, métodos de diagnóstico laboratorial e forma de tratamento. Preencher estas lacunas do conhecimento médico-científico e contribuir para o diagnóstico clínico-laboratorial precoce e tratamento adequado particularmente em serviços médicos não especializados e em pequenas comunidades rurais. Justificam o presente projeto.

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Projeto: INVESTIGAÇÃO CLÍNICA, LABORATORIAL E IMUNOLÓGICA DE PACIENTES COM ESPOROTRICOSE E INFECÇÃO PELO HIV ATENDIDOS NO INSTITUTO DE PESQUISA CLÍNICA EVANDRO CHAGAS/ RIO DE JANEIRO.
Coordenador: MARIA CLARA GUTIERREZ GALHARDO
Resumo: O projeto visa descrever o perfil da co-infecção HIV/Sporothrix schenckii, através do estudo das diversas apresentações clínicas, avaliação diagnóstica e resposta terapêutica, bem como o estudo da interação celular entre os dois patógenos e o hospedeiro. Pretende-se descrever o padrão fenotípico e genotípico para uma melhor compreensão da esporotricose como doença oportunista e a proposição de rotina diagnóstica e esquema de tratamento adequado, dentro dos diversos quadros apresentados e de acordo com a situação imunológica da população estudada.

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Projeto: USO DE DROGAS E ÁLCOOL E ADESÃO AO TRATAMENTO ANTI-RETROVIRAL NA INFECÇÃO PELO HIV.
Coordenador: ANDRE MALBERGIER
Resumo: O Projeto Uso de Drogas e Álcool e Adesão ao Tratamento Anti-Retroviral na Infecção pelo HIV visa comparar a adesão ao tratamento anti-retroviral em pacientes infectados pelo HIV usuários de álcool e drogas e não usuários bem como avaliar o impacto na adesão ao tratamento anti-retroviral e no consumo de álcool e drogas após intervenção específica para usuários de álcool e drogas infectados pelo HIV no Bairro Bela Vista no Município de São Paulo. Este estudo baseia-se na premissa de que encontrar estratégias que promovam o aumento da adesão dos pacientes aos esquemas terapêuticos é contribuir, no âmbito da saúde, para a efetivação do processo de construção e exercício da cidadania. O objetivo final deste trabalho é, através de intervenções psicoeducativas, aumentar a adesão dos pacientes usuários de álcool e outras drogas ao tratamento anti-retroviral em um serviço especializado no tratamento da infecção pelo HIV do município de São Paulo. Para se atingir tal objetivo, inicialmente iremos avaliar a adesão em pacientes usuários de álcool e drogas e compará-los aos não usuários. Conhecendo a adesão, iniciaremos uma intervenção breve que será avaliada no seu término e após seis meses. A adesão pode proporcionar maior vínculo do paciente com a equipe de tratamento e assim, aumentar a probabilidade deste paciente controlar sua doença. É esperado que o paciente, aderido ao tratamento, tenha orientações constantes sobre sua doença, sobre as medicações necessárias, efeitos colaterais e conseqüências do abandono do tratamento ou de sua manutenção. Assim, espera-se que o paciente adquira melhor qualidade de vida.

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Projeto: USO DE INIBIDORES DE PROTEASE E ALTERAÇÕESMETABÓLICAS, NUTRICIONAIS E NA QUALIDADE DE VIDA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES INFECTADAS PELO VIRUS DA UMUNODEFICIÊNCIA HUMANA.
Coordenador: JACQUELINE PONTES MONTEIRO
Resumo: O Projeto Uso de Inibidores de Protease e Alterações Metabólicas, Nutricionais e na Qualidade de Vida de Crianças e Adolescentes Infectadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humana visa descrever as alterações da composição corporal, dos indicadores nutricionais peso/idade, altura, peso/altura, da ingestão de energia, macronutrientes, colesterol e triglicerídeos e do lipidograma completo em três grupos de escolares e adolescentes clinicamente estáveis: HIV-positivos em uso de inibidores de protease (IPs); HIV-positivos que não estejam usando IP´s; HIV-negativos pareadas para idade e sexo; acompanhadas a cada seis meses e durante um ano. Verificar correlações entre o o uso de IPs e o estado nutricional das crianças e adolescentes HIV-positivas. Verificar se as alterações do peso e da composição corporal podem predizer mudanças na qualidade de vida relacionada à saúde dessas crianças e adolescentes.

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Projeto: Estudo de Sobrevida da AIDS Pediátrica no Brasil - 1999 a 2002
Coordenador: LUIZA HARUNARI MATIDA
Resumo: É de grande importância o conhecimento dos tempos de sobrevivência dos pacientes com AIDS. Além de se prestar para o dimensionamento das necessidades, no que se refere a assistência e ao estabelecimento de políticas públicas, e fundamental para a avaliação das estratégias de intervenção que visam ao prolongamento da vida destes pacientes. O tempo entre o diagnóstico e a morte possui uma distribuição de probabilidades que muda dinamicamente. Vários fatores podem explicar essa mudança nas curvas de probabilidade de morte a partir da data de diagnóstico; parte do decréscimo de risco e devido ao desenvolvimento de novas terapias no tratamento da AIDS, que causam mudanças na curva de sobrevivência. Comparada com a AIDS do adulto, a criança geralmente apresenta uma progressão mais rápida da doença. Em relação a sobrevida, esta vem aumentando nos países desenvolvidos devido principal mente ao aprimoramento de serviços e de meios diagnósticos e Terapêuticos. No Brasil, 0 programa de acesso universal a terapia antiretroviral (ARV), somado a outras iniciativas, tais como: o avanço diagnóstico, o uso mais difundido de quimioprofilaxia para as principais infecções oportunistas e a disponibilização de modalidades alternativas de assistência, possibilita a redução das necessidades e dos custos das internações hospitalares e a redução de infecções oportunistas. Em relação a redução das mortes observou-se, nos últimos anos, uma redução expressiva na mortalidade ocasionada por AIDS. Em 1995, a taxa de mortalidade por AIDS atingiu 12,2 em cada grupo de 100 mil pessoas; em 1999, a taxa havia recuado para 6,3/100 mil, o que representa uma queda de aproximadamente 48,4%. Em grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro (cidades onde se concentram mais de 33% dos casos conhecidos de AIDS nos pais), a redução na mortalidade foi ainda mais expressiva, sendo de aproximadamente 70% (SP - 54% e RJ - 73%), no período 1995-2000. Após o diagnóstico de AIDS, idade e presença ou ausência de doenças relacionadas com a AIDS são fatores preditores de sobrevivência. Alguns trabalhos apontam para uma mortalidade de 25 a 50% no primeiro ano de vida e 85 a 95%, ate os 5 anos de idade (Grosse, 1993; Bernstein, 1992). Dados recentes da hist6ria natural da infecção perinatal do HIV indicam que a sobrevida media tem aumentado para 6 a 9 anos de idade (Grubman et al., 1995). A letalidade de crianças com AIDS nas pesquisas européias e norte-americanas foi de aproximadamente 5% ate os 15 meses de idade. Entretanto, em Kinshasa, Brazavile e Kigali, a letalidade ate 1 ano de idade foi de 12-39%, dependendo do nível sócio-econômico e do estágio da doença da mãe. As principais causas do óbito destas crianças foram prematuridade, diarréia, pneumonia, AIDS (de acordo com a definição da doença pela OMS) e meningite. Para o Brasil como um todo, Chequer et al. (1992) registraram o tempo mediano de sobrevida de 5,1 meses, entre 2.135 casos notificados no período de 1982 a 1989. Para o Estado de São Paulo, que notifica 47% do total de casos de AIDS no pais, Grangeiro et al. (1995) obtiveram um tempo médio de sobrevida, de 1985 a 1991, de 232 dias, com variação de 201 dias (transmissão materna infantil) a 259 dias (hemofílicos) em 7.480 casos notificados. Na cidade de Nova loque, os óbitos por AIDS, entre os adultos, apresentaram uma redução de 72% entre os anos de 1994 e 1998 (Fordyce EJ et ai, 2002). Um estudo publicado pelo Italian Register for HIV Infection in Children, apresenta 1142 crianças infectadas pelo HIV por transmissão vertical, nascidas entre Novembro de 1980 e Dezembro de 1997 e acompanhadas ate Junho de 1999, e descreve que 421 (36,9%) foram a 6bito com a mediana de 3,3 anos (39,6 meses) de idade (de Martino M et al., 2000). Em 2001, foi publicado o estudo de uma coorte de 1028 crianças e adolescentes infectados pelo HIV, acompanhados desde o nascimento até 20 anos de idade, em clínicas de atendimento dos Estados Unidos, abrangendo casos desde o início da epidemia e seguidos prospectivamente ate dezembro de 1999. Em função do inicio do usa do inibidor da protease na terapia combinada, houve a redução de 67% no risco de morte (Gortmaker SL et al., 2001). Em um estudo de coorte não concorrente (coorte retrospectiva), financiado pelo PN-DST/AIDS do Brasil, Matida e colaboradores observaram a mediana de sobrevida geral de 52,8 meses (IC 95%: 41,9 - 60,8) em 1154 casos notificados de AIDS no período de 1983 a 1998 e com seguimento ambulatorial ate 30/06/2002.

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Projeto: Estudo sobre as representantes socias de vacinas anti-HIV/AIDS para um grupo de homens e mulheres heterossexuais no Rio de Janeiro
Coordenador: GISELA CORDEIRO PEREIRA CARDOSO
Resumo: Atualmente, nos países em desenvolvimento, a maioria das transmissões do HIV ocorre através de relações heterossexuais. Tendo em vista as mudanças epidemiológicas que ocorreram nos últimos anos e a perspectiva da condução de estudos para a avaliação de produtos vacinais no país, e sumamente importante realizar pesquisas nas quais as questões da transmissão heterossexual e de gênero sejam priorizadas. Estudos sócio-comportamentais podem ser muito ricos tanto no levantamento de informações contextuais como na compreensão do ponto de vista dos participantes. O conhecimento do sistema de crença e valores, assim como o mapeamento de informações disponíveis sobre vacinas contra o HIV, possibilitando um entendimento das motivações para participar de pesquisas para desenvolvimento de vacinas. Ademais, permitirá adequar um programa de informação de acordo com as necessidades de cada grupo específico (CN-DST/AIDS, Ministério da Saúde, 2002). Assim, no presente projeto nos propomos a realizar um estudo exploratório de natureza qualitativa sobre as representações sociais de vacinas para HIV/AIDS para um grupo de homens e mulheres heterossexuais que procurarem a Unidade de Vacinas do Projeto Praça Onze com o intenso de participar de projetos de vacinas anti-HIV/AIDS. Critérios de inclusão: Sexo masculino ou feminino, idade entre 18 e 60 anos, soro negatividade para o HIV, relato de comportamento exclusivamente heterossexual nos últimos 24 meses. Critérios de exclusão: Incapacidade em entender ou recusa em assinar termo de consentimento; quadro mental agudo e/ou grave por ocasião da entrevista; incapacidade de compreensão mínima das perguntas realizadas; soropositividade para o HIV. O tamanho da amostra será de 30 pessoas (15 homens e 15 mulheres). O estudo será realizado no Projeto Praça Onze, que funciona nos andares imediatamente acima do COASHESF A. Para todos que procuram o Projeto Praça Onze e preenchida uma ficha cadastral. Na qual o indivíduo informa se quer ser contactado para participar de futuros estudos e qual a forma de contacto preferida (correio ou telefone). Entraremos em contato com potenciais voluntários de acordo com os dados da ficha cadastral e, após breve explicação, os convidaremos para que compareça a sede do projeto. Nesta entrevista de comparecimento explicaremos que se trata de um estudo qualitativo que procurara analisar as razões e motivações do desejo de participar de testes de vacinas anti-HIV/AIDS. Os indivíduos que aceitarem participar do estudo assinam um termo de consentimento livre e esclarecido e serão submetidos a urna entrevista semi-dirigida, que será gravada Na entrevista procuramos explorar algumas questões: a relação do sujeito com a AIDS, sua vida sexual e sua receptividade em relação a possíveis ensaios com vacinas anti HIV/AIDS. Antes do inicio da entrevista algumas perguntas sobre dados sócio-demográficos serão realizadas, como, por exemplo, idade, escolaridade, profissão, ocupação, religião e renda pessoal e familiar. Método de análise: Todas as entrevistas serão transcritas e analisadas de acordo com os critérios da análise de conteúdo térmico de Bardin. Principais indicadores e variáveis: O principal indicador será o conteúdo das entrevistas. As variáveis constarilo dos dados sócio-demográfico (idade, escolaridade, faixa etária, ocupação, profissão, religião, renda), crença, motivação, práticas (tipo e freqüência) e atitudes. Aspectos éticos: O presente estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do HUCFF e apenas será iniciado após receber aprovação final por parte do mesmo. Consentimento livre e esclarecido será obtido de todos os participantes do estudo. Confidencialidade estrita será mantida durante todo o estudo.

