|
O flagelo das drogas - 1/7/2005 |
|
|
| Diário Catarinense
|
|
Editorial A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou, dados alarmantes referentes ao tráfico e consumo de drogas, os quais devem ser analisados pelos poderes públicos e sociedade brasileira com a devida atenção, eis que o país, infelizmente, insere-se entre aqueles onde este problema ocorre com maior intensidade. Informa a ONU que cerca de 5% da população global, cerca de 200 milhões de pessoas, entre 15 e 64 anos de idade, consomem algum tipo de droga ilícita ao menos uma vez no ano. Alvo de especial preocupação das autoridades ligadas à repressão ao tráfico e à saúde pública é o Brasil, uma vez que o país é o segundo da América Latina com maior número de portadores do vírus da Aids entre usuários de drogas - quase 50% dos brasileiros que utilizam drogas injetáveis são portadores do HIV. Para Santa Catarina, o tema é de grande importância. Algumas cidades do Estado, como Florianópolis, Itajaí e Balneário Camboriú, estão entre as que, em relação à população total, apresentam maior índice de soropositivos que assim se tornaram por utilizarem drogas injetáveis. Alertam ainda as Nações Unidas que o Brasil se consolidou como uma das mais concorridas rotas para o tráfico de cocaína do planeta. Tal panorama não deixa dúvidas: o país precisa dar combate sem quartel ao comércio dessas substâncias ilegais, sob pena de colocar em risco parcela ponderável da atual e das futuras gerações, além de comprometer até mesmo a solidez de suas instituições. O tráfico de drogas corrói o tecido social. Retira da força de trabalho milhares de pessoas em plena idade produtiva e, graças ao fantástico volume de dinheiro que movimenta, possui enorme capacidade de cooptar integrantes das mais importantes instituições do país. O exemplo da Colômbia aí está. Nesse país, polícia, Judiciário e parlamento foram, em anos recentes, fortemente comprometidos pela avalanche de dinheiro sujo dos cartéis do tráfico. A polícia catarinense pretende deflagrar uma cruzada contra o narcotráfico, segundo informam seus dirigentes. Ainda hoje, o chefe da Polícia Civil, divulgará um programa para redução do número de homicídios na Grande Florianópolis cujo fulcro é exatamente o cerco aos traficantes e usuários e a repressão ao comércio clandestino e contrabando de armas. A sociedade agradece. O combate ao tráfico, cidade por cidade, região por região, país por país, é essencial num mundo globalizado em que transações desse tipo envolvem por vezes mais de um continente. Tanto que, segundo a ONU, o mercado mundial de drogas ilícitas movimentou em 2003 cerca de US$ 321,6 bilhões, quantia que supera o Produto Interno Bruto (PIB) de 88% dos países do mundo. Não há pois tempo a perder nesta guerra. |
| |
| Mais notícias |