A Coordenação Nacional de DST e Aids realizou, em parceria com a Universidade de Brasília, pesquisa para avaliar a qualidade das ações de prevenção entre prostitutas promovidas por organizações governamentais e não-governamentais. Foram ouvidas 3 mil profissionais do sexo em 10 cidades nas regiões Nordeste (nos estados do Maranhão, Paraíba e Sergipe), Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).A pesquisa faz um retrato das profissionais do sexo: média de programas por semana, faixa etária, escolaridade, uso do preservativo com clientes e parceiros fixos e a sorologia do HIV.
A pesquisa mostra que as intervenções para a prevenção do HIV e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) dão resultado. O estudo ouviu dois grupos de profissionais do sexo, um com acesso a programas de prevenção e um segundo grupo de profissionais que não têm acesso sistemático aos programas de prevenção.
Resultados
Faixa etária: A idade média das profissionais do sexo é de 20 a 29 anos, representando 47% desta população. Em segundo lugar, estão as mulheres entre 30 e 49 anos (41%). Cerca de 8% das mulheres têm entre 17 e 19 anos.
Escolaridade: 67% das mulheres não completaram o 1o grau e 8% nunca estudaram.
Renda média: 60% das profissionais ganham entre 1 e 4 salários mínimos; 7% ganham menos de 1 salário mínimo e 14% recebem 8 salários mínimos ou mais. A renda é menor no Nordeste. 17% ganham menos de 1 salário mínimo.
Tempo de profissão: 57% estão na profissão há menos de 5 anos, 20% têm entre 5 e 9 anos de trabalho e 23% têm 10 anos ou mais na profissão.
Freqüência de programas: 65% das mulheres fazem entre 1 e 10 programas semanais. 25% fazem de 11 a 30 programas por semana e 10% mais de 30 programas por semana.
DST e Aids
Uso do preservativo com o cliente (últimos 6 meses): No geral, 67% das mulheres fazem uso consistente do preservativo com seus clientes. Mas o consumo é maior entre as mulheres acessadas por projetos de prevenção (74%) que entre as mulheres que não recebem informações diretamente (60%).
Uso do preservativo com o companheiro (últimos 6 meses): 20% das mulheres usam preservativos com seus parceiros. A freqüência de uso do preservativo, neste caso, é a mesma das mulheres de uma forma geral, segundo pesquisa sobre o Comportamento Sexual do Brasileiro, realizada em 1999.
Mais uma vez, a prevenção é maior entre as mulheres acessadas por projetos, 24% contra 16% das mulheres que não têm acesso direto às intervenções.
Teste do HIV: 43% das profissionais fizeram o diagnóstico do HIV. A média de diagnóstico da população brasileira é cerca de 20%.
O número de testes sobe para 50% entre as prostitutas que participam das intervenções e cai para 37% entre as que não participam.
Consultas de rotina em unidades de saúde: 40% das profissionais fazem exame ginecológico preventivo. Média que sobe para 46% entre as que participam de projetos, contra 35% das mulheres não acessadas.
Sorologia para o HIV: A prevalência do HIV entre as profissionais do sexo foi de 6%. Estudo realizado em São Paulo, em 1996, mostrava um índice três vezes maior, 18%.
A prevalência do HIV entre profissionais do sexo é menor que o encontrado, por exemplo, entre presidiárias de Minas Gerais, em 1998 (15%). Também é menor que entre homossexuais (11%, São Paulo, 1997).
A taxa de prevalência entre profissionais do sexo no Brasil é menor que no Canadá (15%), China (10%) e Tailândia (19%) e está acima da Índia (5%) e Argentina (4%). A prevalência do HIV na população brasileira é de 0,65% e entre mulheres, 0,48%.
Ações do Ministério da Saúde e parceiros
Cento e vinte e seis projetos de intervenção comportamental e desenvolvimento institucional apoiados em todo o Brasil para esta população, resultando num investimento anual na ordem de R$ 3,5 milhões/ano e no total de 220.000 profissionais do sexo acessadas diretamente pelos projetos.