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Projeto: EPIDEMIOLOGIA DA CO-INFECÇÃO PELO HCV EM PORTADORES DO HIV EM PORTO ALEGRE E GENOTIPAGEM DO HCV.
Coordenador: FERNANDO HERZ WOLFF
Resumo: O melhor controle do HIV desde o início do tratamento antirretroviral de alta ação (HAART) vem aumentando significativamente a sobrevida dos pacientes infectados. Dessa forma, doenças crônicas ou de evolução lenta, como a hepatite C, vem se tornando motivo de morbimortalidade significativos em indivíduos co-infectados. No Brasil e no mundo, estudos mostram taxas de co-infecção pelos vírus da AIDS e pelo vírus da hepatite C (HCV) que variam de 18 a 70%, dependendo da área estudada e dos fatores que levaram a contaminação pelo HIV. Mesmo com taxas de resposta inferiores a da população não co-infectada, o tratamento da hepatite C em HIV positivos vem se mostrando eficaz em erradicar o vírus e, assim, impedir a evolução da hepatite crônica para cirrose e carcinoma hepatocelular. A decisão quanto ao tratamento para hepatite C em co-infectados dependerá do status imunológico, do controle do HIV, do grau de hepatopatia presente na biópsia hepática. No planejamento terapêutico, terá também papel fundamental o conhecimento do genótipo do HCV, já que este resultado determinará o tempo (24 ou 48 semanas) e drogas utilizadas (Interferon ou Interferon Peguilado). Sendo assim, o projeto justifica-se por permitir o conhecimento de uma situação altamente prevalente entre os pacientes de HIV/AIDS, capaz de alterar a evolução desses indivíduos e que crescentemente vem sendo diagnosticada. O conhecimento da prevalência de co-infecção, fatores de risco associados à co-infecção e genótipo do HCV poderá permitir o planejamento das ações de saúde pública, tanto em termos de prevenção, quanto de diagnóstico e tratamento.

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Projeto: Brasil Afroatitude: A UEMS Dando Visibilidade a População Negra Sulmatogrossense.
Coordenador: MARIA DE LOURDES SILVA
Resumo: O projeto será desenvolvido no Estado de Mato Grosso do Sul, envolvendo as seguintes unidades universitárias nos municípios de: Amambaí, Aquidauana, Campo Grande, Cassilândia, Coxim, Dourados, Gloria de Dourados, Ivinhema, Jardim, Maracaju, Mundo Novo, Navirai, Nova Andradina, Paranaíba e Ponta Porá. Será estabelecido convênio com a Fundação Nacional da Saúde - FUNASA Secretaria de Estado de Saúde (SES), Superintendência de Políticas de Saúde, Superintendência de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Secretaria Municipal de Saúde e com Coordenação Estadual/Municipal de DST/Aids (nas cidades onde esta coordenadoria existe), visando a implementação das ações propostas na justificativa do presente projeto. Salientamos que a UEMS já possui diversos convênios com estas instituições e as mesmas são parceiras dos diversos eventos que a instituição realiza. Prefeituras municipais, através de suas secretarias (saúde, cultura, finanças, assistência social, educação, esporte e lazer, meio ambiente, justiça e segurança pública e defensoria pública) Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer - SCEUMS Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência Social e Economia Solidaria - SET ASS Secretaria de Estado de Educação - SED Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública - SEJUSP Conselho de Gestão Estadual das Políticas Sociais - COGEPS, criado pelo decreto 9825, de 25 de fevereiro de 2000, vinculado ao gabinete do governador do estado do MS Coordenadoria de Políticas Públicas de Igualdade Racial do MS - CPPIR Coordenadoria de Intermediação de Conflitos Sociais e Situações de Risco - decreto Número 11283, de 1º de julho de 2003 Superintendência das Políticas Intersetoriais e da Assistência Social MS Superintendência de Programas de lnclusão Social do MS Superintendência das Políticas de Defesa da Cidadania do MS Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para a Mulher do MS - COMULHER Procuradoria Geral de Defensoria Pública - PGDP Subsecretaria de Apoio a Integração das Políticas de Prestação de Serviços ao Cidadão Superintendência de Medidas de Defesa da Cidadania e de Programas de Inclusão Social Universidades conveniadas ao Projeto Afroatitude Conselho Estadual do Direito dos Negros - CEDINE Fórum de Entidades do Movimento Negro Diante da preocupação do governo federal em criar políticas públicas que busquem minimizar as desigualdades e enfatizar vários aspectos favoráveis a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros, objetivando a promoção da igualdade, do bem estar e do desenvolvimento nacional 0 seguinte projeto institucional, tenta contribuir com esse processo através do resgate da história sócio cultural e antropológico da comunidade negra de Mato Grosso do Sul. A história do Brasil contempla em vários momentos a luta dos afrodescendentes por seus direitos sociais. O Quilombo dos Palmares, a Revolta da Chibata entre outros movimentos são exemplos desse processo. Porém, pouco se sabe sobre a participação efetiva da comunidade negra na estruturação histórica do estado de Mato Grosso do Sul suscitando a questão do por que esse fenômeno acontece. Partindo desse pressuposto, se abre uma serie de questões pertinentes a estudo. Quem são os atores que participam do palco social da comunidade negra de Mato Grosso do Sul Quais as atividades que desenvolvem? Qual sua origem? Qual seu nível de escolaridade e seu perfil socioeconômico? Dentro desse quesito: qual o acesso que possuem aos meios de comunicação de massa, quais as oportunidades de trabalho que Ihe são oferecidas, e que tipo de atendimento médico e assistencial Ihes é disponibilizado? Esses grupos se organizam em instituições comunitárias? Se o fazem, de que maneira 0 fazem? Se não se organizam por que razão esse fenômeno ocorre? Qual a incidência epidemiológica de DST/AIDS dentro desse grupo étnico? Dentro desse aspecto: qual a faixa etária mais atingida? Qual 0 grupo de gênero mais suscetível? O que ocorre em relação ao uso de drogas dentro dessa comunidade? Os movimentos sociais que organizam o negro sul mato-grossense são realmente capazes de garantir ações afirmativas que melhorem a qualidade de vida do cidadão afrodescendente? Eles executam de fato o processo de resgate da cidadania como previsto pelas praticas implementadas pelo governo federal através das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasifeira e Africana, de acordo com as normas estabelecidas pelo parecer CNE/CP 003/2004 e pela resolução CNE número 1 de 17 de junho de 2004? Partindo dessas duvidas que foram levantadas percebe-se o quanta esse trabalho e de suma importância não só para 0 levantamento dos dados que corroborem com 0 esclarecimento das questões sócio-históricas e de saúde pública que se referem a comunidade negra como também para esclarecer a respeito de equívocos em relação a identidade sul mato-grossense, combatendo assim a privação e a violação dos direitos aos qual a comunidade negra muitas vezes e submetida. A realidade da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul apresenta em seu universo a presença a de cotistas negros oriundos desse conjunto sócio-cultural que ainda não foi pesquisado, daí o fato de não existir um diagnóstico prévia a ser apresentado sobre as questões referidas na presente justificativa. Partindo do pressuposto de que a política nacional implementada pelo governo federal visa resgatar a cidadania da população negra, ninguém melhor do que os acadêmicos que fazem parte desse grupo étnico para se posicionar, pesquisar e propor alternativas que visem de fato a implementação de uma política que colabore com as prerrogativas da legislação nacional. Outro critério que deve ser ressaltado diz respeito a seguinte questão: no universo da academia alguns alunos, independente da condição da sua entrada no processo seletivo, demonstram dificuldades de ensino-aprendizagem durante 0 transcorrer de seu curso de graduação. Tais dificuldades extrapolam 0 âmbito universitário, sem que com isso se queira dizer que não e responsabilidade da Universidade sanar essas deficiências, tentando um trabalho em conjunto com a escola básica. Destarte, justifica-se a necessidade de monitorias que auxiliem tanto alunos cotistas quanto não cotistas a solucionar suas dificuldades. E, tendo em vista que existem alunos cotistas que ate então possuem um rendimento escolar que os qualifica ao cargo de monitoria, propõe que os mesmos assumam tal condição. A partir daqui reunir-se-ao as condições necessárias para que professores e alunos assumam de forma co-participativa as responsabilidades etnico-raciais positivas, enfrentando e superando discordâncias, conflitos, contestações e valorizando os contrastes das diferenças. Através desse processo dar-se-a mais valor ao patrimônio cultural afro-brasileiro, visando sua preservação e a sua difusão. Através de pesquisa de campo visando levantamento de dados referentes aos objetivos deste projeto, implementar-se-ao ações garantindo a identificação e analise do perfil sociocultural, histórico e antropológico das comunidades a serem atendidas pelo projeto, contemplando quest6es étnicas, físicas, educacionais, socio-demograficas e de saúde publica. Há que se salientar que estes dados serão de cunho qualitativo e quantitativo, e que a partir dos mesmos serão elaboradas ações na forma de palestras, oficinas, seminários, campanhas de mobilização, fóruns, publicações e outras para a disseminação dos dados obtidos através da pesquisa inicial. No inicio do ano letivo (fevereiro e março) serão publicados editais específicos das Pro - Reitorias de pesquisa e Extensão para atender este projeto, com critérios de seleção dos cotistas já embutidos no mesmo, como por exemplo: não possuir vinculo empregatício, dedicar-se as atividades de pesquisa ou extensão no mínimo 20 horas semanais, não estar recebendo nenhum tipo de remuneração em programas institucionais, carência, preferencialmente não ter concluído nenhum outro curso de graduação, relevância do projeto e no caso de alunos a partir do segundo ano adicionar desempenho acadêmico, freqüência. Para a seleção serão observados critérios gerais da pesquisa e da extensão tais como: titulação acadêmica do orientador, produção científica e tecnológica do orientador, disponibilidade do orientador de no mínimo 03 horas semanais por orientando e viabilidade técnica e econômica do projeto, além dos critérios específicos do Programa AFROATITUDE. Todos os projetos além do acompanhamento técnico das Pro - Reitorias serão acompanhadas e avaliadas pelo NEER- Núcleo de Estudos Étnicos Raciais que terá na sua chefia a coordenação geral do projeto.

Produção Científica


Projeto: Capacitação em Métodos de Pesquisa Clínico - Epidemiologia para profissionais de saúde brasileiros com componentes presencial e à distância
Coordenador: MAURO CUNHA RAMOS
Resumo: Este projeto é uma expansão de projetos bem sucedidos de treinamentos em Métodos de Pesquisa Clínica, realizados inicialmente como cursos de seis semanas no Center for AIDS/Prevention Studies da Universidade da Califórnia, São Francisco. Muitos treinandos brasileiros participaram destes treinamentos, assumindo posições de destaque na pesquisa e na gerência de programas de DST/AIDS em diversos níveis no Brasil. Muitos com os projetos desenvolvidos durante estes treinamentos submetidos a programas de pós-graduação no Brasil foram aprovados e estabeleceram profícua produção científica no país. Muitos ainda ingressaram em programas de pós graduação (J.P.H. e PhD) na Universidade da Califórnia em Berkeley. Entre estes treinandos podemos mencionar Pedro Chequer, Luiz Loures, Nemora Barcelos, Mauro Ramos, Paulo Telles, Telma Gonzáles, Angélica Espinosa, Lílian Lauria, Andréa Sereno, Regina Loureiro, para citar somente alguns. A Coordenação Nacional de DST/AIDS, percebendo a importância desta iniciativa, implementou treinamentos intensivos desta natureza, em um período de duas semanas, inicialmente no Rio de janeiro, em Florianópolis e por duas vezes em Porto Alegre. Desde 2000, o Centro de Estudos de AIDS do Rio Grande do Sul, com o apoio da CNDST/AIDS, participa como colaborador para o desenvolvimento de um programa de treinamento intensivo com duas semanas de duração. Nos três anos iniciais, os treinamentos foram sobre métodos de pesquisa clínica e, nos dois últimos anos, sobre análise de dados e redação científica. Estes treinamentos têm sido extremamente bem sucedidos. Tornou-se disciplina obrigatória do Programa de Pós-Graduação da Fundação Federal Faculdade de Ciências Médicas de Porto Alegre. Como um todo, incluindo alunos do referido programa de pós-graduação e instituições parceiras locais, atingiu mais de 94 profissionais de saúde. Da parte prática, financiada pelo projeto com UCSF, participaram profissionais de saúde de 12 estados brasileiros, gerando 18 projetos de pesquisa, com 12 deles em andamento bob tutoria e supervisão do Dr. Erno Harzheim. Esse projeto é financiado por verba de treinamento do Instituto Nacional de Saúde - Fundação Fogarty, tendo como investigador principal o Dr. George Rutherford e como principal colaborador internacional o Dr. Mauro Cunha Ramos. Conforme avaliação e solicitação da CNDST/AIDS, foi identificada necessidade de descentralização das atividades de treinamento em pesquisa. Identificou-se, ainda, que os treinandos devem ser oriundos de diversas formações e de diversas localidades do país. Existe ainda a possibilidade de, se houver interesse da Coordenação, expandir esta oportunidade de treinamento aos países constantes do programa de cooperação técnica internacional. O projeto será executado por uma colaboração entre o Centro de Estudos de DST/AIDS do Rio Rio Grande do Sul (PUCRS) e o Center for AIDS Prevention Studies (CAPS) da Universidade da califórnia, São Francisco (UCSF).

