Brasil vai produzir teste rápido para sífilis

A partir do ano que vem, o Brasil vai produzir testes rápidos para diagnóstico de sífilis. Uma transferência de tecnologia será assinada no dia 29 de novembro, na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, entre a empresa americana Chembio e a nacional Biomanguinhos. A expectativa é de que, em abril de 2011, os kits estejam disponíveis pela primeira vez no país para serem oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS). A produção nacional vai baratear os custos para o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde e ampliar o acesso ao diagnóstico da sífilis.
Inicialmente, estima-se que a demanda do SUS é de 1 milhão de testes. Com o diagnóstico precoce, é possível realizar o tratamento de gestantes e seus parceiros, com o intuito de reduzir a transmissibilidade e eliminação da sífilis congênita. A prevalência de sífilis em gestantes no Brasil encontra-se em 1,6%, quatro vezes maior que a do HIV, representando cerca de 48 mil gestantes infectadas, com estimativa de 12 mil casos de sífilis congênita por ano.
“Nosso foco será principalmente testar os casais para a quebra da cadeia de transmissão. O teste é um instrumento importante para a prevenção da transmissão vertical da sífilis em gestantes. Esse é um grande marco para o país”, informa a assessora técnica do Departamento, Lilian Inocêncio.
Em média, ocorrem no Brasil 3 milhões de partos por ano, sendo 2,5 milhões na rede pública. Todas as gestantes devem fazer o teste de sífilis durante o pré-natal, seja rápido ou tradicional. Além disso, os parceiros dessas mulheres também precisam se testar para poderem ser tratados, caso tenham resultado positivo.
Hoje, o SUS disponibiliza apenas os testes tradicionais para sífilis (VDRL e FTBAS). A oferta do teste rápido, cujo resultado fica pronto em 15 minutos, pode melhorar a notificação de casos de sífilis adquirida. A doença da forma "adquirida" passou a ter notificação compulsória em 2010.
De acordo com o último Boletim Epidemiológico, em 2008, foram registrados, no Brasil, um total de 5.506 casos de sífilis congênita em menores de um ano de idade. De 2005 a junho de 2009, o número de casos foi de 25.202. Já durante o pré-natal, somente no ano de 2008, foram 6.955 notificações de sífilis em gestantes. Desde 2005, foram diagnosticadas 19.608 gestantes com a enfermidade.
TELELAB – Além da transferência de tecnologia, na Fiocruz, serão lançados novos cursos de ensino a distância do Telelab. Dentre os temas estão: testes rápidos do HIV, coleta de sangue, biossegurança em laboratório, diagnóstico de sífilis e diagnóstico de HIV. Os cursos do Telelab capacitam profissionais de saúde de todo o país.
O Telelab foi criado em 1997, com o objetivo de realizar treinamento a distância de profissionais em serviço do diagnóstico laboratorial das DST, aids, hepatites virais, tuberculose e daqueles pertencentes a Centros de Hemoterapia, totalizando atualmente 25 cursos. No decorrer dos anos, mais de 210 mil profissionais foram treinados utilizando essa ferramenta.
CONCEITO - A sífilis pode ser transmitida de uma pessoa para outra durante o sexo sem camisinha com alguém infectado, por transfusão de sangue contaminado ou da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto. O uso da camisinha nas relações sexuais e o correto acompanhamento durante a gravidez são meios simples, confiáveis e baratos de se prevenir.
A sífilis é uma doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum e pode se manifestar em três estágios. Os principais sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que a doença é mais contagiosa. Saiba mais sobre a doença.
SINAIS E SINTOMAS - O primeiro sintoma da doença é uma pequena ferida no órgão genital e caroços nas virilhas (ínguas), que surgem em média três semanas após o sexo desprotegido com alguém infectado. A ferida não apresenta dor, coceira, ardência ou pus. Mesmo sem tratamento, essas feridas podem desaparecer sem deixar cicatriz, mas a pessoa continua doente. Após seis semanas do desaparecimento da ferida, podem surgir manchas no corpo (inclusive mãos e pés) e queda dos cabelos.
A pessoa pode ficar sem sintomas de 3 a 12 anos, quando podem surgir complicações ósseas, neurológicas e cardíacas.
Recomenda-se procurar um profissional de saúde, pois só ele pode fazer o diagnóstico correto e indicar o tratamento adequado, dependendo de cada estágio. É importante seguir as orientações para curar a doença.