BRASIL
Pesquisa mostra que 13% deles convivem com doenças, sem se tratar
Pelo menos 13% dos caminhoneiros que circulam pelas estradas do País apresentam algum problema de saúde. A razão, aponta levantamento da Triângulo do Sol, concessionária de 442 quilômetros de rodovias no Estado de São Paulo, é a falta de tempo entre as viagens para o motorista cuidar do próprio bem-estar. Entre os problemas mais comuns, dores de dente, lesões na coluna e hipertensão.
A concessionária, que promoveu oito campanhas de avaliação médica de caminhoneiros visando diminuir o número de acidentes, aponta que os malefícios decorrem das constantes viagens a que se submetem os motoristas. Em outras palavras, trocam a saúde por uma renda maior que permita quitar as prestações dos caminhões. "Os problemas surgem porque os caminhoneiros precisam trabalhar mais", explica o inspetor De Lucas, do 1º Distrito Regional de Polícia Rodoviária Federal, responsável pelo DF e Entorno.
As queixas dos caminhoneiros atestam a rotina nociva à saúde. Além dos solavancos causados pelos buracos, outro vilão do bem-estar que destacam é a carga de horário – transporte de produtos em caráter de urgência. Júlio César Pelogia, 22 anos, passa pelo menos um mês longe de casa, em Apucarana (PR). Esse é o período que ele terá de esperar para tratar de uma dor de dente. "O jeito é aguentar até a volta", conforma-se.
A corrida contra o tempo é, muitas vezes, imposta pelo contratante. Como prêmio, os fornecedores oferecem gratificações ao motorista que entrega a carga antes do prazo combinado. "Isso, para o caminhoneiro, significa a possibilidade de quitar as prestações do veículo. Se atrasam uma parcela, começam o mês seguinte devendo R$ 8 mil", exemplica De Lucas.
Os números coletados pela PRF revelam mais sobre a saúde do caminhoneiro. Em três operações médicas promovidas nas estradas do DF, constatou-se que a hipertensão é o principal mal que aflige os motoristas. Avaliou ainda que 30% dos motoristas estão acima do peso ideal. As razões para tanto são o excesso de horas ao volante – 60% dos avaliados dirigem mais 12 horas por dia – e a má alimentação.
Mesmo livre das prestações, Dorival de Arruda, 42 anos, não pôde evitar os problemas de coluna. Há oito anos, ele enfrenta buracos, solavancos e trepidações ao volante de seu Mercedes, modelo 1978. "Quando estou sentado não dói. Mas, às vezes, não consigo levantar para assinar a nota fiscal com a empresa", conta. Nessas horas, a esposa e companheira de viagem Andréia Souza assume a tarefa.