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Projeto: OBTENçÃO E AVALIAÇÃO DE REAGENTES PADRONIZADOS PARA ESTUDOS COMPARATIVOS DE NEUTRALIZAÇÃO DO HIV-I.
Coordenador: VERA BONGERTZ
Resumo: Como única participante brasileira da reunião da OMS - UNAIDS sobre padronização de metodologias de neutralização do HIV (WHO-UNAIDS Meeting on "Progress in the Development and Standardization Methods to Measure anti-HIV-I Neutralizing Antibodies in HIV Vaccine Research and Clinical Trials'', Milão, Itália, Instituto San Raffaele. concordei em tentar obter soros e/ou plasmas de pacientes infectados por HIV-I para a produção de pelo menos 300ml de cada pool. Como indicado na lista acima, concordei em tentar obter pools de plasmas B (encontrado no mundo inteiro), Bbr (mais freqüentes na América do Sul), C (diferentes na America e na África) e F1 (mais freqüentes no Brasil). O Laboratório de AIDS e Imunologia Molecular vem trabalhando há muitos anos no polimorfismo genético e antigênico do HIV-I. Neste período, vários projetos de pesquisa foram realizados, e a análise gênica e antigênica do HIV-I de um grande número de pacientes em tratamento/observação pelo Instituto de Pesquisas Evandro Chagas da FIOCRUZ (IPEC/ FlOCRUZ) foi realizada. Para obtenção de plasmas de indivíduos infectados com o genótipo C, contatos com 0 LACEN da Prefeitura Municipal de Porto Alegra, Rio Grande do Sul e com a Dra. Maria Elizabeth Menezes do Laboratório DNAnálise de Florianópolis foram tomados. Pacientes infectados com os subtipos B, Bbr e F serão selecionados de estudos anteriores realizados pelo Laboratório de AIDS e Imunologia Molecular da FIOCRUZ, em tratamento e observação no Instituto de Pesquisa Evandro Chagas, FIOCRUZ e pacientes que procurem atendimento no Hospital Nereu Ramos de Florianópolis e do LACEN de Porto Alegre serão convidados a participar deforma voluntaria do estudo proposto. Em 07 de agosto de 2003, fui convidada a participar de uma reunião da OMS - UNAIDS sobre padronização de metodologias de neutralização do HIV (WHO-UNAIDS Meeting on "Progress in the Development and Standardization Methods to Measure anti-HIV-I Neutralizing Antibodies in HIV Vaccine Research and Clinical Trials"), Milão, Itália, Instituto San Raffaele. Nesta reunião, da qual participaram pesquisadores de 15 Institutos de Pesquisa de 13 países diferentes, além do Coordenador e Vice-Coordenador do grupo "Pesquisa de Vacinas Virais" da OMS-UNAIDS, foi decidido que uma rede formada pelos participantes do Encontro testaria as 7 técnicas ora em uso para a determinação da neutralização do HIV-I usando os mesmos reagentes, a fim de permitir a seleção de uma metodologia sensível e reprodutível (e, de preferência, de baixo custo e curto tempo de executivo) para permitir a avaliação de testes de vacinas. Uma das conclusões do Encontro foi à necessidade do uso de misturas (pools) de soros de indivíduos soropositivos para o HIV-I, já que não e possível obter a quantidade necessária para uma análise internacional de 14 laboratórios de apenas um individuo. Os pools obtidos seriam testados pela Dra. Terry Wrin (membro da Rede, Virologia, EUA) e, caso apresentarem neutralização satisfatória do HIV-I (vários genótipos, o que, conforme S Zolla-Pazner e V. Bongertz, que trabalharam com vários pools, e provável), distribuídos por Harvey Holmes (Natls Inst Bioi Standards & Control. UK) a todos os membros da Rede. Foi concluído também que pools de plasmas obtidos de indivíduos infectados com subtipos diferentes de HIV-I (genótipos A I. A 2, B, variante Bbr, variante B', C, D, E, FI e F2) deveriam ser obtidos para distribuição aos diversos laboratórios da rede. Ate o momento não é conhecida nenhuma correlação entre genótipo e "neutrotipo", porém sabe-se que há agrupamentos de genótipos com susceptibilidade I potência de neutralização similar, como A/F/B (S Zolla-Pazner, V. Bongertz). E (L. Morris), C/D (P Kaleebu), porém os estudos realizados até o momento envolvem um número pequeno de isolados virais, e necessita ser confirmado. Para a preparação destes pools, foi sugerida a mistura de estoques de soros ou plasmas de indivíduos infectados pelo HIV-I disponíveis aos diversos componentes da Rede. Entretanto, o volume mínimo de será pelo indivíduo seria de 1ml. Foi verificado que poucos laboratórios dispunham de tais estoques, já que materiais obtidos para os diversos projetos de pesquisa geralmente eram consumidos quase que totalmente. Portanto, foi decidido formar os seguintes pools de plasmas: (I) de indivíduos infectados misturados indiscriminadamente (África/America/Europa/Ásia). (2) A1 / A2: Africano, (3) B: Norte-Americano, Europeu e Brasileiro, (4) B: Tailandês, (5) Bbr: Brasileiro, (6) C: Africano, Brasileiro (7) D: Africano, (8) E: Tailandês, (9) F1: Brasileiro, (10) F2: Africano, (II) G: Africano, (12) H: Africano. Também foi decidido usar isolados primários padrões de HIV-I, 2 a 4 de cada subtipo. O projeto pretende a formação dos pools de soros e plasmas e o isolamento de cepas padrão de HIV-I.

Produção Científica


Projeto: Infecções recentes para o HIV: Estudo Comparativo
Coordenador: KATIA CRISTINA BASSICHETTO
Resumo: É reconhecido, atualmente, que o monitoramento da epidemia de AIDS na cidade de São Paulo, pautada principalmente pela notificação de casos de AIDS precisa estar associada a identificação precoce da infecção, para que se possa produzir respostas mais eficazes. Para tanto, deve-se seguir as diretrizes que ampliam o conceito de vigilância epidemiológica para a obtenção de um "padrão epidêmico", denominada "Vigilância de Segunda Geração". Trata-se de implementar a busca por dados que caracterizem de forma mais abrangente possível a população vulnerável ao HIV (1). A identificação da presença da infecção pelo HIV tem se dado a partir da demanda espontânea da população quando procura serviços de testagem e aconselhamento (CTA), serviços da rede especializada em DST/AIDS e outros serviços da rede básica que recentemente passaram a desempenhar também esta função, entre outros. Estes serviços constituem assim, importantes fontes de dados, que permitem caracterizar o perfil epidemiológico dos indivíduos infectados, anos antes que preencham os critérios para sua notificação como casos de AIDS. A rede especializada em DST/AIDS da Cidade de São Paulo, já vem funcionando com a proposta de incentivar o conhecimento do status sorológico de grupos populacionais, que normalmente não buscariam estes serviços, aumentando, assim, o número de testes realizados e permitindo a melhor caracterização das pessoas vulneráveis a infecção. Do ponto de vista da coleta, armazenamento e análise de informações, os serviços estão passando por uma fase de transição de um modelo específico de sistema de notificação para AIDS, em ambiente não Windows, não integrados aos demais sistemas, para um modelo em ambiente Windows, integrado as demais doenças de notificação compulsória e flexível, permitindo a vigilância do HIV e de gestantes infectadas pelo HIV e crianças expostas (SINAN W-versão 4.1). A análise de dados de produção tem decorrido de iniciativas individualizadas de alguns 'serviços ficando evidente a necessidade de investir na padronização e definição de periodicidade, permitindo a real utilização destes dados no planejamento das ações e a identificação de tópicos que precisam de melhor elucidação através de pesquisas. O SI-CTA vem ao encontro desta necessidade, possibilitando tanto a vigilância da infecção pelo HIV, quanta a realização de investigações científicas especiais. Nos CTA da Cidade de São Paulo, utilizando-se dados de questionários aplicados no pré e pós-teste, pode-se citar a tentativa de análise integrada de todos estes serviços (2), que poderá facilitada com a utilização do novo sistema em operação (SIC-TA).

Produção Científica


Projeto: RISCO EXPONENCIAL, 'LACUNAS' DA SEGURIDADE SOCIAL BRASILEIRA E HIV/AIDS
Coordenador: KENNETH ROCHEL DE CAMARGO JR.
Resumo: Segundo estimativas do PN/DST/AIDS, a partir da oferta de políticas combinadas (prevenção, assistência e tratamento) o número de óbitos no país reduziu drasticamente, a epidemia diminuiu sua velocidade de crescimento e a incidência da doença caiu 46% de 1998 para 2002 . Uma constatação que coincide com a decisão política do "(...) início da utilização da terapia anti-retroviral no país". (UNAIDS, 1996) . Hoje, mais de 130.000 pessoas têm acesso aos ARV. Entre 1996 e 2002, a política implantada evitou mais de 60.000 casos de hiv/aids; 90.000 mortes e 358.000 internações hospitalares. O gasto nacional com ARV, se comparado com a redução dos gastos em saúde, auxiliou o Estado a poupar US$ 200 milhões no período de quatro anos. Em 2000, o país contabilizou a prevalência de 0,6%, contra uma estimativa do Banco Mundial de 1,2% . Os resultados positivos alcançados pelo Programa Nacional de Dst e Aids é resultado de várias especificidades, dentre as quais destacam-se: sua estratégia combinada de ações de prevenção assistência e tratamento em saúde; a previsão administrativa da descentralização da resposta e, finalmente, a existência de uma rede assistencial de unidades e serviços de saúde. Apesar desta epidemia ser dotada de um potencial reorganizador do sistema nacional de saúde e capacitada a estabelecer novos parâmetros e tendências na elaboração de respostas públicas, estes não podem ainda, em diversas regiões do país e/ou em determinadas situações específicas, ser considerados plenamente adequados para responder ao impacto gerado pelo hiv/aids. Isto porque as modificações no padrão epidemiológico da população mais afetada pela epidemia - usualmente traduzidas pelas expressões feminização, interiorização e pauperização indicam a necessidade de ampliação do leque de medidas e a incorporação da lógica social aos processos de planejamento, avaliação e controle das ações na esfera pública, governamental ou Não-governamental. A incorporação da lógica social para compreender o comportamento das doenças ou da situação saúde - ou em outras palavras, a inter-relação das doenças com as condições de reprodução social e material --, vem sendo discutida, de forma mais sistemática, pela epidemiologia social desde a segunda metade do século XIX com o advento da revolução industrial (Silva e Barros, 2002). Naquele momento, profundas mudanças societárias afloraram nas grandes cidades, o loccus da modernização, e impuseram a necessidade de entender e dirimir as desigualdades sociais com dois objetivos básicos: o primeiro, de garantir as condições sanitárias mínimas da classe trabalhadora (e por conseguinte, da produção) e, em segundo lugar, mas não em importância, promover medidas para redução dos conflitos entre classes. Desde então, diversos modelos de estudo e variados indicadores sociais tem sido utilizados, estudados e/ou criados numa tentativa de compreender o papel e em qual intensidade as condições sociais e produtivas inferem no padrão de comportamento das doenças (Barata, 1997; Silva e Barros, 2002). Estes estudos não se esgotaram ainda e já se questiona se os usuais indicadores sociais, coletados em média a cada década, são realmente capazes de apreender as transformações das condições de reprodução material e social imediatas -- devido à velocidade das transformações societárias, típica da pós-modernidade --, e se estes mesmos indicadores podem acompanhar a evolução tecnológica da medicina, que modifica (e é modificada) pelos novos padrões de morbimortalidade e pelo perfil demográfico.(Laurell,1997; Goldbaum, 1997). Além disso, a crescente desigualdade e empobrecimento dos grupos sociais de menor renda e poder tem ocasionado a superposição de: iniqüidade social, riscos e agravos à saúde (Bastos e Szwarcwald, 2000; Carmo, Barreto e Silva, 2002). Este recente fenômeno tem capacidade de potencializar os efeitos destes mesmos riscos, agravos e iniqüidades e/ou favorece a vulnerabilidade/ suscetibilidade a outros riscos. A ocorrência de superposições de diferenciadas formas de exclusão, na qual existe uma probabilidade maior de ocorrência de agravo das condições de vida e de saúde, denominamos, em estudo anterior, de risco exponencial . É por estes fatores que a transição epidemiológica do hiv/aids e a evolução técnico-científica que a acompanha, ao ser associada aos novos determinantes sociais, infere a premência de revermos se a resposta brasileira à epidemia está informada para o reconhecimento e o adequado enfrentamento das necessidades de seus destinatários. Este projeto considera que é fundamental dispor de informações mais abrangentes sobre a reprodução social e material das pessoas vivendo e afetadas pelo Hiv/ aids (pvaha) para a formulação, implementação e avaliação de políticas sociais para o enfrentamento da iniqüidade social e dos novos riscos. Os dados sociodemográficos sobre as pessoas soropositivas, disponibilizados pelo DATASUS e divulgados amplamente pelo Programa Nacional (PN/DST e AIDS) se restringem à faixa etária, sexo e escolaridade. Outros dados disponíveis sobre a epidemia, encontrados nos Sistemas de Informações em Saúde (SIS), referem-se aos seus aspectos epidemiológicos, a orientação e ao comportamento sexual da população e/ou de controle dos custos e dos serviços providos pela assistência em saúde. Tal insuficiência e/ou dificuldade de acesso aos dados vem inviabilizando a decomposição e o entendimento das epidemias de AIDS no Brasil, (Cohn, 1997) bem como, podem minimizando a potencialidade de respostas locais específicas por insuficiência de informação (Couto, 2002). A apreensão mais detalhada das condições de vida e de saúde das pessoas vivendo e/ou afetadas pelo hiv/aids (pvaha) podem ser mais bem observados a partir de surveys de base na comunidade, que dêem especial atenção à abordagem dos grupos excluídos (Parker e Camargo Jr., 2000) Além disto, tais ensaios podem fornecer rico material de análise e avaliação do alcance das políticas públicas existentes, para as pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza (Couto, 2002). Hoje a epidemia de hiv/aids se configura enquanto desafio ao desenvolvimento das nações e por isso, tornou-se imprescindível (re) conhecer como os novos determinantes sociais - impostos pela reestruturação produtiva (o mundo e a forma do trabalho) (o mundo e a forma do trabalho) e pela transformação na proteção social --, interagem e agem sobre ela (idem). Assim como, é preciso identificar qual o nível de acesso das PVHA aos serviços, direitos sociais e informações específicas. Por mais perverso que o raciocínio a seguir possa parecer, no passado os efeitos da epidemia para os países em desenvolvimento eram considerados como equivalentes a eventos isolados de um processo econômico que as economias nacionais poderiam absorver, escapando do controle dos planejadores. Acreditava-se que a prevalência da epidemia em 10% da população de um país em desenvolvimento significaria 0,5% de redução no crescimento econômico/ano. Pensava-se, então, que o Produto interno Bruto (PIB) per capita aumentaria se a diminuição do PIB fosse menor que a diminuição da população . Mas o que se constatou mais tarde foi que os efeitos da epidemia de AIDS se estenderão por gerações, em longo prazo e em escala mundial. Isto significa que a morte prematura reduz os incentivos para investir no futuro. E que uma resposta insuficiente à epidemia, mesmo em países com baixa prevalência, equivale a maior possibilidade de favorecer: a destruição dos sistemas educativos e das demais instituições; a perda de capital humano e da capacidade de transmiti-lo; ao aumento do índice de empobrecimento geral; a redução do poder de consumo; a diminuição do ingresso e elevação do absenteísmo no trabalho; a elevação dos gastos com provisão Pública e/ou Privada; a quebra da cadeia geracional (sobrecarga do grupo familiar e das instituições da sociedade). Por outro lado, fornecer a medicação e ofertar tratamento é uma ação combinada capaz de: retardar (ou evitar) infecções oportunistas; diminuir o número de óbitos; viabilizar a capacidade para o trabalho; reduzir gastos públicos e/ou privados com seguros e serviços e preservar capital humano e social. Mas há um outro exemplo da possibilidade de ocorrência de exponenciamento de risco, que talvez seja o que mais interessa abordar neste estudo, a interrupção do curso de uma medida protetiva, ou em outras palavras, quando o acesso aos serviços e aos insumos de saúde necessários para a prevenção, assistência e tratamento, não são suficientes para o enfrentamento da interseção pobreza, aids e exclusão. A prática cotidiana das instituições tem evidenciado a existência de lacunas entre as ações das políticas da seguridade social, e a interrupção do curso de uma medida de proteção social, em determinadas situações, pode propiciar o agravo das condições de vida e de saúde e, mais que isso, tem potencial para minimizar os efeitos benéficos de uma política bem sucedida, como é o caso da resposta pública ao hiv/aids (Couto, 2002). As políticas sociais têm como objetivo compensar eventuais necessidades e riscos dos cidadãos quando estes não conseguem resolvê-los por suas próprias habilidades individuais e/ou recursos. No entanto, a fragilidade político-institucional, a redução progressiva dos recursos disponíveis e o caráter residual das ações destas mesmas políticas, as tem condenado a assegurar um patamar mínimo de reprodução social para atenuação dos efeitos devastadores da crescente desigualdade e exclusão. Em outras palavras, o que se vê hoje é a efetivação de medidas e ações de alcance reduzido que estão inviabilizando, a consolidação da seguridade social brasileira conformada em 1988, e, conseqüentemente, a garantia dos direitos sociais. A potencialidade da resposta governamental brasileira ao hiv/aids, configurada pela combinação da universalidade e a equidade prevista no Sistema Único de Saúde, pode estar sendo minimizada em razão da existência destas "lacunas" durante o curso das medidas e ações de proteção e recuperação atualmente ofertadas pelas políticas e ações da assistência e previdência social. A identificação das diferentes formas de exclusão e a probabilidade de exponenciamento de risco se fará a partir do estudo socioeconômico e demográfico e do levantamento da rede de proteção social disponível (que foi acionada ou não) para responder aos riscos e agravos sociais e de saúde no momento em que estes se configuraram enquanto demandas concretas. A comparação com a rede social de apoio que estava disponível e que foi, ou não, acionada no momento em que estes riscos se configuraram, numa tentativa de responder se estes recursos foram ou não acionados e se conseguiram ou não responder às demandas colocadas. Neste sentido, caminha-se aqui numa tentativa de contribuir para a sistematização de reflexões preliminares sobre a importância da produção de indicadores que favoreçam tanto a elaboração e a avaliação das políticas públicas em hiv/aids, quanto à tomada de decisões neste campo. Ao mesmo tempo, procura-se demonstrar que a integralidade da atenção em hiv/aids exige respostas públicas governamentais que ultrapassem os muros da saúde, ou seja, respostas que tragam ações conjuntas da seguridade social, incluindo a assistência e a previdência, para enfrentar a epidemia. Tendo em vista a complexidade das questões sociais contemporâneas que têm gerado crescente empobrecimento, desigualdade e exclusão as transformações na seguridade social brasileira, no modo de produção e acumulação -- seus rebatimentos no mundo do trabalho, mais especificamente, nas perdas de direitos sociais -- serão abordadas com o intuito de reforçar o caráter progressivo da perda de direitos, do nível de empobrecimento e do surgimento de novos riscos e agravos nas condições de vida e de saúde da população-alvo deste estudo. A partir da realização de entrevistas tendo como norteador um questionário construído para este fim (em anexo), se pretende desvendar quais as conseqüências (diretas e indiretas) da interseção exclusão e aids, seus rebatimentos na qualidade de vida e de saúde das pessoas afetadas. Este estudo ora proposto resulta de outros anteriores, o primeiro foi o estudo preliminar do perfil dos usuários soropositivos entrevistados e/ou que estavam em acompanhamento pelo Programa de Atenção Integral do Serviço Social do Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O segundo consistiu na abordagem teórica sobre o mesmo tema do primeiro sob a ótica das transformações do mundo do trabalho e da proteção sócia, para atender às exigências da conclusão do curso de mestrado. (Couto, 1998 e 2002). No primeiro estudo, foram analisadas 253 entrevistas realizadas no intervalo temporal de 1995 a 1998 (inclusive). Posteriormente, após a tabulação dos dados encontrados estes foram comparados com dados equivalentes e disponíveis da PNAD/IBGE (estado do Rio de Janeiro e Brasil) e com aqueles disponíveis e coincidentes sobre a epidemia de hiv/aids, consolidados pelo DATASUS. A pesquisa se deu a partir da análise das seguintes variáveis: sexo, intervalo etário, nível de escolaridade; uniões civis, não-civis e/ou do mesmo sexo; situação trabalhista; vínculo previdenciário e moradia (própria, alugada ou cedida). Resultados encontrados no primeiro estudo: Ao se observar as uniões civis, não-civis e/ou do mesmo sexo, verifica-se entre os usuários a predominância de homens solteiros (49,4%) e de mulheres casadas (36%). Esta variável não é contemplada pela PNAD, que classificou "a condição das pessoas na família", em relação à pessoa de referência ou ao seu cônjuge , não definindo exatamente o número de mulheres e homens casados ou solteiros. O Ministério da Saúde também desconsidera tal questão, não havendo índices a esse respeito. Alheia às relações formais e informais de trabalho, a PNAD considera somente se as pessoas - independentemente do gênero - estão ocupadas ou desocupadas . Em virtude disso, no Brasil estimou-se que 65,46% dos homens e 90,41% das mulheres possuem ocupação e no Rio de Janeiro, 52,68% dos homens e 68,66% das mulheres, estariam desocupados. Com interesses diversos da PNAD, o PAIS procurou aferir indícios do patamar de proteção social em que a ocupação implica. Assim, procurou-se identificar se o usuário encontrava-se empregado ou desempregado no momento em que se deu a realização da entrevista, observando se sua inserção no mercado era formal ou informal (a partir do registro de contrato na Carteira de Trabalho e Previdência Social - CTPS). A partir destes critérios, observou-se que 58,8% dos homens atendidos no ambulatório estavam trabalhando, 35,30% deles formalmente, 15,90% informalmente e 7,6% sem informação. As mulheres que exerciam atividade remunerada compunham 47,70% do total, mas destas, apenas 35,30% encontravam-se empregadas formalmente. As relações entre intervalo etário e estado conjugal demonstraram em 1998, que a maior parte das trabalhadoras estão sozinhas (separadas, viúvas ou solteiras), com idade entre 20-29 anos, o que refletiu o perfil do mercado de trabalho ocupado por mão de obra feminina. No tocante à moradia, o dado trabalhado pela PNAD que mais se assemelhou às informações obtidas pelo roteiro de entrevista, referiu-se ao tipo de domicílios. Apesar de não trazer o detalhamento quanto ao gênero masculino ou feminino, obteve-se dados gerais a respeito da moradia própria, alugada ou cedida . Assim, por meio dos dados da PNAD apreende-se que grande parte dos brasileiros reside em casa própria (75,80%), 12,24% pagam aluguel e 11,49% moram em residências consideradas cedidas. No RJ, os números permanecem em conformidade com os nacionais, compondo respectivamente 76,24%, 14,31 % e 8,03% do total. Do total de homens atendidos, a maioria relativa (30,60%) residia em moradia própria, 13,50% em casa alugada e 22,40% com familiares. As mulheres seguiam a mesma tendência, porém com os respectivos percentuais: 33,7%, 7% e 20,9%. A partir de tal informação, foi possível aferir que um número significativo de pessoas não possuíam gastos com aluguel, portanto, se a maioria residia em moradia própria e/ou de familiares, tinham assegurado seu direito básico à habitação. Não obstante, é preciso considerar os custos inerentes à manutenção da moradia (IPTU, taxas de condomínio, etc.). Por outro lado, é preciso atentar para as questões interpessoais existentes nas relações daqueles que residem com familiares ou em casas cedidas, pois, o preconceito e a dificuldade de conviver com uma pessoa portadora do hiv, pode trazer tensionamentos que venham a desencadear situação de fragilidade, desamparo e desproteção.(COSTA-COUTO, 1998). Os resultados encontrados nesta pesquisa, bem como a comparação destes com dados provenientes de bases de informação/indicadores nacionais (PNAD/RJ, PNAD/BR e DATASUS) suscitaram alguns questionamentos. Como por exemplo: saber se os dados disponíveis nos Sistemas de Informações em Saúde (SIS) realmente fornecem informações para a elaboração de políticas sociais eficientes e eficazes para a resposta pública ao hiv/aids? Este sistema pode informar ou fornecer indicadores de avaliação para políticas voltadas para a população em exclusão? O atual acumulado de informações permite aperfeiçoar a resposta do Programa Nacional rumo à integralidade da atenção em saúde? Estariam nossas políticas aptas a enfrentar os signos atuais desta epidemia (feminização, pauperização e interiorização)? Poderia o Programa Nacional desenvolver novas políticas intersetoriais com base nestas mesmas informações? Qual os serviços assistenciais disponíveis e que foram acionados? Tais políticas conseguiram responder a demanda colocada? Em que medida as demais políticas auxiliam a continuidade do tratamento em saúde? As pvha podem contar com o amparo da primeira rede de proteção social, seu grupo sócio-familiar? A satisfação das necessidades em saúde se relaciona diretamente e é inferida pelo conjunto de condições de reprodução social e material disponíveis que permite, ou não, o desenvolvimento individual e coletivo de capacidades e potencialidades. (Laurell, 1997:86) Feita esta constatação é preciso inferir outra: a de que o Programa Brasileiro de Dst/Aids tem disponibilizado, da melhor forma possível, serviços e insumos necessários para a satisfação das demandas em saúde das pessoas que vivem com hiv ou aids. O problema entre estas duas assertivas é o saldo negativo de sua inter-relação, haja vista que nos últimos tempos, a epidemia vem atingindo prioritariamente as pessoas que se tornaram vítimas do fenômeno mundial de pauperização de massa e, que em virtude disso, tiveram suas condições de reprodução social e material amplamente reduzidas. Neste cenário, as investidas para o desmonte dos equipamentos, a descontinuidade dos serviços e das ações da assistência social podem estar reduzindo a efetividade do Programa Nacional, mas com os instrumentos disponíveis este não está apto a reconhecer em que momentos e por quais razões, o curso de sua intervenção foi interrompido ou não foi iniciado devido à iniqüidade presente nas demais políticas que compõem a seguridade social. A corrente de pensamento neoliberal tem afirmado que o problema do recrudescimento da pobreza não encontrará solvência se persistir a dependência da intervenção estatal. O retorno ao modelo de proteção social baseado no apoio comunitário e familiar é a solução hegemônica para este e outros problemas como a retração do público. Entretanto, o empobrecimento e a desigualdade de massa levantam dúvidas a cerca da capacidade do grupo sócio-familiar atuar enquanto primeira rede de proteção social. E, ao mesmo tempo, a crescente demanda aos serviços determinam a incapacidade destes. Estas são as razões de investigar as condições de vida e saúde e qual o alcance dos mecanismos de proteção social quando à ocorrência da interseção pobreza, aids e exclusão.

Produção Científica


Projeto: 11º Workshop Internacional em Evolução e Epidemiologia Molecular Viral
Coordenador: MARCELO ALVES SOARES
Resumo: Métodos em análise filogenética molecuar e em genética de populações são amplamente utilizados por virologistas para estudar a epidemiologia e a evolução de vírus humanos, animais e de plantas. O desenvolvimento exponencial nos últimos dez anos de novos algoritmos para realizar análises filogenéticas e estudos de genética de populações de epidemias virais vem criando uma lacuna entre biólogos teóricos e virologistas interassados em epidemiologia molecular. O Workshop proposto visa preencher esta lacuna, dando a jovens virolgistas o background teórico, seguido de sessões práticas que demonstram as principais ferrametnas de bioinformática utilizadas em análise filogenética de sequência virais. O worksop objetiva ter por participantes pesquisadores e estudantes de Pós-Graduação em evolução e epidemiologia molecuarl de vírus, oriundos das áreas clínicas, laboratorial e de epidemiologia e saúde pública. A abrangência deste Workshop é internacional, portanto participantes do mundo inteiro poderão se inscrever e participar do processo seletivo para a participação no mesmo.

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Projeto: Programa Brasil Afroatitude
Coordenador: RITA DE CASSIA GUIMARAES ESMANHOTO DE
Resumo: Com a implantação na UFPR da política de cotas (Resolução n.º37/04-COUN/UFPR) e o programa de bolsas, estarão envolvidos no projeto alunos do primeiro ano. A proposta de política de cotas insere-se num programa que interfira positivamente na erradicação da pobreza e redução das desigualdades com vistas a construir uma sociedade justa e solidária, de democratização do acesso e estabelecimento de condições que garantam a permanência dos alunos na universidade. Os resultados apresentados no vestibular UFPR/2005 apontaram para a situação abaixo descrita. Dos 4.167 aprovados, 573 são cotistas afrodescendentes e 930 da escola publica. Como era esperado a maioria dos cotistas são de classes pobres. Outros dados apresentados no resultado do vestibular dizem respeito aos candidatos que só conseguiram acessar a universidade após várias tentativas, porque foi implantado 0 sistema de cotas e ainda, pessoas que retornaram ao concurso vestibular pois a UFPR permitiu-lhes novamente sonhar com o ingresso numa universidade publica. Há outros indicadores de pobreza: embora a maioria dos aprovados resida em Curitiba, somente 6.38% dos não cotistas residem na Região Metropolitana, subindo para 16,58% entre os afro-descendentes e atingindo 21,18% entre os de escola publica. Neste sentido, optou-se por associar o AFROATITUDE a duas ações prioritárias da UFPR: Rede Integrada de Escolas Públicas e Vale do Ribeira. A justificativa para a escolha da região de atuação pauta-se nos dados da realidade atual, especialmente aqueles que afetam diretamente os jovens oriundos das regiões onde estão situadas a maioria das escolas publicas que fazem parte da RIEP, realidade esta marcada por situações de violência, desagregação social, de droga, DST e outros. Ainda, a densidade populacional media da região do Vale do Ribeira e relativamente baixa com 139,89 hab./Km2. Os municípios da região tem suas economias atreladas a agricultura familiar, a extração mineral e vegetal e animal, formando assim aglomerações rurais com grande potencial a se desenvolver. Esse desenvolvimento esta vinculado a distância das cidades que fazem parte do Vale do Ribeira a Capital do Estado (Curitiba), e a conclusão da pavimentação da BR 476 e manutenção das estradas vicinais que irão facilitar o escoamento da produção da região. Na região, a renda familiar baixa e a falta de perspectivas e de oportunidades de negócios, vem favorecendo o aparecimento de bolsões de pobreza, tanto na área rural quanta na urbana, o que resulta em situação de risco.

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Projeto: Brasil Afroatitude
Coordenador: JORGE LUÍS DE SOUZA RISCADO
Resumo: O Programa Políticas de Ações Afirmativas para Afro-descendentes no Ensino Superior da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e constituído por um conjunto de ações com objetivo de eliminar as desigualdades sociais históricas. Este programa, dentro de suas ações, instituiu o sistema de cotas para população afrodescendente, oriunda de escolas públicas, no preenchimento de vagas relativas aos cursos de graduação, a fim de propiciar ações que viabilizem o acesso e permanência da população negra na UFAL. Após a sua aprovação pelo CONSUNI e CEPE, o Programa ficou estruturado em 04 (quatro) subprogramas: 1- Políticas de Cotas, 2- Políticas de Acesso e Permanência, 3- Políticas Curriculares e de Formação de Professores e 4 - Políticas de Produção de Conhecimento. Esses 04 (quatro) subprogramas estão sendo coordenados por uma Comissão Permanente do Programa de Ações Afirmativas da UFAL. A Universidade Federal de Alagoas, enquanto instituição federal, encontra-se diante de um desafio particular: exercer mais fortemente sua missão social, enquanto agente de desenvolvimento, em seu contexto periférico de grandes limitações, contrastes e precariedades. De fato, os indicadores educacionais, sociais e econômicos estaduais são desfavoráveis, fazendo com que Alagoas continue sendo o estado brasileiro com menor desenvolvimento social - IDH = 26° lugar. Dois de seus municípios - Traipu e São José da Tapera, este com 11 casos notificados de AIDS - encontram-se no ranking de baixíssimo IDH, dos municípios brasileiros. Verifica-se que o processo de eliminação do preconceito racial e bastante complexo e envolve outros fatores, além das cotas na área da educação. É papel do Estado regular essas distorções históricas e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), como universidade pública, adota essa perspectiva. Situação atual de AIDS em Alagoas: o primeiro caso foi notificado em 1986 com um paciente do sexo masculino por via de transmissão sexual; dos casos notificados de 1986 a novembro de 2004 são de 1.691 em Alagoas, onde 1.254 são do sexo masculino e 437 são do sexo feminino; o primeiro caso de gestante foi notificado em 1994, de 1994 a 2004 notificou-se 89 casos com a faixa etária mais atingida entre 20 e 34 anos, nas crianças em tratamento 11 são do sexo masculino e 12 do sexo feminino; a faixa etária mais atingida esta entre 20 a 49 anos com 1.539 casos notificados; nos pacientes em tratamento, 766 são do sexo masculino e 336 são do sexo feminino; quanto ao nível de escolaridade, 348 estão entre 04 e 07 anos de estudo, 263 estão entre 08 e 11 anos, 220 entre 01 e 03 anos de estudo, 145 estão com 12 anos e mais e 162 não possuem nenhuma escolaridade, (SESau-AU CE-DST/AIDS, 2004). Ainda conforme a fonte acima apontada, os casos de sífilis congênita, os dados de 1995 a 2003 representam 51 municípios com 1 a 10 casos; 6 municípios entre 11 e 30 casos e 1 município com 170 casos. Segundo a Coord. Estadual de DST/AIDS - SESau/AL (2004), os municípios com maior número de casos: Maceió: 1.195; Arapiraca: 86; Rio Largo: 26; São Miguel dos Campos: 21; União dos Palmares: 21; Palmeira dos índios: 15; Santana do Ipanema: 14; Coruripe: 14; Delmiro Gouveia: 13; Marechal Deodoro: 12; Penedo: 11; São José da Tapera: 11.Municípios com populações mais vulneráveis: Paripueira: 5; Barra de Santo Antonio: 6; São Luiz do Quitunde: 7; Matriz de Camaragibe: 2; Passo de Camaragibe: 3; São Miguel dos Milagres: 1; Porto de Pedras: 2; Porto Calvo: 4; Maragogi: 3; Barra de São Miguel: 2; Coruripe: 14; Jequiá da Praia: 2; Roteiro: 1. Área de fluxo de caminhoneiros: Maceió: 1.195; Arapiraca: 86; Rio Largo: 26; São Miguel dos Campos: 21; Palmeira dos Índios: 15; Delmiro Gouveia: 14; Porto Real do Colégio: 2; Novo Lino: 2. Região Ribeirinha: Piaçabuçu: 4; Penedo: 11; São Brás: 1; Pão de Açúcar: 6; Piranhas: 2. Área Indígena: Já com dois casos de AIDS notificados nesta população, aldeiados. Pão de Açúcar: 6; Porto Real do Colégio: 2; Pariconha: 1; Joaquim Gomes: 6; São Sebastião: 5; Palmeira dos Índios: 15. Área com maior fluxo de HSH: Maceió: 1.200; Pão de Açúcar: 6; Porto Real do Colégio: 2; Matriz de Camaragibe: 2; Porto Calvo: 4; Cajueiro: 4; União dos Palmares: 22; São José da Laje: 4; Delmiro Gouveia: 14; Piaçabuçu: 4. Como já foi abordado anteriormente, é baixíssimo o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no estado de Alagoas, temos casos de AIDS nos municípios pobres, a situação socioeconômica dos bairros do entorno da Universidade Federal de Alagoas é baixa e sinaliza a pauperização, assim como encontra-se um agrupamento de Sem- Tetos numa área invadida. Ainda somos abrangidos por três penitenciárias e todo um movimento de caminhoneiros que circula do nordeste ao sul do país e processo de interiorização. Com as nossas ações buscaremos visualizar o aumento da demanda de camisinhas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), assim como aumento das requisições para os testes antiHIV, anti-sífilis congênita e hepatites virais B e C. Ainda enquanto impacto, buscaremos o aumento de consultas as unidades de referencias, além da qualidade dos registros médicos (prontuários) e das notificações. Projetamos ainda, uma melhoria dos egressos do curso de saúde para o Programa de Saúde da Família, assim como a contribuição na formação dos ingressos do PAAF.

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Projeto: UEL AFROATITUDE.
Coordenador: Carla Maria Canalle Pagnossim
Resumo: O Projeto UEL AFROATITUDE tem sustentabilidade por ter sido planejado e elaborado com base na política atual de cotas da Universidade Estadual de Londrina com duração mínima prevista de 7anos. Além disto, a Universidade já desenvolve projetos e serviços referentes a questão em consonância com as diretrizes municipais e estaduais. Iniciou na presente gestão a construção de pianos de ações para trabalhar questões relacionadas a prevenção de DST/Aids e dos riscos do uso de drogas com a população interna (técnicos-administrativos, docentes e discentes) da UEL, sendo que estes começaram a ser realizados de forma mais sistemática no inicio de 2004. A implantação do sistema de cotas para negros tem como principal objetivo contribuir para diminuir as desigualdades de acesso destes na Universidade Estadual de Londrina. As atividades relacionadas as pesquisas sobre a população negra deverão contribuir para o conhecimento objetivo da sua condição social e econômica levando a superação das desigualdades a que esta submetida. O combate da discriminação e do racismo deve se tomar um compromisso de toda sociedade. O projeto UEL AFROATITUDE proporcionarão desenvolvimento de pesquisas sobre as relações raciais e o processo de vulnerabilidade a que esta submetida a população negra. Uma sociedade mais equânime beneficia a todos. Outro ponto que fortalece a sustentabilidade do presente projeto e o fato de que tanto as instituições externas quanta os Cursos, Projetos, Programas e Setores da UEL que foram inseridos no projeto UEL AFROATITUDE tem o compromisso com a formação acadêmica e de cidadãos plenos. Por último destaca-se que os projetos internos e externos em sua maioria já iniciaram ações em conjunto com os serviços referenciais de saúde, sendo isto um fator facilitador no sentido do envolvimento e da organização de atividades coletivas durante todo o processo. A cidade de Londrina é localizada numa das regiões de maior dinamismo econômico do Estado do Paraná, caracterizando-se como centro sub-metropolitano, inclusive com ação extra-regional em seus serviços de educação e saúde. Sendo a 2ª Cidade do Paraná e a 3ª Cidade do Sul do Brasil conta com uma população de 446.849 habitantes, sendo pelo de uma região que tem influência direta sobre 66 municípios e indireta sobre 160, totalizando 235 municípios e cerca de 4.500.000 de habitantes, localizados nos Estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. O envolvimento com atividades do SUS será estabelecido através das atividades realizadas pelo Hospital Universitário (HU) e Ambulatório do Hospital de Clínicas (AHC) da Universidade Estadual de Londrina UEL e pela Secretaria Municipal de Saúde de Londrina. O envolvimento do Hospital Universitário esta ligado as atividades realizadas pela Unidade de Moléstias Infecciosas do HU e Ambulatório Interdisciplinar de Atendimento a Portadores de HIV e Doentes de Aids do HC da Universidade Estadual de Londrina - UEL, sob a coordenação da Medica Docente Susana Lilian Wiechmann. A Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde participarão do Projeto através do Centro Integrado de Doenças Infecciosas (CIDI). As Coordenações Estaduais e Municipais de DST/Aids serão comunicadas sobre o desenvolvimento do projeto e convidadas a acompanharem e apoiarem o Projeto UEL AFROATITUDE. O Programa Brasil Afroatitude e o Projeto UEL Afroatitude proporcionaram aos estudantes cotistas negros o envolvimento com a pesquisa de iniciação científica sobre questões referentes à população negra e das relac6es raciais. Os estudantes participarão também de pesquisas e ações relacionadas às vulnerabilidades e epidemia das DSTs/AIDS. Londrina possui 460.910 habitantes (IBGE2002) e o município sede (pelo estadual e pelo microrregional) da microrregião de Saúde do Plano Diretor de Regionalização do SUS no Estado do Paraná. A microrregião 17 e composta por 20 municípios 7 módulos assistenciais, abrangendo uma população de 766.129 habitantes. A população negra em Londrina e de 23% (IBGE). Não existe um estudo sistemático sobre a população negra em Londrina, não há dados analisados sobre sua situação econômica, educacional, social, cultural etc. O projeto UEL Afroatitude contribuirá para a realização de pesquisas que farão um diagnóstico da situação da população negra proporcionando condições para uma intervenção direcionada na perspectiva de diminuir as desigualdades existentes. Segundo o Ministério da Saúde (1985-2003) foram notificados em Londrina 1356 casas (13 anos ou mais), destes 918 vivos. Existem em acompanhamento no HU 56 casos (menores que 13 anos) e 44 exposed. No ano de 2004 (janeiro a novembro) foram notificados 71 novos casos. Londrina ocupa o 39° lugar em incidência de Aids (por 100.000 habitantes) e 70° posição em relação ao coeficiente/incidência. Os principais serviços de assistência e tratamento as pessoas com HIV e Aids são o Hospital Universitário (HU), Ambulatório do Hospital de Clínicas (AHC), Centro Integrado de Doenças Infecciosas (CIDI), Assistência Domiciliar Terapêutica (ADT), Centro de Aconselhamento, Orientação Sorológica (COAS),e as ONGs Casa de Apoio (Recanto Amigo de Jaguapita) e Associação Londrinense Interdisciplinar de AIDS (Alia). Não existe demanda reprimida. O Hospital Universitário e pioneiro no atendimento interdisciplinar desde 1987 a portadores e doente de Aids (ambulatorial, internação e HU). É o local de referência para Londrina e Região para internação e HU tanto para adultos como para crianças com Aids. Existem dois SAE, o do AHC - Ambulatório do Hospital de Clínicas vinculado ao HU e o CIDI - Centro Integrado de Doenças Infecciosas, vinculado a Secretaria Municipal de Saúde. No atendimento ambulatorial (SAE), além do atendimento aos adultos, o HU conta, desde 1996, com atendimentos especializados para crianças e adolescentes soropositivos e expostos ao HIV, constituindo-se no clínico serviço especializado da região Norte do Paraná e, para a operacionalização deste trabalho conta com uma equipe interdisciplinar compostas pelas áreas de enfermagem, farmácia, medicina, nutrição, psicologia e serviço social. O Serviço de Bem-Estar a Comunidade - SEBEC, que é um órgão de Apoio, ligado diretamente a Reitoria da UEL e que tem como finalidade implantar políticas institucionais que promovam o bem-estar da Comunidade Universitária, conta com dois serviços interligados: O de Saúde Mental e o de Prevenção e Educação em Saúde. O SEBEC iniciou ações na área de prevenção de DSTs em parceria com diversas organizações da comunidade de Londrina. As ações foram planejadas com o objetivo de sensibilizar estudantes, técnicos-administrativos e docentes quanta a sua vulnerabilidade em relação às infecções de DSTs, alem de ampliar a formação dos estudantes sobre o assunto, uma vez que os mesmos poderão vir a ser multiplicadores quando forem trabalhar na Comunidade Externa. O impacto previsto refere-se à melhoria da qualidade de vida e de acesso a cidadania das pessoas envolvidas no projeto; incremento nas pesquisas na área dentro do Município de Londrina e na UEL; contribuição para a compreensão da vulnerabilidade e da infecção do HIV; sensibilização e formação de multiplicadores na área de prevenção de DST/HIV/Aids; fortalecimento do trabalho em rede; Produção de conhecimento sobre a população negra em Londrina e desenvolvimento de ações relacionadas ao combate ao racismo e todas as formas de discriminação.

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Projeto: PROGRAMA REGIONAL DE CAPACITAÇÃO, ENSINO E PESQUISA EM CUIDADOS MATERNO-INFANTIS, ESPECIALMENTE AOS PORTADORES/DOENTESHIV/AIDS
Coordenador: SUZETE MARCHETO CLAUS
Resumo: A Universidade Comunitária de Caxias do Sul (UCS) é uma instituição de ensino superior, comunitária e regional, com atuação na região nordeste do estado do Rio Grande do Sul. Sua atuação se estende para 70 municípios, compreendendo uma população de mais de um milhão de habitantes. Com mais de 31 mil alunos, denter os 55 cursos de graduação oferecidos pela UCS, temos os cursos de medicina, enfermagem, farmácia, biologia, fisioterapia e educação física. Como universidade comunitária, a UCS procura manter-se em permanente diálogo com a sociedade. O presente projeto, pela sensibilização e capacitação dos profissionais de saúde da graduação e pós-graduação, incluindo seu staff no primeiro momento, tem por principal objetivo ampliar a oferta de profissionais de saúde de outros serviços de saúde da área de abrangência da UCS. Este projeto se estende aos profissionais do serviço de diagnóstico, previsto na implementação do laboratório que será também um centro de treinamento para profissionais da área, e os profissionais das Unidades Básicas de Saúde (coleta e aconselhamento).

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Projeto: DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIA FARMACÊUTICA PARA A PRODUÇÃO DE CINCO ANTIRETROVIRAIS DO COQUETEL HIV/AIDS
Coordenador: NUBIA BOECHAT
Resumo: Far-Manguinhos, Unidade Técnico-Científica da Fundação Oswaldo Cruz, tem como objetivo principal ser a centro de referência para a Sistema Único de Saúde, na área de produção de medicamentos e correlatos. Só no ano passado, a Ministério da Saúde economizou mais de R$ 200 milhões ao adquirir de Far-Manguinhos medicamentos por preços em média 60% mais baixos do que as de mercado. Em 2003, foram produzidas 1.7 bilhão de unidades farmacêuticas (comprimidos, cápsulas, pomadas e cremes), superando em 24% a produção de 2002 e em dez vezes a produção de 1997, quando Far-Manguinhos produzia 170 milhões de unidades. São medicamentos utilizados no tratamento de diabetes, hipertensão, tuberculose, anemias, hanseníase, além de ansiolíticos, antiinflamatórios, analgésicos, antibacterianos, corticóides, neurolépticos e anti-retrovirais e outros. Em 2002, Far-Manguinhos atendeu aproximadamente 47% da demanda de anti-retrovirais do Ministério da Saúde. Dentre os laboratórios públicos oficiais, Far-Manguinhos tem um papel de destaque no Programa Nacional de AIDS. Sua importância e fruto de um longo período de investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico em fármacos e medicamentos, o que explica a sua atuação como suporte técnico junto ao Ministério da Saúde nas negociações de redução de preços dos ARVs. Um fato que deve ser mencionado e a assessoria prestada par Far-Manguinhos a países africanos e latino-americanos interessados em compartilhar o conhecimento brasileiro no combate à aids. Far-Manguinhos pretende capacitá-Ios na produção de sete anti-retrovirais, reduzindo custos de importação de medicamentos par esses países e auxiliando no tratamento da população atingida pela epidemia de aids. Os cinco medicamentos que pretende-se desenvolver estudos de desenvolvimento tecnológico e que atualmente estão sob patente, fazem parte do grupo de medicamentos utilizados na terapia de pacientes HIV positivo e em conjunto consomem mais de 60 % do orçamento do DST/AIDS. Pretende-se ao final destes cinco desenvolvimentos obter três lotes pilotos de cada medicamento, realizar a acompanhamento da estabilidade pelo tempo necessário e não inferior a dois anos, fazer a levantamento de custos, assim como as testes de equivalência farmacêutica e bioequivalência. Desta forma apoiar as ações do Ministério da Saúde no que for necessário.

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Projeto: AVALIAÇÃO DE ACEITABILIDADE DE PARTICIPAÇÃO EM ENSAIOS COM VACINAS ANTI-HIV EM COORTE DE INCIDÊNCIA EM BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS 2004
Coordenador: DIRCEU BARTOLOMEU GRECO
Resumo: Em 1992, a CNDST/Aids, em colaboração com a OMS, estabeleceu três centros de avaliação de vacinas anti-HIV, em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Nestes centros foram iniciados a partir de 1994 estudos de coorte, aberto, multicêntrico, envolvendo pesquisadores dos três estados. O coorte iniciado em Belo Horizonte em outubro de 1994 foi denominado Projeto Horizonte. Seus objetivos incluem o estabelecimento e acompanhamento por período médio de três anos, de coorte aberto de homossexuais e bissexuais masculinos para: a) Avaliar a real factibilidade de estabelecer este tipo de coorte e manté-lo por período prolongado; b) Determinar a incidência da infecção pelo HIV; c) Avaliar o impacto de programas preventivos na incidência do HIV; avaliar a eficácia do aconselhamento e das intervenções educacionais na taxa de incidência; d) Avaliar a possibilidade de conduzir um ensaio clínico com vacinas candidatas anti-HIV com os voluntários recrutados deste coorte, como parte integrante do Plano Nacional de Vacinas anti-HIV do Ministério da Saúde; e) Discutir os diferentes aspectos éticos e técnicos de ensaios c1inicos conduzidos com vacinas candidatas preventivas anti-HIV, a representação social do HIV/AIDS, para responder diversas perguntas: como são motivadas as pessoas para participar de tais ensaios; como descobrir e utilizar as tendências de modificação de comportamento que podem ser importantes para diminuir o risco de infecção ao pelo HIV; como melhor informá-los e como disponibilizar procedimentos de informação livre e esclarecido culturalmente apropriados; como informar sobre o racional de ensaios duplo-cego em testes com vacinas. O Centro de vacinas anti-HIV de Minas Gerais e coordenado pela UFMG é composto por quatro componentes: comportamental, epidemiológico, clínico e laboratorial. O Projeto Horizonte tem aprovação e suporte financeiro do Ministério da Saúde e da UNAIDS. A epidemia de AIDS ainda esta em expansão em nosso pais e ha a necessidade incontestável do monitoramento da verdadeira incidência da infecção pelo HIV. Desta maneira, o conhecimento da incidência em diversos grupos populacionais e: a) essencial para se conhecer o real espectro da epidemia no Brasil; b) imprescindível para avaliar o impacto das medidas preventivas. Além disto, a manutenção e a expansão de coortes deste tipo será crucial para o planejamento e realização de ensaios clínicos para vacinas candidatas anti-HIV.

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Projeto: Preparação para Testes com Vacinas e microbicidas em Curitiba: Infra-estrutura e caracterização preliminar.
Coordenador: MARIANA THOMAZ
Resumo: É reconhecido que o elevado grau de variabilidade genética do HIV-1 ocasiona uma evolução diferencial das variantes virais, com uma regionalização, como sub-epidemias (Coffin, 1992; Morgado, 1994;Sabino, 1996; UNAIDS, 1997; Bongertz, 2000, Soares, 2003; Ezparza, 2003). A diversidade do HIV associada a uma importante variabilidade de seu genoma e a característica fundamental deste retrovírus (Coffin, 1992). A globalização crescente favorece o intercambio de vírus circulantes em regiões diferentes (Quinn, 1996), permitindo tanto a introdução de novas variantes (Louwagie et aI., 1993; WHO, 1994; Fransen ., 1996; Galai , 1997; Gadkari ., 1998;), como a conseqüente recombinação genética destas variantes (Felsenstein & Yokoyama, 1976; Donald 1997, Burke, 1997, Litsola 1998, Carr,2001). O Brasil com diferentes variantes circulantes e um ambiente favorável a esta recombinação. Tais variações podem determinar, diferentes graus de resistência aos anti-retrovirais. O impacto potencial destas variações para o desenvolvimento de vacinas e significativo (UNAIDS, 1998). Com isso, o reconhecimento das características dos vírus circulantes torna-se de fundamental importância para as medidas de controle da epidemia (DIETRICH, 94, Gadkari, 1998), modificações em testes sorológicos usuais tem permitido a identificação de infecção recente (Janssen, 1998) favorecendo o entendimento da dinâmica epidêmica. Um dos estudos que pode contribuir com esta proposta e a determinação dos epítopos virais para células citotóxicas (CTL) específicas para o HIV. A identificação desses epítopos, sua proporções nas diferentes variantes circulantes e a avaliação de sua prevalência para os vírus incidentes poderão, numa etapa posterior, contribuir no desenvolvimento de produtos vacinais adequados a realidade brasileira. Além disso, a estimativa da taxa de incidência do HIV também se coloca como fator importante na tomada de medidas mais efetivas para conter o avanço do HIV/Aids. O reconhecimento das infecções recentes pode contribuir para o aprimoramento das ações de vigilância epidemiológica, assim como permitira o acompanhamento da infecção pelo HIV em indivíduos e na coletividade, o monitoramento de grupos de pessoas HIV negativas com risco acrescido vai permitir a avaliação da soroconversão, em situações em que esta ocorrer, assim como a identificação dos fatores sócio comportamentais associados. O Projeto será desenvolvido na cidade de Curitiba, que conta hoje com 1.700.000 habitantes. O sistema municipal de saúde conta com 105 unidades de saúde, das quais 97 são Unidades Básicas, com 7 referências para atendimento ambulatorial de pessoas vivendo com HIV e Aids. A partir de março de 1999, foi introduzida a testagem de gestantes no pré-natal, com realização de aproximadamente 1300 exames por mês nesta população, sendo encontrada soroprevalência em cerca de 1,0%. Em dezembro de 2003, a testagem para detecção do HIV vem sendo ofertada atraves das Unidades Básicas, com uma media de procura e realização de 2554 exames por mês, e soroprevalência em torno de 2,51%. São realizados cerca de 546 exames por mês no CTA, com soroprevalência de aproximadamente 4,3%. A média de não retorno no CTA para busca de resultados e de 7 %, considerado baixo para os padrões nacionais. A coleta dos exames e descentralizada, com utilização de código de barra, sendo as amostras transportadas ao Laboratório Municipal, o qual realiza cerca de 3.100 exames por mês de anti-HIV, com realização dos confirmatórios, através dos exames Western Blot e Imunofluorescencia. A coleta de CD4 e de carga viral e realizada no próprio laboratório, atendendo cerca de 600 pacientes/mês, servindo de referência para todos os serviços especializados ambulatoriais do SUS em Curitiba, com exceção do Hospital de Clínicas. O tempo médio de entrega de resultados negativos em toda a rede municipal e de 3 a 5 dias e 7 dias para resultados positivos. Além dos atendimentos nos serviços de referência, as equipes médicas das unidades básicas foram recentemente capacitadas a realizar o acompanhamento ambulatorial do portador do HIV assintomático, com protocolo específico.

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Projeto: ORIENTACÃO FARMACÊUTICA EM DST NAS DROGARIAS DO DISTRITO FEDERAL: UM ESTUDO EXPERIMENTAL CONTROLADO DE INTERVENÇÃO.
Coordenador: JANETH DE OLIVEIRA SILVA NAVES
Resumo: As DST estão entre as seis maiores causas de procura por atendimento nos centros de saúde (Brasil, 1999). A OMS estima que ocorram no Brasil cerca de 12 milhões de DST por ano, e que 70% dessas pessoas, com alguma DST, busquem o primeiro atendimento em farmácias. As farmácias e drogarias da rede privada no Brasil, são responsáveis pelo fornecimento de 76% dos medicamentos diretamente a população (MF, 2003). Embora haja, no Brasil, a exigência legal da presença do farmacêutico de formação superior como responsável técnico pela drogaria, o balconista é ainda o profissional mais disponível para o atendimento da população e dispensação de medicamentos, mesmo que minimamente qualificado (Barros, 1997). Não há, até o momento, nenhuma exigência legal quanta à formação e qualificação deste profissional. A dificuldade de acesso a serviços de saúde, a falta de orientação quanto ao uso racional de medicamentos e a automedicação são uma realidade no Brasil, onde a população encontra-se excessivamente exposta a propaganda de medicamentos, sem ter acesso à informação sobre os riscos associados ao seu uso indiscriminado (Castro, 2000). Pesquisa desenvolvida do Distrito Federal verificou que apenas 18,7% dos pacientes que tem atendimento no SUS compreendem a prescrição, mostrando a necessidade de reforçar a prática da orientação farmacêutica para melhorar a adesão ao tratamento e a compreensão do paciente sobre a sua patologia (Naves e Silver, 2002). Portanto, estabelecer parcerias educativas com estabelecimentos farmacêuticos é de fundamental importância para a saúde pública.

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Projeto: Contas Nacionais em AIDS - Brasil , 2003 e 20042
Coordenador: SERGIO FRANCISCO PIOLA
Resumo: As Contas Nacionais em DST/Aids consistem na contabilização sistemática, periódica e exaustiva dos gastos e fluxos de financiamento relacionados com o controle da epidemia. Seu objetivo e determinar o montante de recursos destinados a prevenção e ao tratamento da Aids, as fontes (públicas e privadas, internas e externas) que suportam o financiamento, as instituições que canalizam e gerenciam os recursos, assim como aquelas que os utilizam, os programas desenvolvidos e os gastos realizados. Com esse objetivo, o Programa Conjunto com as Nações Unidas para HIV e Aids (UNAIDS), por meio do SIDALAC e em colaboração com a Fundação Mexicana para a Saúde (FUNSALUD), desde 1999, vem incentivando o estudo dos níveis e os fluxos de financiamento e de gasto para a prevenção e tratamento da Aids para diversos parses da America Latina e Caribe. Na primeira fase do Projeto (1999), 0 Brasil, México, Guatemala e Uruguai completaram o exercício. No Brasil foi feita a consolidação dos gastos em HIV/AIDS a nível federal e foram realizadas estimativas preliminares referentes ao gasto de empresas, de estados e municípios e o gasto das famílias para os anos de 1997 e 1998. Os resultados foram apresentados no relaório "Brasil: Contas em AIDS - Gasto publico federal em 1997 e 1998 e estimativa do gasto nacional em 1998", de dezembro 1999. A segunda fase do Projeto, que envolveu os quatro países citados, teve como objetivo atualizar os dados sobre o gasto federal com prevenção e tratamento da aids para os anos de 1999 e 2000 e estimar, com maior precisão os gastos descentralizados e privados. Concomitantemente, outros 15 parses da America Latina e Caribe deram início a primeira fase do Projeto de Contas Nacionais em HIV/Aids e contaram, para isso, com a assistência técnica de equipes dos parses que já se encontravam na segunda fase de estimativas. 0 estudo do Brasil foi publicado em 2002. Apesar do esforço para aprimorar a metodologia de contabilização dos gastos descentralizados e privados, a pesquisa de Contas Nacionais no Brasil ainda oferece uma serie de limitações. De forma a sanar as deficiências encontradas, varias foram as recomendações propostas no estudo 1999/2000, visando o aperfeiçoamento de pesquisas futuras, a saber: a) Elaborar amostra mais significativa de municípios para levantamento rotineiro dos gastos com DST-Aids com recursos pr6prios, aprimorando o questionário já testado nesse estudo; b) Incluir no cadastramento das Organizações não Governamentais (ONGs), que tem convênios ou instrumentos de cooperação (TC ou CFA) com o PN/DST-Aids, informações que permitam a expansão das informações obtidas por meio de inquérito amostral. c) Realizar pesquisa, com o apoio da rede de organizações de apoio a doentes de aids e positivos, com o objetivo de obter maiores informações sobre a "cesta de consumo de serviços assistenciais" dessa população. A hipótese e que tal população recorre a diferentes modalidades de atendimento, dependendo de sua vinculação ou não ao segmento de pianos e seguros de saúde e do tipo de serviço demandado. d) Estimular o desenvolvimento de estudos de custos de diferentes tipos de serviços e aperfeiçoar os dados de cobertura; e) Estreitar a aproximação entre os estudos sobre Contas Nacionais em Aids e o esforço que esta sendo iniciado pelo Ministério da Saúde e outras entidades para a elaboração das Contas Nacionais em Saúde. Apesar do esforço para aprimorar a metodologia de contabilização dos gastos descentralizados e privados, a pesquisa de Contas Nacionais no Brasil ainda oferece uma serie de limitações. De forma a sanar as deficiências encontradas, varias foram as recomendações propostas no estudo 1999/2000, visando o aperfeiçoamento de pesquisas futuras, a saber: f) Elaborar amostra mais significativa de municípios para levantamento rotineiro dos gastos com DST-Aids com recursos próprios, aprimorando o questionário já testado nesse estudo; incluir no cadastramento das Organizações não Governamentais (ONGs), que tem Este projeto de estimação dos gastos nacionais com aids, para os anos de 2003 e 2004, pretende dar continuidade aos estudos realizados para o período de 1997 a 2002, os quais já foram publicados. Esta proposta tem por objetivo: (i) consolidar os gastos federais com aids em 2003 e 2004, dispersos em vários bancos de dados e fontes de informação do Ministério da Saúde; (ii) regionalizar esses dispêndios federais; (iii) realizar estimativa dos gastos públicos subnacionais (estados e municípios) em aids para o ano de 2004. O conhecimento mais atualizado dos montantes e da distribuição dos recursos públicos destinados a prevenção e tratamento da DST/Aids e acompanhamento de sua evolução se constitui em ferramenta importante para gestão nacional do programa. A Coordenação Nacional já possui estudos sobre os gastos públicos com DST/Aids para o período de 1997 a 2002 e sua atualização para 2003 e 2004 permitirá a consolidação de dados sobre o financiamento público no combate a epidemia. Como já ocorreu na elaboração de Contas Nacionais para o período 2001/2002, o PN-DST-Aids optou por dar prioridade, no período 2003/2004 ao levantamento dos gastos públicos (federal, estadual e municipal) de forma mais detalhada, incluindo sua regionalização, por entender que, desta forma, estaria atendendo, de maneira mais agi) e adequada, as necessidades de gestão do Programa Nacional.

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Projeto: AVALIAÇÃO NACIONAL DA DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS PARA AS PVHA.
Coordenador: MARIA AUXILIADORA OLIVEIRA
Resumo: A formulação do projeto contempla as orientações presentes na Resolução CNS 196/96 (Brasil, 1996), e será submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública para apreciação.

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Projeto: Preparação de sítios para testes com microbicidas ou produtos vacinais contra o HIV/AIDS: Monitoramento da evolução da patogênese viral através do seguimento de uma população infectada pelo HIV .
Coordenador: PAULO RICARDO DE ALENCASTRO
Resumo: O projeto se propõe a preparar unidades do SUS da região metropolitana de Porto Alegre para participar de testes de eficácia com produtos vacinais ou microbicidas contra a AIDS. Este projeto pretende contribuir na obtenção de dados preliminares sobre a evolução clínica usual e favorecer a identificação e a organização da infra-estrutura necessária a esta atividade. Ainda, acompanhar a evolução dos infectados em estudos e tanto um compromisso com os voluntários destes estudos como uma necessidade de vigilância em saúde pública. Tanto a avaliação da eficácia patogênica como o seguimento destes voluntários implica na preparação desta rede de suporte. Este projeto devera atuar nesta área através da caracterização e geração de infra-estrutura de pesquisa em unidades locais que atuam junto a uma população de voluntários soropositivos para HIV. A padronização do monitoramento clínico-laboratorial, que será à base de estudos clínicos como com produtos vacinais, será implementada e avaliada. Serão recrutados 200 indivíduos da população que apresente testes sorol6gicos positivos para o HIV em serviços públicos, em especial no Serviço de Assistência Especializada do Complexo Hospitalar Sanatório Parthenon, participante ativo, do esforço estadual de preparação para vacinas contra HIV/Aids. Estes indivíduos, que são rotineiramente encaminhados aos serviços de saúde para seguimento clínico usual, serão convidados a participar de um seguimento monitorado. Os voluntários que concordarem e assinarem consentimento esclarecido participarão de seguimento clinico que envolvera, adicionalmente aos testes laboratoriais, visitas, consultas individuais ou em grupo para trabalhar adesão, investigação através de questionários, avaliações laboratoriais e retornos extras que possibilitarão responder as diferentes questões deste estudo. Independentemente da participação no estudo, os indivíduos serão avaliados quanto a necessidade de tratamento e farão usa de medicamentos conforme o consenso vigente de usa de medicamentos antiretrovirais combinados (disponível em www.aids.gov.br/assistencia).

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Projeto: IMPLEMENTACAO DO LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DO COMPLEXO HOSPITALAR DE DOENÇAS INFECTO-CONTAGIOSAS - DR. CLEMENTINO FRAGA REFERÊNCIA ESTADUAL NO TRATAMENTO DE PACIENTES COM HIV/AIDS
Coordenador: RAUL DA CAMARA COSTA FILHO
Resumo: O Complexo Hospitalar de Doenças Infecto-Contagiosas - Dr. Clementino Fraga - CHCF destaca-se dentre as demais instituições de saúde por ser referência no Estado da Paraíva e cidades circunvizinhas dos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará no tratamento aos pacientes portadores do HIV/AIDS, tanto a nível de intervenção como ambulatorial através de equipes multiprofissionais (Infectologistas, Pneumologistas, Pediatra, Dermatologistas, Nutricionistas, Psicólogos, Assistentes Sociais, Fisioterpeutas, Engenheiro Químico no tratamento de água, Educador Físico, etc) devidamente treinadas e distribuídas nos diversos serviços deste Complexo (SAE, ADT, HD e INTERNAÇÕES), sendo o pioneiro no Diagnóstico e Tratamento do HIV/AIDS no estado da Paraíba. Está localizado na Rua Ester Borges Bastos, S/Nº - Jaguaribe - João Pessoa/PB, próximo à Secretaria de Estado da Saúde, Hemocentro e Unidades Hospitalares como por exemplo: Hospital do Câncer Napoleão Laureano, Hospital São Vicente de Paula, etc. O CHCF foi criado na década de 1950 pelo Ministério da Saúde através do Programa Nacional de Tuberculose no atendimento aos portadores de Tuberculose, denominado "SANATÓRIO CLEMENTINO FRAGA", constituído de uma clientela carente. Posteriormente passou a ser proporcionando campo de estágio para os Universitários. No Final da década de 1980, o CHCF passou a ser mantido pela Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba, denominando-se Complexo Hospitalar de Doenças Infecto-Contagiosas - Dr. Clementino Fraga, abrangendo o atendimento a Pneumologia Sanitária, Dermatologia Sanitária e HIV/AIDS. A Paraíba destaca-se no setor econômico nas atividades agro-pecuárias, na transformação de produtos minerais e metálicos, têxtil e alimentar. O município de João Pessoa compreende uma população aproximada de 600 mil habitantes, com um média de crescimento anual de 6%, destacando uma população ativa entre 14 a 50 anos. Considerando o CHCF com suas atividades voltadas principalmente para o atendimento HIV/AIDS, com qualidade e eficiência, aspira-se poru uma Implementação do Laboratório de Análises Clínicas deste Complexo, proporcionando assim resultados mais rápidos e mais confiáveis, facilitando assim a propedêutica e tratamento deta patologia. Todos os exames laboratoriais são realizados por Bioquímicos treinados e qualificados, realiza-se em média 400 exames diários de forma manual, o que acarreta uma grande demora na objtenção dos resultados, prejudicando a propedêutica e tratamento dos pacientes HIV/AIDS. Também é sabido que os procedimentos de análise laboratorial manual pode acarretar diversos erros que são inerentes ao manuseio, como por exemplo: titulação, leitura, etc... Outro fator que deve ser levado em consideração é a biosegurança dos profissionais, pois quanto mais exposto a materiais biológicos, maior a probabilidade de contaminação, mesmo utilizando os EPI's necessários. O pleito também justifica-se com o advento do Programa FIQUE SABENDO, cujo objetivo principal é a conscientização da população para a testagem sorológica para o HIV o que aumentará o número de exames, com o diagnóstico precoce dos soropositivos, proporcionando acompanhamento clínico com melhor qualidade de vida.

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Projeto: PROTOCOLO COLABORATIVO MULTICENTRICO BRASILEIRO PARA AVALIAR AS TAXAS DE TRANSMISSAO MATERNO INFANTI.
Coordenador: Regina Celia Menezes Succi
Resumo: Trata-se de um estudo prospectivo de coorte para o acompanhamento de crianças nascidas de mães infectadas pelo HIV antes, durante ou ate seis meses apos o parto. O estudo visa agrupar dados de serviços representativos das cinco macro-regiões brasileiras para estimar a taxa de transmissão vertical do HIV no pais, entre crianças nascidas no período compreendido entre os meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2007. Estamos solicitando recursos para a primeira etapa do projeto referente ao período de abril a dezembro de 2004. Considerando-se que o estudo anterior analisou dados de crianças nascidas no período compreendido entre janeiro de 2000 e dezembro de 2002, o período compreendido entre janeiro e dezembro de 2003, será analisado de forma retrospectiva (nos serviços que já participaram do estudo anterior e continuarão no estudo prospectivo) para não haver descontinuidade na coleta da informação referente à taxa de transmissão vertical do HIV no país. A amostra deverá ser representativa do que ocorre no país e deverá permitir comparação com os dados obtidos no estudo anterior. Para isso, pretendemos incluir parte dos serviços que participaram do estudo anterior e que sejam representativos das cinco macro-regiões do país. Os serviços selecionados devem responder por pelo menos 50% dos casos incluídos no estudo anterior. Da região Norte serão incluídos nos serviços (estados do Para e Amazonas); os casos enviados por esses dois serviços para o estudo anterior representaram 84% dos casos incluídos na região. Da região Nordeste serão incluídos quatro serviços (Pernambuco, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte) que contribuíram com 75% dos casos incluídos na região. Da região centro-oeste serão incluídos dois serviços (Distrito Federal e Goiás) que contribuíram com 77,5% dos casos incluídos na região. Da região Sul serão incluídos três serviços (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) que contribuíram com 68% dos casos incluídos na região. Da região Sudeste serão incluídos seis serviços (dois do Rio de Janeiro, três de São Paulo e um do Espírito Santo) que contribuíram com 68% dos casos incluídos na região. Estima-se que pelo menos 800 pares mães - bebes sejam incluídos no estudo a cada ano. Uma ficha de registro padronizada será utilizada para a coleta de dados em todos os centros envolvidos. Espera-se que cada centro designe uma pessoa que ficara responsável pelo registro dos dados e pela comunicação com o coordenador do projeto, alem do envio de to do o material via e-mail, fax e via correio regular. Um relatório com o número de casos incluídos no período e as fichas preenchidas devera ser enviado para a coordenação do projeto ao final de cada meso mesmo na eventualidade de não haver casos novos incluídos no período, cada unidade participante devera enviar o relatório mensal ao coordenador do projeto.

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Projeto: PREPARAÇÃO DE SÍTIOS PARA TESTES COM MICROBICIDAS OU PRODUTOS VACINAIS CONTRA O HIV/AIDS: AVALIAÇÃO DA EVOLUÇÃO DA PATOGÊNESE VIRAL ATRAVÉS DO SEGUIMENTO DE POPULAÇÕES INFECTADA PELO HIV.
Coordenador: CYNARA CARVALHO NUNES
Resumo: O projeto se propõe a preparar unidades do SUS da região para participar de testes de eficácia com produtos vacinais ou microbicidas contra a AIDS. Este projeto pretende contribuir na obtenção de dados preliminares sobre a evolução da infecção pelo vírus HIV 1 (aspectos clínicos, imunológicos, virológicos) e favorecer a identificação e a organização da infra-estrutura necessária a esta atividade. Ainda, acompanhar a evolução dos infectados em estudos e tanto um compromisso com os voluntários destes estudos como uma necessidade vigilância em saúde pública. Tanto a avaliação da patogenicidade dos diferentes subtipos do vírus HIV I(B,C e B/C) como 0 seguimento destes voluntários implica na preparação desta rede de suporte. Este projeto deverá atuar nesta área através da caracterização e geração de infraestrutura de pesquisa em unidades locais que atuam junto a uma população de voluntários HIV positivos. A padronização do monitoramento clínico-laboratorial, que será base de estudos clínicos assim como com produtos vacinais, será irnplementadas e avaliada. Serão recrutados 200 indivíduos da população que apresente testes sorológicos positivos para o HIV em serviços públicos (CTA,Unidades básicas, PSF) em especial em serviços participantes do esforço estadual de preparação para vacinas contra HIV/Aids. Estes indivíduos, que são rotineiramente encaminhados a serviços de saúde para seguimento clínico usual, serão convidados a participar de um seguimento monitorado. Os voluntários que concordarem a assinarem consentimento esclarecido, terão este seguimento clínico que envolverá, adicionalmente aos testes laboratoriais visitas e eventuais tratamentos padrões; investigação através de questionários, avaliações laboratoriais e retornos extras que possibilitarão responder as diferentes questões deste estudo

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